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Análise: Tetsuwan Atom - O Menino que é um Roboto
Estavamos em 1963, estava Portugal preso numa ditadura católica, quando Osamu Tezuka acha que seria boa ideia passar para a imagem animada o seu manga TETSUWAN ATOM. Assim começa uma revolução que nos permite, até aos dias de hoje, ver animação com histórias sérias, de qualidade que, mesmo que dirigidas a crianças, são transversais a todas as idades.
Tetsuwan Atom, ou Astro Boy, é um menino que - por mero acaso - também é um robot. Ele faz coisas de menino, gosta de coisas de menino. Brinca, vai ao circo, luta contra alguns meliantes, salva algumas pessoas. Tem uma série de poderes já equipados de origem, sendo o mais evidente a bota turbo que lhe permite voar. No entanto, este menino-robot também tem dúvidas que talvez sejam demasiado humanas para uma máquina.
Um dos exemplos deste elemento, um dos que mais me comoveu, aparece logo no segundo episódio, em que Atom se questiona *porque é que não tem mãe*. Esta é uma dúvida frequente em crianças órfãs, o que é o caso deste robot. Ele sabe que tem pai, considera o seu criador como pai. Mas e a mãe? Todos os meninos que conhece têm uma mãe, porque é que Atom não pode ter? Então, ele procura criar uma figura materna, procurando-a noutros robots. No entanto, isso não é possível, pois - nesta fase - ele ainda é o único robot consciente. Achei isto extremamente doloroso, e até verti uma lágrima.Análise: Sousou no Frieren - A Dor da Imortalidade
Um dos animes mais aclamados dos últimos tempos, e que tem dado o que pensar e dado azo a muitos debates. Sousou no Frieren (A Jornada para o Além, em PT-BR) fala-nos de, precisamente, Frieren: uma elfa milenar que participou em tempos na luta contra as forças do mal, com sucesso, e que agora enceta uma nova viagem. O porquê desta viagem é algo de belo e transcendente: ela deseja encontrar o Herói da sua party antiga, que estará no mundo dos mortos após ter falecido por excesso de idade. Pelo caminho, com ajuda da sua nova equipa, irá viver momentos nostálgicos que lhe dirão sempre a mesma conclusão: vem, viver a vida amor, que o tempo que passou, não volta mais.
Mas não só de pequenos snippets da vida diária se compõe este anime: temos momentos de acção absolutamente fabulosos, com uma animação espectacularizada que acaba por equilibrar com os outros episódios mais calmos e mais focados no dia a dia dos nossos viajantes.Análise: Mobile Suit Gundam (mas só UC)
Estamos no ano de 1979 e uma figura de génio surge no panorama do anime: Tomino. Este homem tem alguns elementos de personalidade fixos: é agressivamente pacifista, gosta de máquinas e gosta de distribuir chapadas. Comecemos pelas máquinas.
Gundam, os Mobile Suits, Kidou Senshi, são máquinas de guerra invencíveis e imbatíveis, uma mistura de arma com escudo, cujo nome terá sido idealizado como "arma tão poderosa que consegue proteger uma barragem". Os Gundams são quase mágicos, na medida em que certos pilotos, aqueles nascidos já no espaço, conseguem ter um maior controlo sobre eles com a força da mente. São os chamados Newtypes, um conceito de humanidade muito interessante: a partir do momento em que nascemos no espaço, seremos considerados ainda como seres que pertencem a um planeta?
Desde que vi Gundam a primeira vez, há muitos anos, gostei logo da ideia das Colónias, cilindros gigantes que orbitam à volta da Terra e que têm as suas próprias civilizações e comunidades. No entanto, nessa altura ainda não tinha compreendido bem a implicação de que as pessoas que nascem no espaço poderiam, efectivamente, considerar-se diferentes dos terráqueos e - por isso - ter uma razão para começarem uma guerra de independência.
É nesta linha que surge o Principado de Zeon. Apesar de ser um principado, apesar de ter uma tendência bélica em tudo semelhante ao poderio do Eixo do Mal que vivemos nós próprios na Terra, Zeon acaba por ser um dos meus "mitos" preferidos. Em representação da luta contra as forças da Terra, a Federation, temos o misterioso Char Aznable. Ele conduz um Mobile Suit Zaku vermelho, o que torna tudo mais especial e espectacular, e a sua evolução enquanto personagem é como o vinho da adega da Ferreirinha: à medida que envelhece, fica mais gostoso.Se por um lado Zeon tem um design altamente nazi, e ideias bélicas muito ligadas a uma monarquia imaginária, do outro lado os Feddies também têm objectivos de guerra muito malévolos que envolvem o domínio completo das Colónias. Nada é preto no branco, sendo que a única coisa de que temos a certeza é que: a guerra mata, a guerra destrói, a guerra é muito, mas mesmo muito, merdosa.
Análise: Chainsaw Man - A História de Reze
Supostamente um dos grandes candidatos ao Oscar de Animação, mas que não chegou a ser seleccionado, e supostamente o melhor filme de anime alguma vez produzido pela MAPPA, e também supostamente o melhor anime do transacto ano de 2025... Digamos que este filme, sequela imediata do anime de Chainsaw Man, tinha tudo para ser um sucesso e - realmente - foi um sucesso.
Mas não é sobre sucesso ou popularidade que quero falar: isso é um denominador comum a todos os últimos shounens da moda, e Chainsaw Man - apesar de ser de qualidade ligeiramente superior - não deixa de ser um shounen da moda, altamente amado, altamente partilhado e com uma fandom obsessiva (como o deveriam ter os melhores animes, diga-se de passagem).


