30.6.14

Sidonia no Kishi

Sidonia no Kishi
Shizuno Koubun - Starchild Records
Anime - 12 Episódios
2014
5 em 10

Desta Primosa season que passou, escolhi este porque me pareceu ser o que tinha mais potencial para ser o anime da season. Mas parece que esta season não há anime da season... Isto foi uma experiência muito díspar, entre o horrível e o muito bonito. Vejamos.

Sidonia é uma estrutura no espaço, uma cidade altamente militarizada. Os militares, cadetes e soldados em geral, lutam contra umas criaturas misteriosas, alienígenas vivos e com placenta que têm como agenda destruir Sidonia. E há uma cozinheira que é um urso. A história não tem nada demais, mas poderíamos esperar algumas interacções alienígenas que nos dissessem coisas sobre a vida humana. Mas isso não acontece. Pouco ficamos a saber sobre os aliens propriamente ditos, apesar de estarem a decorrer experiências com eles (e pelas experiências até parecem ser bem simpáticos. Estou a referir-me ao alien que parasitou a moça que ficou autista, claro)

Ficamos, pois, a saber sobre as personagens. E é aqui a primeira grande falha deste anime. Onde se poderia distinguir, com personagens densos e sob a tensão de terem de lutar numa guerra impossível,  encontramos um conjunto de adolescentes que nada mais fazem do que adolescentar, verbo que traduz todas as coisas que essas pessoas fazem, como ir passear no fundo do mar, salvarem-se uns aos outros no espaço, terem paixonetas ou terem ciúmes. Tudo isto de roda de um personagem principal sem o menor traço distinguível. Se há diálogos interessantes? Sim, de vez em quando. Raramente. Mas isso não compensa a falta de conteúdo. E os adultos? É com eles que tentamos perceber o funcionamento de Sidonia e o passado. Mas nada é claro. Movem-se por interesses ou por emoções... E porque é que a cozinheira é um urso? Qual a necessidade?

Outro aspecto divisível é a animação. CG, CG puro. Mas CG moderno, daquele que quase parece 2D. Mas que não é. Ora, isto é um pau de dois bicos. Dois bicos bem bicudos! Se por um lado temos momentos gráficos de grande beleza (por exemplo, quando estavam os dois perdidos na nave espacial a fazer fotossíntese), por outro lado temos cenas de animação que muitas vezes são simplesmente... Pavorosas. Olhos partidos, é o que digo. Não é *sempre*. Diria que temos cenas terríveis tantas vezes como um anime em 2D. Mas como é CG nota-se muito mais, é muito mais flagrante. Realmente, esta técnica tem de ser muito bem usada para funcionar bem... E não se pode abusar!

Musicalmente, nada fora do contexto. Nem especialmente bonito, mas também nada de especialmente mau... Indistinguível. Nada a apontar, nem de certo nem de errado.

Um desapontamento e sem dúvida o pior da season. Quanto ao melhor... Pelos vistos do que eu estava a ver só três terminaram e nenhum deles foi nada de especial. Por isso temos uma season sem melhor. Que pena.

Hitsugi no Chaika

Hitsugi no Chaika
Masui Shoichi - Bones
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10

Segundo anime da season a terminar.

Quando escolhi este anime para ver, tinha uma expectativa completamente diferente do que veio a aparecer. Não que o resultado tenha sido mau, apenas estava à espera de uma coisa bem diversa. Apresenta-se-nos, então, um anime de fantasia com os seus aspectos de interesse.

Dois irmãos, que estiveram na guerra, vêem-se numa viagem com uma misteriosa rapariga. Chaika de seu nome, transporta um caixão com uma arma mágica. O objectivo dela é reunir as partes do corpo daquele que foi o seu dono, pai ou mestre, por razão que não é muito evidente. O anime tem uma natureza episódica ao início, sendo que mais tarde os nossos personagens se envolvem numa busca pelo poder, político e não só, do universo em que vivem.

O universo fantástico em que decorre a história tem o seu quê de qualquer coisa. Sabemos que este país, onde há animais fantásticos e dragões que se transformam em menina, esteve em guerra. Agora, o resto não sabemos. Achei que este aspecto, o do universo, poderia ter sido muito mais explorado. Pareceu-me que, mais desenvolvido, poderia ser muito rico e detalhado. No entanto, o anime prefere focar-se nas interacções entre as personagens, nomeadamente nas incapacidades sociais de Chaika.

Isto teria sido bem melhor se esta personagem não fosse tão simples. É-nos dito que lhe faltam memórias, passe o spoiler, mas a forma infantil como age, a maneira de falar, todos estes pequenos detalhes, tornam-na numa personagem um pouco oca e aborrecida. É muito mais divertido ver os dois irmãos e as suas personalidades em oposição, sendo que eles também receberam melhor explicação para serem como são.

Em termos de animação, nada a apontar. Não é extraordinária, mas tem os seus momentos, sobretudo nas cenas de acção e, mais que isso, nas cenas de acção que envolvem o dragão. O design das personagens parece-me pouco realista dentro do contexto, parecendo que os autores se preocuparam mais em fazê-los "giros" do que "práticos"

Musicalmente, temos uma OP e ED muito medianas, passando-se o mesmo para todos os outros temas.

Teremos segunda season, o que será bom para concluir a história e percebermos (espero eu) um pouco mais sobre este mundo e, sobretudo, sobre Chaika. Acredito que esta personagem tem potencial, mas que apenas está mal aproveitado para poder fazer o favor aos fãs deste tipo de menina.

Arraial Lisboa Pride '14

Arraial Lisboa Pride '14

Para variar um pouco o programa das festas, porque não passar no Terreiro do Paço e dançar um bocadinho na festa do arco-íris? :)
Assim foi. Nunca tinha ido, mas a verdade é que é bem divertido!

Passamos pelo Terreiro do Paço pelas 20:00, a caminho do tasco onde costumamos ir jantar quando se está em Lisboa. Gente, bastante gente, e muitas banquinhas. Não vi com muita atenção o que tinham, mas detectei bonecas insufláveis (de utilidade questionável), comidinhas com bom aspecto (quando eu comia carne de porco, adorava pão com chouriço e tinham lá uns pães com chouriço que pareciam deliciosos) e algumas bancas que vendiam coisas. Nomeadamente umas cadeiras bem originais, com imagens de santinhas, cores ou franjas ou plumas, adorei aquelas cadeiras! Foi por esta hora a primeira e única aparição de travecas flamejantes. Extraordinárias, cheias de estilo, posavam para fotos, sorridentes e triunfantes. Adoro-as! Mas pelos vistos perdemos o espectáculo, que eu queria ver... Vi uma vez um bocado do espectáculo do Finalmente e aquilo é simplesmente fabuloso!

