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In English: Cosplay Portfolio (Updating) | SALES

30.9.14

Space☆Dandy 2nd Season

Space☆Dandy 2nd Season
Watanabe Shinichiro - Bones
Anime - 13 Episódios
2014
8 em 10
 
E assim termina a season. Com o melhor dela e, potencialmente, o melhor do ano. Realmente, há muito, muito tempo que não via um anime que ultrapassasse as barreiras desta forma. Space Dandy é um anime definitivo que, certamente, virará culto dentro de uns anos, quando já tudo estiver esquecido.
 
Nesta season acompanhamos mais aventuras, mais ou menos interessantes mas todas elas com algo em comum: a loucura. Em todos os episódios há um tema, muitas vezes uma crítica a estilos de animação, géneros musicais ou simplesmente tropes anímicos e televisivos a que já estamos tão habituados que nos esquecemos deles. Nesta season há mais ridículo e mais exagero. Mas como tem um estilo próprio, acaba por não cansar e por nos manter sempre interessados no que virá a seguir.
 
Existem episódios muito conceptuais que merecem que rebolemos em químicos. Existem episódios mais directos ao assunto. Há para todos os gostos. Mas aqui se inicia uma conclusão, que aparece nos dois últimos episódios, e que vem explicar porque é que de vez em quando os personagens morrem e coisas do género. Essa explicação aparece para fazer explosões nas nossas cabeças, levando o conceito mais além e dando uma camada de profundidade muito mais intensa àquilo que poderíamos pensar à primeira vista.
 
Flando nos personagens, eles estão aqui e cada vez mais mirabolantes. É-lhes acrescentada mais densidade e mais detalhes na personalidade, sobretudo às personagens femininas. Se ao início apareciam como figurantes, agora é-lhes dado um destaque merecido, que apenas contribui para a caracterização de Dandy como homem e como indivíduo.
 
A arte ultrapassa todos os limites e dá-nos novas perspectivas sobre o que pode haver de novo na animação oriental. Numa explosão de cores, formas e texturas, viajamos pelas tridimensões (e bidimensões e tetradimensões!) e em cada momento nos espantamos mais com toda a imagética e com a força da imaginação destas pessoas.

Desta feita temos uma música ainda mais variada, mantendo uma OP que é do melhor pop de ultimamente. Cada história está definida por uma banda sonora específica, única e altamente crítica de si própria.

Enfim, não posso ficar aqui mais tempo sem continuar a desfazer-me em elogios. Adorei e irei adorar outra vez quando for rever (que será em breve). Recomendo a todos esta viagem!

28.9.14

Free! Eternal Summer

Free! Eternal Summer
Utsumi Hiroko - Kyoto Animation
Anime - 13 Episódios
2014
6 em 10
 
Para saberem sobre a primeira season, vejam aqui.

Ora bem, quando foi anunciada a nova season do anime natatório, não foi com grande excitação que recebi a notícia. Tinha gostado tanto do anime e achei que uma segunda season seria apenas a ordenha de um sucesso. O que se veio a confirmar, de qualquer forma. Ainda assim, não ia ficar fora do loop e recusar-me a assistir, portanto aqui estou eu.

Esta season pouco ou nada acrescenta à história, quer em termos de narrativa quer no que respeita ao desenvolvimento dos personagens. São introduzidos muitos novos personagens que em nada contribuem para nenhum dos pontos anteriores e parecem estar ali para termos mais variedade nas cores dos cabelos. No respeitante aos personagens já nossos conhecidos, existe uma carga emocional forte e o dilema adolescente da perspectiva de futuro, que - esse sim - se encontra desenvolvido de forma bastante apropriada, com alguns momentos comoventes e que apertam o coração.

A animação está em tudo semelhante à season anterior, mas talvez com menos momentos em que se pode ver a sua utilização. Nesta season dedicamo-nos mais à vida diária dos personagens, afastando-se da categoria de anime de desporto e aproximando-se dos fatias de vida comuns que o estúdio costuma produzir.

