30.10.12

Steins;Gate

Steins;Gate
Hamasaku Hiroshi - Frontier Works
Anime - 24 Episódios
2011
7 em 10

Essencialmente isto é um anime sobre umas pessoas que fazem um microondas que dá para mandar mensagens de telemóvel atrás no tempo.

E acontecem muitas coisas. A história é complexa, mas fácil de seguir pois anda sempre para a frente e acompanha sempre o mesmo personagem, Okabe. Para mim a história divide-se em duas partes: antes do pesadelo e depois do pesadelo. Antes do pesadelo começam a mandar mensagens para trás e a brincar com essas coisas todas e vai aparecendo um harém à volta de Okabe (Daru é elemento neutro). Durante o pesadelo prefiro não contar, porque foi muito horrível e assustador (foi meu, não foi da série, haha). Depois do pesadelo, o Okabe tenta resolver a merda que foi feita, que tem consequências algo drásticas. Não desgosto. Mas há pequenos elementos confusos, sobretudo no que respeita a Suzuha. Além disso, acho que a maioria das mortes poderiam ser prevenidas se chamassem uma ambulância ao local de imediato. E o chamado "scientifical reasoning" não tem reasoning nenhum. Sim, eu fui falar com aquele pessoal dos ecrãs pretos com números e barras, só para confirmar a minha desconfiança.

Em termos de personagens, o único que se aproveita é realmente o Okabe. Okarin, ou Okabe Rintarou, ou Hououwouwowin Kyouma, é um MADU SAIENTISTO, SO COOL!, SUNOVABITCH! E encarna isto na perfeição. Tem uma personalidade forte, talvez um pouco louca, mas no fundo só quer salvar aqueles que ama... E isso caracteriza também um pouco do seu egoísmo, aquele egoísmo que o faz obrigar miúdas a carregar computadores. Todos os outros são apenas unidimensionais.

Temos uns dois ou três momentos de animação brilhantes, mas de resto a arte não é o forte deste anime.

Quanto a música, gostei bastante de todas, tornam os momentos bastante belos ou mais intensos. OP interessante, não apreciei muito a ED. No geral, bem bom (mas não o suficiente para sacar).

Gostei bastante desta série. Pelo menos percebi as piadolas do Dr. Pepper! Finalmente!

29.10.12

663114

663114
Hisamu Hirabayashi
Anime - Curta-Metragem
2012
6 em 10

Uma curta que é curta: irei colocá-la de seguida para que a possam ver.


Eu quando terminei não sabia bem o que pensar. Assim, fui pesquisar e encontrem este excelente comentário, que explica todos os símbolos representados nesta pequena animação.

Isto é uma alegoria para o terramoto de 11 de Março, com um forte sentido filosófico e ético. A estética é muito simples, mas muito intensa. Vemos uma cigarra a subir a uma árvore e a ser vítima do terramoto e do tsunami, representado por grandes mãos e por gritos. As texturas sobrepostas formam um jogo visual interessante, mas não temos aqui nada de especial em termos de animação.

O sonoro é o mais interessante. A cigarra fala numa voz gutural, quase incompreensível, que depois muda para uma voz sintética e mutada. Toda a música causa um pouco de horror, sobretudo no que respeita ao momento de chuva ácida, e leva a animação (fraca) a um nível mais filosófico.

No geral, uma boa animação, mas requer boa capacidade de interpretação. Tenho dúvidas em relação à classificação que lhe dei. O mais que posso fazer é recomendar.

O Papagaio de Flaubert

O Papagaio de Flaubert
Julian Barnes
Biografia
2010

Livro que recebi num Random Act of Bookcrossing Kindness, no - evidentemente - Bookcrossing.

Eu olhei para a capa, olhei para a descrição e estava convencida que isto era um romance. Estava desejosa de o ler, gosto de papagaios. Mas não se julgue um livro pela capa. Isto não é um romance. É uma biografia romanceada. Biografia de Gustave Flaubert, autor de Madame Bovary (e outras coisas mais, das quais nunca tinha ouvido falar)

Narrado por um personagem imaginado que tem um fascínio por este autor, o livro descreve a vida dele em detalhe, com todos os simbolismos e todas as pequenas coisas captadas em cartas pessoais que poderiam definir a sua personalidade. Infelizmente, como acontece com a maioria dos autores (sobretudo aqueles de quem nunca li um livro), Flaubert não tem uma vida especialmente interessante. Escreve, bebe, apanha sífilis, tripa-se com a sífilis, tem um cão, observa um papagaio. E assim se resume a vida dele.

Isto poderia ser compensado por uma escrita muito intensa, mas - seja problema do autor ou do narrador (se assim for, parabéns ao autor) - o livro apresenta apenas listas de compras, listas de características e debates sobre se elas estão certas ou não. Houve apenas dois capítulos que me agradaram, aquele narrado pela amante de Flaubert e aquele em que o narrador fala um pouco sobre a sua relação conjugal. Parece que o narrador se identifica com Flaubert, mas as intenções são pouco claras e a conexão do narrador ao seu ídolo é flácida.

