29.3.17

A Invenção do Dia Claro

A Invenção do Dia Claro
Almada Negreiros
1921
Ensaio 

Este livrinho, com menos de quarenta páginas, é um pequeníssimo ensaio introdutório a algumas ideias do autor sobre variados assuntos culturais, nomeadamente a literatura e a pintura.

De uma maneira simples e com muito humor, Almada Negreiros conta-nos pequenas reflexões sobre a sua vida, sempre relacionadas com a sua forma de observar a arte e, muitas vezes, como esta o pode observar a ele.

Nesta obra existem muitos textos e frases frequentemente citados por aí nas redes sociais. Por exemplo, aquela de a vida ser demasiado curta para se lerem todos os livros da livraria. Ou aquela do "qual a sua profissão? Poeta" No entanto, dentro do contexto desta obra, as tais citações acabam por se tornar menos relevantes do que as querem querer parecer.

Um livrito rápido e com a sua graça.

O Silêncio dos Inocentes

O Silêncio dos Inocentes
Thomas Harris
1988
Romance

Confesso que sempre tive um medo imenso de ver este filme. Portanto, li o livro! E o livro não me assustou nada, portanto já tenho mais coragem para ver essa obra prima do cinema. :)

Clarice é uma investigadora novata, ainda na academia de polícia, a quem pedem que entreviste o famosos psicopata Hannibal Lecter. A partir daí, envolve-se na resolução do caso de um outro serial-killer, um anónimo apenas conhecido por Buffalo Bill, contando com a estranha ajuda de Lecter, que partilha conselhos em troca de coisas interessantes em que pensar.

Este livro é um policial bem estruturado, revelando um certo cuidado na caracterização dos personagens e dos seus problemas mentais e emocionais. Existem muitos detalhes sobre investigações policiais mas, sobretudo, sobre a caracterização das doenças do comportamento que os criminosos possuem. Certamente que houve uma investigação bem cuidada no planeamento deste livro, o que se nota bastante nos detalhes das descrições e, sobretudo, na forma como Clarice tira conclusões, apesar de sempre ajudada por Hannibal Lecter. A dinâmica entre os dois é bastante forte e pode ser lida em diversas camadas, cada uma igualmente profunda.

Apenas achei que a conclusão foi um pouco precipitada e muito casual. Por mero golpe de sorte Clarice resolve os dilemas e, de certo modo, isso retira muito do realismo que tinha vindo a ser construído ao longo do livro.

Não fiquei inspirada a ver o resto da série, mas agora gostaria de ver o filme e comparar. ;)

I, Daniel Blake

I, Daniel Blake
Ken Loach
2016
Filme
6 em 10

Este filme estava no cinema aqui perto, mas não calhou ir ver e, por isso, acabámos por fazer a sessão cinematográfica em casa.

Quando não se pode trabalhar, a vida torna-se complicada. Daniel Blake é um senhor que foi vítima de um ataque cardíaco e, por isso, se está a candidatar a receber o equivalente à segurança social do Reino Unido. Quando não aprovam a sua candidatura, aparentemente por má vontade dos empregados, ele procura alternativas. Acaba por conhecer uma rapariga com duas crianças e tornam-se amigos.

Este filme é o retrato de uma realidade cada vez mais evidente, que pelos vistos se torna transversal a todos os países. Mostra o quão burocráticos são os elementos para que se possa receber uma ajuda no estado e como, muitas vezes, os utentes são vítimas de injustiças indiscriminadas devido à falta de disponibilidade e compreensão dos empregados do governo.

Este filme torna-se uma espécie de pequeno ataque de ansiedade, à medida que a narrativa se vai desenvolvendo. Temos um trabalho aceitável pela parte dos actores, mas a verdade é que os personagens não puxam muito ao seu desenvolvimento. Também o final foi por demais evidente e pouco emotivo dentro do contexto.

Um filme que vale o que vale pelo seu retrato social.

26.3.17

Gingitsune

Gingitsune
Misawa Shin - Diomedea
Anime - 12 Episódios
2013
6 em 10
 
Um fatia-de-vida sobre a filha de um sacerdote num templo e sobre o espírito de uma raposa que lá vive.
 
Makoto vê Gin desde muito pequena, desde a morte da sua mãe. Desde aí eles têm-se acompanhado um ao outro, com o espírito da raposa dando conselhos e a menina tentando viver uma vida normal com as suas amigas. Acompanhamos pequenos retalhos da vida de uma moça que consegue ver os espíritos dos templos, conversando com eles e obtendo conselhos.
 
Apesar de termos um tema engraçado, este anime peca pela falta de desenvolvimento das personagens. Também é inconclusivo no respeitante a alguns ramos da história (por exemplo, porque é que o companheiro de Gin se foi embora). Os designs são um pouco fracos e muito simplificados, oferecendo aos espíritos uma certa aura cómica que não se coaduna com o seu conceitos.
 
A animação é também muito simples, sem fazer uso de grandes sequências ou cenários. Assim, o anime acaba por se focar mais na relação entre as pessoas e os espíritos, mas de uma forma ainda assim muito incompleta.
 
Musicalmente, temos algumas peças que, individualmente, têm o seu interesse. No entanto, a sua utilização é tão breve e discreta que acabam por sair rapidamente da nossa memória.
 
Um anime que será esquecido a seu tempo.

Paterson

Paterson
Jim Jarmusch
2016
Filme
7 em 10

Como a vida normal de um condutor de autocarros, numa cidade um pouco incógnita, se pode tornar numa análise poética das sensações humanas e do mundo que nos rodeia? Paterson, nome do personagem e da cidade onde vive, é um filme que consegue fazer precisamente isto.

