27.11.11

As Férias

As Férias
Condessa de Ségur
Algures no Século XIX
Livro Infantil

Antes de mais, devo informar que a minha capa é diferente e imensamente mais divertida, pois tem um desenha realista do pequeno Paulo a ser examinado por pretinhos em África todos desnudos com penas na cabeça. Depois, devo informar que não sei exactamente porque é que li este livro. Depois de ter terminado de ler todos os livros que tinha no meu quarto, tomei como próximo projecto literário a leitura de todos os livros do quarto da minha irmã. Ora, ela tem livros da Condessa de Ségur. E eu lembro-me de gostar dos Desastres de Sofia quando era pequena. Por isso porque não?

Sem dúvida que este livro tem um valor histórico incalculável, tal como todos os livros da Condessa de Ségur. Para os parâmetros do século XIX é um livro extremamente educativo e com aventuras fascinantes. Para os parâmetros do século XXI isto é mais um watafack. As crianças falam todas como se fossem adultos (se calhar era mesmo assim que se comunicavam lá nesses tempos do antigamente?) e os seus valores são um bocado estranhos. As pessoas más são todas muito más sem nenhuma parte boa e as pessoas boazinhas são todas muito boazinhas sem nenhuma parte má. Além disso, é uma coisa um bocado religiosa de mais para o meu gosto.

Ainda assim, se as crianças que lerem este livro adquirirem os valores das crianças que estão dentro do livro não me parece mal. Fora a parte de rezar a toda a hora, mas isso é o menos.

E soube-me bem recordar a frase "grandessíssimo poltrão". Só recentemente fui ver ao dicionário o que é um poltrão. Eu pensava que era um cavalo...

O Sonho do Celta

O Sonho do Celta
Mario Vargas Llosa
2010
Romance/Biografia

O terceiro livro do Vargalhosa que leio. E é completamente diferente dos outros dois. Adorei.

Para começar, é diferente porque é uma biografia romanceada da Roger Casement, um cônsul britânico no Congo, um humanista e um lutador pela independência da Irlanda, que veio a ser condenado por traição e morto no patíbulo. Como é uma biografia, está escrito de maneira "normal". Mais uma vez vemos que Llosa tem uma tendência para organizar as suas obras ao longo dos capítulos. Aqui temos capítulos sobre as aventuras de Casement no Congo e na Amazónia Peruana intercalados com capítulos em que o homem faz uma contemplação sobre as suas acções enquanto aguarda a decisão do tribunal sobre a sua morte, isolado numa cela na prisão.

Está muitíssimo bem escrito, com uma riqueza de imagens dificilmente ultrapassável. As descrições das acções passadas contra congoleses e índios amazónicos são de uma vivacidade incrível e são impressionantes. As cenas sexuais, reais ou imaginadas, do homossexual Roger Casement, têm uma sensualidade imensa, mas não amorosa. Selvagem e furiosa, inadmissível mas, ainda assim, bela.

E o personagem, que existiu, passa a existir de novo, renovado e muito completo. Absolutamente real. É impossível que metade destas coisas não tenham sido inventadas, porque é impossível haver documentação que relate os mais ínfimos detalhes desta vida. Vargalhosa atinge um detalhe no personagem incomparável. Creio que se Roger Casement lesse este livro ficaria espantado e envergonhado ao mesmo tempo por terem descoberto os seus segredos mais íntimos (ou inventado-os, quem sabe...)

Uma linda homenagem a um  homem que poderia ter sido esquecido com facilidade, e que quase o foi pela ignorância que sofreu pelas gerações posteriores, que custaram a admitir que um homoxílio badalhoco tivesse feito tanto pelos direitos humanos e pela independência da Irlanda. Muito recomendado.

Hidamari Sketch

Hidamari Sketch
Shinbou Akiyuki - Aniplex
Anime - 12 Episódios + 2 Specials
2007
5 em 10

Mais um anime de meninas fofas a fazer coisas fofas. Excepto que este está tão mal feito que acaba por ser contraproducente.

História não existe, são só quatro miúdas atrasadas mentais que estão numa escola "especializada em arte". Só que esta especialização não é demonstrada ao longo da série, pois as atitudes artísticas das raparigas não são originais nem interessantes. Estas têm uma personalidade recortada da caixa do chocapic e não existe qualquer tipo de desenvolvimento, como em outras séries sobre o mesmo assunto como Honey and Clover (e eu não gostei de H&C, por isso vejam bem o terrível que isto é)

O design de personagens é horroroso e não há qualquer tipo de detalhe. Existe a utilização de algumas técnicas mais avant-garde para ilustrar as acções das personagnes, mas não calham bem e não têm qualquer tipo de beleza ou graça.

As vozes são irritantes e tentam demasiado ser fofuchas. A música vai pelo mesmo caminho e não é nada memorável.

Só vale a pena pelas tais animações diferentes, mas ainda assim parece-me aquele tipo de anime que tenta demasiado ser o que não é, que tenta tornar bela uma coisa que é inútil e estúpida e que falha porque a cabeça dos criadores não está boa.

24.11.11

A Viagem do Elefante




A Viagem do Elefante
José Saramago
Romance
2008

Mais uma vez, Saramago surpreende pela sua simplicidade. Não pode haver nada mais simples do que esta história: Salomão, um elefante que já tinha vindo da Índia, vai de Portugal à Áustria acompanhado pelo seu condutor Subhro. E é só isto. Neste livro vemos as aventuras deste elefante enquanto caminha de Portugal a Espanha, de Espanha à Itália, da Itália aos Alpes e dos Alpes a Viena. Só que as aventuras do elefante não são nada de especial. São apenas caminhar, comer, dormir, fazer um milagre e lembrar-se da Índia. Mas descritas com tanta graça e mestria que se torna um prazer ler este livro.

Como habitual, temos personagens que podiam ser qualquer indivíduo. Mas sendo qualquer um, são - efectivamente - indivíduos, excelentemente caracterizados e com personalidades fortes e bem definidas. Nem uma personagem é esquecida, até os figurantes são únicos e possuem uma vida só deles. Isto contribui para a riqueza da história e para o detalhe do ambiente em que estamos. Este ambiente, a Europa do século XIV, é descrito com graciosidade, usando de comparações com a actualidade a que o narrador pertence.

Uma beleza extraordinária, derramando sensibilidade a cada palavra. Saramago é, sem dúvida, um dos Escritores da nossa era.

20.11.11

Usagi Drop

Comentário original em inglês aqui: http://myanimelist.net/forum/?topicid=364233#msg12326461

Usagi Drop
Kamei Kanta - Production I.G.
Anime - 11 Episódios
2011
7 em 10

Antes de mais, temos de admitir que Usagi Drop é um conceito original com uma execução original. Não é comparável a outros animes simplesmente porque não há outro anime com a intenção de Usagi Drop. Neste anime queremos caracterizar o assunto de "ser pai". O melhor que temos noutros animes é "babysitting". Nunca antes vi um anime que tem a posilção clara de que quer falar dos problemas de ser um pai  e a consequente felicidade dessa vida. Por esta originalidade tinha grandes expectativas para isto. Elas não foram destruídas, mas sinto que algo faltou durante toda a série. Vamos tentar ver o que é!