Assim, libertei este livro no Cacilheiro, logo após terminar de o ler. Ainda vieram umas pessoas atrás de mim com ele a perguntar se era meu, mas eu disse que não, que já lá estava. Espero que o registem no site.

25.10.12

Geração Beat

Geração Beat
Jack Kerouac
Dramaturgia
1957

Eu tinha curiosidade em ler Kerouac desde que vi a referência num livro de Murakami. Assim, quando encontrei este autor num maravilhoso sebo, a apenas 9 reais, não resisti a trazê-lo.

Mas tive de me informar o que é efectivamente a Geração Beat. Diz que são um grupo de artistas dos anos 50 que viviam em comunidades, isto é, freaks. Vieram a dar os Beatles e os hippies, e o chamado movimento contra-corrente. Esta peça é suposto ser a encarnação disto.

Mas não é. Uma data de personagens, gente pobre e simples e bêbada, tem conversas sobre corridas de cavalos. E sobre a vida, mas essencialmente corridas de cavalos. As considerações filosóficas sobre deus, sobre o budismo, sobre santos, sobre a sorte, etc., parecem estar ali metidas a martelo. Os próprios personagens são irreais, pois sendo ao início caracterizados como um grupo de bêbados ignorantes metem-se logo a jogar xadrez enquanto comem ovos estrelados e a tecer opiniões existencialistas injustificadas.

Talvez seja também da tradução, mas não gostei nada da maneira desta gente falar.

Além disso parece ser uma peça dificílima de encenar, tem montanhas de gente, montanhas de gente que não interessa a ninguém, tudo isto se poderia resumir a quê, três ou quatro personagens? E montes de cenários e tralha desinteressante.

Tenho de ler um livro propriamente dito do Kerouac para ter uma opinião válida, mas não gostei desta primeira experiência.

24.10.12

Crimes de Natal

Crimes de Natal
Vários
Antologia de Contos
1995

Uma antologia de contos que recebi do BookCrossing, já que nos estamos a aproximar da altura. Os autores presentes são:

Raymund Allen
H. C. Bailey
Agatha Christie
Wilkie Collins
Arthur Conan Doyle
Dick Donovan
Christopher Hallam
Thomas Hardy
Fergus Hume
H. R. F. Keating
Ellis Peters
C. L. Pirkis
Lennox Robinson
David G. Rowlands
Pamela Sewell
Edgar Wallace
 
Ora bem, como criticar uma antologia de contos? Não tenho vagar para os criticar um a um. No geral a qualidade deles é bastante boa. Apesar de existirem alguns que relatam casos quase sem interesse, mistérios que realmente podiam ficar para resolver porque nem todos somos mentes curiosas, e apesar de existirem alguns com um estilo de escrita um pouco... Bem, um pouco... São todos bastante bons. O meu preferido foi "Uma Mulher às Direitas"

Mas isto leva-me a pensar que eu realmente não me interesso grandemente por policiais. Não há personagem, nem desenvolvimento, não há grande história que não seja o caso e a sua resolução, não há grandes momentos literários. É como um episódio do CSI, mas com menos tecnologia. Consequentemente creio que passarei a evitar este género.

18.10.12

Maison Ikkoku

Maison Ikkoku
Kazuo Yamakazi - Studio Deen
Anime - 96 Episódios
1986
5 em 10

Antes de começar devo informar que alguém me deve uma garrafa de bagaço. Só naquela. Mas mesmo bebendo-a nunca vou esquecer estes momentos de tortura.

Nos anos 80 era possível fazer séries deste tamanho como se fossem coisas normais. Mas agora, imaginava eu que fosse possível fazer 96, repito /96/ (noventaeseis, nove seis) episódios de... NADA? Meus senhores: é possível. É real. O nosso maior pesadelo já se concretizou! Esperamos pelos fillers de Bleach? Então e uma série que toda ela é um filler?

Isto veio da Rumiko, a gaja que cometeu atrocidades como Lum e fez coisas giras como Ranma. Eu esperava o que quer que fosse, mas esperava que tivesse conteúdo. A história é simples, toda ela preparada para ser uma graaaande comédia romântica (woohoo! ^__^). Godai é um pobre e infeliz estudante, que vive numa residência, Maison Ikkoku. Residência essa que é coabitada por três bêbados inveterados que o impedem de estudar com as suas festas e os seus ruídos e as suas sujidades e as suas maminhas à mostra. De repente, maravilha!, aparece Kyoko, a nova senhoria da residência. Paixão imediata. Seguem-se (ler isto com a voz do Melga, do Melga Shop) quase uma centena de maravilhosas tropelias românticas, encontros e desencontros, incapacidade de admitir os seus próprios sentimentos e para finalizar muitas risotas para toda a família

Não.

A história, que dura sete anos (é sempre Natal neste anime, vi o Natal montes de vezes), simplesmente não avança. Não anda nem desanda. Não sai da cepa torta. No finalzinho, COISAS. Só umas quatro ou cinco, que eram as que interessavam. E nada mais. E comédia? Ou sou eu ou é o anime: ri-me DUAS vezes. Duas. Dois. Um mais Um. Não joga a bota com a perdigota.