Regressados do jantar, onde fizemos planos de mandar o Cavaco e a Joana Vasconcelos para o espaço dentro de um cacilheiro, deparamo-nos com uma party absolutamente medonha. Isto no bom sentido! Música pop extremamente dançável, gente nua nos vídeos e no palco... Estonteante. Segundo o programa, este DJ seria Almada Guerra DJ, com o programa Soft Porn e Sexy Beats.


Segue-se um concerto. Da Chick é o nome. Não apreciei por aí além. Se há coisa que não gosto é pessoas portuguesas falando em inglês para passarem por inglesas, sobretudo quando estão em terras portuguesas. No que respeita à música propriamente dita, nada a apontar. Não estava com muita atenção. Andámos por aqui e por ali, encontrando gente, buscando drinques... E encontrámos uma pessoa que não sabia quem era e que admiro muito! O gajo da Música Portuguesa a Gostar dela Própria. Não sabia como era a cara dele, não sabia qual era o nome dele (e já me esqueci), mas ainda assim fui falar com ele, por intermédio de R. Tirámos uma foto!

Eu sou o mutante amarelo. Os senhores de barba vão gravar as coisas mais improváveis ao fim do mundo. Bem, talvez a minha abordagem não tenha sido a melhor - tanta a excitação - mas o amigo não foi especialmente simpático. Mas tassbem, porque havia de estar montes de gente a chateá-lo. :)

Finalmente, entro eu em modo aborrecimento... Tantas bebidas compradas e tão pouco tempo para as beber! O limite é a uma e quarenta... Por isso fiquei, bem acompanhada, numa tenda que tinha uns belísssimos sofás. Enquanto isso, passavam remixes do António Variações, mas de onde estávamos não dava para ouvir muito bem.

Depois corremos para apanhar o objecto limitante e eu fui para casa a pensar que tinha sido parva em não ter ido dançar.

A Pianista

A Pianista
Elfriede Jelinek
1983
Romance

Recebi este livro na Troca de Natal do BookCrossing. Assim que o recebi, foi uma alegria! Um Prémio Nobel! Não podia correr mal! E é claro que não correu. Ainda bem que confio nessa instituição. :)

Um livro perturbador, com um ritmo quase aterrorizante. Erika é uma professora de piano que vive uma relação muito estranha com a sua mãe. Para colmatar a falta de liberdade, já que a mãe lhe controla os mínimos movimentos, esta personagem tem hábitos um pouco estranhos, muito relacionados com uma sexualidade inibida ao máximo. Quando lhe aparece a oportunidade de amar, a sua visão do que é o prazer revela-se tão deturpada que acaba por afastar essa pessoa. 

A história é bizarra e, de certa forma, muito crítica a assuntos que até hoje se mantém actuais. Aquele que identifico com maior evidência, é o tema dos jovens que não saem debaixo da asa dos pais. Mesmo que busquem a independência, mesmo que emocional, encontram-se de certa forma tão ligados ao cordão umbilical que são incapazes de ver a vida segundo olhos "normais", acabando por cair num egoismo irrealista que não lhes oferece oportunidades para serem felizes. Falo eu que ainda estou aqui a viver no meu quartinho, haha......

O que é verdadeiramente extraordinário, é a escrita, a forma da narrativa. Todo o livro está no tempo presente, fazendo uso de muitas expressões infantis misturadas com vocabulário da maior erudição. Isto resulta numa expressividade muito viva e arrepiante, pois sentimos realmente o universo conturbado em que estas personagens vivem. Eu costumo passar cenas de sexo à frente, mas as deste livro estão escritas de tal forma que queremos, que *temos* de saber o que se está a passar, sob o risco de deixarmos de compreender o texto.

Vai já arrumadinho para cima do meu cubo azul. Que bela prenda de Natal!

24.6.14

Bakuman.

Bakuman.
Obata  Takeshi e Ohba Tsugumi
Manga - 176 Capítulos/20 Volumes
2008-2012
6 em 10

Já há algum tempo que não via nem lia nada sugerido pelo meu clubezinho. Vinha nutrindo uma certa curiosidade em relação ao franchising de Bakuman pelo que quando surgiu a oportunidade pensei... Porque não?

Este manga conta a história de dois jovens que decidem criar um manga juntos. Um deles escreve a história e o outro desenha. Acompanhamo-los desde o primeiro rascunho ao sucesso. Enquanto isso, outras histórias se desenrolam... O tio que morreu por excesso de trabalho e que também era mangaka. Os outros mangakas tentando ter sucesso e estabelecendo-se como rivais. Mangakas que perturbam o funcionamento do duo. Mangakas que recorrem a truques menos limpos. E o principal: a promessa de que o desenhista se vai casar com uma aspirante a actriz de dobragem quando tiverem um anime e esta for a voz da heroína.

Ao início estava maravilhada. Esta viagem ao mundo editorial começou por ser, antes de mais, muito esclarecedora. À medida que a história se desenrola, vamos conhecendo cada vez mais sobre as nuances do trabalho de editor, o que é sem dúvida a parte mais interessante. Mas à medida que o tempo vai passando, isto acaba por não ser suficiente, sendo que o ritmo acaba por se quebrar em muitos momentos, sobretudo quando são introduzidos novos desafios e novas personagens.

O grande problema deste manga é a passagem do tempo. Passam-se dez anos desde o início ao fim da história. No entanto, esses 10 anos não são demonstrados em mudanças nos personagens, quer física quer psicologicamente. São exactamente as mesmas pessoas aos 24 anos do que eram aos 14, o que não é nada realista. Para mais, também não são realistas as expectativas e acções dos personagens no que respeita a relações amorosas. Se ao início a "promessa" era algo motivador, a improbabilidade de ambos a manterem (se isto fosse real) torna tudo um pouco estranho à medida que o tempo passa e ficam cada vez mais perto do sonho.

