7.2.17

Lisboa Triunfante

Lisboa Triunfante
David Soares
2008
Romance

Mais uma vez, David Soares conquista o meu coração. <3

Com uma muito detalhada pesquisa histórica, este livro discorre sobre misteriosos acontecimentos na cidade de Lisboa, deste a pré-história até à actualidade, protagonizados por uma misteriosa raposa e por um misterioso lagarto.

Tudo começa com um momento absolutamente fascinante de uma era primitiva (não existem, de todo, muitos romances sobre isto). É explicada a sua "religião" e crenças em geral e a forma como estas são inicialmente destruídas. Depois, passamos por diferentes épocas, em que existe sempre uma estranha raposa que influencia os acontecimentos. O livro fala de vários elementos históricos de todos nós conhecidos, mas com um twist ligeiramente aterrorizante tão característico da obra deste autor. Mas considere-se que as épocas estão tão bem definidas, quer a nível de descrições e personagens como mesmo a nível da linguagem, que parece que estamos a ler histórias completamente diferentes.

Aliás, tudo faz sentido apenas no final, em que se desenvolve uma fantasiosa teoria sobre o universo que, mais ficção científica do que outra coisa, tudo termina com um banho de água fria cheio de humor negro.

Fiquei cheia de vontade de ler um complemento a este livro que explica a inspiração e os dados his´toricos presentes ("Um Passeio por Lisboa Triunfante"). 

Li este livro em duas tardes: absolutamente viciante. Vou já emprestá-lo ao meu pai e depois partilhá-lo com toda a gente. :>

Apanha-me se Puderes

Apanha-me se Puderes
Steven Spielberg
2002
Filme
6 em 10

Inspirado numa história real, este filme fala de um jovem vigarista que, passando cheques falsos a torto e a direito, consegue roubar milhões de dólares a toda a gente. Também fala do polícia que o persegue e da forma como ele é apanhado.

É um filme curioso na medida em que esta pessoa existiu mesmo. É fascinante ver como ele falsifica os cheques e a forma como a sua lábia de mentiroso consegue dar a volta a (quase) toda a gente. Um filme que revela o talento latente de DiCaprio, ainda muito traumatizado pelo fado de lindo menino de Hollywood (vede Titanic).

A narrativa move-se rapidamente, sem momentos mortos, e cheio de pequenas coisas deliciosas: estamos sempre à espera da próxima trafulhice deste rapaz e de como é que ele vai fugir desta vez.

Talvez a parte que me tenha agradado menos seja a relação polícia-criminoso, em que o primeiro parece nutrir uma obsessão pouco saudável pelo segundo.

De resto, um filme muito divertido para ver antes de uma festa. :)

Que Importa a Fúria do Mar

Que Importa a Fúria do Mar
Ana Margarida de Carvalho
2013
Romance

 Recebi este livro pelo BookCrossing, num Ring. 

Existem alguns livros que se podem definir numa única palavra. A deste é: petulante. Cada vez mais me convenço que para um livro ter sucesso em Portugal e ganhar prémios em geral tem de falar sempre de temas relacionados com a ditadura ou a guerra colonial. Mas neste caso em específico, a autora não faz de todo um bom trabalho.

Duas histórias se misturam aqui: a do homem que esteve preso no Tarrafal e a da jornalista que o está a entrevistar. Existe uma obsessão com uma mulher perdida a quem o homem enviou umas cartas. E descrições altamente detalhadas dos horrores horríveis e horrendos da dita prisão.

No entanto, passa-se aqui uma coisa que não funciona de todo: a escrita. A autora mistura os seus conceitos altamente modernos e plenos de "piada" com coisas que não estão adequadas à época. Por exemplo, porque é que uma pessoa nos anos 40-50 faria "um link entre sinapses"?

Para além disso, a autora faz questão de dizer frequentemente que este livro é um livro. Uma espécie de quebra da quarta parede, mas que apenas dá toda uma aura de auto-glorificação à escrita.

Um livro que me irritou pela personalidade que transmite. Cada vez mais desisto do Prémio Leya.

Mai Mai Miracle

Mai Mai Miracle
Katabuchi Sunao - Madhouse Studios
Anime - Filme
2009
6 em 10

Raramente se vê um filme deste estúdio que seja inteiramente dirigido a um público mais infantil. Este é um desses casos.

Shinko é uma miúda do campo, num Japão pós-guerra, que vive fascinada com as suas próprias fantasias. Um dia, faz uma nova amiga: uma menina que veio de Tóquio e que está a ter algumas dificuldades de adaptação. Assim, o filme fala essencialmente da relação entre os vários personagens e da forma como as suas amizades se desenvolvem, tendo como ligação a fantasia inicial.