E se fosse por aqui estava acabado o mundo, teria dado um dois ou um três ao anime dos 80s favorito da criançada. Mas convenhamos, há dois pontos bons neste anime: a arte e a música.

A arte, para 80s, envelheceu muito bem. É muito cuidada em termos de detalhes e animação e, para uma série tão longa, não há recurso a cenas repetidas. Os fundos estão bem concebidos e são muito bonitos, apesar desta cidade ser pequena o suficiente para se encontrar sempre a pessoa certa no momento errado.

Já a música é muito típica da época, mas é bastante variada e não cansa. As OPs e EDs têm aquele gostinho a oitentas que eu adoro e as do parênquima adicionam o detalhe e o sentimento correcto às situações.

E assim se conclui mais uma fase da minha vida: aquela em que eu vi uma série com quase 100 episódios dos 80s e a detestei.

Iberanime OPO 2012 - Performances

Ora pois portantos, como já vem sendo habitual neste espaço é altura de fazer um comento às performances do último evento de cosplay, o Iberanime OPO 2012. Neste evento não estive e não enviei espiões (foram amigos, mas não me foram informando dos acontecimentos). Aparentemente divertiu-se toda a gente bués de bués, por isso perdi um grande evento, mas estive num workshop de escrita criativa (que resultou na seguinte história: Piloto e Rafael). Agradecimentos ao Tiago, que me indicou onde encontrar os vídeos, e ao OtakuPT, que os tem todos.

Não dá para ver os vídeos nestes vídeos, mas por um lado ainda bem, assim não dependemos desse factor. Como sempre, não sei nada sobre fatos, só comento as performances. ;) Here we gooo!

Individual

A primeira parte está muito insegura, os movimentos deviam ser mais firmes. Mas a dança está muito engraçada e acho que estás mesmo a canalizar a Catwoman!

Onde é que eu já vi isto...? Essencialmente foi o que eu disse da outra vez. É preciso mais segurança, mais energia, mais força, usa os músculos, cansa-te! Eu sou super a favor de reciclar skits, mas tão perto um do outro, no mesmo sítio, murhruhrgeasr

Bem, muito mas MUITO melhor que o do Midori. Parabéns! Ainda um pouco de insegurança, mas não percebo se é do próprio personagem que não se sente confortável com a música ou se é de ti (isto é uma boa coisa, ao vivo devia reparar-se melhor) Temos aqui potencial de fazedora de skits? Temos!


Apesar da coreografia estar bem feita e bem ensaiada é /muito pouco/ original. :(

Ai que a moça veio da terra do Piru! =D Por isso bamos a falar em ingirisu. :3 I have no idea of what you did and I think you also did not know very well what you were doing. But your speech explaining the costume and why you're here was really nice and shows that you're cool and chill, so congratulations for that! Hope to see you around on Lisbon as well! =D

Weee! Adoro a firmeza dos movimentos (vejam, é assim!). Depois houve ali aquela parte de tirar as serras (?) que ficou um bocado destrambelhada e o final que não se percebe muito bem, mas é exactamente este o espírito que eu gostava que toda a gente tivesse!

As (4? 5?) poses estão muito intensas (bom!) mas... Foi só isso. Acho que teria funcionado melhor se estivesses de frente para o público, mas apesar de tudo foi uma boa utilização do espaço. Lol à introdução (mas não é culpa tua :p)

Suponho que isto seja a reprodução do videoclip, mas falta-lhe... Algo. Não sei, eu acho que isto poderia ter sido muito mais belo. Talvez com uma flor maior. Com momentos de pausa para mostrar o que se passa. Assim foi só emporcalhar o palco.

Saltitar pelo palco não constitui skit de cosplay (já há muito tempo que eu não dizia uma destas! xD)

Um minuto e dez de NADA seguido de algo. Andas demais pelo palco, assim eu não sei para onde é suposto focar a minha atenção. As marcações iniciais foram boas, mas todas as outras pareceram um vaguear sem objectivo.

Em resumo: nada de especial ou de novo neste concurso, nada que me impressionasse. Algumas coisas boazinhas mas nada de muito original que me fizesse dizer WOAHOWHAOG. Para mim os prémios teriam sido diferentes (adivinhem!) No hard feelings :3

Grupo
 (11 skits? CA GANDA EXAGERO PAH)
(mas eu vou comentar todos, huhuhuhu)
Ok, ao início ri-me BUÉ. Mas depois ficou baixo. Muito baixo. Talvez seja só de mim, mas desde a Dança do Trovão que não posso com cuecas. Ou talvez eu seja especial. Ou talvez vocês sejam especiais. Eu num sei. Ah, acabaram de me contar que um dos membros era juri do Solo e membro da organização. Adoro coincidências!

    Ai deus, muito bom! Mesma cena de mexer os pés (parem de mexer os pés!) mas a ideia está /muito/ gira e muito bem conseguida, matei-me a rir em alguns momentos. Parabéns!

O audio está pavoroso. Mas a actuação está muito engraçada. Mas o audio está pavoroso.

A ideia está muito muito gira e o audio está excelente. No entanto há algumas partes muito confusas, por causa dos movimentos mal estruturados, em que a atenção no palco sofre divergências. Isto poderia ser evitado por uma melhor marcação.

