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  • Análise: Vinland Saga - Em Busca de um Mundo Perdido

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     Depois de ver o anime de Vinland Saga, não quis esperar para saber mais sobre as aventuras de Thorfinn, um menino que se tornou guerreiro viking por força das circunstâncias. Assim, pus-me a ler o manga, e foi dos melhores que alguma vez tive o gosto de ler.

    Digamos que esta história se pode dividir em três partes: Infância; Adolescência; Juventude Adulta.

    Numa primeira parte, este rapaz que mencionamos, envolve-se com um grupo de guerreiros vikings com o objectivo de vingar o seu pai, assassinado por estes. Rapidamente se torna também um guerreiro sanguinário, sem remorsos e sem escrúpulos. Afinal, a educação de um guerreiro faz-se desta forma. Apreciei bastante que nesta secção o autor faz uma pesquisa muito detalhada sobre o modo de vida medieval no Norte da Europa, tendo um especial cuidado no desenhar de arquitectura e cenários, e mostrando-nos alguns elementos que - no meio de toda esta violência - são pequeninos pedaços de vida bastante engraçados.

    Nesta altura começamos também a perceber um pouco dos aspectos políticos deste universo, todos baseados em eventos reais. Canute, o príncipe, é um personagem fascinante, com uma evolução tremenda, em que passa de fracote tímido a rei imperial num instante. Sim, quererei fazer cosplay dele, sim sim.

    Mas não deixemos de lado o nosso amigo Thorfinn, porque passamos para a segunda secção do manga. Neste, o nosso rapaz é um muito jovem adulto que - perante o desrespeito que cometeu ao corpo do príncipe - é enviado como escravo. A parte interessante desta época medieval é que todos podiam ser escravos e, por isso, eram mais ou menos tratados com uma ideia de justiça (ao contrário do que foi introduzido por Portugale colonialista, que considera que há pessoas sub-humanas que não merecem nada de direitos ou de consciência social). Mas enfim, Thorfinn escravo passa por esta fase essencial em que ele tem uma aprendizagem transcendental: é atormentado pelos fantasmas dos mortos de guerra e, por isso, decide que a partir de agora irá apenas fazer a paz. Esta contemplação é mesmo muito interessante e original, pois nunca vi um protagonista de shounen a simplesmente recusar-se a lutar. Mesmo quando o enchem de pancada, este guerreiro fortíssimo rejeita a ideia de responder, de magoar, de matar. É isso o que torna a terceira parte da história tão interessante.

    Nesta última parte, que serve de conclusão definitiva, Thorfinn decide que já que nas terras do Norte não há paz, ele vai inventar uma terra só dele, uma em que não haja escravos nem guerras nem nada. Essa é a Terra de Vinland, que hoje conhecemos por Estados Unidos da América.

    Após vários momentos engraçados, em que até temos um casamento falhado, e a introdução da minha outra personagem favorita, a caçadora Hild (da qual também irei fazer cosplay e ninguém me pode impedir), os vikings pegam no seu barquito e atravessam o Atlântico à procura da mítica Vinland. Mas, coisa que ninguém estava à espera, lá chegados descobrem que Vinland já é habitado. Por pessoas bem esquisitas: pele morena, cabelos escuros e lisos, e uma série de hábitos estranhíssimos, ainda não chegaram à idade do ferro. Apesar disso, também são guerreiros, e por isso Thorfinn irá ter de lidar não só com eles como com os membros do seu grupo que querem lutar contra os nativos, insistindo na ideia de guerra que agora é completamente rejeitada pelo nosso MC.

    Ele está em crescimento, apaixona-se, multiplica-se mas, no meio disto tudo, o realmente relevante é que é um personagem com várias facetas que acabam por se unir numa personalidade pacifista, mas no corpo de um poderoso guerreiro. Os capítulos finais, dos ensinamentos trocados entre vikings e nativos, e da forma como assim se iniciou uma globalização primitiva, são altamente comoventes.

    Deixo-vos com a última página do manga, que classifiquei com um 9/10. Haveríamos de aprender com o Thorfinn e finalmente passar a fazer o que ele pretendia de Vinland: uma terra de felicidade, de liberdade, sem escravos, sem dor e sem guerra. Thorfinn, que existiu mesmo na realidade (e cuja figura histórica, pelo que se vê na sua estátua, é bastante comível), deverá estar bastante triste por ver que o caminho que ele abriu para um mundo de paz plena.... Não está em paz plena. Mas continuemos a tentar fazer o que ele nos pediu: Vinland não precisa de ser um lugar. Basta que seja uma ideia.





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