20.11.14

David Bowie is...

David Bowie is...
Documentário de Exposição
Isto foi uma experiência diferente, portanto o melhor é começar pelo princípio.

Eu costumo ler um blog, que sigo, chamado Sound+Vision. É administrado pelo João Lopes e Nuno Galopim que são, respectivamente, críticos de cinema e música. Ambos são fãs inveterados do David Bowie. Então, anteontem, apareceu um passatempo no blog, para ver o documentário de uma exposição que estava instalada no museu V&A em Londres, sobre a vida e obra de Bowie. O passatempo consistia em dizer em que cinema queríamos ir ver o filme, o nosso álbum favorito do Bowie e porquê. Eu escolhi aleatoriamente o Space Oddity e inventei um porquê, pois realmente não tenho um álbum preferido (gosto de todos). Ganhei os bilhetes e, assim, fui com um amigo.

A minha experiência com Bowie vem, desde o seu ponto inicial, da minha paixão por tudo quanto é belo, nomeadamente Gackt. Um dia, a minha mãe, ao ver-me em adoração ao meu altar de Gackt (sim, tenho um) comentou casualmente: 

"Isso que tens por esse Japonês, é aquilo que eu tinha pelo David Bowie"

A partir daí, a curiosidade apareceu e imediatamente segui para ouvir a discografia completa. Fiquei maravilhada, pelos sons, pela imagem, por todas as coisas. Por isso, ter oportunidade de saber sobre um dos que se tornou artistas favoritos foi uma experiência única.

O dia foi estranho. Chovia torrencialmente, vi uma árvore a tentar atravessar a estrada (caindo, com um som "ploft" com toda a sua massa vegetal em cima da passadeira. Ainda bem que não estava a passar ninguém), a estrada ficou cortada por causa da árvore, etc. Comi, pela primeira vez, um frozen yogurt, que é delicioso. E, com isto, entrei na sala para ver o filme.

Antes do filme, os críticos ainda falaram sobre toda a discografia e videografia do artista durante um tempo que estava entre os trinta e os sessenta minutos (quarenta e cinco, portanto). Mostraram três videoclipes essenciais e falaram muito. Passado certa altura, confesso, já não os estava a ouvir. Finalmente, veio o filme.

Essencialmente, era a visita guiada à exposição, com comentários dos visitantes e com comentários de pessoas que conheciam o Bowie. Começavam pela infância, mostrando fotos de bebé nunca antes vistas e pedaços do trabalho prematuro de Bowie, que desde logo se interessou pelo aspecto gráfico da música e não só pelo facto de tocar e cantar. Depois, passou para toda a cenografia, incluindo os fatos e máscaras utilizados ao longo do tempo. Como eu não sou muito de ver vídeos, desconhecia a maioria deles. Realmente, o homem é dono de um estilo muito único, que veio a influenciar géneros, modas e atitudes de toda uma geração.

Falaram, também, de material como as fotografias e capas dos discos. Vi pela primeira vez a imagem completa da capa do álbum "Diamond Dogs", que é estranhíssima e fascinante. Vi também muitas outras fotografias que nunca tinha visto. A partir daí, passaram para o trabalho cinematográfico, que nunca pensei ser tão grande (vi apenas dois filmes). Falaram bastante de "Labyrinth", que nunca vi mas parece ter um estilo próprio, e do "Homem que veio do espaço", que é um filme bastante estranho e sobre o qual tenho sentimentos mistos.

De entre as pessoas que foram falar, estava um estilista Japonês que muito influenciou Bowie ("Bowie is Bowie, Kansai is Kansai"), um historiador de cinema, um coleccionador de memorabília que tinha a avaliação escolar do artista. Mas o mais interessante foi ver aquilo que os visitantes, fãs normais como nós, tinham a dizer.

Para concluir, o mote da exposição era "David Bowie is..." Isto porque, apesar de tudo, ninguém sabe exactamente quem ele é e o que é que ele é. Durante muito tempo a sua identidade estava presa a personagens, tendo renascido como uma versão integral dele próprio durante o período de Berlim e vagueando por aí até agora em que, no topo da sua maturidade, Bowie apresenta novos discos e novas músicas e novos vídeos, sempre frescos e excitantes. Portanto, o que é David Bowie?

eu tenho a minha resposta.

David Bowie is Love.

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