Ideia engraçada, mal conseguida porque confusão nos movimentos. Podiam ter usado melhor o espaço.

Mais Gangnam? Não, não consigo aceitar isto.

Cena de luta um pouco mal coreografada e no final fiquei sem perceber se era a sério ou se era para rir.

OUTRA VEZ? Fica decidido: dançar o Gangnam não constitui skit de cosplay!

Isto seria TÃO mais giro se estivessem todas sincronizadas...


Ok, perseguição de zombies! Fixe! Parece-me o recriar de uma situação da "fonte" mas não me parece nada mal. A voz-off da Jeni (?) podia ser mais expressiva.

Não percebi uma gota do que se estava a passar, mas está bem interpretado, bastante expressivo.

Em conclusão: Gangnam parece ser o último grito em apresentações de cosplay. Tirar cuecas também. Com toda a certeza incluirei no meu repertório um skit em que tiro as cuecas, as meto na cabeça e danço o Gangnam, para depois atirar tais cuecas para o público, para que ele lute ferozmente e alarvemente pela sua posse, rasgando-as em pedaços. Fora isso, só gostei de um skit, apesar de haver um par (ou dois) de outros que também estão aproveitáveis. Gostei de ver o número de participantes e ver que se esforçaram todos para fazer skits (aqui e nos individuais). Mais um bocadinho e chegamos a nível agradável!

E assim se acaba o meu trucidamento ambiental de todos os skitosos do Iberanime. Obrigada por alimentarem a minha alma maligna e continuem com o bom trabalho! =D

Felicidades! ^____^


17.10.12

O Reino dos Sonhos - A Cidade de Cristal

O Reino dos Sonhos - A Cidade de Cristal
Natália Couto Azevedo
Romance Fantástico
2011

Ora portantos, Quinta Dimensão, estava eu no Dia dos Vampiros a ver vampiros a beber Fanta quando descubro que há um sorteio de livros. Dão-me um número e eu dou o número a um amigo enquanto vamos almoçar. Quando volto, tenho um livro! Viva!

Mas quando o abro, em casa, em Portugal, longe, impossivelmente longe... Descubro que tem uma dedicatoria! A um tal Adriano. Então foram-me dar o livro do Adriano? O meu nome não é Adriano! Ajudem-me a localizar o Adriano! O livro é dele! Ainda assim, li-o.

Mais uma aventura em vários volumes sobre uma Mary Sue. Elorá é o típico: jovem bonita mas insegura, um pouco inadaptada mas com um grande talento, descobre um misterioso poder e a sua importância para que o mundo não seja destruído é muito grande.

Mas numa coisa varia, isto tem que ver com fadas.

A leitura é agradável, não está mal escrito mas também não tem grandes momentos de beleza. As descrições são vivas e claras e remetem-nos para um mundo de sonhos (literalmente) muito belo que contrasta com uma realidade dura de insucesso e incerteza.

Ainda assim, não vou comprar o segundo volume. Não tenho assim tanta curiosidade em saber, de certeza que Elorá vai salvar o mundo, desconfio que Gabriel é um dos maus, mas tudo vai acabar em bem com certeza.

A quem goste de fantasia do mais básico que existe é uma boa escolha. É como ver shoujo, a gente sabe que não é nada de especial, mas a gente gosta. :3

16.10.12

Ace wo Nerae!

Ace wo Nerae!
Dezaki Osamu - Madhouse Studios
Anime - 26 Episódios
1973
6 em 10

Eu adoro anime de desporto. Eu adoro shoujo. Eu adoro as duas coisas juntas. Sobretudo quando é dos 70s!

Isto é sobre uma rapariga que joga ténis. O novo treinador coloca a noviça na equipa para as competições. Ela sente-se pouco confiante e é maltratada pelas suas colegas. Mas entretanto avança para a frente, que é esse o único caminho. Em termos de história, é o básico de um anime de desporto, mas devemos considerar que este foi um anime de desporto pioneiro.

*Pioneira é também a personagem, com a qual simpatizo muito. Ela não tem nenhum poder especial, mas o treinador detecta-lhe um talento, ela é um diamante em bruto. Com muito treino ela vai, lentamente, evoluindo e conseguindo ganhar alguns jogos. Esta é apenas a primeira season por isso ela fica ainda com muito por onde evoluir e a personagem ainda pode ser muito trabalhada, mas como início gostei bastante, não é como as personagens do anime de desporto normal e comum. Temos também uma equipa de outras personagens que variam entre a caixa de cartão e uma existência trabalhada. Algumas têm um espírito muito forte e uma grande presença.

Infelizmente a arte não envelheceu nada bem. Se temos stills que são muito bonitos, devido ao estilo shoujo da época (acho impossível não gostar dele) a animação em si é bastante terrível, muito pouco detalhada (esta gente não usa sapatos durante a maior parte da série) e cheia de repetições.

A música é muito típica da época. Para mim é quase hilariante que tenham feito uma música sobre o court de ténis. Mas gostei muito das vozes, são muito expressivas e muito vivas, adicionam muito aos personagens e às situações.