Apesar das personagens serem encantadoras e formarem rapidamente uma ligação com o espectador, existem alguns elementos narrativos que me pareceram plenamente escusados. Por exemplo, a história da princesa de "há mil anos atrás" é tão desnecessária para o desenvolvimento da narrativa como altamente incorrecta em termos históricos. Para além disso, o drama final com os yakuzan aparece sem qualquer contexto e seria altamente improvável.

De resto, temos uma arte brilhante, plena de luz e cor, com cenários altamente detalhados e muito cuidados. É o tipo de filme que vale a pena ver em qualidade superior. As cenas de animação mais prementes estão muito bem feitas e, no geral, é um prazer visual.

Musicalmente, temos um conjunto de peças dirigidas a um público muito pequenino, mas que se enquadram muito bem com o filme e acabam por ficar na cabeça.

É um trabalho divertido e tecnicamente correcto, mas com alguns elementos que poderiam ser melhorados. Ainda assim, sugiro a quem tenha pequeninos em casa que lhes mostre esta obra.

1.2.17

Regresso a Peyton Place

Regresso a Peyton Place
Grace Metallious
1959
Romance

Comprei este livro no Porto, numa feira de rua, por um imenso euro, pois precisava de um livro para ser o prop da minha photoshoot de Bela (da Bela e o Monstro), que um dia haverei de publicar. Quando tiver paciência para organizar as fotos. E tempo. Coisa que ainda não ocorreu, desculpem todos :( Enfim, já que tinha o livro nas mãos, pensei... Porque não lê-lo? Mas à primeira página arrependi-me logo. É uma sequela a um outro livro, mas de todos os modos é absolutamente terrível.

Esta sequela continua eventos anteriores que, por um lado ainda bem, até estão bem explicdos para quem chega aqui de frente e sem saber nada, tal como eu. Mas é um livro que fala, ele próprio, da publicação de um livro sobre mexericos de uma cidade pequena. Assim, pode resumir-se como a mesma coisa, só que existe realmente.

Fala das vidas corriqueiras de um grupo de pessoas, como a escritora que se tornou super famosa com o seu primeiro romance e se envolve com o editor num universo de jóias e hotéis luxuosos, ou como a amiga da dita que tinha morto o padrasto que a violava e agora luta para encontrar um lugar na vida. Também fala de um rapaz que se casou com uma maluca e de uma tipa que teve um filho.

Mas será que isto interessa alguma coisa a alguém? Estes personagens não têm qualquer tipo de caracterização, embora a autora faça demorados flashbacks a toda a gente, até pessoas que aparecem apenas durante um parágrafo para depois se verem reduzidas à invisibilidade.

Para além disso, a edição do livro é terrível, cheia de erros gramaticais e de tipografia. Um que me marcou foi: "... confiava nela cagamente."

Um livro tão mau que nem para prop serviu correctamente.

Aquarion Evol

Aquarion Evol
Kawamori Shoji - Satelight
Anime - 26 Episódios
2012
4 em 10

Para compensar todas as vezes em que o meu clube acerta em cheio, temos exemplos como este, em que sugerem coisas que não cabem na cabeça de ninguém.

Mechas divididos por géneros, com magias, com aliens, com mamocas pululantes, o que poderia dar errado? Ou a pergunta seria... O que poderia dar certo? Este anime é uma amálgama de inspirações provenientes de mechas clássicos, que funcionam apenas como pálida imitação destes. Uma narrativa vulgar, com uma conclusão totalmente esperada. Personagens estereotipados com relações pessoais exageradas que caminham para uma resolução desnecessariamente melodramática. 

A animação também não ajuda. Os designs tanto dos personagens como dos robots são completamente absurdos, reminiscente de uns anos 80 que nunca aconteceram (e ainda bem). Existe uma utilização de CG precária, mal integrada e arcaica, sem qualquer tipo de fluidez e com um nível de produção aquém das expectativas. As cenas de acção tornam-se ridículas devido à má utilização da técnica, sendo que o uso de cores é muito desequilibrado nos cenários. Estes poderiam ser mais interessantes se tivessem sido melhor utilizados, já que o setting (uma espécie de neo-Veneza) é bastante curioso. De todos os modos, a qualquer momento podem aparecer umas maminhas saltitantes, portanto nem tudo está perdido.

A banda sonora é longa e completa, mas as peças que a compõem são de um pop azeite que já foi ultrapassado há uma década. Nas situações mais intensas podemos contar sempre com um power-pop altamente épico que pode ou não envolver corais. Funciona? Nem por isso.

Um anime que me deixa enraivecida.