Musicalmente, há um esforço, mas nada por aí além.

Na verdade, o que me irritou nesta season foi que todas as coisas pareceram ser feitas tendo em mente as opiniões das fãs ocidentais idiotas. Assim, o anime perdeu-se  num festim de serviço completamente desnecessário. Espero que não continuem a ordenha. Se continuarem, não irei ver.

Leite Derramado

Leite Derramado
Chico Buarque
2009
Romance

Desde muito pequena que venho ouvindo as músicas do Chico Buarque. Reza a lenda de que quando era minúscula cheguei a estar na casa dele, pois era amigo de um amigo do meu pai no Rio de Janeiro. A grande questão é porque é que o meu pai não me levou lá quando eu já tinha idade para perceber as coisas... Mas adiante! Desde muito pequena que venho ouvindo as músicas e considerando este homem um poeta, o Poeta com Pê grande. Assim, estava muito curiosa em relação à sua prosa. Não me desapontei.

Este livro é a narrativa de um homem muito velho no leito de um hospital, falando sobre a sua vida, sobre os seus antepassados e sorbe a sua progénese. Como o velho é mesmo muito velho, o seu discurso está todo baralhado, o que torna a leitura muito curiosa, pois nunca sabemos o que é realmente verdade, o que são memórias falsas e quem são realmente estas pessoas, ou sequer se existiram ou não.

O discurso também tem um efeito cómico muito grande, devido à personalidade do nosso personagem principal. Falando dele, é realmente um personagem muito interessante, com características próprias e uma depressão muito única. 

Como estamos a falar de um livro do Chico, não poderíamos deixar de ter uma figura feminina altamente sensual que povoa os sonhos e o discurso do senhor Eulálio, o velho. É esta a figura central de toda a narrativa e o que queremos saber realmente foi o que lhe aconteceu. Nunca chegamos a ter a certeza.

Agora estou com bastante vontade de ler os outros livros dele! :>

25.9.14

A Guerra dos Tronos

As Crónicas de Gelo e Fogo - A Guerra dos Tronos
George R. R. Martin
1995
Romance Fantástico

É verdade. Toda a gente anda a falar disto. Game of Thrones para aqui, Game of Thrones para acolá, toda a gente fala desta coisa e eu preciso, preciso mesmo!, de saber o que é. Portanto, aí vou eu! Ler os livros! O meu pai está a ler a série há algum tempo e preveniu-me de que é exasperante a quantidade de gente que existe aqui. E a quantidade de gente que morre. E que nunca mais acaba. E que o universo... Bem, vamos ver.

O meu pai tem razão num certo aspecto: o universo. É um universo muito pouco detalhado e com muitas coisas que não fazem sentido. Claramente não vivem no planeta terra. Começo a imaginar que se calhar vivem neste planeta mas num futuro longínquo, já que a história recente deles remonta aos dez mil anos anteriores.

Mas por outro lado, apesar do universo fantástico não ser interessante de todo, os personagens estão muito bem construídos. Muito rápido lhes ganhamos um certo afecto e queremos realmente saber o que lhes vai acontecer. Daí que, tudo contado, a leitura seja veloz e muito simples. O livro não é complexo, apesar da quantidade de gente que nele vive, nem está especialmente bem escrito. É directo e fácil de compreender.

Portanto, agora estou ansiosa por saber o que acontece a seguir! Será que me conquistaram? Quizas, quizas, quizas

Dramatical Murder

Dramatical Murder
Miura Kazuya - Nitroplus
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10

Como sempre, não posso deixar de ver todos os animes BL ou inspirados em histórias BL. No caso de DmMd (nome carinhoso), já tinha ouvido falar bastante do jogo nas minhas sendas dentro da comunidade das velhas taradas. Não me dou com adolescentes taradas, diga-se de passagem, não tenho vagar para as comparações de "eu comecei a ver yaoooi aos dois anos sou mais melhor boa que tu". Adiante! Como eu n~ão jogo jogos, não me restam outras opções senão esperar que façam animes, apenas para ter uma ideia do que se passa lá, no jogo. :> Ou ler sobre isso.