Recomendo porque é um anime importante para a sua época e porque é muito, muito divertido. Pelo menos para mim, que gosto de anime de desporto. Nem sequer gosto muito de ténis (foi Prince of Tennis que me ensinou as regras e a apreciar um jogo), mas a evolução da personagem é muito boa. Não sei se vou ver a segunda season. Talvez mais tarde.

Porque gostamos de Boys

Vou deixar aqui a minha colecção de Folders de BoysLove.

Eu faço colecção de fanart em geral, tenho um folder desorganizado gigante, mas para ocasiões especiais faço estes pequeninos. E já agora vou deixar a minha pequena colecção de doujinshis (só leio muito raramente e ainda assim prefiro comprar)

Cuidado que há aqui coisas com bolinha vermelha.

 
  • Cosplay Service

    E ainda falta o folder de Legend of the Galactic Heroes, tem 345MB e não encontro onde o hostar
Doujinshi

Espero que vos guste.

 

Abelhas Assassinas

Abelhas Assassinas
Nygel Filho
Romance
2011

Este livro contem uma história interessante. Ano a ano, em Monte Gordo, terra pacífica na praia algarvia, está um senhor a vender livros. As "Abelhas Assassinas". Este ano, estava eu na Quinta Dimensão, pedi à minha mãe que me comprasse um e que arranjasse uma dedicatória. E assim é, a dedicatória diz "Para (lady) pura simpatia!"

Agora, porque é que eu queria este livro? Porque todas as palavras do livro começam pela letra A! O meu pai tinha escrito um poema que também começava todo pela letra A, por isso eu tinha de ler isto! 

Pensei em escrever a review toda a começar pela letra A, mas não consigo nem tenho vagar.

Este livro é sobre gente que se anda a matar, todos uns aos outros. É uma aventura simples, mas rapidamente conseguimos descrições dos personagens e conseguimos identificar-nos com eles. As situações são simples mas apesar de tudo temos assassinatos, perseguições de carros em ribanceiras e inusitados ataques de abelhas.

É um livro muito engraçado e fácil de ler, recomendo a quem tiver um par de euros para  gastar que o compre porque é uma adição pelo menos curiosa para uma biblioteca.

De resto vou agora adicionar o autor no Facebook e enviar-lhe esta review. Foi o que ele pediu, afinal de contas. :3

11.10.12

Midori no Hibi

Midori no Hibi
Kobayashi Tsuneo - Studio Pierrot
Anime - 13 Episódios
2004
6 em 10

Mais um da série "coisas que eu tenho no computador sabe-se lá porque razão".

Logo nos primeiros minutos, hoje de manhã, pensei "olha, que coisa fofa". Mas depois NON. Isto é sobre um gajo, delinquente juvenil dos mauzões, que procura uma namorada. Até que um dia acorda e a mão direita dele se transformou numa gaja! Isto dá azo a *aherm* moooontes de comédia, super hilariante e meeega divertida, yo!

Mais ou menos. Apesar do conceito poder ser levado para o mais indecente (que actividades é que rapazes com dezassete anos e meio fazem com a mão direita, hã?) não há grande coisa disso. Mamas não censuradas, isso é estranho, mas nada de grave. Existem alguns momentos muito engraçados, aqueles relacionados ao "otaquismo", e existem momentos que deveriam ser engraçados, aqueles relacionados ao triângulo amoroso. O facto deste jovem ser delinquente poderia ter dado azo a coisas mais cómicas, mas foi apenas utilizado para cenas de acção meio forçadas.

O que me leva à arte. É por demais desastrosa. As caras são um atentado à perspectiva e as cenas de animação são muito simples, com recurso a cenas paradas muito pouco interessantes. Gritos e apitos ensue e mãozinhas a abanar.

O conjunto de personagens é pouco iluminado e bastante básico, com evolução previsível. A imprevisibilidade é o que torna a comédia engraçada, por isso o efeito destes personagens está mal conseguido. No entanto o design não está mau e é bastante adequado.

Efeitos musicais bastante pobres, mas tanto a OP como a ED têm a sua graça.

Leva esta nota porque eu realmente #rimuito com as otaquices. E porque eu pensava que ia ser ecchi e não foi! 8D

10.10.12

Novos Poetas (1º C.I.N.E)

Como não encontro imagem e não me apetece scannar fica aqui uma imagem aleatória.

Novos Poetas (1º C.I.N.E)
Vários
Antologia Poética
2012

Este livro foi um amigo que me ofereceu quando estive em São Paulo, por alturas da Quinta Dimensão. É uma antologia poética com os 30 melhores classificados do Primeiro Concurso de Incentivo a Novos Escritores, concurso esse que não tem informação alguma na internet.

Como em todas as antologias, sobretudo as que têm diversos autores, a qualidade dos poemas é variável. De uma forma ou de outra não há um único que tenha métrica ou estrutura de poema, são todos "livres". E há pelo menos dois com erros de gramática e ortografia atrozes.

Não gostei mesmo nada daqueles que tinham a sensualidade como tema. Curiosamente todos escritos por moças.

Na realidade, só gostei de dois. Vou deixar aqui o que, de entre os dois, gostei mais:

Negro

Ouro Negro me perguntou se quero aquela mina.
- Ouro Negro, respondi, me dê somente a mina.