Também o tempo não passa nos desenhos. As estações do ano não são muito claras, mas a principal questão é que a paleta de sombras é tão escura que todas as acções parecem passar-se durante a noite. A arte também aparenta piorar à medida que as páginas vão correndo, sendo cada vez menos detalhada (com excepção para alguns painéis especiais)

Se a história peca, temos - no entanto - alguns personagens muito cativantes. Cada personagem tem características únicas, quer no design quer na personalidade, o que torna os momentos muito engraçados ou emotivos, conforme a situação. Os meus preferidos foram o Senhor Hattori, editor, e a Kaya-chan. Ainda assim, existem personagens que, sendo interessantes, desaparecem sem deixar rastro de forma muito inesperada.

Um aspecto que veio melhorando ao longo tempo, para variar, foi o ênfase dado aos mangas que aparecem na história. Ao início, queria muito saber sobre o que tratavam, o que era a história deles, como era a arte, etc. O estilo de arte não varia muito do resto do manga, o que talvez seja um erro (dado que cada artista tem o seu estilo, teria sido mais interessante ver variações conforme a obra de cada personagem). Mas ficamos a saber bastante sobre alguns dos mangas, o que foi algo que apreciei.

Mantive um ritmo muito certo neste manga, apesar de mais para o meio já não me apetecer tanto ver o que aconteceria a seguir. No geral, um manga mediano. Também dos poucos mangas de longa duração que tive a oportunidade de ler. Mais se seguirão.

23.6.14

Mushishi Zoku Shou

Mushishi Zoku Shou
Nagahama Hiroshi - Artland
Anime - 10 Episódios
2014
6 em 10

A season está a terminar e, portanto, aqui fica o primeiro anime da Primavera.

Confesso que, quando vi o Mushishi original (há muito, muito tempo), não gostei especialmente. Talvez tenha sido por ter visto outras séries semelhantes na altura, mas não me pareceu nada de especial. Esta season veio mesmo a calhar para tirar as teimas e ver se realmente Mushishi é um anime para mim ou não. 

A resposta é... Não.

De natureza episódica, este anime conta os encontros de Ginko com os mushi, umas formas de energia e de espiritualidade muito básicas que habitam a natureza e que podem perturbar a vida das pessoas quando fora do controlo. Cada história tem o seu interesse, se bem que poderiam ter investido mais em histórias perturbadoras e tristes, que existiam mas não eram a maioria. Creio que assim o anime teria tido mais efeito em mim. O grande problema é a forma como cada pequena história é narrada.

Não desgosto do ritmo. É um ritmo lento, muito melancólico. Sobretudo, são-nos oferecidas imagens paisagísticas. O grande problema é a qualidade da arte. Para um anime que se baseia sobretudo nos cenários, parecem-me demasiado simples, pouco detalhados e com cores muito deslavados. A estética é própria, mas se grande parte dos episódios é apenas para olharmos e não há nada de bom para olhar... Qual o interesse?

Destaco, no entanto, a música e os efeitos sonoros. A OP é lindíssima. Em termos de efeitos, destaco o uso do silêncio. As pequenas histórias valem sobretudo pela música, mais do que pelos temas em si.

Anunciaram segunda parte para este anime. Provavelmente irei ver, apenas para descargo de consciência.

Festa do Japão 2014

Festa do Japão 2014

Narremos esta experiência como se de uma história se tratasse.
No ano passado, havia-me sido impossível estar presente na Festa do Japão, que se vem repetindo do mês de Julho e servirá como lugar de celebração da amizade entre os dois países e ponto de reunião dos habitantes Japoneses de Lisboa e arredores (ou quiçá até de mais longe). Este ano, apesar de ter o dia muito preenchido, não podia perder a Festa!

A manhã começa com muito sono, extrema embirrância, e uma ida ao médico para confirmar que estou toda podre. Análises se seguirão, mas isso é outro assunto (poderei ter febre aftosa?). Depois de almoço, aula de costura! Avançamos um bocadinho com o próximo cosplay, mas batendo as quatro horas em ponto (bling blong bling blong) ala de ir buscar a minha companhia ao Cais do Sodré.

Graças a essa obra prima da humanidade que é o Piquenicão do Continente, estava o trânsito cortado no Marquês, na Avenida da Liberdade, no Túnel, em todo o lado, trânsito em todo o lado. Mas eu sou uma mestra a manejar o meu veículo (um volkswagen fofinho chamado Bequi. É um menino, apesar do nome) e consegui chegar a um parque sem parquímetro, apenas com arrumador.

Aqui entra nova personagem. Neste post podemos chamar-lhe Nhu.

Grandes aventuras automobilísticas se seguem, não são muito importantes. Mas chegámos mais tarde do que eu estava à espera. Ora, eu tinha combinado com um jovem do fórum do Anime Portugal que me encontrava com ele para lhe apresentar pessoal que fôssemos encontrando. Quando chegamos, mando mensagem... O jovem já tinha ido embora. Desculpa jovem! Não foi por mal! É que a Maria Atum (o GPS) deu-nos instruções confusas e erráticas! ;__;

Enfim.

Eu e Nhu visitamos o espaço a ver o que se passa. Ao contrário do que sempre acontece, não vou encontrando pessoas. Estava muita gente, mas... Não vou encontrando pessoas. Por um lado, até gostei. Assim foi um date e não um evento social, bahahahahahahahaha (tenho tanta graça que até me rio de mim própria)

Então, o que havia para ver? Começando da direita para a esquerda, dando a volta, relato as nossas aventuras!

Pesca de Balões!

Via isto nos animes, de apanharem estas bolinhas de dentro de uma piscina com água. Não sabia que eram balões... É que eu tenho globofobia. Fobia de balões. É estranho mas é verdade. Mas por acaso, olhei bem para estes... Olhei muito bem... E não me causavam medo! Eram super fofinhos! Então pedi para apanhar um (por um euro). O senhor deu-me uma espécie de anzol preso num pedacinho de papel. Ora aí está a questão, o busílis da questão... Supostamente se deixarmos cair o balão não ficamos com ele. Tem de se apanhar muito rápido e à primeira. Eu apanhei-o rápido, mas foi à segunda... Mas como estamos em Portugal e não num Templo Japonês, ganha-se sempre prémio. E assim fiquei com um balão cheio de água, como animal de estimação. Chamámos-lhe "Weti", de "molhadinho". É amoroso!

Ia por uma foto do Nhu com o Weti pendurado numa orelha, mas como tenho direitos exclusivos sobre a imagem do Nhu neste blogue, não quero que ninguém o veja :3

Feira de Coisas Aleatórias!