Enfim, coisas àparte, digamos que este foi dos melhores animes da season. Para começar, passa-se num universo bastante bem trabalhado e original, com alguns traços de um cyberpunk modernizado, agora com o uso dos jogos e das telecomunicações para dar o mote à aventura. Este universo é explorado com recurso a um conjunto de personagens muito interessantes, com um mistério que ajuda a caracterizá-las, a elas e ao universo.

Estes personagens, apesar dos designs ecléticos e pouco práticos, distinguem-se rapidamente do cenário de fundo, que passa por batalhas digitais e também batalhas reais. O nosso amigo principal convive com cada uma delas separadamente, explorando as suas fragilidades e dando azo a um potencial desenvolvimento romântico. Isso acontecerá, certamente (e graficamente) no jogo, mas aqui é tudo deixado à nossa imaginação. Como as histórias são delicadas e os personagens muito carinhosos, não há nada que nos impeça de fazer o pior. Muahaha!

A arte falha em muitos aspectos, apesar de fazer uso de cores muito brilhantes e fluorescentes para dar vida ao universo digital em que muita da acção se passa. Por isso, apesar de alguns problemas na animação propriamente dita, são mascarados muito bem pela vivacidade de todo o ambiente e dos personagens (os únicos a usar roupas malucas, diga-se de passagem)

Em termos musicais, temos uma banda sonora muito consistente, com sonoridades electrónicas que fazem lembrar o techno mais pesado dos antigamente nipónicos. Mas com uma certa dose de alegria, como hei-de explicar... Para além disso, temos uma música muito bonita e quase romântica sobre alforrecas que faz chorar.

Portanto, no geral, um dos melhores e um anime a recomendar no futuro. :)

23.9.14

Anifest 2014


Evento

Tudo isto começa em Março. Pois é. Foi quando comecei a fazer aquele fato super simples com que me apresentei no dia tal. Mas de repente, surge a primeira questão! Dois eventos no mesmo fim de semana? Ambos com concursos com sukitos? E agora? Olhem, eu por mim vou ao que gostei mais no ano passado. Se bem que fica a questão... Não é esta comunidade pequena o suficiente para as pessoas conversarem umas com as outras e se fazer um calendário de eventos com pés e cabeça? Afinal, estivémos o Verão todo sem nada a acontecer (fora o evento do Allgarv, a que eu nunca fui mas irei um dia, fica a promessa!). Mas enfim, há-de haver maiores motivos.
/introdução desagradável

Dizia eu que tudo isto começou em Março. Foram muitas horas. Nestas últimas semanas andava passada: chegava a casa do trabalho, ligava a música e fazia cosplays. Estive num regime exclusivo de Gackt e The Smiths. Tudo para poder participar nas coisas! =D E funcionou! Acabou por correr tudo bem! Não mais pânico. Vamos assentar e vamos descansar... Uff

Ora então, o Anifest deste presente ano 2014 decorreu precisamente no mesmo sítio onde foi no ano passado. ETIC, escola de artes e comunicações gerais sita no Cais do Sodré. Um jeitão, tenho autocarro directo para lá. E fica mesmo ao pé dos barcos, pelo que o caminho para Almada também foi fácil a seguir. Em termos espaciais, estava tudo bastante igual ao ano anterior. Mais uma saleta de workshops e uns cam arins bem largueirosos no andar superior, onde cabia toda a gente e estava fresco. Fica a sugestão de que as bancas dos artistas beneficiariam de não estar no meio do caminho das pessoas, porque na zona deles formava-se um trânsito arrepiante, entre pessoas paradas a ver, pessoas paradas a gritar e pessoas a tentar passar.