Seguindo uma semana da vida do jovem Paterson, assistimos a pequenos detalhes e problemas normais que, se formos a ver, não têm nada de importante. Mas Paterson tem uma característica muito própria: ele escreve poesia. Acompanhamos os poemas que ele vai escrevendo e pequenos dilemas que o inspiram. O mundo aparece como fonte de inspiração e concluímos com o facto de que não vale a pena desistir quando a inspiração chama mais alto.

Um filme contido, introvertido e intimista, que faz uso dos detalhes com uma calma contagiante. Todos os elementos, desde os cenários à música, contribuem para tornar este filme numa espécie de poema visual.

Acaba por ser uma experiência muito inspiradora. Recomendo!

24.3.17

Haikyuu!!

Haikyuu!
Mitsunaka Susumu - Production I.G.
Anime - 25 + 25 Episódios
2014
6 em 10

Quando via a segunda season deste anime nomeada no clube, o meu primeiro pensamento foi: "será que, por uma vez, vamos ter um anime de desporto completamente original?" A resposta é, infelizmente, negativa.

Este é um anime sobre voleyball. Voley, para ser mais simples. tudo começa com um rapaz baixinho que adora voley, mas perde grandemente no seu primeiro jogo na escola básica. Qaundo vai para o secundário, descobre que o seu oponente desse jogo irá ser seu colga. No meio deste antagonismo todo, será que vai tudo correr bem?

Inicialmente, assistimos a treinos e a alguma caracterização de personagens, de forma a que a equipa em causa se consiga unir - apesar das suas diferenças - para ganhar a força necessária para vencer. Mas, a partir desse momento, começam os jogos. Jogos de treino e, mais tarde, jogos oficiais para que se classifiquem para os nacionais. E, assim, um anime que poderia distinguir-se de certa forma - fosse apenas um pouco mais focado nos seus personagens principais - acaba por ser absolutamente formulaico e vulgar. Apenas mais um anima de desporto...

A animação está bastante boa e, por momentos, mimetiza bastante bem a experiência de assistir a um jogo. No entanto existem sequências que se tornam um pouco repetitivas, o que também é muito consequência do argumento: estes jogadores adaptam-se aos oponentes, mas acabam por utilizar sempre as mesmas estratégias. Assim, não se aprende muito sobre o desporto e os jogos tornam-se todos muito parecidos uns com os outros.

A banda sonora é um pouco explosiva, ligando bem com as situações, embora a variedade de OPs e EDs sejam mais daquele pop-rock que aparece em todos os animes. Ainda assim, as animações da intro são muito boas (quase melhores que as do próprio anime).

Talvez um dia me inicie na terceira season, mas por agora foi uma grande injecção de um desporto que nunca apreciei por aí além.

A Incrível Viagem do Faquir que ficou Fechado num Armário IKEA

A Incrível Viagem do Faquir que ficou Fechado num Armário IKEA
Romain Puértolas
2013
Romance

E, com este livro, termino oficialmente a TBR de livros da minha irmã! =D Ainda me faltam uns dois ou três, mas ela está a lê-los e, portanto, lá chegarei brevemente. :) Este fui eu que ofereci e fico muito contente por ter sido lido!

Trata-se de uma história tão rocambolesca como simples, que acaba por tocar de forma emocional no tema dos refugiados e, também, nos mostra como uma pessoa pode mudar quando confrontado com as vidas de pessoas mais trágicas que a sua.

Um faquir indiano dirige-se a França, para ir ao IKEA. Lá, irá comprar uma cama de pregos em promoção. No entanto, como não tem dinheiro nem lugar onde ficar, decide ficar a dormir na loja. Quando aparecem os empregados, esconde-se dentro de um armário. Que é expedido para Inglaterra. E aí começa a sua grande aventura.

As situações são engraçadas e inusitadas, embora a escrita por vezes seja um pouco forçada, como que a pedir a todo o momento uma gargalhada. No final, é um livro que nos traz um grande sorriso, pois acaba por correr tudo bem. Apesar de o autor se referir a muitas etnias diferentes, por vezes de forma um pouco estereotipada, acaba por tentar trazer ao de cima sempre a melhor parte de cada pessoa. Assim, temos uma leitura muito divertida, em que sabemos que nada de errado pode vir a acontecer.

O tema dos refugiados é, assim, tratado com candura e carinho: uma forma um pouco diferente de nos demonstrar que o problema existe e que poderia ser resolvido se todos tentássemos, tal e qual o faquir, tornar-nos pessoas melhores.

Li este livro num instante e recomendo para quem quiser sentir o coração cheio.

Grandes Exploradores Portugueses

Grandes Exploradores Portugueses
Susana Lima
2013
História

Aproximamo-nos da recta final no que respeita à pilha TBR (To Be Read) dos livros da minha irmã. Este foi uma agradável surpresa.

Quando pensamos em explorações pelo mundo conhecido e desconhecido, o nosso primeiro pensamento são os descobrimentos portugueses, passados há coisa de meio século, mais ano menos ano. Mas nem todos os descobridores são tão famosos como Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.. Este livro relata um pouco da biografia de uma série de aventureiros e exploradores, que incluem os nomes citos e não só. Temos também os mestres da aviação e até o mais famoso montanhista português.

O que mais me agradou neste livro foi a pesquisa cuidada e bem documentada. Cada capítulo, sobre um explorador diferente, não é especialmente longo e existem muitos elementos que ficaram de fora. No entanto, a autora consegue reduzir as vidas destes senhores ao essencial, através de uma bibliografia que se encontra reunida no final.