Comecemos pela história. Não há nada mais simples que esta história: um tipo descobre que o seu avô tem uma filha. Como ninguém quer tomar conta da criança, ele leva a pequena e começa a partilhar a vida com ela. Funciona, definitivamente funciona. A fórmula slice-of-life é perfeita para este tema, porque se foca nos problemas diários desta família recém-nascida. Não tem uma conclusão. Eu gostaria (pessoalmente) de ver a Rin-chan a crescer e a ter uma vida feliz depois da infância, mas temos um final agridoce apesar de tudo. No entanto, ter a série incompleta não é algo mau, porque deixa espaço à nossa imaginação (e para o resto do manga que, aparentemente, é também a pior parte da série)

Os personagens são muito humanos e reais. Eles são caracterizados numa extensão que nos permite identificar-nos com eles (por exemplo, as más manhãs do Daikichi, eu achei esse detalhe absolutamente essencial) As crianças também são muito reais, excepto a estrela do show: Rin. Tão amorosa quanto uma criança pode ser, Rin é uma impossibilidade da natureza. Ela é madura, tá ok, ela é boazinha, tá ok, ela é simpática, tá ok. Mas ela é tanto tudo isto, num esforço tão grande de agradar a todos, que ela não passa por criança. Crianças fazem birras, crianças são chatas, crianças são sujas, e Rin-chan não é nada disto. Eu lido muito com crianças e, tanto quanto são boas e fofas, elas também são criaturinhas horrorosas às vezes. Rin é sempre amorosa! A minha mãe diz que eu era uma criança maravilhosa, que eu me portava como uma senhora pequena (hoho), mas até eu fazia birras de vez em quando. Como aquela vez em que eu queria as minhas unhas cortadas em forma de meia-lua. Este tipo de caracterização, ilustrada por todas as situações em que participam, é uma falha séria. Todas as outras crianças, especialmente Reina-chan, estão bastante bem, mas aparentemente existem para enfatizar o quão Rin é especial e maravilhosa. Aposto que se ela fosse horrívei Daikichi pensaria duas vezes em tê-la como "filha". E ele nunca pensa duas vezes, nunca hesita, e isso não é culpa dele, é culpa da caracterização da Rin.

A arte é muito bonita e o design de personagens apropriado. A falta de pessoas bonitas é um alívio. Teria gostado de fundos mais ricos, mesmo com o design de aguarela presente durante toda a séria, mas assim também está bem.

A música é bonita e apropriada. A OP e ED são agradáveis e vou ouvi-las de novo.

Num todo, uma série que eu recomendo por ser tão única, mas ainda assim com muitas falhas.

Kimikiss Pure Rouge




Kimikiss Pure Rouge
Kenichi Kasai - Bandai
Anime - 24 Episódios + 1 Special
2007
6 em 10

Em relação a esta série, há uma imensa questão que se coloca: porquê? Porque é que é má? Porque é que os personagens são todos idiotas? Porque é que as miúdas são todas atrasadas mentais? Porque é que eu vi isto? Aliás, porque é que eu tive vontade de ver isto?

Mas enfim, a resposta a todas estas dúvidas é misteriosa, e o que interessa mesmo é a razão pela qual eu faço estas perguntas. Kimikiss é um estranho híbrido entre um shoujo e um harem, com uma série de personagens principais que se relacionam umas com as outras da maneira mais infantil possível. A história começa com uma rapariga que vem de França para acabar os estudos no Japão (como se alguém fizesse isto, lol) e vai para casa do seu amigo de infância. Entretanto, todos arranjam namorados e namoradas e todos têm dúvidas em relação a esses amores. Mas a maneira como tentam encontrar soluções e a sua tomada de decisões é absolutamente idiota e insuportável para mim, que penso sempre na forma mais prática de resolver as coisas.

Um conjunto de personagens que roça o irritante e o inútil, em especial as miúdas mais novas taradas por sapos e soba, com estereótipos mal definidos para cada um e um desenvolvimento muito fraco e conclusões injustificadas.

Arte normal, graças a deus sem fanservice, com bastantes erros facilmente evitáveis mesmo com uma fraca produção.

Música desapropriada, sem grande intensidade, que não adiciona nenhum efeito positivo às cenas que ilustra.

Em resumo, um anime sobre pessoas anormalóides que fazem coisas anormalóides e que me irritam.

6.11.11

Mobile Suit Gundam Seed C.E.73: Stargazer

Mobile Suit Gundam Seed C.E.73: Stargazer
Hajime Yatate (História original de Tomino Yoshiyuki) - Sunrise
Anime - 3 Episódios
2006
5 em 10

O OVA definitivo: definitivamente, odeio Seed.

Completamente desnecessário, sem adicionar nada à história além de que os maus são os maus e os bons são os bons. Ora, em Gundam nunca houve maus nem bons (ou pelo menos não havia). Havia era pessoas com perspectivas diferentes. Eu nem sequer percebi grande coisa do que se estava a passar, excepto que aquela gente foi vítima de lavagens cerebrais, que havia um gajo giro, que se perderam no espaço e pensam que vão morrer mas que vai alguém buscá-los.

Não compreendo para que é que fizeram isto. Os personagens são mais do mesmo, a história é mais do mesmo. A arte é satisfatória e existem boas cenas com animação bem feita e sem grande recurso de CG, o que vem sendo cada vez mais habitual nos meus Gandamus. A música nem me lembro dela.

Claramente um 5 e dos piores Gandamus alguma vez criados.

Rain Town

Rain Town
Ishida Hiroyasu - Independente
Anime - 1 Episódio
2011
6 em 10

Como é uma coisinha muito pequena, vou deixá-lo aqui:

Rain Town é um trabalho de final de curso, né? Eu adoro-os, porque normalmente são muito originais tanto no conceito como na execução.

Mas este foi um desapontamento. A arte era interessante, mas a caracterização da cidade foi pouca. Era vazia, era chuvosa, mas onde estava a emoção por trás dela? Foi insossa.

A história é muito simples e muito vulgar. A simplicidade não foi contraposta com uma grande intensidade. O que aconteceu à menina e ao seu robot não é amoroso, trágico ou qualquer outro sentimento. Acredito que esta era a intenção por trás do trabalho, mas não se traduziu bem no ecrã.

No final, espero que este tipo tenha tido uma boa nota, porque as suas intenções são puras. Mas não recomendo.

30.10.11

Sex Pistols




Sex Pistols
Iwanami Yoshikazu - Frontier Works
Anime - 2 Episódios
2010
5 em 10

As minhas palavras a meio do primeiro episódio do OVA: Isto é idiota. As minhas palavras agora: Isto é muito idiota.

O OVA de Sex Pistols não tem ponta por onde se lhe pegue. Não há uma história coerente que se perceba. Não há personagens interessantes. É tudo gay ao cubo desnecessariamente. Comédia forçada, drama forçado, tudo forçado. Eu não estava à espera de nada quando vi isto, aliás eu só espero que anime BL seja mau porque é o costume, mas saí daqui a bater com a cabeça nas paredes.

A arte não está mal de todo, mas os designs dos personagens são bastante irritantes. O mesmo para as vozes, aqueles gemidos são de levar qualquer um ao suicídio. E não é por serem excitantes.

Além disso, sabe-o toda a gente com três dedos de testa, os seres humanos não evoluíram dos macacos. Nem sequer somos do mesmo Género. Somos é da mesma Família, porque evoluímos do mesmo dinossauro e, por isso, somos todos primatas.

Uma bela bosta, mas nunca se pode esperar mais que uma bela bosta de um anime de BL. Tudo o que é melhor que cócó é uma jóia e deve ser amado. Sex Pistols não.

Spring and Chaos




Spring and Chaos
Kawamori Shoji - Group TAC
Anime - Filme
1996
6 em 10

Este filme é uma estranha biografia do famoso autor Kenji Miyazawa. Criador de Night at the Galactic Railroad, Miyazawa distingue-se pelas suas histórias carregadas de simbolismo e por os seus personagens serem normalmente animais. Pegando nisto, o director deste filme decide caracterizar o autor como um animal, um gato. Ele e todas as pessoas que o rodeiam. Este gato vai vivendo a sua vida, análoga ao seu equivalente real, rodeado de outros gatos e cães e outros bichos que tais.

Infelizmente, não descurando a sua grande imaginação e belas histórias, Miyazawa não aparenta ter tido uma vida especialmente interessante. Assim, o filme não tem grande coisa por onde pegar. Tenta caracterizar a vida e as relações de Miyazawa com os outros, mas estas não parecem ser muito profundas. Há poderosos momentos que ilustram o processo criativo do autor e estes estão muito bem concebidos, mas fora isso não há muito por onde se lhe pegue.

Os designs parecem um pouco mal-tratados e a arte no geral parece ser descurada. Excepto no processo criativo, em que se utilizam uma série de técnicas originais, tudo o resto está abaixo do normal.

A música é boa, como só a música clássica pode ser, mas é uma confusão. A versão japonesa do Ave Maria de Shubert é bonita, mas fora isso é tudo o caos (e a Primavera, hah).

Uma boa homenagem ao autor, mas fora isso nada fora do vulgar.

