• Posted by : ladyxzeus 14.4.26

     Estamos no ano de 1979 e uma figura de génio surge no panorama do anime: Tomino. Este homem tem alguns elementos de personalidade fixos: é agressivamente pacifista, gosta de máquinas e gosta de distribuir chapadas. Comecemos pelas máquinas.

    Gundam, os Mobile Suits, Kidou Senshi, são máquinas de guerra invencíveis e imbatíveis, uma mistura de arma com escudo, cujo nome terá sido idealizado como "arma tão poderosa que consegue proteger uma barragem". Os Gundams são quase mágicos, na medida em que certos pilotos, aqueles nascidos já no espaço, conseguem ter um maior controlo sobre eles com a força da mente. São os chamados Newtypes, um conceito de humanidade muito interessante: a partir do momento em que nascemos no espaço, seremos considerados ainda como seres que pertencem a um planeta?

    Desde que vi Gundam a primeira vez, há muitos anos, gostei logo da ideia das Colónias, cilindros gigantes que orbitam à volta da Terra e que têm as suas próprias civilizações e comunidades. No entanto, nessa altura ainda não tinha compreendido bem a implicação de que as pessoas que nascem no espaço poderiam, efectivamente, considerar-se diferentes dos terráqueos e - por isso - ter uma razão para começarem uma guerra de independência.

    É nesta linha que surge o Principado de Zeon. Apesar de ser um principado, apesar de ter uma tendência bélica em tudo semelhante ao poderio do Eixo do Mal que vivemos nós próprios na Terra, Zeon acaba por ser um dos meus "mitos" preferidos. Em representação da luta contra as forças da Terra, a Federation, temos o misterioso Char Aznable. Ele conduz um Mobile Suit Zaku vermelho, o que torna tudo mais especial e espectacular, e a sua evolução enquanto personagem é como o vinho da adega da Ferreirinha: à medida que envelhece, fica mais gostoso.

    Isto porque a história do Universal Century em Gundam não se limita à Guerra do Um Ano: Char disfarça-se em Zeta como Quattro Bagina (um nome excelente, diga-se de passagem) para lutar contra uma equipa de pilotos que insiste que a Terra é o único lugar válido para se viver, tendo como objectivo desgraçar os habitantes da colónias. Em ZZ ele desaparece para dar lugar a outra antagonista excelente, Haman Karn, cujo maior desejo é restaurar os direitos governamentais à muito jovem princesa de Zeon. E, finalmente, tudo culmina com Char atirando uma Colónia para cima do planeta num auto de fé de destruição total, o que nos remete quase para o Nazismo.

    Como poderão reparar, Char Aznable é um dos meus antagonistas (vilão? Anti-herói?) favoritos de sempre. A Haman está num lugar bem próximo como personagem favorita do franchise inteiro, até fiz cosplay dela sem grande sucesso. Ainda gostaria de refazer esta personagem, num outro design. Também gosto muito do Noah Bright, falemos um pouco sobre ele.

    Bright, capitão almirante da nave de guerra White Base, vê a sua vida toda a andar pra trás quando a Colónia onde fizeram uma pausa para apanhar os Gundams é atacada e a sua nave (de guerra) fica cheia de civis. Crianças, nomeadamente. E o pior disto tudo é que ninguém faz aquilo que ele pede, nem aquilo que ele ordena, nem nada do que ele quer. Por isso, o recurso estilístico para resolver esta situação é.... Correr toda a gente à base da chapada! Yay! Gosto imenso desta atitude desesperada, e à medida que o personagem vai crescendo, também a sua paciência vai diminuindo.

    De resto, Tomino é anti-guerra. Em Gundam UC não conseguimos definir exactamente quem são os bons, nem quem são os maus.

    Se por um lado Zeon tem um design altamente nazi, e ideias bélicas muito ligadas a uma monarquia imaginária, do outro lado os Feddies também têm objectivos de guerra muito malévolos que envolvem o domínio completo das Colónias. Nada é preto no branco, sendo que a única coisa de que temos a certeza é que: a guerra mata, a guerra destrói, a guerra é muito, mas mesmo muito, merdosa.

    Suponho que Tomino tenha vivido a guerra na realidade, daí ter exposto o seu trauma, as suas ansiedades mas - também - o seu sonho de paz através de uma obra que disfarça tudo isto atrás de robots gigantes com espingardas e espadas mecânicas.

    Não posso despedir-me sem antes deixar uma nota para a animação genial de todas as quatro partes do anime (ZZ, com menor valor de produção, tem alguns momentos que deixam muito a desejar, tho). A realização deste anime é em tudo semelhante a um filme de cinema, com uso de perspectivas, cores e efeitos de luzes que nos remetem a uma realidade total. Podemos estar a viver na fantasia do Space Opera, mas a forma como tudo está dirigido e montado dá-nos um extremo realismo, e permite que realmente nos identifiquemos com as várias personagens.

    Também não disse que detesto o Kamille, porque ele faz tudo errado e é um vegetal. Enfim, é um anime que nos traz mesmo emoções fortes.

    Para sempre irei recomendar Mobile Suit Gundam. Mas só UC.



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