Este ano o palco plastificado foi uma melhor opção (menos escorregadio que a alcatifa e, portanto, menos perigoso a quem ande aos saltos de sapatos esquisitos. O que não seria o meu caso), se bem que a acústica do salão... É estranho, porque é a ETIC, mas a verdade é que eu no palco percebia muito mal as minhas próprias canções. O mesmo para o que os apresentadores diziam. Chamavam-me e eu não percebia o meu próprio nome. É verdade que, no meio de todas as minhas deficiências, eu oiço muita mal. Mas não haveria de ser só isso, ou seria?

Respeitante a lojas, estavam lá duas, a Kingpin e a Loja da BD. Ainda vi uns mangas interessantes, mas não me deu vontade de gastar uma pequena fortuna em algo que poderia não ser genialérrimo portanto não comprei nada. 

Os artistas, que são bons artistas, tinham coisas giras e estive tentada a comprar uma print da Sailor Júpiter. Mas acabei por não comprar. Na verdade queria um desenho na hora, mas já tinha desenhos de todos os artistas presentes e não queria repetir. Fiquei na dúvida se havia de repetir ou não, tão na dúvida, tão na dúvida, que me fui embora esquecida do meu souvenir tradicional. Pela primeira vez havia phone-straps com fartura, mas já não os colecciono: o meu novo telefone não tem buraquinho para penduricalhos, portanto não lhe posso penduricalhar nada e portanto já não tem piada. :<

Isto no geral dos gerais. Vejamos os detalhes imensamente pessoais, colocados a nu, da vida intimidante desta vossa humilde locutora. 

A verdade é que não interessa nada, mas estarão fotos em baixo, portanto continuem =D

Sábado de Intensa Actividade

Recebi um e-mail da organização dizendo que deveria estar presente no evento o mais cedo possível, para ter tempo de me vestir e chegar a horas à pré-avaliação do ECG. Recebemos todos esse e-mail assustador: adeus horas de sono, vais ter que acordar como se fosse dia de semana, pimbas. Mas com a excitação toda até acordei mais ou menos bem. Depois de um café toda a gente fica mais ou menos bem. :)

No autocarro, reparei que estava a chover. Mas o dia melhorou, ao menos isso.

Uma fila de elevadas proporções aguardava para entrar. Mas eu, como sou muito especial de corrida, coloquei o meu ar afogueado e dirigi-me para a bilheteira, informando da minha situação. Repare-se que deveríamos dar o dinheiro dos bilhetes directamente à organização, que depois nos daria a pulseira, para não andarmos pulseirados a tirar fotos de cariz oficial.

Depois de uma infrutífera procura, lá me indicaram o caminho para os camarins. Era para cima. E aí cheguei ao meu lugar preferido dos eventos. :) Gosto imenso de lá estar, falo com imensa gente e posso dizer porcaria à vontade, afinal estamos todos meio nus. Lá, encontro um membro do júri do ano passado, que comenta que o meu cosplay deste ano está muito melhor. Só isso já me fez valer o dia! Realmente, desta vez esforcei-me para ter uma coisa bem feita, mesmo que fosse simples. A verdade é que houve partes do fato, nomeadamente tudo o que era feito em madeira, que não foi nada simples. Mas falarei disso no meu Cosplay Portfolio a seu tempo. ;)

Entretanto, decido-me numa experiência! O meu cosplay tem uma bolsinha toda roxinha e fofinha, presa com um cordelinho. Que tal experimentar colocar o conteúdo da minha mala dentro da bolsinha? =D Assim escusava de andar de mala atrás, sobretudo porque a minha mala de sempre não combina com cosplay nenhum, muito menos o de uma tratadora de dragões na Ásia do século VIII. Resultado da experiência: negativo. Rapidamente tive de voltar aos camarins para arranjar a mé que tinha feito.