KITE




KITE
Umetsu Yasuomi - Arms & Green Bunny
Anime - 2 Episódios
1998
6 em 10

Apesar de ser de 98, KITE fez-me lembrar a razão pela qual eu gosto de anime old-school. É um hentai, é verdade, mas ainda assim consegue ser qualitativamente superior a muito boa coisa que anda por aí.

Apresentam-nos Sawa, uma estudante que também é assassina a soldo, "pertencente" a um polícia corrupto que tem um estranho fascínio por ter sexo com ela frequentemente. Em KITE vê-mos Sawa em acção, matando quem lhe mandam matar, mas também vemos as razões pelas quais ela se tornou assassina e temos um lamiré sobre o seu futuro próximo. Sawa distingue-se das personagens vulgares do Hentai: Sawa toma decisões e as suas acções são sempre deliberadas. No entanto isto não é suficiente para a distinguir de personagens de uma série normal, pois a sua caracterização não é muito profunda nem detalhada.

A história é manejada com mestria. Mantém-se até ao fim uma constante de reviravoltas em que nos apercebemos quais as vontades da personagem principal e a sua maneira de as concretizar. O sexo, infelizmente, aparece completamente ao calhas, desregrado e sem nexo. Está ali só para mostrar e não se inclui verdadeiramente nem na história nem nos personagens.

A arte é bastante boa, se bem que parece bem mais antiga do que a verdadeira data do OVA. As cenas de acção são bem animadas e os designs bem concebidos.

A música, absolutamente deliciosa. Piano e saxofone, num tom muito melancólico. É a OST a melhor parte deste OVA, pois caracteriza cada cena como única e cria um ambiente muito próprio para as acções.

No geral, um bom OVA. Eu não tenho por uso ver hentai, mas arrisco a dizer que será um dos melhores dentro do género. Fora do género já não posso ter tanta certeza.

28.10.11

Black Lagoon: The Second Barrage

Black Lagoon: The Second Barrage
 Katabuchi Sunao - Madhouse Studios
Anime - 12 Episódios
2006
6 em 10

Bem, eu estava a adiar ver esta segunda season. Adiei, adiei, até que finalmente vi. E ok, não está mal. Mas também não está bom. Vamos a ver:

A história é a mesma. Rock é um empregado de escritório que decide abandonar a sua vida aborrecida para se tornar num pirata dos tempos modernos. Temos outra vez uma natureza quase episódica, com histórias diversas. Cada uma destas histórias está um pouco melhor concebida em comparação com a primeira season. Se bem que o que eu desejava (assim algo que falasse sobre a complexidade dos sentimentos humanos) não existia ou foi visto apenas muito superficialmente. Houve mais conversa, mas continua a haver porrada a mais, o que não deixa as histórias atingirem o ponto de rebuçado.

Os personagens são... Os mesmos. Excepto que desta vez deram uso ao potencial (que eu tinha dito! Eu tinha dito!) de Rock como personagem e o desenvolveram até meio. Falta o resto, mas também falta uma season. Rock é, sem dúvida, o personagem mais interessante do conjunto. Nesta season é-lhe impressa uma importância diferente e há espaço para que ele possa colocar as suas dúvidas. Infelizmente os seus objectivos e a sua moral são suficientemente difusos para que não se chegue a conclusão nenhuma. Todos os outros, tudo na mesma. Os intervenientes de cada história têm o seu quê de engraçado, mas também não são nada de especial.

Música é a mesma.

Arte é a mesma.

Enfim, tudo na mesma, leva 6 à mesma.

District 9

 
District 9
Neil Blomkamp
Filme
2009
6 em 10

Os aliens chegaram. À África do Sul. Logo aí começa bem. De premissa extremamente original, District 9 fala-nos de um um bairro de lata habitado por aliens viciados em comida de gato. Através de um homem que, por infelicidade do destino, se começa a transformar num alien (apesar de os odiar) passamos a conhecer a vida destas criaturas no seu Distrito, os maus-tratos de que são vítimas pela parte dos seres humanos e as formas como lutam pela sua sobrevivência e liberdade. Não será por acaso que isto dá uma belíssima analogia para a forma como tantos seres humanos vivem. Como se fossem aliens indesejados.

Apesar desta boa história, District 9 não se distingue nos outros aspectos. O design dos aliens é interessante, mas não estão especialmente bem feitos. A caracterização do bairro de lata está muito boa. No entanto há algumas incongruências na direcção, como o pular de cena em cena sem concluir o assunto ou a grande questão "como é que os homens e os aliens percebem as línguas uns dos outros". A apresentação como se fosse um documentário é sem dúvida original, mas a partir do momento em que deixam de documentar para passar a narrar a história do homem-que-se-transforma-em-alien, o método torna-se obsoleto.

Além disso, é tudo muito previsível e todos os clichés de todos os filmes acontecem aqui. Até há um alienzinho bébé fofinho.

Ainda bem que não fui ver isto ao cinema, apesar de na altura querer ter ido. Não valia a pena o dinheiro.

O Concerto

O Concerto
Radu Mihaileanu
Filme
2009
8 em 10

Queríamos ir ao cinema e não havia nada de jeito para ver no cinema. Por isso ficámos em casa a ver O Concerto. E ainda bem que ficámos! 

Produzido em vários países, nomeadamente França e Rússia, este filme possui o humor próprio dos europeus. Sórdido, negro, mas tão envolvente!

Temos uma história simples. O maestro da Orquestra Bolshoi do antigamente tornou-se no empregado da limpeza da Orquestra Bolshoi do agora. Ao encontrar um fax que convida a tal orquestra a tocar em França, ele decide reunir todas as pessoas do antigamente e fingir que são o agora. Ora portanto, isto não corre lá muito bem, porque agora as pessoas de antigamente são todas umas loucas. À mistura temos a misteriosa história da solista de violino. O grande defeito é que este mistério não é mantido no ar por tempo suficiente e depois de termos as revelações só nos resta ver a Orquestra. Mas vê-la é brilhante e o filme vale a pena só por esse momento final.

Temos personagens originais, simples mas eficazes. Não há uma grande evolução na maioria deles, sendo os únicos contemplados o maestro e a solista. Estes, efectivamente, têm um crescimento baseado na sua relação com a música.

A direcção é exemplar e detalhada. Há um toque pessoal em todas as cenas, o que torna o filme numa experiência bastante intimista.

No geral, um excelente filme. Muito divertido e com um final bastante bonito. Excelente para uma noite de Sábado sem ganzas.

Ai no Kusabi 4 - Suggestion

Ai no Kusabi 4 - Suggestion
Rieko Yoshihara
Light Novel
1986

Ora bem, volume 4. Este volume resume-se em duas frases:

"Kiri volta para Iason depois de coagido sexualmente" e "Kirie aprende a verdade sobre Guardian enquanto possui por trás o herdeiro do cargo mais importante em Ceres"

E eu sinceramente não compreendo porque é que foram precisas 140 páginas para dizer isto. O único aspecto positivo deste volume é que, pela primeira vez, é-nos dada a oportunidade de ver as coisas da perspectiva de Iason. E aí se compreende que o que Iason sente por Riki é algo muito mais visceral do que simples passatempo, o que torna o desenvolvimento do personagem mais rico e interessante.

Fora isso, parece-me que são usadas muitas palavras para dizer muito pouca coisa. As cenas de sexo estão bem concebidas, mas o vocabulário é muito cansativo. Ainda continuo a tentar descobrir se o livro é mesmo assim ou se é a tradução que é manhosa.

Agora... O volume 5 está esgotado, só o encontro a 50£ em segunda mão. Até encontrar o livro a preço acessível ainda vai demorar, por isso é uma pena o volume 4 ter sido tão desapontante.

27.10.11

Conversa n'A Catedral

Conversa n'A Catedral
Mario Vargas Llosa
Romance
1969

Ora bem, eu andava com um certo calhamaço dentro da mala. E as pessoas perguntavam-me: "que livro é esse" e eu dizia "é um livro do mário vargas lhosa". E depois perguntavam-me "e é sobre o quê" e eu dizia "não sei".