Mais para o lado estava uma banquinha que aparentava ter todas as coisas inúteis que as pessoas japonesas tinham em casa e não queriam mais. De sandálias geta a Power Rangers, passando por catálogos de mobília e manga. Aqui, comprei um livro. Não consigo ler o nome (só sei um dos kanjis), e não tem furigana, mas vai ser um desafio para quando eu tiver mais tempo e voltar a estudar um bocadinho de Japonês. Já tenho quatro livros nesta língua que estou impossibilitada de ler por ser uma grandessíssima ignorante, mas acredito que com algum esforço isso mudará um dia. :)

O que gostei nele foi a capa, mesmo muito louca. Sei que foi escrito por uma mulher... Será um romance? Um dia saberei!

Mas o quê? Bancas de merchandise?

Pois é! Este ano a Festa estava bem maior. Em 2012 era só o lado direito que tinha coisas, mas este ano havia mais uma área útil (e casas de banho descartáveis) Essa área útil estava povoada com bancas de merchandise bem nossas conhecidas. Até tinham coisas que eu poderia querer, mas os preços... Esta gente abusa fortemente da boa vontade das pessoas. E, mais uma vez, doujinshis pornográficos. Será que não têm noção de que estão num evento familiar? E que nem todas as famílias sabem o significado de "yaoi"? Desnecessário, simplesmente desnecessário.
ALIMENTO

E, muito bem localizadas de forma a que a fila não empatasse os caminhos, duas bancas de comida! Eu vinha o caminho todo, já desde o início da semana a desejar uns takoyakis. Eu adoro takoyakis. Queria que o Nhu provasse takoyakis. E dorayakis! Mas vimos a fila tão longa que pensámos... "Vamos dar mais uma volta e já cá voltamos"
Quando voltámos, solene maravilha! Não havia mais fila! E porquê...? Porque a comida tinha... ACABADO!!!! NOOOOOOOOOOOOOOOOO



Mas eu não ia sair dali sem comer alguma coisa. Então pedi um copinho de plástico com edamame. Conhecia este feijão por causa do cão-feijão-inconveniente, mas nunca tinha provado. Bem... O que dizer? Sabe a tremoço. 

 E outras coisa mais

Tudo o que era cultura Japonesa estava presente. Dos amáveis bonsais e projectos de intercâmbio, passando por literatura religiosa e folhetos de agências de viagens. Gostei de tudo, mas não me marcou por aí além. Se bem que podia ter perguntado sobre o ikebana, porque era uma actividade que eu adoraria praticar. Já experimentei fazer um arranjo, na aula de Japonês, e foi maravilhoso e divertidíssimo! E fiquei com um arranjo muito interessante. Acho que é uma maneira muito engraçada de nos expressarmos.
E no palco?

Como chegámos um pouco tarde, só vimos um bocadinho do desfile de cosplay. Nada de novo a apontar. Pessoalmente, acho que neste tipo de eventos o cosplay é um bocadinho escusado, um bocadinho fora de órbita. Certamente que a APC foi convidada pelo evento a participar, mas ainda assim não me parece que andar no evento mascarado com kimonos e perucas seja a coisa mais respeitosa do universo. Sobretudo quando não se vai participar no desfile e só se está ali por se estar... Mas isso sou eu e não sei nada, não mando em nada e não interessa nada.
Mas depois, o interessante, vimos as demonstrações de artes marciais. Eu gostaria de um dia fazer desporto e ser saudável e fit, portanto vi com muita atenção a ver se alguma coisa interessava. Houve uma que interessou e nada tinha a ver com o Japão... Jogo do Pau! Fiquei fascinada! Quero aprender isto! Quero poder dar porrada no pessoal com um motherfucking pau! E dar pulinhos e ter uns lenços de campino à cintura! E é um pau! Já viram bem as potencialidades disto? Porque é que não há um anime sobre isto? Onde é que eu posso aprender isto? Sem ter de ir ao Ribatejo, claro. E estou a falar seriamente: fiquei hipnotizada! Nenhuma das outras artes marciais me interessou, mas isto era uma dança encantadora!




Depois de comermos todos os nossos feijões, vamos. Ainda temos outra festa para ir. A Casa da Cerca em Almada celebrava a entrada no Verão com um DJ da Radar. Portanto, confiando sempre na louca da Maria Atum, conseguimos enfiar-nos na Ponte. Acabámos por comer pizza. E estava bem mais boa que os tremoços nipónicos.

Bichos

Bichos
 Miguel Torga
1940
Contos

Numa das vezes que fui ao Porto, senti-me com falta de livros para ler. Comprei dois numa mini-feira que havia no centro comercial Via Catarina, incluindo este. Chegada ao hotel... Não o posso ler! Como o livro é do tempo da tuberculose, tinha as páginas todas coladas. Quando finalmente chegou a altura de o começar, tive de as cortar com uma tesoura. O ideal seria uma navalha, mas não sei onde para a minha (oferta do meu pai)

Cada conto é protagonizado por um bicho. Ou melhor, pela visão humana que o autor tem de um bicho. São aventuras muito próprias de cada espécie referida, caracterizando muito bem a sua natureza. Nestas histórias lutam contra os elementos, contra deus, contra os homens... Mas também os amam. Talvez a história mais emocionante, no que respeita à união com o mundo natural, seja a da cigarra, Cega-Rega. Mas as histórias que gostei mais foram a do cão (Nero), do gato (Mago) e do corvo (Vicente).

Na primeira, o cão recorda a sua vida enquanto espera a morte. Apenas pode morrer depois de ver as pessoas de quem gosta, e aguarda por ela.

A do Mago é a mais divertida, porque conta como um gato de rua foi parar a uma casa de uma senhora e vive a humilhação por se ter domesticado. No entanto, a história demonstra também que o autor não conhece muito da natureza dos gatos, animais extremamente sociais que formam laços muito fortes.

Finalmente, Vicente luta contra deus aquando o dilúvio universal. A sua obstinação, inteligência e, sobretudo, desejo pela liberdade são qualidades tanto animais como humanas. E é esta a história que prova que todos, humanos e não humanos, somos bichos.

Um livrinho que recomendo muito e que colocarei a circular. :)

19.6.14

Lupin III: The Castle of Cagliostro

Lupin III: The Castle of Cagliostro
Hayao Miyazaki - Tokyo Movie Shinsha
Anime - Filme
1979
7 em 10

Como sabem, a minha anterior experiência com Lupin não foi muito positiva. Podem consultá-la aqui e aqui. Assim, quando me pus a ver este filme tinha a expectativa muito baixa. Felizmente, ou talvez seja esse o talento do Sr. Miyazaki (mesmo quando não associado à Ghibli), surpreendeu-me muito pela positiva.