Saltitemos escada abaixo até à sala fotográfica onde teremos a nossa avaliação. Aguardamos um pouco e em breve temos o júri na nossa frente. Estrangeiros. Ainda bem que trouxe a letra da minha música traduzida para anglês, para eles compreenderem. Sim, estava nas regras que tinha de ser em anglês, mas eu não gostei dessa regra e portanto não obedeci a essa regra, arriscando a um desclassificamenteo, mas isso não é muito importante. :3 Que nunca se faça um skit para agradar a um juri! Faça-se um skit para entreter o público! Nisso não garanto que tenha tido sucesso, no entanto, enfim... ;__; Mas voltando ao assunto: expliquei assim por alto como fiz o fato, mas eles não faziam pergunta nenhuma então baralhei-me toda, não sabia o que havia de dizer. Depois perguntaram qual a parte favorita do cosplay... Eu disse que foi a luva! Porque era fofinha e quentinha e cheirava a chichi :) Mas eles ficaram a olhar para mim com cara de caso, então atrofiei. Se calhar devia ter dito a harpa.... Também perguntaram se o meu apito funcionava. Não funciona, mas também não precisa, pois no anime é um apito de ultra-sons para controlar bestas selvagens. Haha.

Falando nos estrangeiros, eram todos muito simpáticos e disponíveis, apesar de não falarem muito. O jovem das terras do norte fez-me sorrir, porque aparentava estar aterrorizado com tanto contacto físico. :) Aliás, quando as premiadas lhe foram dar um beijinho ele conseguiu virar o tabuleiro e transformar o beijo num abraço! Os fatos eram bem bonitos, é o melhor que há lá fora.

Cirandemos e observemos as coisas - conforme citado acima - até à hora do concurso. Voltei aos camarins onde ainda estava gente a vestir-se. Houve quem levasse bastante a mal esses atrasos e bem... O que se há-de fazer? Acontecem sempre. É má onda. Mas acontecem sempre. Já vi pessoal a ser desclassificado por se atrasar num Eurocosplay. Mas cada caso é um caso, cada evento é um evento e não vale a pena ficarmos aborrecidos por coisas que estão fora do nosso controlo. Eu não tenho grande opinião, a mim não me faz diferença porque eu não ganho nem perco, eu só estou lá.

Vou encontrando pessoas, muitas pessoas. Ninguém conhece a minha personagem, o que é natural. A Erin, de que eu fazia cosplay no momento, é de um anime para miúdos que pouquíssima gente viu e que passa mesmo por baixo do radar, apesar de ser excelente. Ensina coisas sobre a natureza e tal. E a personagem é maravilhosa! Daí ter-me mascarado dela. :)

Vi um pedacinho do concurso de dança. Uma moça azul e uma moça amarela. A amarela tinha muito mais energia e tinha, sem dúvida, montes de articulações, que se mexiam todas extremamente bem. Depois vi a entrega dos prémios. Ganhou um grupo monocromático, que era o único que tinha um rapaz. Disseram "temos o grupo desde o sétimo e agora estamos no décimo segundo!" Eu fiquei com vontade de chorar: no meu sétimo ano o pop que se ouvia eram os BoyZone.

Começa o concurso. Sou logo a primeira, para meu grande horror. Disseram-me depois que correu muito bem, mas pessoalmente não me sentia muito confiante... A comparar com as outras pessoas, que tinham painéis, mesas gigantes e árvores, sentia-me um pouco despida num skit sem cenários nem nada. Mas eu queria cantar aquela música (que inventei quando vi o anime) e foi o que fiz. :> Espero que tenham cortidooo~~

Depois fui despir o fato e arrumar a mala no bengaleiro (muito bem organizado por sinal!). Tinha de fazer horas, pois tinha combinado estar em Almada apenas às oito da noite. Ainda faltava bastante. Andei por aqui e por ali, bebi uma jolan, falei sobre as inimigas. Comprei o meu bilhete, ia-me esquecendo. Deram-me uma pulseira toda roxa e fofinha. Tirei fotos com o telemóvel às pessoas. Fiquei sem máquina fotográfica e portanto só tinha o telefone, o que dá um bocado de mau aspecto quando se pede para tirar uma foto. Mas fiz o melhor que podia... Por isso, ora bem... Aqui estão elas!