Para além disso, consegue mostrar-nos um pouco da história real destas pessoas misturada com uma certa emoção que, não sendo forçada nem pouco realista, nos faz viajar até esses locais desconhecidos e aprender um pouco mais sobre a percepção das pessoas dentro da sua época.

Uma escritora talentosa e um livro delicioso.

American Pastoral

American Pastoral
Ewan McGregor
2016
Filme
6 em 10

Inspirado no romance de Philip Roth, este filme é a estreia do Ewan McGregor como realizador, sendo que ele faz também o papel principal (choose life).

Swede, campeão desportivo da escola, casado com uma antiga Miss, com uma filhinha encantadora apesar de meio gaga, tem tudo o que se pode pedir para uma vida feliz. No entanto, tudo começa a correr mal quando a filha cresce e se envolve com grupos de activistas pelos direitos das várias minorias e anti-guerra. Após uma sugestão incauta de seu pai, a moça faz explodir uma estação dos correios, desaparecendo em seguida. Agora, Swede convoca para si a missão pessoal de a encontrar, passando por uma série de acontecimentos que irão marcar a história dos Estados Unidos.

Pessoalmente, achei o argumento, a concepção da história, a base textual, absolutamente brilhantes. Um texto desprendido, cheio de momentos fortes, que permite o desenvolvimento de personagens muito sólidos. No entanto, parece-me que o realizador não aproveitou as vantagens deste texto (cujos personagens teriam uma complexidade suficiente para ser um desafio) e optou por uma visão um pouco mais conservadora que, infelizmente, não funciona na sua plenitude.

Para começar, Ewan McGregor desaproveita o seu personagem: a actuação é mediana, muito contida, uma declamação do texto que poderia ter uma carga emocional muito mais forte. Devido a isto, a progressão cada vez mais agressiva da história acaba por nos deixar um pouco indiferentes, porque não conseguimos unir-nos na obsessão da personagem.

Também a edição foi feita de forma muito televisiva e pouco emocionante, retirando bastante a força de algumas cenas que poderiam chocar de sobremaneira.

Mas este filme tem algo de único, que é o facto de falar de acontecimentos ada história americana que talvez tenham ficado um pouco esquecidos dos nossos livros de história.

Apesar de tudo, acho que para filme de estreia está uma excelente tentativa. Vamos ver o que McGregor escolhe para a sua vida no futuro.

À Espera de Doggo

À Espera de Doggo
Mark. B. Mills
2014
Romance 

Outro livro que ofereci à minha irmã. Como acho que ela gosta de cães, achei que dar-lhe um livro motivador sobre um cão seria uma coisa boa. Será que acertei, por uma vez? Hahahaha

Existem vários tipos de livros, mas de certa forma é difícil encontrar um que seja um puro fatia-de-vida, como se de um anime se tratasse. Dan, que trabalha como copywriter, foi abandonado pela noive e mudou de empresa. Ela deixou-o com um cão todo def, o Doggo, que o acompanhará na sua vida diária, ajudando-o a enfrentar pequeníssimos dramas que, no fundo, são absolutamente inconsequentes.

É uma leitura rápida e divertida, mas tem o estranho problema de não falar sobre absolutamente nada. A história progride rapidamente, aparentando não haver grande planeamento (por exemplo, existem personagens que pura e simplesmente desaparecem) nem muito pensamento por trás disto. Parece simplesmente um livro de alguém que, inspirado por um qualquer cão, decidiu que queria fazer um best-seller. Como um livro destes se torna um best-seller é uma questão que não serei capaz de responder...

Existem alguns momentos comoventes, como o encontro de Doggo com a sua antiga dona, mas fora isso o romance é uma sucessão de acontecimentos sem qualquer tipo de interesse para o leitor, sobretudo porque os personagens não são assim tão encantadores que nos identifiquemos plenamente com as suas alegrias e as suas tristezas (que, nem por isso, serão muitas).

Um livro fácil e que entretém, mas que não possui muito mais qualidades literárias.

A Rapariga no Comboio

A Rapariga no Comboio
Paula Hawkins
2015
Romance

Mais um livro da minha irmã, que se que foi lido (apesar de não ter sido eu a ferecer ;) ). Havia ouvido falar imenso deste livro, já que se tratou de um fenómeno de vendas, um verdadeiro best-seller que foi imediatamente adaptado ao cinema - popularizando-o ainda mais.

Um thriller psicológico com muito de policial, conta história de Rachel, uma alcoólica que foi abandonada pelo marido, que a trocou por outra e entretanto já teve um bebé. Rachel passa todos os dias em frente à sua antiga casa no comboio que a leva a Londres, onde finge que vai trabalhar, e acaba por observar os seus "vizinhos", para os quais inventou nomes e novas vidas. Um dia, acorda de ressaca e sem se lembrar de nada. Depois, descobre que a rapariga com que fantasiava desapareceu, possivelmente raptada ou assassinada. O livro, então, toma o rumo em que Rachel tenta recriar a noite de bebedeira que esqueceu, de forma a ajudar na procura pela rapariga desaparecida.

Não posso dizer que este seja um mau livro. No entanto, também não lhe posso dar um selo de excelência. Apesar da história estar bem contada, existe um certo ponto de viragem em que se torna absolutamente previsível e, imediatamente, conseguimos deduzir quem é o culpado, com algum jogo de cintura. Assim, a parte final do livro apareceu-me como um pouco forçada.

