17.11.14

Bombaim - A Um Mundo de Distância

Bombaim - A Um Mundo de Distância
Thrity Umrigar
2005
Romance

Disseram que este livro era muito bom, portanto inscrevi-me no BookCrossing para o ler. E digo-vos que está a ser o ring mais popular de ultimamente! Infelizmente, não gostei do livro por aí além.

Bombaim, Índia, agora. Uma senhora do bairro da lata é empregada de uma senhora rica. Castas diferentes, vidas diferentes. A senhora rica gosta muito da sua empregada, então dá-lhe todo o apoio possível. Até ao ponto de fractura, que acontece quando a neta da empregada engravida misteriosamente. Tendo este cenário como ponto de partida, observamos a vida passada das duas mulheres e os maus-tratos que lhes foram infligidos pelos respectivos maridos. Também a neta terá sido vítima? Quem sabe...

No fundo, esta é apenas uma história de violência doméstica, nas suas várias perspectivas, e nas violências cometidas para com mulheres. Tanto se podia passar na Índia como noutro sítio qualquer, pois todo este tipo de história, sendo diferente de pessoa para pessoa, se assemelha na sua génese: há pessoas que, por alguma razão, fazem mal a outras. Nisto, o livro é realista. 

No entanto, o facto de se passar em Bombaim não é nada concreto. A sinopse, a capa, o título em Português, tudo nos remete para uma viagem à Índia moderna. Mas a verdade é que em poucos momentos os personagens estão puramente inseridos dentro do seu contexto, dado que os seus problemas são - de certa forma - generalistas. Fora algumas expressões indianas cujo significado não compreendemos, e de todas as vezes em que a autora demonstra o seu nojo por todas as coisas pobres, tudo isto poderia passar-se tanto lá como aqui, em Portugal, ou na Alemanha ou na Austrália ou no Polo Norte.

Para além disso, achei que a maneira de escrever, para além de ter certos erros (como por exemplo, frases com tempos verbais no presente e passado ao mesmo tempo: "E ela lembrava-se que faz coisas"), é extremamente negativista. O livro está escrito de tal forma que é quase impossível identificar-mo-nos com as vítimas ou sequer ter pena delas, pois a forma como tudo está contado parece indiferente, quase como "as coisas más são assim e nada se pode fazer"

Enfim, talvez a minha expectativa para o livro fosse diferente, mas não sei se o aconselharia.

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