As FotoFotos Mais Bouas de Sábado



 Foi tão difícil tirar esta foto, estava sempre gente a meter-se ao lado para tirarem fotos, os príncipes eram demasiado populares :o




Façamos o pausa para beber um Simão e dormir. Vemo-nos no

Domingo Patológico

Se já estava com uma certa tosse na noite anterior, acordei completamente derreada. Dormi mal agasalhada e tinha apanhado uma caloraça gigante, por isso é natural. 

Neste dia, mais duas personagens se juntaram às aventuras fantásticas! O Zé Gato e o namoradim, doravante conhecido por Ni, vieram comigo até ao evento, para ver uns cosplays, tirar umas fotos e assistir ao workshop de fotografia. Fique a nota de que queríamos mesmo ir ao workshop de fotografia!

Chegamos um pouco mais tarde, ao meio dia e meio ou algo do género, e fui logo vestir-me. Perguntei se podia usar os camarins do dia anterior e disseram-me que sim. Lá chegada, tudo completamente, absolutamente, perfeitamente.... Vazio. Intimidada pela ausência de pessoas, deixei um papel com o meu número em cima da minha mala, para o caso de me terem informado mal e afinal ser proibido estar ali.

A minha personagem deste dia era a Kitajima Maya, de um anime dos anos setenta chamado Glass Mask. É sobre teatro, portanto posso fazer o que me apetecer com esta personagem que, como é actriz, está sempre in character quer estejamos a citar Gil Vicente ou a dançar a Gaiola das Popozudas. Que foi o que fiz no skit, mas numa cover gravada por nós em estilo vanguardista.

Apresentei-me no backstage à hora combinada, mas nada se passava. Estava o quizz a decorrer e pelo pouco que vi pareceu-me extremamente complexo. Sentia-me mal, a ferver e ao mesmo tempo gelada, cansada, cheia de dores, cheia de tosse. Estava lá um sofá... Encostei-me, fiz um casulo com o meu véu e dormi ali um bocadinho. Yeee ^____^ Oiço um trovão e pessoas a gritar. Limpo a minha baba e enrosco-me um pouco mais. Yeee ^____^ Quando me chamaram para o skit, fiz tudo automático, como tinha ensaiado, sem mais nem menos, completamente robótica. Queria ter improvisado um bocado, mas não me ocorreu nada. Na verdade, nem lembro muito bem o que se passou. Mas percebi logo que não tinha corrido bem quando o pessoal não se riu (e a coisa tem piada, eu juro). Depois disseram-me que o audio não se percebia, o que pode ter sido tanto defeito do pavilhão (vide parte de cima) como defeito da música, que realmente tinha os vocais um bocado baixos a comparar com o beat.

Enfim, era uma cover desta música maravilhosa, que devia ser viral e que ainda não é, sabe-se lá porquê:

 Fique a nota de que desejo ardentemente fazer cosplay desta personagem marcante

Assim que saí do palco passam-me uma garrafinha de água para a mão e dão-me um lugar no sofá. Graças a deus, obrigada senhor por existirem voluntários! A sério, adoro-vos, aquela garrafinha de água soube à panaceia universal que vem da cornucópia divina. E aqueles bolinhos da sorte trouxeram-me uma sabedoria imensa e salvaram-me também porque não comia nada desde o pequeno almoço e sentia-me demasiado fraca para comer.

Depois chamaram-nos ao palco e disseram para dançar. Eu tentei, eu dei o meu melhor, mas só consegui abanar os braços para cima e para baixo como se sofresse de uma doença obsessivo-compulsiva de características zombies. Entregaram os prémios, bastante merecidos por sinal, e disseram para dançar mais e eu fugi na velocidade máxima que o meu estado me permitia. Dançar mais não, por favor! ;___; Sentia-me como se tivesse acabado de correr a ultra-maratona dos cem quilómetros no meio do deserto...