Para além disso as personagens deste romance sofrem muito pouca caracterização e desenvolvimento. Isto é, a autora mostra-nos muito do seu percurso até ao seu momento actual, mas tudo (tudo!) tem alguma relação com a maternidade e bebés. Talvez isto seja causal, um elemento de união entre as três mulheres que protagonizam a história, mas é bastante enfastiante e repetitivo, como se todas as personagens fossem apenas uma.

De resto, foi uma leitura simples e rápida.

Fences

Fences
Denzel Washington
2016
Filme
8 em 10

Inspirado numa peça de teatro de mesmo nome, este filme fala sobre a intimidade e relações de uma família negra na América dos anos 50. Um filme que se foca sobretudo no trabalho de personagem e na sua relação com o universo que o rodeia, tendo em conta a vida actual e eventos passados que serão explicados ao longo do filme.

O argumento tem um brilhantismo discreto, que talvez só possa ser conseguido num textyo dramatúrgico. Acompanhamos Troy e a sua família, crescendo, rompendo, desfazendo, acontecendo. E vemos muito de Troy pelo seu diálogo, elemento extremamente bem conseguido pois permite um desenvolvimento muito coerente deste personagem e lhe acrescenta um realismo absoluto. Claro que isto não seria possível sem um excelente trabalho pela parte de todos os actores, que acrescentam uma força humana plena de brutalidade na realidade mostrada pelo filme.

São poucos actores, cenários minimalistas, mas a edição e a filmagem tornam todos os espaços em algo muito maior, oferecendo perspectivas de uma dimensão que não só é cénica mas também pessoal, na medida em que o desenvolvimento da história nos mostra personagens cada vez mais fortes dentro da sua fraqueza: a construção de uma vedação que não é tanto real mas interiorizada, uma vedação que não separa o que está fora do que está dentro mas, precisamente, o oposto.

A banda sonora é, também, mínima, sendo utilizada de tal forma que adiciona muito às emoções transmitidas por estes actores.

Um filme de excelência.

19.3.17

Cartas, Visões e Outros Textos do Sr. Pantaleão

Cartas, Visões e Outros Textos do Sr. Pantaleão
Pantaleão (Fernando Pessoa)
Anos 10
Colectânea

Mais um livro que ofereci à minha irmã, mas desta feit tenho de admitir que não foi de todo uma boa escolha. Na altura pensei que o Sr. Pantaleão fosse uma figura cómica, o que não deixa de ser verdade se perspectivarmos o contexto em que os seus textos aparecem. Portanto, irmã, peço imensa desculpa por te ter dado este livro, não sabia que ia ser assim. :/

Numa altura em que a Monarquia anda a causar muita insatisfação dentro de algumas camadas de portugueses, Fernando Pessoa cria esta figura: Pantaleão. Este senhor nutre uma forte antipatia por tudo o que está relacionado com a monarquia e revela-o através de cartas (para um misterioro Mr. Smith), visões (dados aleatórios e pensamentos perdidos) e um conjunto de poemas muito pouco estruturados e certamente criados num laivo de inspiração.
 
É um volume de interesse relativo, mais dedicado a um grupo académico do que ao leitor vulgar. Este conjunto de textos nutre pouco interesse a quem não conheça a época e o autor em profundidade.

Highlander: The Search for Vengeance

Highlander: The Search for Vengeance
Kawajiri Yoshiaki - Madhouse Studios
Anime - Filme
2007
5 em 10
Nota: Coloco este post apenas para que fique guardado dentro da ordem cronológica. Colocarei a review durante a próxima semana, já que a enviei para selecção de um site que não irei nomear e, por essa razão, não poderá ser utilizado no blog até sua aprovação pelo dito. Assim, peço que aguardem um pouco até que eu possa publicar o comentário. Obrigada! :)

Outra Nota: Já posso por o comentário. Água vai!


Dos criadores de animações tão essenciais como Ninja Scroll e Akira, aparece-nos “Highlander: Search for Vengeance”. Inspirado no filme homónimo de 1986, esta versão animada conta-nos a história de Colin MacLeod, escocês imortal que viaja por uma Nova Iorque futurística e destroçada, dominada pelo imperador Marcus Octavius, assassino da amante de Colin há muitos séculos atrás. Em busca da sua vingança, Colin encontrará novos parceiros que irão ajudá-lo e salvar toda a cidade de um vírus mortal.

Este filme de animação, com apenas hora e meia de duração, pode distinguir-se dentro do género de ficção científica e acção por submeter a imagética nipónica com uma narrativa de estrutura tipicamente de Hollywood. O traço, assim, é típico do país original da produção (o Japão), o que poderá agradar aos espectadores mais envolvidos com a cultura popular desse local. Também a história e seus conceitos demonstram um cuidado especial na adaptação do filme original, “Highlander”, para uma comunidade mais dedicada ao cinema animado.

No entanto, este filme tem uma falha grave que se encontra na própria estrutura narrativa. Os conceitos de imortalidade, de busca por vingança, de encontro com uma paixão recorrente, falham no aproveitamento devido à influência ocidental. Assim, este filme peca por diálogos mal dirigidos, sequências de animação bastante vulgares e, no geral, um conjunto de personagens pouco convincente.

De todos os modos, trata-se de um filme que se torna uma grande fonte de entretenimento, sobretudo para aqueles que já são apreciadores do tema original de “Highlander” e para todos os que gostariam de passar uma excelente tarde, acompanhados por um balde de pipocas.
 