Porque acontece que a Conversa n'A Catedral é mesmo uma conversa. Não é sobre nada. É sobre a vida. Sobre a vida de Zavala e de Ambrosio, mas das perspectivas de Zavalita, de Amalia, de Hortensia, de Hipólito, de uma série de gente. Tudo isto sob o jugo do General Odría no Peru dos anos 50.

Muitíssimo bem escrito, com todas as palavras nos lugares certos, em que até o mais estranho vocabulário se torna simples, este livro apresenta uma narração algo confusa, uma mistura de várias descrições e narrativas ao mesmo tempo. Custa um bocado a apanhar o estilo, mas quando se entra nele tudo se torna claro e fácil. É isto o que distingue o bom escritor do escritor vulgar? Creio que sim.

Existem muitos personagens, todos eles únicos, realistas, afrontados pela dureza que os rodeia, portadores de sentimentos e problemas que caracterizam toda uma era. Este livro é feito das situações que são feitas pelas pessoas. É o facto dessas pessoas estarem tão bem desenhadas que transmite os sentimentos da época e a torna, a nós que nunca lá estivemos, palpável.

Um livro excelente. Eu pensava que ele nunca ia acabar, mas acabou. E todos vamos morrer um dia, não é?

Planetes

Planetes
Taniguchi Goro - Sunrise
Anime - 26 Episódios
2003
8 em 10

A verdade é que existe anime sobre tudo. Até existe anime sobre homens do lixo. Mas, para dar uma certa classe à profissão, não são uns homens do lixo quaisquer. São homens do lixo do espaço.

Planetes é uma delícia, uma cornucópia de visões e de sentimentos e uma viagem ao espaço, 10.000 anos depois entre Vénus e Marte. Começando pela história. De uma simplicidade única, apresenta-se como um dos argumentos mais originais da década. Conta-nos o dia a dia daqueles que, por competência própria ou do destino, acabaram a apanhar o debris espacial criado ao longo dos anos. É uma profissão importante, tal como qualquer outra, mas sobrevalorizada na empresa a que pertence. A luta do dia a dia dos personagens é contrabalançada pela luta entre as várias esferas de poder empresarial e do mundo do doismilesetentaepico. Assim temos a vida das pessoas equiparada à vida do mundo, e do universo, de uma forma tão equilibrada que se torna bela. E o anime não se coíbe de aproveitar a deixa para promover a paz no mundo, por um planeta unido e sem guerra.

Planetes não é só "planetas". Planetes é "wanderers", os que "andam por aí", os que procuram. Planetes não é só uma história do dia a dia, mas é também a história das pessoas. Cada personagem é único e tão real que o podemos palpar. Todas as pessoas são normais e vivem na normalidade. Têm problemas como os nossos, têm crises como as nossas, têm desejos como os nossos. São pessoas como nós. E, tal como nós, mudam com as suas experiências, para melhor ou para pior. Cada personagem cresce à sua maneira, de forma perfeita, nunca apressada, cada personagem busca em si própria a maneira de mudar para atingir os seus objectivos. E, tal como nós, por vezes falham neste processo. E voltam a por-se de pé. Hachimaki tem das melhores progressões alguma vez criadas, passando por várias fases até descobrir verdadeiramente o que deseja e sente. Tanabe Ai também muda de forma perfeitamente orquestrada, crescendo, passando de menina ingénua a mulher, mas sem nunca mudar a sua perspectiva de ver a vida. São pessoas.

A arte é muito bela. O espaço não tem muito que ver, mas da perspectiva destes homens e mulheres até no quotidiano se encontram paisagens maravilhosas. A animação é muito cuidada e as cenas com acção são detalhadas. Os designs dos personagens são adequados e a estrutura de toda a maquinaria e tecnologia é extremamente realista. Porque, efectivamente, um fato de astronauta nos doismilesetentaepicos provavelmente será parecido com os de agora e não será um plugsuit perfeitamente ajustado às curvas dos enormes seios da bela pilota da nave espacial que, com os seus longos cabelos a esvoaçar no vácuo, faz movimentações e lança raios laser. Gostei especialmente da manutenção do efeito da gravidade (ou falta dela) nos movimentos dos personagens e dos objectos. Também das várias visões que temos do planeta Terra e do Sol e da Lua, a girarem sobre eles próprios a uma velocidade que não vemos.

A música é apropriada, mas não memorável. Pessoalmente, eu consigo ver a Equipa de Debris a trabalhar ao som de Fuga para o Espaço, mas se calhar sou só eu.

Um anime carregado de mensagens importantes e tocantes. Uma delas impressionou-me especialmente: a imagem da rapariga da Lua a brincar no "mar". Vou reter esta imagem durante muito tempo e vou falar dela a toda a gente até se fartarem: foi belo. Foi intenso. Foi perfeito.

Não estava à espera que um anime sobre homens do lixo fosse assim. Mas a verdade é que Planetes passou a figurar na minha lista de favoritos. Extremamente recomendável.

Shigofumi

Shigofumi
Satou Setsuo - J.C. Staff
Anime - 12 Episódios + 1 Special
2008
6 em 10

(Nota: Não sei se repararam, mas passei a adicionar o estúdio produtor juntamente com o realizador, para o Anime. Porque num anime a equipa é por vezes mais importante que a pessoa individual)

Uma boa premisa. Shigofumis são cartas que os mortos mandam a quem de direito. E Fumika é aquela que serve de carteiro, auxiliada pela sua colega Kanaka (que, coitada, não passa de um bastão). No entanto, se há algo que pode caracterizar este anime é a palavra... Mediano.

Esta história tem uma natureza episódica, com um ou dois ou três episódios dedicados a cada carta. A meio caminho começamos a falar de Fumika. Mas tudo é previsível a partir da primeira pista e não se guarda uma pinta de mistério para nos agarrar. Aquilo que me agarrou foi tentar saber o que cada carta dizia, mas as probabilidades eram simples e a novidade serviu sempre como uma simples confirmação.

Os personagens são normais. Nada fora do vulgar. As suas histórias também não eram fora do vulgar, por isso não se podia esperar muito deles. Não há um desenvolvimento entroncado e as suas acções baseiam-se sempre na opção mais simples e no lugar comum. Além disso, porque é que tinham de fazer Chiaki de bêbada (e porque é que lhe tinham de dar importância? Só para ter uma personagem loira no elenco?) O único personagem interessante será talvez Kirameki, pelo seu belo psicótico, mas até ele se perde no exagero e no vulgar.

A arte não é nada de mais. Não há grandes detalhes nem grande originalidade na concepção do design. Talvez os fatos dos carteiros sejam engraçados de se fazer, mas não saem muito dos parâmetros estipulados para os carteiros que aparecem em séries de anime.

OP de Ali Project, o que dá sempre um ar de mistério clássico à obra a que se refere, mas aqui não há mistérios nem classicismos, por isso é desapropriada. Tudo o resto, das vozes ao resto da OST, é algo já visto, mais que batido, mais que repetido.

Interessante, até mantém uma pessoa mais ou menos agarrada, mas não se distingue dos outros animes sem ser pela premisa, mal aproveitada.

26.10.11

Bokurano

Bokurano
Morita Hiroyuki - Gonzo
Anime - 24 Episódios
2007
6 em 10

Olá. Lembram-se de Narutaru? Sim, aquela coisa traumatizante que fazia a desconstrução do género "Magical Pets"! Lembram-se? Então bem vindos a Bokurano! Aquela coisa traumatizante que desconstrói o género Mecha!

Bokurano começa de forma simples. 15 cachopos estão na praia e encontram uma gruta com computadores, onde um misterioso homem chamado Kokopelli (que raio de nome) os convida a entrarem num jogo em que vão guiar um robot gigante e lutar contra 15 inimigos. Aquilo que eles não sabem é que o robot gigante existe mesmo, os inimigos são outros robots gigantes e todos juntos vão provocar o advento apocalíptico! Oba!

Começa bem. A história é original e bem concebida, mas à medida que progride compreendemos que nunca vamos perceber exactamente o que se passa. Na realidade, até me parece que nem o próprio autor sabe muito bem o que se passa. A história tem um tom crescente de calamidade, cada vez mais calamitosa, cada vez mais urgente, cada vez mais horrenda... E no fim não acontece nada. Isto foi muito sensaborão e o que podia ter sido uma corrida épica... Foi por água abaixo.