Damos umas voltas e reparo que o bar se encontra encerrado. Todo o dia. Bem, a verdade é que no Sábado andavam a correr uns rumores dramáticos (que já se dramatizaram mais desde que o pessoal acedeu à internet), mas não vamos entrar por aí. Fica a nota de que se nos eventos precisarem de orientação no que respeita a segurança alimentar e respectivo licenciamento, eu trabalho com isso. :>

Estou gelada e arrepiada, portanto vou mudar de roupa e por umas meias e dois casacos. Chego no Painel de Dobradores e sento-me aos pés do Ni. Não apreciei o devido, pois estava demasiado concentrada em não falecer, em vez de estar a ouvir o que estavam a dizer. Fiquei a saber que dependendo da situação a coisa não é assim tão mal paga e em como o Rei Leão revolucionou as dobragens. Na verdade, eu lembro-me com exactidão do que se passou com o Rei Leão. Vi o anúncio na televisão "primeiro filme dobrado no nosso português!" e fui ter com o meu pai dizendo "os miúdos de hoje em dia são tão estúpidos que não percebem o português do Brasil e agora fazem os filmes em português de Portugal!" E jurei que nunca mais na vida ia ver um filme da Disney. Mas depois ofereceram-me a cassete e que remédio tive eu! De resto, até foi engraçado. Fora a parte de toda a gente gritar quando alguém falava. E a parte de eu estar cheia de dores febris a delirar com o que me rodeava.

Fomos ver se eu aquecia um bocado ao sol. E eu gelada. Só os pés estavam quentes. Queria ter esperado pelo workshop de fotografia. Queria mesmo. Sobretudo porque o Zé queria muito ir e tinha o máximo interesse em ir. Mas o Ni também não se estava a sentir bem, também dormiu mal agasalhado... E ainda faltava meia hora para começar. E ia durar duas horas. Será que íamos aguentar?

Não. Fomos embora. Fiquei mesmo triste. Odeio estar doente, mas fico sempre assim quando muda a estação do ano. Fiquei de descobrir o que se passou para dizer ao Zé Gato, que perdeu o workshop a que queria mais ir por minha culpa, porque eu sou uma pessoa fraca e doente que devia viver dentro de uma bolha esterilizada para funcionar no meio da humanidade. Portanto, se alguém tiver as apresentações ou pelo menos possa indicar um resumo do que se passou, ficaríamos imensamente agradecidos! Obrigada! ;_;

Já agora, sabiam que o Zé Gato sabe tirar umas fotos? Sabe mesmo! Vejam lá!

Fotos Jeitosas de Domingo
(A sério, são muitas, não dá para por todas no blog ou então vão ficar aqui até ao dia internacional do Pi à espera que carreguem. O ficheiro também tem uns vídeos, já agora)


 A Pocahontas olha para o lixo da humanidade










Mesmo cheios da sangue e a morrer, manter sempre o bom humor :)

Entretanto dormi catorze horas seguidas, enfardei-me de benurons, maxilases e hidrotricines e hoje fui trabalhar debaixo de chuva torrencial. Agora escrevo esta missiva.

Portanto, espero que se tenham divertido. Eu diverti-me! Na verdade, o evento não teve nada de errado a apontar. É certo que houve coisas que as pessoas podem levar a mal, disse-as todas. Mas a mim não me causa espécie. Não houve grandes atrasos. Não houve erros no palco. Isso foi excelente! Em relação ao ano passado, não surpreendeu, mas também não ficou aquém das expectativas. Na verdade, só espero que este evento melhore de ano para ano e que se supere cada vez mais e de maneiras diferentes! Parabains! =D

A todas as pessoas a quem falei de maneira desconexa no Domingo, peço desculpa. A todas as pessoas que gostaram das minhas personagens, muitos obrigadas!