Ma depois de horas e horas, vejo o Ouro nas ruas da cidade.
Ouro me pergunta se quero do teu ouro
- Negro, respondo, me dê somente o Ouro

E depois de dias e dias, reencontro apenas o Negro, que me olha.
- Negro, pergunto eu. O que lhe ocorreu?
- Roubaram-me a parte Ouro, roubaram as minhas minas.
O que faço então cavalheiro?
- Nada, respondo eu, o cavalheiro. Roubaram-te, mas nada provarás.
Aguarde durante séculos e séculos.

Encontrei-o então recentemente, em uma dessas velhas Igrejas.
Mas ele apenas me olhou,
Não dizendo nada mais.

O Pêndulo de Foucault

O Pêndulo de Foucault
Umberto Eco
Romance Histórico
1988

Ora bem, Umberto Eco. Umberto Eco não é só um escritor. É um "filósofo, semiólogo e linguista". E faz teorias da conspiração! Super divertidas! Vejamos:

Três amigos, bastante cultos, trabalham para uma editora que edita autores por conta própria e faz negócio da desgraça deles. Ora, como estão sem nada para fazer e aparece lá um gajo com uma mensagem cifrada dos templários eles metem-se a decifrar a mensagem e a inventar uma teoria da conspiração megalómana e universal, chamada de "O Plano". Entretanto passam-se vários anos e vários países e Casaubon, o personagem principal, vai vendo várias macumbas, ritos de seitas e outras coisas mais e associando tudo ao Plano. Relembro que foi inventado.

Excepto que afinal é tudo verdade e eles começam a ser perseguidos pelos Rosa-Crucianos.

MAS ISSO É UM DETALHE.

O que importa neste livro não é a conspiração, mas sim a riqueza da conspiração. O livro é uma crítica aos conspiradores, tudo aquilo que eles fazem pode ser simplesmente inventado. Está escrito com uma pureza, com uma erudição ilimitada, mas é fantástico como palavras tão complicadas se tornam tão simples, tão fluídas.

E o sentido de humor presente em todo o livro é a maior delícia. A teoria, o Plano, é só um divertimento. Até nos momentos finais, que são realmente um pouco... Bem, bastante tristes, o autor mantém uma sagacidade e uma agudeza de espírito implacáveis.


Excelente leitura, livro muito difícil mas que me manteve agarrada do início ao fim.

9.10.12

Kemono no Souja Erin

Kemono no Souja Erin
Hamana Takayuki - Production I.G.
Anime - 50 Episódios
2009
8 em 10

Vou a ver os dados sobre isto e descubro que afinal é um anime para crianças. Pensando nisso, certamente eu veria este anime com a minha irmã-macaca ou com o meu afilhado-babe.

"Erin, a Rapariga dos Animais" (ou "Beast Player Erin", como traduziram em inglês). Série longa, apresentada por uma miudinha de cabelo verde. Nada apelativo para o fã de anime normal, não é? Mas as coisas não são o que parecem. Neste anime acompanhamos a vida de Erin, o seu crescimento, a sua maturação e a sua relação com os outros, que encontra ao longo do tempo, que se tornam seus amigos, companheiros e protectores, fascinados pela sua paixão por aprender.

Esta personagem é algo de absolutamente fenomenal. De criança a mulher, vida pontuada por certos eventos traumáticos (spoiler 1, sobretudo), vemos um progresso notável, suportado por uma personalidade forte, marcada pela sua capacidade de aprendizagem, de reparar nos detalhes e, sobretudo, de gostar das bestas. Nisto este anime ensina-nos grandes lições sobre a nossa relação com os animais e com a natureza em geral. Trata bem os teus animais e eles vão tratar-te bem a ti. No fundo, isto é um anime sobre veterinários. Não concordo muito com os métodos de diagnóstico deles, muito menos com os tratamentos de urgência, mas imagino que na "época" em que isto é passado talvez fosse complicado fazer as minhas primeiras opções.

Outra coisa em que este anime se excede: na criação do universo. Isto é um universo fantástico, simples mas muito sólido, com a sua própria língua (evidenciada pela escrita), com os seus próprios mitos e folclore, com os seus padrões, as suas tribos e a sua música. A fauna fantástica, Toudas (os lagartões) e os "beast-lords" (os lobos gigantes com asas), está extremamente bem concebida, indo ao detalhe dos hábitos sociais e de procriação. O anime não mente às crianças: mostra-lhes o mundo natural tal como ele é, desde o nascimento até à morte.

No entanto a arte deixa-me dividida. Se por um lado temos sequências muito originais com recurso a outro tipo de animação, mais pictórica e conceptual, e cenas de animação extremamente bem concebidas (especialmente no voo de Lilan), por outro lado há um recurso exagerado a flashbacks, sobretudo do spoiler 1. É interessante reparar que, não omitindo nada, este anime não é gráfico. Sim, mostra sangue. Pessoas mortas. Toudas a comerem e a serem comidos. Mas não é nada que cause pesadelos. Acho eu?