Pela primeira vez que eu tenha visto, temos uma série enorme de personagens principais, 15 ao todo, mais uma outra que aparece lá pelo meio, cada uma com o seu próprio desenvolvimento. Ao início o anime foca-se em específico nos problemas e na vida de cada um. E é aí que vemos o pior da natureza humana, coisas horríveis, coisas que me traumatizaram e coisas que não gostava de voltar a ver num anime. No entanto não se compara ao seu irmãozinho Narutaru, nem de perto nem de longe. Infelizmente, quando os elementos de fora, os da cidade, os dirigentes, o povo, se começam a envolver, eles passam a falar de política e começam a ignorar este ponto focal que é cada um dos personagens. Como se os que sobram por esta altura não tivessem grandes problemas na vida como os outros. Além disso há um exagero na história de um dos miúdos, que ocupa quase um terço do anime (às vezes por trás de outra história, outras às abertas, mas ainda assim é como se ele fosse mais que os outros!)

A OP liga muito bem com o tom catastrófico do anime, mas as outras músicas não têm muito que se lhe diga.

A arte, um desapontamento. Tudo muito mal feito, muito mal desenhado. Designs de personagens extremamente badalhocos, fundos e tecnologias simplificados e abuso constante de CG e repetição de frames durante as cenas de acção. Uma produção muito mal aproveitada, que poderia ter sido melhor distribuída se a série fosse de menor duração.

Eu estive a ver Bokurano e Bokurano esteve a traumatizar-me. Mas, de alguma forma, perdeu-se a meio caminho e não conseguiu voltar a encontrar o rumo certo.

Kimi ni Todoke

Kimi ni Todoke
Kaburaki Hiro
Anime - 25 + 12 Episódios + 1 OVA
2009
7 em 10

Sawako é uma rapariga triste e solitária, que está na escola e não tem amigos. Todos têm uma imagem muito má dela e evitam-a. Sawako é aquilo que eu era. Numa história que aquece o coração, é-nos mostrada a evolução de Sawako (ou Sadako) à medida que ela vai fazendo amigos e popularizando-se. É essa a diferença básica entre mim e ela. E o facto de ela ter um rapaz giro que gosta dela...

Gostei muito deste anime, ambas as seasons, apesar de me ter deprimido um pouco. Identifico-me muito com a personagem principal, mas fez-me triste ver que ela conseguiu aquilo que eu teria conseguido se não fosse uma criança idiota. 

Em termos de história, temos algo de original, em que por uma vez é o rapaz que gosta da rapariga e a tenta conquistar e não o contrário. É uma história delicada, de progressão muito lenta, mas ainda assim agradável. É frustrante e irritante ver as coisas a acontecer pelo lado pior e não poder intervir. Os personagens estão muito bem concebidos, se bem que Sawako tem atitudes um pouco autistas e impossíveis. Espantou-me a sua capacidade de se culpar sempre a si própria, o que é uma característica muito pouco natural. As suas relações são realistas e bem cuidadas, se bem que a sua falta de perspicácia não é de todo normal. Ainda assim há uma perfeita caracterização da rapariga adolescente e das suas relações com o universo que a rodeia, de várias perspectivas (pois temos várias raparigas, cada uma com as suas características, dilemas e problemas. E soluções!)

A arte é bonita, com um design apropriado. Todas as personagens são "normais". Ninguém, excepto Kurumi, é extraordinariamente bonito ou especial. Isso torna-as, de certa forma, únicas. As cores são belas, mas há pouco detalhe nos desenhos. Num todo, tudo tem um aspecto mais antigo e mais frágil, o que torna tudo uma belíssima experiência visual.

A música é deliciosa, cheguei a encontrar as partituras para a poder tocar no piano. Tanto as OPs como as EDs são apropriadas e boas peças individuais.

Foi uma experiência agridoce. Pensei muitas vezes neste anime enquanto o estava a ver, a questionar-me "será no próximo episódio que há o beijo?" Mas o final acabou por ser desapontante, embora bastante lógico. Uma boa obra e um bom exemplo do género, bastante recomendável.

25.10.11

Fujoshi no Hinkaku

Fujoshi no Hinkaku
Amagi Reno (Design Original)
Anime - 1 Episódio
2010
5 em 10


Primeiro eu pensei: OHMEUDEUSUMANIMESOBREPESSOASCOMOEU! Depois vi. E depois eu pensei: bem, eu não sou assim nem conheço ninguém que seja graças a deus.

Porque este anime não caracteriza as Fujoshis. Nem sequer tem graça a parodiar-nos. Primeiro, deviam ter escolhido um verdadeiro bishounen (e feito um esforço para o desenhar como deve ser) como objectivo da fandom das criaturas em causa. Depois, deviam ter caracterizado o que fazemos realmente com os bishounens. Não é só uma questão de SemexUke. Uma verdadeira Fandom tem muito mais que isso.

Além disso a arte mete nojo, os actores de vozes parecem estar mal treinados e não teve graça nenhuma.

Valeu o 5 pela originalidade: vemos muita coisa sobre otakus para aqui, otakus para ali, mas ninguém olha para nós. E nós também somos filhas de deus.

Genji Monogatari Sennenki

Genji Monogatari Sennenki
Osamu Tezaki
Anime - 11 Episódios
2009
6 em 10

Fã como sou do livro original, esperava ansiosamente por ver o anime. Detesto comparar animações com as suas obras precedentes, mas desta vez é-me completamente impossível. Porque eu esperava ver uma tradução visual do livro e, infelizmente, tal não aconteceu. Antes de mais, esta história é narrada por Murasaki, o que de certa forma impossibilitou a sua caracterização completa. E, depois, foca-se sobretudo na relação de Genji com Fujitsubo, o que é apenas uma pequena parte desta grande obra. Assim, grandes coisas como a maldição da Princesa Rokujou, acabaram por ficar para trás, pouco desenvolvidas, pouco exploradas.

A arte é bonita e estilizada. Há belos fundos, mas ainda assim não se comparam em vivacidade com as descrições do livro. Segundo o que me dizem há uma grande exactidão histórica no design, o que significa que eu só tinha ideias erradas sobre a história. Quem diria que gente tão rica não mudava nunca de roupa?

As vozes agradaram-me quase todas. Estava especialmente temerosa do que podiam fazer a Genji, mas foi uma escolha soberba, combina mesmo com ele. O mesmo não posso dizer da princesa da Sexta Avenida, que eu sempre imaginei mais... Má. E mais vermelha (aqui a cor dela era o verde). No entanto a música é básica e a OP não tem nada a haver com nada.

A história é a do livro e, portanto, brilhante. Infelizmente, como venho referindo, não houve um seguimento correcto e ideal. Não houve tempo. Fizessem uma série de 50 episódios e isto ia tudo ao sítio. Apesar de ser de progressão muito lenta, o ambiente sereno do livro não foi bem captado. E adicionando algumas cenas de acção completamente desnecessárias, quebraram com o ideal que eu tinha da Genji Monogatari.

Pode ser um anime muito bom por si só, mas eu não sou capaz de deixar as comparações de lado.

Cencoroll

Cencoroll
Uki Atsuya
Anime - 1 Episódio
2009
7 em 10

Se há coisa que eu admiro são as pessoas que querem fazer as coisas e que as conseguem fazer, mesmo sem ajuda. Cencoroll é o resultado de um desses esforços e sinto orgulho em ser fã de um meio em que isso é possível. E em que é possível fazê-lo e ter um bom resultado.

Uma cornucópia animada, Cencoroll é um exemplo do melhor que a tecnologia de hoje nos consegue oferecer. E foi feito por um só homem, Uki Atsuya. Arte agradável à vista, simples mas eficiente, excelente design, muito original, e sequências de animação brilhantes, de uma incrível fluidez. Não há beleza nos fundos ou nos designs, mas são suficientemente detalhados para dar uma boa ideia do ambiente.