Desta vez a aventura do ladrão favorito da criançada é penetrar um castelo super-protegido para salvar uma jovem condessa de se casar com um homem que, além de vilão, quer toda a fortuna que está escondida na residência. Para isso precisa de usar um anel, que Lupin não lhe dará sem luta!

A premisa é muito simples, mas o que faz realmente a história são os detalhes. Acho que desta vez o conceito de "Lupin" foi captado perfeitamente: os truques utilizados são engraçados, charmosos e inteligentes, sem nunca serem violentos ou algo mais do que puro entretenimento. Para isto, temos uma animação que - não sendo espectacular - está atenta ao detalhe, dando muita vida e emoções positivas a todas as sequências.

Como disse anteriormente, o personagem de Lupin brilha com este filme. Se eu não gostava muito dele anteriormente, mudei de ideias. No entanto, pouco crédito é dado a todos os outros, que poderiam ter visto um pouco mais de desenvolvimento ou, pelo menos, de participação.

Em termos musicais, também não temos nada de espectacular, sendo o filme ilustrado por peças muito simples. No entanto, são bastante eficientes, porque dão muita graça a cada momento.

Um filme muito leve e uma excelente aventura para os mais novos.
 

Inverno de Sombras

Inverno de Sombras
L. C. Lavado
2013
Romance Fantástico

Livro que recebi no BookCrossing e que não estava à espera que fosse tão grande. Quinhentas e Noventa páginas que rapidamente se tornaram numa tortura.

Desde já vamos admitir: a ideia está muito gira. A fantasia, bruxos e feiticeiros, está muito bem montada e as plíticas e intrigas dentro deste universo são muito interessantes. O mesmo se passa com a descrição destas criaturas mágicas. Podia ser um bom anime, este livro. Os personagens são, ao início, muito únicos e as relações entre elas são vívidas e quentes. No entanto... O que poderá ter falhado?

Se a história é interessante, há neste livro um problema grave: o ritmo. A narrativa é, simplesmente, demasiado longa... E move-se a ritmo de pastilha elástica, como uma telenovela da TVI. Os personagens têm a sua vida normal, acontece algo; voltam à vida normal, acontece algo; voltam à vida normal, acontece algo. Estes momentos de "vida normal" são úteis para conhecermos mais sobre os personagens e sobre as suas relações, mas podiam ser resumidos e condensados sem se perder informação.

Depois, ao longo do livro, os personagens têm atitudes que não se conjugam com o que nos foi apresentado anteriormente acerca deles. Por exemplo, Isadora - a personagem principal - é apresentada como uma pessoa tímida e fechada sobre si mesma. No entanto, não tem problema nenhum em agir de forma extrovertida e por vezes violenta e sarcástica quando isso possa trazer graça ao diálogo. Para mim, o exemplo mais flagrante é Danton, o Príncipe da Bruxaria. Ora, o homem anda por ali cheio de frieza e de estilo e depois materializa o seu IPod para ouvir Linkin Park? O gosto musical desta pessoa é absolutamente anti-climático (se bem que hilariante)

Se ao início gostei bastante do livro, do ambiente, da magia... Rapidamente se tornou muito cansativo. A partir do meio, só desejava que acabasse. Foi uma luta constante mas... "Quem já leu 400 páginas lê mais 200!"

Nota: o pior de tudo é que dentro do livro vinha um bloquinho artesanal para escrevermos a nossa opinião do livro. Até agora, parece-me que fui a única pessoa que encontrou defeitos... Tentei não escrever isso, escrevi apenas "tinha coisas que..." e "morri quando o Danton se pôs a ouvir Linkin Park". Mas pus o link do blog e agora espero sinceramente que a autora não venha ver.... ;_;

17.6.14

Fargo

Fargo
Joel e Ethan Coen
1996
Filme
7 em 10
Já vi este filme há umas duas semanas, mas esqueci-me de escrever sobre ele. Fica, pois, um comentário. Talvez seja um comentário um pouco injusto, porque eu captei muito pouco do final do filme por motivos que não vale a pena enumerar.
Apesar de o filme dizer que é uma história real, isso não é verdade. Depois de saber isso, fico desapontada, porque seria muito mais divertido se tivesse sido verdadeiro. Um homem contrata dois tipos para raptarem a mulher dele, num esquema que vai fazer todos ganhar o dinheiro do sogro rico. No entanto, no meio da neve, do frio e de muitos diálogos hilariantes, tudo começa a correr mal. E aí entra uma polícia que, no desequilíbrio da sua gravidez, vai encontrar os raptores e assassinos!
As personagens são deliciosas. Depois de ler um pouco sobre os actores e o seu trabalho neste filme, fico feliz por ter podido ver tão bom trabalho de actor. Neste filme, cada pessoa é única nas suas neuroses, ficando tudo equilibrado pela figura da grávida, que contrapõe toda a energia negativa com uma neutralidade e calma fascinantes.
Um grande problema de filmes passados na neve, é que não há muita variedade de cores e de imagens. Este filme não foi muito para além disso, mas teve os seus momentos de bonitas paisagens e de interessante composição. O contraste do sangue dá um resultado sempre original.
Terei de rever o filme mais tarde ou mais cedo. Mas não faz mal, porque gostei dele. :)

84ª Feira do Livro de Lisboa

84 Feira do Livro de Lisboa

Desta vez fui à Feira do Livro muito bem acompanhada. Dia de calor extremo e pavoroso, ignorei as pelusidades sovacais para usar um vestidinho de cava (todo vintage, todo 70s, tava tã linda). Só não tomei atenção aos pés, pois os sapatos que ficavam melhor também são dos que dão menos jeito para andar.

Bem, a Feira... Em tudo igual à do ano passado, pareceu-me que desta vez havia mais sítios para sentar, mais comida para comer, mais bebida para beber e mais coisas para as crianças brincarem. Parámos na esplanada da Sagres, onde experimentei aquela coisa "Radler". Uma cerveja de limão. Não imaginam o bem que me soube! Andei o fim de semana todo a limonada e aquilo sabe a limonada! É mesmo bom, podia embebedar-me com aquilo tantas vezes quanto me pedirem!

Parte horrífica é que o jardim do Parque (Eduardo VII) se encontrava ocupado por um ecrã gigante a passar o maldito futebol, nem num sítio cheio de livros me livro de aturar matraquilhos, chiça penico.