Novíssimas Crónicas da Boca do Inferno

Novíssimas Crónicas da Boca do Inferno
Ricardo Araújo Pereira
2013
Crónicas

Ofereci este livro à minha irmã e, envolvida como estou na leitura da sua biblioteca, acabei por chegar a ele. Confesso que nãoe sperava grande coisa, porque já perdi há muito a esperança no humor em Portugal. No entanto, acabei por apreciar estas crónicas de uma maneira que me surpreendeu um pouco.

Ricardo Araújo Pereira, que não gosto de ouvir falar nem actuar, escreve de uma forma plena de um humor irónico e acutilante que, de vez em quando, faz falta na nossa vida. Apesar dos temas falados neste livro já estarem bastante desactualizados, em termos sociais e políticos, existem algumas coisas que ainda se mantêm como tristes verdades.

Revelando muita cultura e um grande senso moral, o autor faz uso de comparações e referências tão inusitadas que não podem deixar de fazer rir. Assim, trata-se de uma leitura muito divertida e que até nos pode ensinar algumas coisas que não sabíamos antes.

Gostei bastante, embora não me tente a ler mais livros de crónicas do autor.

15.3.17

Palme no Ki

Palme no Ki
Nakamura Takashi - Genco
Anime - Filme
2002
8 em 10

Um filme fascinante e surpreendente do animador que nos trouxe Akira e Fantastic Children.

Num estranho universo pleno de vida vegetal bizarra, uma marionete de madeira (Palme) tem uma missão muito importante: levar um objecto que uma estranha mulher lhe deu para o mundo "inferior". Não se sabe exactamente a função desse objecto, mas supõe-se que salvará os habitantes dessa zona do mundo. Para chegar lá, Palme encontra diversos amigos que farão tudo para o ajudar, apesr de a sua atitude nem sempre ser a ideal. Porque, afinal, este boneco deseja tornar-se humano acima de tudo, para que possa ficar com a rapariga que lhe lembra a figura materna.

Esta é uma história que fala muito das relações familiares em como elas nos podem magoar e ferir, levando a atitudes exageradas de vingança. Mas é sobretudo um anime sobre a descoberta de si próprio e sobre a humanidade que vive em cada um de nós. Com personagens cativantes, excelentemente caracterizados, acompanhamos a viagem de Palme na busca por se tornar uma pessoa real, sendo que a todo o momento ele se revela cada vez mais humano, na medida em que aprende conceitos como a maldade, o egoísmo, a inveja e o desespero. Nesse campo, o boneco afasta-se cada vez mais do ideal para que tinha sido criado (acompanhar uma mulher doente), tornando-se progressivamente mais próximo das pessoas que o rodeiam. Acredita que se levar o objecto até uma certa árvore mágica ela lhe dará os poderes para ser uma pessoa, mas o final revela que nem tudo é o que parece e que nem ele nem a mulher que o colocou nesta viagem são o ideal de perfeição.

Para ilustrar tudo isto, temos uma brutal animação, com designs cuidados, estranhos e muito originais e sequências tão brilhantes que fazem muito anime da actualidade empalidecer. Esta animação toma formas, muitas vezes, grotescas. Isto permite mostrar, com maior intensidade, a evolução da narrativa e, sobretudo, a evolução dos personagens.

Musicalmente, temos um tema recorrente muito belo e efeitos sonoros que adicionam a toda a estranheza do filme, intensificando muitos dos momentos de uma forma que pode mesmo causar uma certa ansiedade.

Um filme excelente, que recomendo vivamente.

10.3.17

Marido e Outros Contos

Marido e Outros Contos
Lídia Jorge
1997
Contos

Curiosamente, este livro está no Plano Nacional de Leitura (também é da minha irmã), o que me parece curioso pois esta autora, Lídia Jorge, não tem muito de adolescente dentro dela. Trata-se de uma colectânea de contos, publicados em diferentes locais e ocasiões.

São contos que falam da vida diária de pessoas, de conjuntos de pessoas, da forma como as pessoas se influenciam umas às outras e da consquência que isso pode ter na vida de todos. Com uma escrita simples (no contexto desta autora), são bastante directos ao assunto e não deixam muito que pensar. O sentimento final foi sempre, para mim, o de uma incompletude emocional. Estranhamente, é um sentimento muito agradável numa leitura.

Gostei mais de uns contos do que outros. Os que mais gostei foram o do observador de pássaros, das raparigas na praia e, sobretudo, o da Instrumentalina. Sempre pensei que este nome fosse algo de petulante, quando o tinha visto referido em outros locais, mas trata-se simplesmente de uma alcunha para uma bicicleta. E que bela história tem esse bicicleta. Apaixonei-me completamente pela Instrumentalina e gostaria imenso de ter andado nela. Essa história inspirou-me a escrever uma, que publiquei no meu outro blog: O Bentivi Urbano.

Achei um excelente livro introdutório à obra da autora.

A Delicadeza

A Delicadeza
David Foenkinos
2009
Romance

Mais um dos livros da minha irmã. Este fui eu que lhe ofereci e, diga-se de passagem, tem todo o aspecto de nem nunca ter sido aberto. O que é uma pena, porque até é um livro bastante engraçado e penso que escolhi bem.

Quando falamos de histórias de amor, temos tendência a pensar naquelas em que existem uma série de peripécias mais ou menos trágicas e em que tudo fica bem no fim. Neste livro, tudo fica bem no fim, mas não há qualquer tipo de peripécias.