Infelizmente, Cencoroll peca no fraco desenvolvimento da história. Existe uma história, isso sim, e pelo que parece é bastante original. No entanto, não há tempo para a desenvolver. Não se sabe o essencial, não se sabe quem é quem nem qual a sua função no mundo. Os personagens estão num rodopio e não têm desenvolvimento. Não parecem estar bem caracterizados, apesar de eu ter a sensação de que o autor os criou com cuidado. Enfim, não há tempo. Se houvesse, se isto fosse um filme de uma hora, provavelmente seria uma das obras excelentes desta década e seria recordado para sempre. Temo que venha a ser esquecido um dia destes, o que é uma pena: o Cenco é a coisa mais fofinha que há.

Gundam Seed Destiny

Gundam Seed Destiny
Yatate Hajime - Sunrise
Anime - 50 Episódios
2004
5 em 10

Existem muitos Gundams e o meu preferido é o Zeta. Com isto em mente, qual será o que gosto menos? Fora o Wing... É o Seed.

Esta sequela pareceu-me completamente desnecessária. Quem é que afinal quer saber qual é o destino da Cosmic Era? Afinal, CE não é UC... E mesmo teorizando que alguém tem interesse em saber isto, Destiny não cumpriu com o objectivo e finalizou a série com um apocalipse, uma mortandade e nenhuma perspeciva de futuro.

Os personagens continuam míseros. Há a adição de algumas pessoas potencialmente interessantes, mas o seu interesse empalidece perante o cliché e a sobredosagem de carga emotiva mal encaixada. O que-vem-substituir-o-Char-Aznable-que-eu-nem-malembro-do-nome é um bocadinho explorado, mas ainda assim... Mal.

A arte, toda brilhante e modernaça, não combina com Gandamu. Meninas bonitas a cantar cheias de brilhos e florzinhas, isso não é Gundam, isso é Macross. Ainda assim há boas sequências de animação e não há grande uso de CG (pelo menos que se note).

OPs e EDs que eu já gostava antes, mas ainda assim tão pop pastilha elástica, a combinar com os cabelos cor de rosa da Lacus Clyne.

A única coisa excepcional aqui é que eles são capazes de estar a chorar no meio do espaço e não podem tirar os capacetes para limpar o ranho da cara, que lhes deve fazer comichão.

RAINBOW

RAINBOW: Nisha Rokubou no Shichinin
Koujina Hiroshi - Madhouse Studios
Anime - 26 Episódios
2010
6 em 10

Existiram várias razões para eu começar a ver este anime. Além da obrigação dos críticos e tal, a principal razão foi a de ser slashable, cheio de homossexualidade latente para alimentar a minha esfomeada goela de fujoshi. Mas acabou por ser uma série aborrecida, longa, inútil e apenas mais um número para a minha lista.

RAINBOW são sete cores, e RAINBOW são os sete rapazinhos trancados por injustas razões numa prisão juvenil do Japão pós-segunda guerra, anos 50. Este conceito demonstra um enorme potencial. Podiam ter analisado as condições das prisões juvenis, podiam ter caracterizado uma era, podiam ter analisado histórias sobre a condição humana e sobre o que leva as pessoas a cometerem crimes hediondos e impensáveis. Mas não fizeram nada disso. A história acaba por se tornar numa fábula de violência injustificada contra os pobres rapazinhos que, inocentes, só desejam cumprir com os seus sonhos. E, depois de libertos, torna-se num conto de provações impossíveis em que os rapazinhos são, efectivamente, incapazes de cumprir os seus sonhos da maneira mais lógica. Tudo se torna num entrave e, no fundo, são 26 episódios de gente a ser miserável e a ser tratada abaixo de cão.

Os personagens principais não são sólidos. Cada um tem um passado e espera ter um futuro, mas no fundo acabam por ser de cartão, sem qualquer tipo de densidade. Os antagonistas não têm qualquer razão para as suas acções sem ser o puro sadismo e as metanfetaminas. Passe a palavra que as metanfetaminas não tornam as pessoas más. Ou então haveria muito estudante de medicina a lançar-se em sagas homicidas pelas ruas de Lisboa...

Música pouco memorável, excepto a OP que é bastante interessante e muito bem aplicada ao tema da história.

A arte é boa, com uma animação regular e aceitável. Gostei da utilização de stills em aquarela, que dão sempre um charme muito próprio a qualquer anime. Toda a arte caracterizou perfeitamente a época em que a história se passa: sendo moderna, faz parecer a produção antiga. Isso é um aspecto muito positivo.

Em resumo, 26 episódios de rapazes com olheiras a serem maltratados, estropiados e violados. Só o An-chan os pode salvar e ainda bem, porque o An-chan é o mais giro deles todos.

23.10.11

Wings of Honneamise

Wings of Honneamise
Yamaga Hiroyuki - Gainax
Anime - Filme
1987
6 em 10


Acabei de ver este filme com a minha avó. Ora bem, a minha avó não sabe Inglês, por isso não podia ler as legendas, mas ainda assim gostou do filme. :)

Honneamise foi o filme de estreia do famoso estúdio Gainax e o filme de maior produção e investimento da sua era. O resultado é um exemplo de soberba animação. Não é muito original e não utiliza nenhuma técnica especial ou interessante, mas é extremamente detalhado e muito bem feito. Este é o principal aspecto deste filme e adorei. Os fundos são ricos, as cenas de acção sumarentas e tomaram atenção a cada movimento.

No entanto uma boa animação não faz um bom anime. A caracterização foi apenas a suficiente para identificar os personagens. A sua evolução não foi convincente e pareceu muito apressada, sem uma base forte para a sustentar. A história é muito simples (e isso é bom! Mas...), não especialmente original ou bem escrita.

Mas para mim o principal defeito deste anime foi toda a sua exposição. As cenas transitam sem nenhum sentido definido. Estamos a ver a nave a ser construída e de repente vemos pessoas a a cortar colheitas. Isto foi o principal elemento de que a minha avó não gostou e ela, como não conhecedora de anime, tem uma visão pura sobre tudo isto. Tendo a concordar com ela.

Recomendo este filme pelo seu significado histórico e pela animação, mas não creio que seja merecedor de uma recomendação mais abrangente.

20.9.11

O Cemitério de Praga

O Cemitério de Praga
Umberto Eco
Livro
2010

 Mais uma vez Umberto Eco mostra o seu génio. O meu pai quis muito que eu lê-se este livro e lá fui eu à aventura. Ainda bem que fui, porque aventura como esta não há!

 Este é o diário, intercalado pelo trabalho de um narrador quando está confuso ou ilegível, de Simone Simonini e do seu alter-ego, o Abade Dalla Picolla. Simonini é inventado, mas influenciou muitas guerras, revoluções e alterações históricas na sua interacção com todos os outros personagens que, por mais fantástico que seja, são reais. Claro que isto teria mais graça se eu soubesse alguma coisa da história italiana e francesa do pós-revolução e era Napoleónica, mas como não sei... Aprendi!

 Escrito com um humor implacável, de uma ironia delicada, este livro é um retrato perfeito da época. Das vestes aos hábitos e, sobretudo, a comida, tudo está caracterizado com detalhes suculentos e apetitosos. Ao ler este livro, senti-me quase a saborear as receitas do século XIX que ilustram o dia-a-dia de Simonini!

 A história fala-nos da história, mas sobretudo de histórias inventadas. Histórias contra a maçonaria, contra os judeus, contra os comunistas, contra tudo o que é necessário para ganhar mais dinheiro à custa da credulidade de outrém. Por isso não há uma, mas várias histórias, todas elas hilariantes no sentido em que são inventadas (porém com consequências reais), mas todas elas escritas com o máximo de seriedade.

 Um livro delicioso, muito recomendável.

Colectânea Yamamura Koji

Colectânea Yamamura Koji
Yamamura Koji
Anime - Pequenas Sequências
1987 - 2005
5-8 em 10

 Isto foi uma torrent cheia de pequenos trabalhos do realizador Yamamura Koji, composto de vários trabalhos. São todos pequenas sequências, por vezes apenas demonstrações de técnicas de animação, outra vezes com uma história simples mas completa. Depois de ter visto esta colecção, fiquei a admirar Koji. É um autor brilhante e deve ser tido em consideração quando falamos de anime.

Speed Grapher

Speed Grapher
Justin Cook (Produção)
Anime - 24 Episódios
2005
5 em 10

 Mais um daqueles animes que eu não sei porque é que vi.