Contas feitas, desta vez gastei muito pouco dinheiro. Menos de 25€... Havia muitos, muitos livros fora do eixo Leya-Porto Editora a preços muito, muito simpáticos. Este foi o resultado:

  • O Estrangeiro (Albert Camus)
  • Antologia Poética de Antero de Quental (era só um euro pah)
  • Peito Grande, Ancas Largas (Mo Yan) (livro que queria ler há imenso tempo e que nunca tinha visto)
  • Tron (Steven Lisberger e Brian Daley)
  • Senhora Oráculo (Margaret Atwood)

12.6.14

Panty and Stocking with Garterbelt

Panty and Stocking with Garterbelt
 Imaishi Hiroyuki - Gainax
Anime - 13 Episódios
2010
5 em 10

Eu sabia. Eu sabia que não ia gostar. Eu sabia que ia abominar. Então, porque é que eu vi? Porque é que eu me submeti a esta actividade masoquista de ver uma coisa que eu sabia que ia detestar? Pela mesma razão pela qual vejo e leio todas as coisas. Para saber.

Existe uma razão muito simples pela qual eu, necessariamente, achei este anime uma abominação. Eu detesto, odeio com todas as minhas forças, todo o tipo de piada sexual, escatológica ou coisas do género que possa existir. Logo, todas as piadas, todas elas, ao longo deste anime... Não têm piada. E como avaliar um anime de comédia em que não achamos piada a nada? É um desafio, sim. Mas existem pontos em que eu posso criticar: a comédia é demasiado fácil, demasiado óbvia. Li algumas reviews que diziam "é sofisticada". Ora então, seu eu disser "este desenho animado é mau como a merda, caralho" e depois me peidar, isto tem piada? É sofisticado?

Da mesma forma diziam que PSG servia como uma crítica à indústria do anime tal como ela é. Acho isto uma consideração estupidamente errónea. À primeira vista, podemos penar que isto é um cartoon americano. Estilo Cartoon Network (que, por sinal, sempre detestei também). Mas se observarmos a arte com atenção, a cor, a proporção, tudo isso é tipicamente anime, tipicamente Japonês. Dou a mão à palmatória: a arte é muito boa, com momentos muito experimentais que são o maior ponto de interesse ao longo desta viagem de horrores. O mesmo se passa em termos de animação. Mas isto acontece porque é um anime e tem todos os elementos de anime. Não se enganem pelo estilo. Nem sempre precisamos de pernas compridas e pestanas brilhantes para ter uma estética típica.

O problema aqui está precisamente na concepção de que PSG tenta ir para além dos limites impostos pelo género. Não vai. Nunca poderia ir, porque todos os elementos são muito próprios. As próprias personagens, são a caricatura de coisas que a cultura Japonesa rejeita (nomeadamente, a sexualidade feminina). A única forma de tornar este anime mais americano, mais diferente, é ter merda, canzana e esperma espalhados por aí. E isso não torna uma animação única: torna-a vulgar.

(Diga-se de passagem que desgosto de quase todos os desenhos animados americanos, do Cow and Chicken ao Family Guy.)

Musicalmente, passa-se a mesma coisa. A maneira de ser mais ocidentais será convertermo-nos à geração autotune e ilustrar o anime com um pop repetitivo e pouco inspirado?

Enfim, é difícil expressar o quanto este anime superou as minhas expectativas. Eu sabia que me ia sentir horrorizada ao longo de todos os episódios. Mas não sabia que ia encontrar razões tão óbvias para isso. :)

11.6.14

O Retrato de Rose Madder

O Retrato de Rose Madder
Stephen King
1994
Romance

Uma das minhas grandes falhas literárias era nunca ter lido Stephen King. Apesar de já ter ouvido falar imenso (quem não?), nunca tinha calhado. Finalmente, calhou. Apareceu no BookCrossing e aproveitei.

Esta é a história de Rose, uma mulher maltratada pelo marido de forma brutal e redutora. Decide fugir para outra cidade, mas o doido vem atrás dela. Até aqui, estava a espantar-me.... Sempre tinha ouvido dizer que o Stephen King só escrevia coisas dentro do género thriller e terror. De thriller tem muito logo desde o início. Podemos ver a perspectiva de Rose e, ao mesmo tempo, a do seu marido Norman. As duas em conjunto são uma perseguição sufocante, que nos leva à beira dos nervos.

Mas então, mais ou menos a meio do livro, entra o factor fantástico em acção. A partir daqui, muito do livro se perdeu. Rose entra dentro do quadro de Rose Madder (o retrato do título) e lá terá de realizar algumas tarefas, que a ajudarão mais tarde a divorciar-se do marido (em sentido mais do que literal). Este twist é interessante ao início, mas o universo dentro do quadro não está suficientemente explorado e acaba por se tornar confuso. Existem muitas referências, tanto surrealistas como no que respeita às diversas mitologias, mas elas perdem-se umas nas outras, tropeçando numa imagem muito incerta. Talvez isto tenha sido propositado para alimentar a aura de mistério que todas estas cenas exalam, mas achei que teria tido um efeito mais forte emocionalmente se tudo se tivesse estabelecido de forma mais clara.

O final é desapontante e também bastante confuso. Porque é que Rose fica com "raiva"? Isto no sentido figurado, é claro. Se ela eliminou a fonte da "raiva", porque passou para ela? O que significa realmente a árvore? E a raposa? Por todo o lado estão símbolos que não se relacionam uns com os outros e aparentam ser bastante aleatórios.

Mas fiquei com vontade de ler outros livros do autor para tirar as dúvidas.

9.6.14

Area 88

Area 88
Nunokawa Yuuji - Studio Pierrot
Anime OVA - 3 Episódios
1985
7 em 10

Retrato artístico da guerra, Area 88 é um OVA com três episódios longos, produzido nos idos tempos dos anos 80.

Conta a história de Shin, um rapaz que estudava aviação para uma companhia aérea e, enganado pelo seu melhor amigo, se vê como soldado de uma guerra desconhecida e à qual não pertence. Na sua busca por voltar à sua amada, que deixou no Japão à mercê desse "amigo", é feita uma análise romantizada da guerra e da aviação, com momentos muito emocionais e muito bonitos.