Um verdadeiro fatia-de-vida literário, conta a história de Nathalie que, depois da destruição de um casamento perfeito (terão de ler o livro para saber o que aconteceu ;) ), procura encontrar uma nova razão de viver. No processo, faz um novo amigo, Markus, com quem acaba por desenvolver uma relação amorosa. Pelo meio há pequenos dramas de escritório e atitudes dos personagens que demonstram a sua relação com o mundo que os rodeia.

São personagens encantadores, bem caracterizados, com diálogos plenos tanto de humor como de realismo. O leitor aproxima-se realmente deles e começa a torcer para que tudo corra pelo melhor. O livro é intercalado por dados irrelevantes, mas que simbolizam - mais uma vez - o dia a dia das pessoas normais. Estas personagens são pessoas normais, o que é tão raro de encontrar!

Lê-se num instante, é muito simples e dá vontade de amar, sempre e cada vez mais.

Mobile Suit Gundam Thunderbolt

Mobile Suit Gundam Thunderbolt
Matsuo Kou -  Sunrise
Anime OVA - 4 Episódios
2015
7 em 10

Apesar de adorar o universo Gundam, já há algum tempo que não via nada de novo. Este OVA, lançado entre 2015 e 2016, veio preencher essa lacuna.

Situado na timeline de Universal Century (UC), mostra-nos uma perspectiva diferente da guerra entre a Earth Federation e o império de Zeon. Em quatro curtos episódios (cerca de 18 minutos cada um) é-nos mostrada a oposição entre estes dois exércitos da maneira mais realista possível, correlacionando as estratégias bélicas com o horror decorrente destes acontecimentos para todos os envolvidos. Com cenas de uma violência brutal (como a destruição de um zaku perspectivada pelo seu próprio piloto), é um anime que fala dos sacrifícios necessários para que se possa salvar algo de mais importante. Como vencer uma maquinaria infalível (Gundam) para salvar os nossos parceiros, os outros militares que, por uma razão ou outra, estão aqui. É um anime que demonstra o apogeu do horror, mas sem nunca ser gratuito. Um exercício de imaginação que nos relata o como todas as guerras são tremendas, mesmo que inevitáveis, com todos os factores humanos envolvidos.

Os personagens têm uma caracterização simples e algum desenvolvimento, mas senti que o anime foi demasiado curto para que se pudessem explorar todas as nuances destas relações entre militares e as pessoas que os rodeiam. No entanto, a caracterização é suficientemente completa para que o efeito retido das batalhas seja brutal.

A isso ajuda uma animação exemplar, com designs muito detalhados e cuidados, sem exagero nas cenas de acção mas ainda assim com efeitos especiais extremamente bem conseguidos. As cores são vivas, apesar do ambiente muitas vezes escuro e a correcção da anatomia acaba por se tornar fascinante.

Também a música tem um pouco de genial, pois está cheia de personalidade. Com uma sonoridade muito jazzística, a ironia da banda sonora utilizada ajuda muito neste retrato do terror.

Talvez o único aspecto que me tenha impedido de dar uma nota mais alta seja a falta de acessibilidade que este anime demonstra para quem não está dentro do universo Gundam. As relações entre a Federation e Zeon não são explicadas, assim como há referência a vários conceitos (como as partículas minovsky e os Newtypes) que seriam incompreensíveis para alguém que nunca viu nada do franchise. Assim, um anime que poderia ser perfeito para mostrar a não-fãs de anime, pode acabar por se tornar muito confuso a quem não tenha noção do contexto.

De todos os modos, recomendo vivamente. Uma das melhores coisas que Gundam nos revelou ultimamente.

8.3.17

Yuusha Tokkyuu Might Gaine

Yuusha Tokkyuu Might Gaine
Takamatsu Shinji - Sunrise
Anime - 47 Episódios
1993
4 em 10

Este é um anime tão reminiscente dos mechas dos anos 70 que parece ter mesmo sido feito nos anos 70. Uma qualidade fraquíssima, uma história sem jeito e sempre o final objectivo de se venderem muitos brinquedos.

Numa nova Tóquio muito linda (que não aparece em qualquer tipo de cenário, pois toda a cção parece decorrer em sítios inóspitos), um comboio luta contra as forças do mal. Este comboio transforma-se num robot. Quando é necessário, junta-se a outros comboios para que se façam robots maiores. E lutam contra um inimigo semanal, cada vez maior e mais poderoso, até à apoteose final de cada episódio. Não existe uma história estruturada e a motivação para que se avance de episódio em episódio fica reduzida ao mínimo assim que se percebe que são todos iguais.

Em termos de personagens, temos o maquinista do comboio robot, um rapaz assim em jeito de Batman, muito rico, muito secreto, com muitos poderes robóticos. O comboio tem inteligência artifiial e fala com ele, mas as suas conversas não envolvem nada de interesse. Para acompanhar este pseudo-herói, temos uma fonte de paixão e um melhor amigo e um criado (mais Batman?), que também não sofrem qualquer tipo de caracterização e muito menos desenvolvimento.

A animação é de tão fraca qualidade que até merece uma nota de pena. Para os anos 90, tudo isto é terrível, com sequências de animação recicladas em todos os episódios, design de maquinaria obsoleto e inexistência de fluidez ou coreografias nos momentos de acção.

Musicalmente, temos sons característicos do género e pouco mais.

Apesar de tudo, até foi ligeiramente divertido ver isto, porque nunca se sabe quando uma coisa má pode ainda ficar pior.