 Speed Grapher começa bem. Começa com uma OP dos Duran Duran. Brilhante. Adorei. Combina perfeitamente com a história. Girls on Film lalala. Mas é a única coisa boa. O resto da banda sonora é indistinguível de qualquer outro anime de meados dos 00s.

 Comecemos pela arte: escabrosa. Há muito tempo que não via uma animação tão má. Designs pouco detalhados, por vezes até mal desenhados. Erros a torto e a direito. Aceito que seja este o design pretendido para a série, mas acontece que... Não fica nada bem. Um estilo mais realista seria o ideal e um melhor uso de sombras é necessário.

 A história: lolwut. Temos super-poderes causados por um vírus activado por uma miúda, e temos prostitutas e travecas, e temos toda a gente atrás da miúda que activa o vírus, e depois temos um mau que afinal é bom e que tem super-poderes, e depois, e depois, e depois. Mas que raio estive eu a ver?

 Os personagens: por favor... Todos vulgares, todos lugares comuns. Até o mais profundo dos dilemas neste anime já foi usado, reciclado e mastigado centenas de vezes. Os designs até nem estão maus, fosse a arte melhorzinha, mas são a única coisa que caracteriza estes personagens.

 Pobres Duran Duran, cuja representação no anime é esta coisa...

 

Jin-Roh: The Wolf Brigade

Jin-Roh: The Wolf Brigade
Mamoru Oshii
Anime - Filme
1998
6 em 10

 E aqui está mais uma história de Mamoru Oshii, director de Ghost in the Shell e outras coisas mais. Gosto deste realizador, excepto que ele não realizou Jin-Roh e apenas fez o Storyboard. Mas ainda assim vamos considerar que este é um dos seus trabalhos.

 Infelizmente, não se distingue como um dos melhores. A história de base é iverosímil. Tudo o resto poderia muito bem acontecer a qualquer soldado. O seu dilema está bastante bem explorado, se bem que a história do Capuchinho Vermelho nunca é uma boa analogia (devido, talvez, à sua simplicidade).

 Jin-Roh, o personagem principal, é bastante consistente e - poderia mesmo arriscar dizê-lo - está bem construído. No entanto falta-lhe suporte de história e de outros personagens, que são todos (bem, são poucos...) muito fracos quer em termos de personalidade como em termos de desenvolvimento. O design está apropriado e realista.

 Música pouco memorável, arte boa mas nada fora do vulgar.

 Um bom filme para quem gosta destas coisas de soldados.

9.9.11

Mobile Suit Gundam MS IGLOO 2: Gravity of the Battlefront

Mobile Suit Gundam MS IGLOO 2: Gravity of the Battlefront
Yatate Hajime - História original de Yoshiyuki Tomino
Anime - 3 episódios
2008
6 em 10

 ORA MAIS UM GANDAMU PARA A MINHA COLECÇÃO, HOHOHO.

 Dentro do universo Gundam, a série de MS Igloo distingue-se por duas coisas: pelo toque de realismo conferido à guerra e pelo CG. O primeiro, atrevo-me a dizer, é brilhante. O segundo nem por isso.

 Em MS Igloo 2 temos 3 histórias paralelas sobre soldados da Federação que são perseguidos pela morte (um shinigami com design bastante ridículo, diga-se de passagem. E completamente desnecessário) durante a One Year War em que são confrontados, pela primeira vez, com essas máquinas de guerra que são os Zaku Mobile Suits. Cada história individual é bastante intensa, mas também está pejada de clichés inúteis e facilmente evitáveis.

 A arte é triste. Os stills de CG são muito bons, mas os movimentos dos objectos são pouco realistas. Isto torna momentos de grande tensão em ocasiões ridículas.

 Os personagens são interessantes, mas o seu desenvolvimento é muito fraco. Todos eles têm uma linha comum, que é serem bons soldados cujo desespero os invade. E é só isso.

 O som não é memorável, apesar de haver uma canção por episódio.

 Um 6 em 10 pela tentativa. E porque os stills são mesmo bons.

Hourou Musuko

Hourou Musuko
Aoki Ei
Anime  - 11 Episódios + 2 Specials
2011
7 em 10

Agora também em: http://www.clubotaku.org/niji/anime/hourou-musuko/


 Hourou Musuko ou "O Filho que Procura o Caminho" (haha) é um anime muito recente de produção Aniplex, que passou durante o tempo reservado a noitaminA na televisão. Isto significa que é um slice-of-life com um bom nível de produção. Fala sobre o caminho de um pré-adolescente, Shuuichi Minori, que gosta de se vestir de menina, e dos seus amigos.

 Isto à primeira vista parece bastante interessante, mas a realidade é que o anime avança sem um rumo definido e não nos trás um princípio, um meio e um fim sólidos. Não há uma conclusão literal ou moral a tirar deste anime e isso é desapontante.

 A arte é bastante boa, com traços delicados e cores pastel muito bonitas. Não há necessidade de animação muito complexa, mas a que existe está fluída e bem concebida.

 Os personagens não têm rumo, como a história. Antes de mais, parecem ser demasiado novos para haver estas dúvidas pertinentes sobre a sexualidade. Não me parece muito normal que crianças de 10-11 anos estejam preocupadas em ter namorados em vez de estarem preocupadas em jogar à bola ou ao elástico. Há um passado e um futuro para elas, mas não há evolução. O personagem principal não descobre a sua identidade e os personagens secundários também não descobrem a deles. É uma história estagnada.

 A música é muito bonita, adicionando muita intensidade aos momentos necessários. A OP e a ED são memoráveis.

 Um anime bom, que recomendo a quem quiser uma experiência interessante, mas ainda assim com demasiados defeitos para ser uma obra recomendável para todos.

Luto Pela Felicidade dos Portugueses - Crónicas Benditas

Luto Pela Felicidade dos Portugueses - Crónicas Benditas
Rui Zink
Crónicas
Livro
2007

 Antes de começar, um detalhe engraçado: o livro que o meu pai me emprestou veio de uma biblioteca e encontra-se um pouquito adulterado. Na capa pintaram o boneco de forma a parecer o Hitler, com baton. E eu pensava que a capa era assim antes de ter procurado a imagem na net!

 Adiante!

 Esta é uma colecção de crónicas sobre a vida e sobre a felicidade publicadas na revista Saber Viver e aqui todas juntas numa edição.

 Agora a grande questão é... Quem deu autoridade a Rui Zink para opinar sobre estes assuntos? Porque é que a opinião dele é especial e, digamos, a opinião  do Manel dos Carapaus não é? Isto revoltou-me. Ainda por cima, Zink não é dotado de grande humor, apesar de se afirmar como pessoa muito engraçada. Posso nomear a vez que me ri alto com este livro, que foi numa visualização do Príncipe Carlos de Inglaterra a dizer "Ama-me".

 Está bem escrito, isso admito. Há uma utilização interessante das palavras e revela uma grande cultura nestas crónicas. No entanto, isso não é suficiente para as tornar relevantes.

 Poderia citar o meu pai, quando ele diz "um chorrilho de banalidades". Excepto que ele disse isto do Saramago. Eu diria isto do Rui Zink.

A Rapariga de Pequim

A Rapariga de Pequim
Chun Shu
Biografia/Romance
Livro
2003

 Este foi o segundo livro que ganhei no passatempo da Editorial Presença e Facebook. Decidi-me por ele porque a capa parecia interessante, com uma miúda toda alternativa. Pensei que fosse falar sobre esse assunto que me interessa profundamente, que é a moda alternativa e o mundo da música underground. E fala mais ou menos disso, mas não de uma forma que me agradasse.

 A Rapariga de Pequim é uma biografia romanceada de uma certa jovem de 16 anos que se sente incompreendida no mundo da China actual. É uma rapariga que acha que se distingue de todas as outreas, que acha que tem um grande talento para a escrita... Coisas que todos os adolescentes acham em alguma parte do seu caminho.

 Infelizmente, o livro não está especialmente bem escrito. É vernáculo e simples, mas há tantos nomes e acontecimentos que uma pessoa se perde facilmente. É difícil de acompanhar e de visualizart as situações. De vez em quando há grandes momentos de pseudo-literatura e poesia, mas estão mal escritos, infantis, pouco polidos. Não admira que tantas editoras tenham recusado este romance à primeira vista e é uma surpresa para mim como foi traduzido em tantas línguas. Aproveito a deixa para dar os parabéns à tradutora, que fez um excelente trabalho ao passar isto do Chinês para o Português.