A história é muito simples e o OVA peca por não a explorar suficientemente. Gostaríamos, talvez, de saber com mais detalhe a razão pela qual existe esta guerra, qual a relação deste país imaginário com os outros. Qual o funcionamento deste pequeno exército, qual a sua organização. Sobretudo, gostaríamos - talvez - de saber mais sobre os que ficaram. Isto relaciona-se intimamente com o desenvolvimento das personagens. Se Shin está concretizado de forma muito realista, em que podemos ver muito bem o que o faz sofrer, porque luta e porque razão toma a decisão final (que, apesar de muitas pessoas não terem gostado, achei muito apropriada), os outros personagens poderiam ter tido um pouco mais de desenvolvimento. Falo, nomeadamente, do rival, aquele que quer destruir Shin de qualquer forma. Porque é que ele quer fazer isto? E a rapariga, qual a fonte de tão grande paixão?

Mas se há alguma coisa que torna este OVA fora do vulgar, é a animação. Ninguém diria que estamos num estúdio há 30 anos atrás, porque é perfeitamente exemplar. As cenas de luta com os aviões estão próximo do genial, com um uso brilhante de perspectivas, dentro e fora das máquinas, oferecendo uma variedade muito grande de momentos que poderiam estar em qualquer guerra. Podemos sentir realmente o que estes soldados sentem e vêem, senti-me realmente dentro de um avião a lutar numa guerra que não era minha.

No que respeita a música, temos uma excelente colecção que reúne o melhor da pop da época, com várias músicas efusivas e apaixonadas.

Um anime que recomendo, marcante de uma época e uma mais valia para todos os interessados em pop-art e anime.

7.6.14

Darker than Black

Darker than Black
Okamura Tensai - Bones
Anime - 25 Episódios + 1 OVA
2007
6 em 10

Ontem. Chegada a casa, cansada. Tomar banho, aconchegar-me com uma mantinha e água e acabar de ver este anime. Mas tive de dormir sobre o assunto antes de poder escrever sobre ele, por isso aqui estou eu hoje. Foi um anime de que gostei muito, mas por algumas razões não lhe pude dar uma nota para além da média.

A história tem muitos detalhes que não vale a pena colocar numa sinopse. Para os saber, sugiro que vejam o anime. Neste universo, existem umas pessoas com poderes, "contractors", que pertencem a "sindicatos" e são ajudados por "dolls". De natureza semi-episódica, o anime conta alguns casos com uma textura de policial, que nos dirigem e dão pistas a uma história muito maior, uma espécie de luta entre o "normal" e o "estranho", uma luta pela sobrevivência de uns ou de outros. Os personagens são interessantes, apesar de não terem muito para se dizer sobre eles. Ao longo de toda a série, foi um prazer ver os diferentes poderes e a "compensação" por eles. Para os personagens principais, o quarteto que se vê na imagem (o gato também é um deles) existem pequenos arcos em que se fala do seu passado e da forma como chegaram até ali. No entanto, nenhum deles é explorado para além da superfície.

Existem dois pontos que me confundiram e graças aos quais não pude dar uma melhor nota. O primeiro, é o sentido de "emoção", o significado que esta palavra tem no universo do anime. Coloco, portanto, duas hipóteses. Primeira hipótese: os "contractors" e "dolls" não sentem emoções. Se assim fosse, o anime não poderia fazer sentido, pois é através das emoções que advêm as atitudes básicas de todos os seres. A tomada de decisão não pode ser feita sem as emoções. Coisas tão simples como o sentido de humor não podem existir sem as emoções. A verdade é que na nossa vida elas são muito importantes para todos os aspectos e poderia mesmo dizer que até os animais mais simples podem senti-las, embora não as possam racionalizar como nós. Segunda hipótese: os "contractors" sentem emoções, mas não actuam baseados nelas. Actuarão, sempre, de uma maneira racional. No entanto, como poderemos definir o "racional" do "não racional"? O sentido de sobrevivência será racional, mas se mudarmos o contexto será que se mantém? A tomada de decisão depende sempre do contexto, portanto será certo dizer que as emoções dos "contractors" são estáveis e não maleáveis como as de todos os outros seres? Talvez ter tido aquela aula de 16 horas sobre emoções não tenha sido a coisa ideal para poder ver este anime e não duvidar do que se passa...

O segundo ponto, foi o final. Parece-me que foi demasiado inspirado em NGE, até nos seus mais ínfimos detalhes. Hei, o personagem principal, é enviado para um universo onde encontra todos os que marcaram a sua vida e aí é lhe dada a oportunidade de tomar uma decisão. Essa decisão, assim que são revelados os detalhes sobre os seus poderes, é bastante previsível e demasiado simples, para aquilo que o anime nos vinha preparando desde o início.

Passemos a assuntos mais objectivos.

Em termos de arte, não temos muito detalhe e as cenas de luta, o showcase da animação, não são especialmente cativantes. No entanto, aponto uma coisa muito boa e que marcou este anime pela positiva, que são as expressões faciais. Quer em momentos cómicos (que achei que poderiam ter sido eliminados sem se perder a qualidade da narrativa) quer em momentos sérios, a qualidade das expressões dá muito realismo a cada uma das situações.

Musicalmente, o anime veio para mim sem OPs nem EDs, portanto vou abster-me de comentar. No que respeita ao parênquima, temos algumas peças muito interessantes que oferecem uma grande de variedade de sentimentos, mas sobretudo a expectativa, quase um thriller.

Gostei muito desta série, mas irei recomendá-la a  apenas a algumas pessoas.

4.6.14

Ludwig Revolution

Ludwig Revolution
Kaori Yuki
Manga - 16 Capítulos/4 Volumes
1998-2007
 5 em 10

Antes de mais, uma novidade. Como será longo, segue em itálico.

Ora bem, sempre me ouviram dizer que nunca, nunca na minha vida inteira iria ler um livro digital. Mas tudo muda e evolui e decidi-me a arranjar o Kobo, o meu quadradinho fofinho. Assim, comecei a adquirir muitos e-books, quer comprando-os quer pedindo a amigos que mos dessem. Mas... E o manga? Pensei... E se eu também tivesse manga no Kobo? Então, pedi a uns outros amigos que me explicassem como se obtinha manga digital. Explicações dadas, comecei a comprar e-books de manga. :) Mas... Nem tudo o que quero ler existe em e-book. Ora bem, o que farei então com isto? Não deixarei de comprar manga físico, certamente... Mas e quando esse manga é raro, caro, difícil de encontrar? Dei voltas à cabeça e pensei noutra coisa... Os scanlators também têm trabalho e eu respeito o seu trabalho. E se eu os usasse e lhes desse dinheiro para os apoiar? E assim me decidi! =D

Tinha esta colecção parada pois não encontrava em lado nenhum o Tomo 3. Até o encontrei bem em conta - 50€ - na Fnac francesa, mas não enviavam para Portugal... ;__; Então decidi arranjar o Tomo 3 em pdf. =D Hoje à hora de almoço terminei a série. :>

Como saberão, eu gosto muito da autora, Kaori Yuki. O estilo de desenho dela é um dos meus predilectos e as histórias têm sempre um twist muito interessante. Infelizmente, esta série desapontou. E muito. Creio que vou desistir da autora, pois as suas grandes obras já estão lidas.