Em termos de música, toda ela é bastante bonita, mas um pouco repetitiva devido ao uso frequente ao longo da série. Gostei especialmente da ED1 e da OP2, cantada num estilo de enka muito apropriado ao sentido de maturidade da segunda parte do anime.

Em resumo, belíssimo anime, adorei. Vou definitivamente fazer cosplay de Erin. Já comecei a procurar perucas, mas não estou com muita sorte.

Atenção

Os vencedores do Dar-Embora! Por favor contactem-me que não estou a conseguir contactar-vos. São eles:
  • Atlantida
  • Ana Nunes
  • Diana Tinoco

7.10.12

Pedra-Pão

Pedra-Pão
Circolando
2012
Teatro
7 em 10

Ganhei um bilhete duplo para esta peça no Facebook e lá fui eu com o meu amigo imaginário!

Isto é uma peça falada numa língua que não é língua, uma mistura de palavras que não precisam de ter sentido. A história é explicada pelas acções e pela metamorfose do cenário. Três pobres tristes, que parecem viver num lugar assolado pela guerra, têm fome. Querem comer uma pedra, mas não conseguem. Mas, por uma magia qualquer, a pedra transforma-se num pão. À medida que vai decorrendo vamos vendo que eles estão a fazer mal uns aos outros, mas que ainda assim precisam uns dos outros.

Mas por mais que eu tente descrever isto é uma coisa sem explicação. Os actores têm um trabalho físico e biomecânico perfeito, de uma leveza e elasticidade surpreendentes que tornam os personagens quase animais, aprofundando ainda mais o universo distópico para onde fomos levados. Todo o cenário está em permanente transformação, com coisas que deslizam, rodam, se abrem, se fecham e se desfazem. Assim passamos de casa a restaurante, de restaurante a quarto e muitos outros lugares.

É uma peça bizarra, mas muito divertida. Dizia a Joana que isto tem um significado oculto. É capaz de ter, mas não pensei muito nisso.



5.10.12

Kara no Kyoukai - Remaining Sense of Pain

Kara no Kyoukai - Remaining Sense of Pain
Iwakami Atsuhiro - ufotable
Anime - Filme
2008
6 em 10
 
Mais um da saga Kara no Kyoukai (ou "Jardim dos Pecadores"). Para reviews anteriores vejam aqui. Até agora este foi o que gostei menos. Falha em todos os aspectos em relação aos outros, apesar de não deixar de ser um filme bom.
 
Desta vez o caso é de uma moça que torce violadores e os parte em bocados. Ela também não sente a dor e é deste elemento que parte a história. Não é uma história especialmente original e existem alguns factores muito pouco convincentes, mas a narrativa quase perfeita compensa.
 
Em comparação com os outros filmes, a arte é inferior. Não tem os grandes fundos plenos de detalhe e beleza que enriquecem esta saga e a cena de luta não é tão complexa como anteriormente. No entanto o design da assassina deste episódio está muito bem concebido e adiciona um efeito um pouco perturbador quando olhamos para a história como um todo.
 
Neste filme conhecemos apenas um bocadinho mais de Shiki, um pouco das suas razões para matar e da sua linha de pensamento enquanto assassina. Também assistimos ao seu sentido de compaixão, que é suportado por uma lógica quase indecifrável.

Em termos musicais mantemos os temas corais e há adição de um bonito tema para piano. Infelizmente, apesar da sua qualidade como peças individuais, não há grande conexão entre as cenas e as músicas que as ilustram.

Por enquanto continuo a recomendar a série como um todo. Este terceiro filme não é imperdível mas é importante vê-lo na continuidade da saga.

O Alienista (Caçador de Mutantes)

O Alienista (Caçador de Mutantes)
Machado de Assis (e Natalia Klein)
Conto
 1882 (2010)

Eu vi "Machado de Assis" e "Alienista" e "Mutantes" e um olho e tentáculos e roxo tudo na mesma capa. Esté é o subenire Brasileiro para a Princesa Fifi. Tendo ela me autorizado a ler o livro, pude ter o prazer de perceber que isto... É muito mais do que parece. Fica em stand-by também para não estragar a surpresa!

Esta colecção "Clássicos Fantásticos", é uma coisa totalmente inovadora: escritores, especializados em argumentos de comédia, reescrevem os contos clássicos da literatura Brasileira. Nunca tinha lido o verdadeiro "Alienista", do Machado de Assis, mas informei-me. Já tinha lido Machado de Assis, outras coisas. Então este livro é um mix delicioso que, mantendo a pomposidade da escrita do século XIX, inclui elementos de comédia absolutamente hilariantes e elementos da modernidade tão improváveis que uma pessoa não tem outro remédio se não rir.

Isto é sobre uma vila Brasileira onde um médico começa a fechar todo o pessoal que é mutante (no original "louco") numa tal de Casa Verde. E depois muitas coisas acontecem, todas nos conformes do original, mas com detalhezinhos deliciosos de tão parvos que são.

O que mais gostei foi o tom absolutamente sério, recto e coerente do livro. Isto não é uma comédia. É uma coisa séria, um relato histórico importante! Natalia Klein é fantástica!