 Outra coisa que me confunde intensamente neste relato é a "infelicidade" da criatura em causa. Ela não gosta da escola, mas também não se esforça por se adaptar, tal como todos nós fizemos. Ela não se sente amada, mas não aproveita o facto das pessoas gostarem dela. Sente-se incompreendida pelos pais, mas não há uma única tentativa de diálogo. Assim sendo, a imagem que passa é a da uma adolescente mimada e estúpida, favorável a uma prostituição materialista. Seria ela mais feliz se em vez de ter encontrado o guitarrista de uma banda "fixe" tivesse encontrado um sugar-daddy bem parecido.

 Senti-me quase tentada a escrever-lhe, agora que ela já está na casa dos 20, e explicar-lhe isto, mas não vale a pena. Ela já conseguiu o que queria, que era editar o seu romance e ter dinheiro para comprar muitas roupinhas da moda. É triste a forma como este livro apenas caracteriza a decadência da adolescência na China. Se todos os adolescentes Chineses forem assim, não há grande esperança para esta emergente potência mundial, pois irá colapsar pelo materialismo tal qual os Estados Unidos.

 Um bom aspecto é que o livro me deixou curiosa sobre a música alternativa, rock e punk da China. Ainda não encontrei nada, mas se alguém souber de bandas interessantes por favor que me diga, porque quero mesmo ouvi-las.

29.8.11

Suzuka

Suzuka
Hiroshi Fukutomi
Anime - 26 Episódios
2005
6 em 10

De Suzuka eu esperava algo inovador: um anime de desporto que também fosse um Shoujo. Mas não foi isso o que aconteceu. O que aconteceu foi um terrível acidente entre um harem e um anime de desporto, que deu este mutante. Vamos lá por as coisas em ordem. Foi mesmo uma má viagem, este anime.

 A animação é bastante fraca. Não é defeituosa, mas também não lhe fazem muita coisa. Não tem muitos erros, mas a verdade é que também não existem grandes sequências complexas.

 A história é parva. Um rapaz que vai para a escola apaixona-se por uma rapariga que faz salto em altura e junta-se ao clube de atletismo para correr os 100 metros. Depois há UM plot-twist engraçado e corre tudo nos eixos, formulaico como só o anime sabe ser.

 Os personagens são vulgares. Não lhes acontece grande coisa, as suas dúvidas são simples, a sua evolução é directa.

 A música... Bem, a OP é mais ou menos gira, mas não o suficiente para eu a sacar.

 Enfim, um 6 porque até nem desgostei, o plot-twist foi mesmo interessante. Não tivesse existido e era um 5, porque eu sou demasiado boazinha.

Ensaio Sobre a Cegueira




Ensaio Sobre a Cegueira
Fernando Meirelles
Filme
2008
7 em 10

 Inspirado no homónimo livro do grande Saramago, este filme tenta responder a uma pergunta simples: e se toda a gente ficasse cega? É o que acontece, numa cidade desconhecida povoada de pessoas desconhecidas. Não foi a primeira vez que vi este filme, mas continua sempre a ser impressionante.

 A realização faz recurso a técnicas que, muito bem executadas, criam todo um ambiente de horror e desespero propícios à história e adequados à obra original. A obra original continua a ser muito mais horripilante e devastadora, mas ainda assim este filme faz-lhe jus. As cenas são muito intensas e há um grande esforço da produção em caracterizar bem o ambiente em que o filme se passa. Só não gostei de terem acrescentado a traição do Médico à história, dado que ela não estava no livro nem fazia ali falta.

 Os actores, todos grandes nomes, estão muito bem, sobretudo a Julianne Moore que faz o dificílimo papel de Mulher do Médico. Mas o mais impressionante são as pessoas que fazem de cegos, isto é, todos os figurantes e toda essa gente inominada que povoa o filme.

A música também me pareceu bem, embora por vezes pareça inadequada. A música que o Velho da pala pôs para todos ouvirem pareceu-me muito pouco apropriada ao ambiente que se vivia naquele hospício.

 Um filme muito impressionante e muito bem feito. É justo para com o livro, mas o último continua a ser claramente superior.


26.8.11

Gunslinger Girl

Gunslinger Girl
Asaka Morio (MadHouse Studios)
Anime - 13 Episódios
2004
6 em 10

 Antes de começar a ver Gunslinger Girl disseram-me que ia detestar. Por isso fiquei feliz quando a série me surpreendeu pela positiva.

 Temos, portanto, um governo Italiano que pega em miúdas meio mortas no hospital e as transforma em cyborgs, através de métodos científicos e lavagens cerebrais. Cada moça tem um "handler", que toma conta dela, a educa para o seu trabalho de matar terroristas e lhe lava o cérebro frequentemente (para não ficar encardido). Assim sendo temos uma história que não é é profundamente original, mas que tem um bom propósito inicial. E aquilo que podia ter sido uma festa de fanservice está dirigido de tal forma que se foca em tudo menos no aspecto "lolicon". Isto foi, sem dúvida inesperado.

 Devido às qualidades da história, Gunslinger Girl foca-se na relação das meninas com os seus handlers. Apresenta a história de cada criança e do adulto responsável por ela, com muitos tiros à mistura. Infelizmente, o potencial destas relações pareceu-me insuficientemente explorado. As relações são demasiado simples. Há aquele handler que trata o seu cyborg como uma filha e aquele que a trata como um objecto, mas não passa daí. Eu disse nos meus comentários enquanto via a série que tudo se tornaria mais interessante se houvesse um abuso sexual ali metido para o meio. Porque isso seria uma coisa que imediatamente traria intensidade e tensão à série, elementos que faltam constantemente. A apresentação é, num todo, demasiado simplificada e todo o drama que poderia advir das situações é minimizado e vulgarizado. Cada história não é única nem especial. Também não há uma grande evolução dos personagens. As meninas não podem, pela sua condição de cyborgs, evoluir como personagens. Isso eu compreendo. Mas os handlers também continuam todos na mesma, com excepção de um ou dois que se afastam ou se aproximam do seu cyborg.

 A música é bonita e apropriada, trazendo todo um ambiente de melancolia à série.

 Finalmente, a animação: é definitivamente boa. Há um certo abuso de cenas de acção desnecessárias, bastava-nos uma para compreendermos o que fazem os cyborgs e como é a sua vida, mas elas estão bem desenvolvidas. Gostei das cores que, juntamente com a OST, fazem o tal ambiente melancólico.

 Uma boa série, mas nada de especial. Não seria a minha primeira escolha para uma recomendação.

19.8.11

Um Lugar para Viver

Um Lugar para Viver
Sam Mendes
Filme
2009
6 em 10

 Já tinha visto este filme no cinema, mas acidentalmente aluguei-o na Meo e lá fui eu ver o filme outra vez (com a minha avó). Mas é um filme giro, por isso não me importei muito!

 O tema do filme é a família. Um casal de namorados descobre que vai ter uma criancinha e que, porque os avós da criancinha vão para a Bélgica antes de ela nascer, pode mudar da casa miserável onde vivem para uma que seja mais fascinante. Assim, viajam pela América, visitando todos os sítios que têm amigos, para descobrir um lugar para viver. E assim temos uma série de personagens fascinantes, cada um mais louco que o outro.

 A história é simples e está bem escrita. Existem momentos muito bonitos, enquanto o casal tenta compreender que tipo de família querem formar e que tipo de pais querem ser. Mas acaba por ser só mais uma história de viagens e há alguns gags muito forçados, como o da bêbada. Para mim a história mais original é a da gaja zen, mas o actor envolvido nesta história não fez um grande trabalho.

 Os personagens são apenas pessoas normais e os actores fazem um trabalho moderado em relação a isso. Parece-me que ambos tentam ser engraçados demasiado frequentemente e falham.

 Há imagens bonitas durante a viagem, mas fora isso não é um excepcional trabalho de realização.

 Como disse no início, um filme giro. Mas também não é nada de especial e duvido que o venha a rever outra vez.