Fortaleza Digital

Fortaleza Digital
Dan Brown
1998
Romance

Na altura do pico de popularidade deste autor, prometi a mim própria, após uma leitura em diagonal de uma edição francesa dos seus livros, que nunca lhe iria tocar nem com o cabo de uma vassoura. Mas entretanto parece que o cabo de vassoura se tornou no cabo de um piaçaba, porque não cumpri a promessa: dentro dos livros furtados à minha irmã estava este e não resisti a lê-lo.

De leitura simples, este é um romance sobre a paranóia dos segredos digitais (mais tarde revelados verdade pelo Sr. Snowden), cheio de acção e muitos twists para resolver. Infelizmente, tudo é bastante previsível e simplificado, uma espécie de Umberto Eco para as crianças (digamos assim).

Os personagens são, para começar, demasiado perfeitos. Inteligentíssimos, brilhantes, bonitos, atraentes, tudo têm de bom. E a verdade é que não ficam nem melhores nem piores, porque são completamente estáticos na sua caracterização.

Depois, os mistérios e a forma de resolução são tão previsíveis como pouco coerentes. Como é que a mestra dos anagramas e da criptografia tem de ser ajudada pelo seu noivo para resolver o problema. Para mais, há um denegrir da figura feminina ao longo de todo o livro, em que estas figuras são sempre tomadas como o elo mais frágil da cadeia, não demonstram qualquer tipo de personalidade nem movimento em relação à acção que se desenrola.

Apesar de ser um livro enorme, lê-se num instante, como um qualquer blockbuster de cinema.

7.3.17

T2 Trainspotting

T2 Trainspotting
Danny Boyle
2017
Filme
6 em 10

Lembram-se do Trainspotting? Fomos ao cinema ver um pouco mais de comboios ;)

Vinte anos depois, todos os nossos amigos estão mais velhos, as vidas de todos estão diferentes. Quando Renton volta para os seus, há um misto de desejo de vingança e amizade. E, claro, um regresso às falcatruas de sempre.

Este é um filme nostálgico, em que um grupo de pessoas dos seus 40 anos observa o seu passado enquanto consumidores de droga e contempla o que poderiam ter feito melhor, como se divertiram na altura, como mudaram, o que podem fazer agora. É um tema, por vezes, difícil e um pouco desconfrotável, mas este filme faz uma avaliação simples, com a oposição do regresso à droga pela parte de uns e da saída dela pela parte de outros.

A narrativa é muito simples e, curiosamente, não demonstra grande evolução dos personagens, apesar de se terem passado estes anos todos. Existem referências constantes ao filme anterior, incluindo flashbacks com as suas imagens, que achei um pouco desnecessárias. Da mesma maneira, a forma como tudo estava filmado (com muitas pausas e slow-motions) acabou por se tornar um pouco cansativa. 

Este filme não é tão focado na comédia e no absurdo como o anterior, mas também tem os seus momentos. Talvez a parte mais curiosa seja a banda sonora que, actualizada com os nossos tempos, continua igualmente eclética.

Também a referência a todas as novas tecnologias e o novo "choose life" dão muita força ao filme.

Não gostei tanto como o anterior, por isso lhe dei uma nota mais baixa, mas ainda assim valeu a pena ir vê-lo ao cinema.

Moana

Moana
Ron Clements & John Musker
2016
Filme
7 em 10
 
A Disney bem nos tenta surpreender com a sua fórmula de princesas mas, uma e outra vez, falha redondamente. Moana é mais uma tentativa, não mal conseguida de todo, mas ainda muito aquém da magia do antigamente.
 
Este filme passa-se numas ilhas tropicais, Hawaii ou Polinésia Francesa (tanto faz), e tem uma filha de um chefe (não uma princesa) que quer ir para o alto mar. Acaba por ter de ir, entregar um objecto ao seu lugar correcto, e é ajudada por uma figura mitológica, um semi-deus cheio de gracinhas.
 
Os personagens não impressionam, a história é extremamente simples e altamente previsível. O filme é um musical, mas recorre sempre a variações sobre o mesmo tema, que nem sequer é uma música especialmetne memorável. Pessoalmente, já nem me lembro como é. Outro detalhe que achei bizarro foi a constante referência a coisas da actualidade (o twitter, a sério), que retiram imediatamente a imortalidade e o futuro deste filme.
 
No entanto, se repararem na nota que eu dei lá em cima, existe algo mais para além disto neste filme. E isso é a animação. A animação é essencialmente revolucionária, na medida em que - pela primeira vez - temos um conjunto de texturas altamente realistas, quer nos cenários quer nos próprios personagens. Por vezes, chegava a parecer que estávamos perante actores reais em vez de figuras animadas. As cores e a utilização de luz são perfeitas para caracterizar todos os ambientes. Apesar de o filme se passar quase todo no mar, as imagens são tão distintas que podemos encontrar lugares diferentes dentro do mesmo espaço, se é que podemos dizer assim.
 
Também existem algumas sequências em animação 2D, um pouco mais tradicionais, que se mostram uma maneira muito eficaz de contar partes da história que poderiam ter ficado para trás.
 
Se ao menos a Disney arranjasse melhores argumentistas e fugisse da fórmula...

El Espejo y Otros Cuentos

El Espejo y Otros Cuentos
Camilo José Cela
1999
Contos

E agora, para variar, um livro da minha irmã que não só foi fixe como gostei imenso! Li este livro em Espanhol, o que não foi tão fácil como parecia porque tem muito vocabulário vulgar e gíria, que não conheço bem.