Ludwig é um príncipe muito bonito mas também muito perverso. O pai envia-o numa viagem para encontrar uma noiva, na companhia de Wilhelm, o seu vassalo. Nas suas viagens, vão encontrando muitas princesas. Na verdade, isto é um twist dos contos de fadas dos Irmãos Grimm, por vezes cómico, por vezes muito negro. As histórias mais negras são bem interessantes, assim como a história principal das intrigas do palácio. Esta é muito simples, mas funciona.

No entanto, o cómico e o dramático não se conjugam bem, sobretudo com o estilo de arte apresentado. Há uma fissão muito clara entre as cenas de cada estilo e isso, no geral, oferece-nos uma obra muito pouco consistente e sem fluidez.

Também a arte fica aquém das expectativas. O uso de texturas  e detalhes está sobrecarregado, tornando os designs de cenários e objectos (sobretudo roupas) muito confusos e complicados de perceber. Também não há tanto detalhe como o esperado, sobretudo nos cenários (lembremos os grandiosos de Angel Sanctuary) e a anatomia dos personagens tem momentos muito fracos.

Enfim, desapontante. Estou a vender os três volumes que tenho, estão em Francês. Quem quer? :)

Os Olhos de Tirésias

Os Olhos de Tirésias
Cristina Drios
2013
Romance

Livro que estava ansiosa de receber, de tanto ouvir falar dele no BookCrossing! Fiquei com uma opinião muito dividida... Por um lado gostei, por outro houve algo que não me chamou.

É uma história da primeira guerra mundial, contada pelos olhos do avô Mateus Mateus, avô da narradora que ela nunca conheceu. A primeira parte fala da vida de Mateus Mateus e dos outros personagens antes de chegarem à guerra, intercalado com alguns momentos de autocontemplação do soldado, depois de idoso, e com a aventura da narradora em escrever o livro. Isto leva-me à primeira questão: quem é a narradora? É simplesmente uma anónima ou é a própria autora do livro? Se for a própria autora, não sei se me sinto muito confortável em ler palavras tão íntimas sobre a construção do livro e acho que ela se devia ter distanciado da história. Se for anónima, as suas páginas são bastante refrescantes. Com esta dúvida, uma razão para me sentir dividida. Noutro aspecto, achei que intercalar a narrativa de Mateus Mateus com imagens dos outros personagens acabou por ter um efeito um pouco confuso. Imaginemos que eu não tinha lido a contracapa. Não saberia que todas essas pessoas são personagens da mesma história. A maneira de se encontrarem parece casual e a sua influência na vida do principal parece muito vaga. Seria assim tão importante falar tanto do passado deles?

Numa segunda parte, acompanhamos a breve visita destas pessoas a um sanatório onde, por métodos freudianos, um médico alemão tenta fazer espionagem. Porque Mateus Mateus e o seu companheiro inglês têm a capacidade de ver o futuro! O sofrimento que esta habilidade causa está bastante bem explorado e é muito interessante, mas gostaria de ter visto este misterioso poder mais vezes em acção. Achei que esta parte da história, em que todos os personagens estão juntos, podia ter sido mais longa e mais detalhada, com mais aventuras diárias, sem apenas referir os grandes pontos de viragem. Mas assim também gostei bastante.

Terceira parte é conclusão, em que os personagens do futuro se ligam aos do passado e a narradora consegue completar o livro. A inclusão do personagem do Messias pareceu-me muito escusada, parecia estar ali só por estar. Não teve influência nem numa história nem noutra e, nesta parte, a observação da vida diária não me parecia assim tão importante.

O que mais gostei foi a imagem dada da guerra. Tomando por referência os poucos livros que li sobre ela, pareceu-me muito vívida e realista, caracterizando muito bem o terror vivido naquela época.

À superfície gostei imenso, li-o num instante. Mas se for analisar bem a fundo, existem algumas coisas que acho que poderiam ter sido diferentes... Agora, irei ler as opiniões do resto do pessoal para saber se sou a única com este sentimento. :)

1.6.14

x-Men - Days of Future Past

X-Men - Days of Future Past
Bryan Singer
2014
Filme
7 em 10

Combinando o fim de semana, é-me revelado que vamos ao cinema! Não tinha qualquer tipo de expectativa para este filme. Talvez até pensasse "vai ser tão mau como o último". Mas a verdade é que me surpreendeu muito pela positiva.

Este filme é a sequela de outro que não vi, mas percebe-se muito bem o que se passa. Umas máquinas poderosíssimas andam a matar todos os mutantes, levando a uma civilização de sofrimento e caos. Por isso, vão enviar alguém ao passado, para impedir que a Mística cometa um assassinato que irá levar ao desenvolvimento destas máquinhas. Esse alguém, por motivos puramente físicos, é o Wolverine. No passado, encontra versões mais jovens do Professor X e do Magneto, tentando juntá-los para pararem a Mística.

A história é muito interessante e está cheia de pequenos detalhes que piscam o olho a outros momentos da saga dos X-Men. As versões mais jovens dos heróis que conhecemos são muito interessantes, existindo um desenvolvimento de personagem muito bom, já que - através dos (não muito bons) conselhos de Logan - conseguem encontrar razões para lutar e viver, cada um à sua maneira, de forma a que se tornem naquilo que são nos dias de hoje.

Os efeitos especiais não são excepcionalmente realistas, mas dão-nos lutas e cenas de acção muito divertidas.

Puro entretenimento, mas bom entretenimento. Vi num jornal "recomendado para fãs" e realmente acho que isso está certo. Os X-Men são a coisa de comics americanos que mais gosto (nunca li, mas vi os desenhos animados) e talvez tenha sido por isso que gostei tanto do filme. :)