Eu estava à espera de uma coisa completamente diferente, mas espero que a Fifs se divirta com isto tanto como eu. Fica a dedicatória:

Cedo-te estes tentáculos Brasileiros com carinho. Somos os mutantes mais fofos de sempre <3

3.10.12

Now and Then Here and There

Now and Then Here and There
Daichi Akitarou - AIC
Anime - 13 Episódios
1999
7 em 10

Anime que estava na calha por razões clubísticas, do qual não esperava muito. E na realidade, cada uma das partes não é nada de mais, mas a soma delas transmite uma mensagem poderosíssima.

Shu é um jovem bem disposto, o típico genki shounen, que é levado para um mundo pós-apocalíptico sem água, aparentemente 10.000 anos no futuro. Lá é posto à prova na cidade fortaleza Hellywood, dominada por um Rei Hamda que, por sua vez, quer dominar o mundo. Ora, é factor comum que gente que quer dominar o mundo é passada da caixinha dos pirulitos. Por isso é que eu não quero ser dominadora do mundo. Quero ser presidente do mundo. Eleita democráticamente.

Adiante. Esta história é muito vaga e tem alguns elementos inexplicáveis. Porque é que a Abelia não dá um chapadão na fuça do Hamda? Porque é que só o Hamda é que tem tecnologia? Porque é que no final... Spoilerspoilerspoiler.

A arte também não é nada de extraordinário! É aquele estilo que já sabem que eu não gosto. Cenas de luta são envolventes, sim. Mas são alguma coisa de especial? Não me parece.

E a música? Repetitiva, vulgar, muito fraquinha.

Então porque é que eu de 7 a isto? Porquê meus senhores? PORQUÊ?

Porque todo o anime é de uma envolvência, de uma intensidade e de um poder indescritíveis. Têm de ver. Existem várias variedades de personagens, que vão evoluindo à medida que as situações vão aparecendo. Assim, o genki bói não pode fazer mais do que se entregar ao desespero e à raiva, pois está rodeado disso e disso apenas. Por outro lado, o soldado que reconhece que está a cometer loucuras e, assim, se entrega a uma redenção apática. E depois a apoteose. Estamos rodeados de caos, de horror, de guerra, mas ainda há esperança. Ainda há "água". As pessoas ainda podem ser boas. Ainda podemos recomeçar. E é isso que é poderoso neste anime. E é por isso que eu o recomendo.

1.10.12

Anjos nos meus Cabelos

Anjos nos meus Cabelos
Lorna Byrne
Auto-Biografia
2010

Quando vi este livro para BookRing nos fóruns do BookCrossing pensei "que nome tão bonito, vou pedir para o ler também!" E veio uma coisa completamente inesperada. Nota para a própria: quando pedir para participar em BookRings ver sobre o que é o livro primeiro.

Lorna Byrne diz que vê anjos. Neste livro ela descreve a sua vida rodeada de anjos e de almas dependuradas e um eventual encontro com deus. Ela parece ser sincera, por isso uma de três conclusões:

  1. Ela vê mesmo anjos
  2. Ela é esquizofrénica
  3. Ela tem uma imaginação prodigiosa e é muito convincente
É possível que seja as três coisas juntas? Não sei.

Este livro deixa-me muito céptica. Em termos de literatura propriamente dita, não é especialmente bom. Está mal estruturado em termos narrativos e cronológicos, o que torna a "história" difícil de seguir. Mas apesar de tudo é uma leitura envolvente, porque queremos sempre saber o que mais os anjos lhe vão dizer. Mas isto requer alguma conexão com o divino. E isso para mim é uma coisa complicada. Eu tenho um caminho espiritual muito complexo e neste momento eu e "deus" (quem quer que seja) não estamos na mesma sintonia. Pessoalmente eu admiro as pessoas que têm uma fé. É preciso muita coragem para nos por nas mãos de algo que a gente nem sequer tem a certeza que existe. Eu, no meio da amálgama de explorações e de experiências, sei que existe alguma coisa. Não sei o que é e neste momento estou em busca de um nome para lhe dar. Por isso há coisas que esta senhora viu e que os anjos lhe mostraram que não estão de acordo com aquilo que eu sei e que eu vi e que eu senti.

Porque tem que existir um diabo? Porque é que o diabo tem de corromper as pessoas e afastá-las de deus?

Porque é que os animais e as plantas não têm anjos para tomar conta deles? Porque é que ela nunca viu o espírito de um cão ao lado do seu dono? Isto faz-me mesmo muita espécie. Tanta que acabei de lhe enviar um mail a perguntar. Espero que ela veja e que instrua um dos seus auxiliares a me responder.

Ela diz que só precisamos de pedir coisas aos anjos que eles ficam contentes por as fazer, mas como é que se pede? Como é que se ouvem?

E, de um ponto de vista mais técnico, a doença do Joe, o falecido marido, não faz sentido nenhum do ponto de vista patológico. Mas eu vou investigar a ver se o diabetes faz úlceras gástricas, AVCs e enfartes do miocárdio. Porque eu não aprendi isso e preciso de saber para poder fazer futuros prognósticos.

Enfim, uma leitura rápida que recomendo a pessoas religiosas. Para mim no-no.