18.12.14

Kurau Phantom Memory

Kurau Phantom Memory
Irie Yasuhiro - Bones
Anime - 24 Episódios
2004
7 em 10

É engraçado constatar que, neste momento, vejo um anime assim-assim intercalado com um anime interessante. Kurau Phantom Memory é um dos bons.

Num futuro não muito próximo, um cientista faz algumas experiências, na companhia de Kurau, a sua filha. Um dia, uma das experiências tem uma reacção inesperada. E Kurau passa a ser uma entidade diferente, uma Rynax, Rynax Sapiens. Tem todo o aspecto de ser um humano, mas possui diferentes poderes, tanto físicos como psicológicos. Mas os Rynax são pares... E Kurau precisa do seu par para ser feliz. Até que o encontra. E é uma menina, a quem dá o nome de Christmas.

Num ambiente altamente realista, apesar de ser num futuro que nunca iremos conhecer, desenvolve-se esta história de amor filial, um amor que um ser humano - como nós - apenas começa agora a compreender. Juntas, Kurau e Christmas terão de sobreviver às constantes perseguições e provar à humanidade que não são perigosas e que apenas querem viver felizes, sem fazer mal a ninguém. O resultado é de uma delicadeza constante e altamente emocional.

As personagens baseiam-se nas suas relações. Os Rynax não podem viver sem o seu par e é essa dor que é explorada nas várias situações. Para melhor a explicar, apresentam-se novos personagens, com as quais formam amizades e laços. Individualmente, temos pessoas com características humanas mas que admitem desde logo as suas diferenças: isto é feito com o objectivo de se integrarem, em vez de se separarem, o que é bastante único nas narrativas do género. Existem momentos dolorosos, muito comoventes, que mais acentuam a necessidade básica destes seres se relacionarem. No fundo, é um anime que fala sobre as diferenças entre as pessoas e como podemos ultrapassá-las para vivermos todos em harmonia. Se generalizarmos, os Rynax podem ser uma raça, um género, uma identidade. Representam tudo o que é diferente e incompreendido. Mas em vez de se revoltarem e abusarem das diferenças, apenas procuram a paz. Isto é altamente moralizante.

Artisticamente, a qualidade não é extraordinária. Os designs são típicos da época e existem algumas cenas de acção que, estando bem coreografadas, precisariam de um orçamento maior para brilhar. A arte é, no geral, muito pouco detalhada e as cores não vibram. No entanto, esta paleta cria um ambiente um pouco sonhador que é bastante apropriado ao teor do anime.

Na música, temos um conjunto de peças extremamente belo, sobretudo a ED, que jogam com as emoções dos personagens e também com as do espectador. Através da banda sonora é criado um ambiente muito pacífico e contemplativo, que nos permite analisar com calma as reacções narrativas e juntar-nos a elas, como se fizéssemos realmente parte deste universo.

No final, temos um anime bonito, emotivo e delicado, bastante diferente daquilo a que estamos habituados. Poderá o leitor esperar uma série recheada de acção num mundo futurista, mas esse realmente não é o foco principal desta série. É uma série que simboliza algo mais. Acredito que isso é valioso.

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