Este é um conjunto de contos, uma antologia, que reúne algumas cenas da vida de um narrador, de um personagem, quiçá do próprio autor. O narrador sempre observa o mundo à sua volta, constatando as pequenas estranhezas da normalidade da vida e concluindo sempre de uma forma muito humorística. A verdade é que a conclusão da maioria das histórias dá muito em que pensar, pois a maior parte delas não termina quando a acção da história termina por si mesma. Antes. Assim, tudo parece um pouco incompleto, mas o efeito final é muito, muito intrigante.

A minha história preferida foi sem dúvida a última (a do Chivo Smith), porque envolvia uma compontente de fantasia mas ao mesmo tempo de infantilidade que, dentro do contexto, caía tão a despropósito que o efeito é simplesmente hilariante.

E, tenhamos em consideração, as coisas lidas em espanhol têm sempre a sua dose de piada extra. ;)

Heróis da História de Portugal como Nunca Foram Contados

Heróis da História de Portugal Como Nunca Foram Contados
Pedro Marta Santos
2011
História

Este outro livro da minha irmã desapontou-me sobejamente. A ideia até está bastante boa: contar de forma moderna e actualizada, disponível para as faixas menos letradas da nossa geração, as histórias dos grandes heróis portugueses do passado.

Mas o livro peca por uma coisa principal: falta de pesquisa. O autor apresenta uma bibliografia diminuta, que quase poderia ser equivalente a um "eu vi na wiki". Existem erros históricos imperdoáveis, como pessoas estarem vivas fora da sua época, pessoas que numa história estão no sítio e na outra já estão noutro... PAra além de erros de edição (no início o Martim Moniz está coma  família, no final já está sozinho?)

Para além disso, o tipo de narrativa é muito desapropriado para os temas em causa. Faz algum tipo de sentido referir a internet quando falamos do Viriato? E a história do elefante Salomão, onde é que isto é uma história importante para Portugal?

As ilustrações são estranhas, porque a maior parte do tempo não correspondem ao que está narrado nas histórias.

Um livro terrível. Não se confie nesse tal clube do livro do canal de televisão.

A Frágil Doçura do Bolo de Limão

A Frágil Doçura do Bolo de Limão
Aimee Bender
2010
Romance

Conforme terminei a minha TBR, decidi obter outra pela via mais fácil: ir ao quarto da minha irmã, roubar todos os livros que ainda não tinha lido e... Lê-los a todos! =D Comecei por este que, pelo que entendo, foi um presente do meu pai para a figurinha em questão.

A ideia desta história começa por ser bastante interessante: uma miúda descobre que pode sentir os sentimentos das pessoas que fazem as comidas, depois de as provar. No entanto, a forma como tudo isto evolui, durante a infância, adolescência e vida adulta da personagem... Deixa muito a desejar.

Para começar, se uma pessoa começa por perceber todos os detalhes da comida, porque tem medo de a comer? É certo que a mãe da personagem tem sentimentos terríveis quando cozinha, mas isso é justificação para odiar alimentar-se durante grande parte da sua vida? Não seria mais realista que ela aproveitasse este seu talento secreto para fazer outras coisas úteis? Acaba por fazer isto mesmo no final, mas mesmo assim soube a pouco.

Par além disso, a história paralela do irmão é muito bizarra. E não digo isto de uma forma boa. É simplesmente estranha, acabamos por não perceber grandemente o que se passou (transformou-se numa cadeira? Quê?

Ninguém neste livro tem nenhuma caracterização especialmente desenvolida e a personagem principal acaba por se tornar progressivamente mais irritante, sem que nos consigamos identificar com o seu "problema".

Um livro mal pensado, mal estruturado e nem por isso muito bem escrito.

Chuunibyou demo Koi ga Shitai!

Chuunibyou demo Koi ga Shitai!
Ishihara Tatsuya - Kyoto Animation
Anime - 12 Episódios + 12 Episódios + 2 OVA + 6 + 6 + 6 Specials + 1 Filme
2012
7 em 10

Este é daqueles animes que, sendo tão famoso, me dava uma imagem de ser algo completamente diferente do que se veio a revelar. Assim, devo confessar que estava errada e que este acabou por ser um dos animes mais interessantes que vi ultimamente.

Todos nós temos *aquela* fase. Mais ou menos por volta do oitavo ano... Começamos a descobrir coisas fascinantes e, subitamente, somos super-heróis, fazemos magias, lemos cartas, temos bruxedos. Mas, será que é bom revelar estas coisas quando chegamos ao secundário? É esse o problema de Yuuta. Temnta tudo para disfarçar o seu passado, até que conhece Rikka, uma miúda que faz questão de ainda viver as suas fantasias. Como será que isto vai resultar?

Sob uma capa de aparente normalidade, um fatia-de-vida como muitos outros, este anime esconde um conjunto de personagens altamente caracterizados, que sofrem uma evolução tão lenta como realista. O anime revela as suas fantasias íntimas de uma forma plena de cor e imaginação, sem que os próprios personagens se apercebam da imagem ridícula que transmitem ao exterior. Apesar de tudo, a densidade destes é tão forte que acabei por me identificar com praticamente todos eles, mas sobretudo Rikka (pois, também eu!, era assim)

A animação é colorida, de altíssima qualidade, com imagens muito bem definidas e cenários altamente detalhados e plenos de uma luminosidade nocturna que, por vezes, se torna muito difícil de obter em animação. As sequênbcias de acção também estão excelentemente coreografadas, sem nunca caírem no ridículo do ecchi (apesar de, sabemos, dar muita vontade)

A música, essa, limita-se bastante ao pop mais vulgar desta década.

Um anime que me deu muito gosto ver e que recomendo bastante!