• Posted by : ladyxzeus 14.4.26

     

    Estavamos em 1963, estava Portugal preso numa ditadura católica, quando Osamu Tezuka acha que seria boa ideia passar para a imagem animada o seu manga TETSUWAN ATOM. Assim começa uma revolução que nos permite, até aos dias de hoje, ver animação com histórias sérias, de qualidade que, mesmo que dirigidas a crianças, são transversais a todas as idades.

    Tetsuwan Atom, ou Astro Boy, é um menino que - por mero acaso - também é um robot. Ele faz coisas de menino, gosta de coisas de menino. Brinca, vai ao circo, luta contra alguns meliantes, salva algumas pessoas. Tem uma série de poderes já equipados de origem, sendo o mais evidente a bota turbo que lhe permite voar. No entanto, este menino-robot também tem dúvidas que talvez sejam demasiado humanas para uma máquina.

    Um dos exemplos deste elemento, um dos que mais me comoveu, aparece logo no segundo episódio, em que Atom se questiona *porque é que não tem mãe*. Esta é uma dúvida frequente em crianças órfãs, o que é o caso deste robot. Ele sabe que tem pai, considera o seu criador como pai. Mas e a mãe? Todos os meninos que conhece têm uma mãe, porque é que Atom não pode ter? Então, ele procura criar uma figura materna, procurando-a noutros robots. No entanto, isso não é possível, pois - nesta fase - ele ainda é o único robot consciente. Achei isto extremamente doloroso, e até verti uma lágrima.

    Felizmente, Tezuka tem a bondade de não deixar Atom completamente só e oferece-lhe uma irmã (Uran), com quem as brincadeiras se tornam ainda mais divertidas.

    Talvez o único defeito deste anime, que tem uma animação extraordinária para a época, seja o facto de que o valor de produção foi escolhido para manter a longevidade da série, em vez de manter a qualidade. Assim, temos muitos episódios repetidos, e outros que não sendo exactamente iguais têm a mesma história.


    Tetsuwan Atom é de uma genialidade incrível, em que se mistura inocência com heroísmo, sempre pontuado por um grande desejo pacifista de um autor que viu a bomba atómica. Atom é um herói inusitado, porque tudo o que ele gostaria seria ser apenas um menino. E, precisamente por isso, é tão inspirador.


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