Por agora, é tempo de descansar. Se bem que é estranho chegar a casa e não ter um cosplay para fazer... Haha!


Aldnoah.Zero

Aldnoah.Zero
Aoki Ei - A-1 Pictures
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10

Era esta a série que eu esperava ser a melhor da season. Tinha um bom valor de produção e dedo do tipo das megucas, pelo que realmente esperava grandes coisas. No final, ficou-se pelo mediano.

Em 2014 de um futuro longínquo (sim, porque se isto se passar em 2014 depois de cristo há algo de muito errado com a nossa realidade) um império marciano ataca a terra com uns robots que têm um poder magnânime. Os terráqueos são espertos e vão-se safando, com ajuda de uma princesa. Isto é, no fundo no fundo, não passa de um mecha bastante típico. Os maus são muito maus, os bons são muito bons, há uma diferença muito grande entre os poderes e há uma certa tentativa de introdução a uma cena política mais complexa, mas que não vai muito por aí além.

Os personagens também são bastante típicos, com uma menção honrosa para o principal. Este distingue-se. Para começar, não aprendeu a conduzir um robot gigante ao ler o livro de instruções que estava no cockpit. Neste universo, os miúdos sabem conduzir armas de guerra, ensinam na escola. O amigo terráqueo da princesa também tem algumas características interessantes. De resto, temos pessoas bastante normais, com dilemas bastante normais para crianças em tempo de guerra ou veteranos de guerras passadas. Os inimigos são todos muito maus e, por mais que tentem dar-lhes uma razão para a guerra, a motivação é um pouco fraca. Isto é, é certo que na Terra há oxigénio e essas coisas que precisamos para viver, mas se a aproximação tivesse sido pacífica provavelmente haveria lugar para todos e escusavam de arrebentar com a lua, que nos faz falta.

O melhor aspecto será, sem dúvida, a arte. Apesar do uso do CG integrado, nas lutas e nos designs dos robots, tudo isto tem muito bom aspecto e as batalhas são muito interessantes. Mas há algo que me impediu de as levar a sério... A música. Correndo o risco de ofender os puritanos que sabem os nomes dos compositores e dos cantores, para mim era exasperante ter de assistir a todas as batalhas com uns gritos muito épicos por trás, tentando influenciar-me e dizer-me "Vê! Vê como esta batalha tem proporções enormes!" Fique a nota que eu já não tenho idade para aprender informação que não me interessa, portanto não sei quem foram as pessoas que tiveram esta triste ideia (e não, não quero saber)

Mas a OP era muito boa. Isso sim, uma boa música. Talvez até fosse a mesma, não sei. Mas na OP era boa.

Bem, apesar de tudo o final deixou-me bastante curiosa com o que virá a seguir. Onde pegarão depois de [spoiler]morrem todos[/spoiler]? No geral foi uma experiência positiva, por pior que eu tenha dito em conversas diversas. :>

Tokyo Ghoul

Tokyo Ghoul
Morita Shuhei - Studio Pierrot
Anime - 13 Episódios
2014
5 em 10

Pois é, a season está terminando e, portanto, temos de dizer quais os melhores e os piores e essa traquitana toda. Assim sendo, digo desde já: para mim, este foi o pior.

Talvez tenha sido porque fui vê-lo com uma expectativa um pouco diferente do que se veio a revelar a realidade. Eu esperava, esperava de todo o coração, um thriller psicológico. Um certo gore e tudo mais, mas sobretudo uma história que perturbasse. Mas Tokyo Ghoul não é sobre isso. É sobre uns bichos canibais em que as pessoas se transformam depois de serem infectadas por alguma coisa meio incompreensível e as suas aventuras enquanto bichos canibais que vivem à margem da sociedade (mas com roupinhas jeitosas).

Isto, que por si só não tem grande interesse e que já tinhamos visto (até bem recentemente), tem as suas faltas exacerbadas pelo ritmo shounenico que a história toma, que apenas se recupera nos episódios finais que relatam os momentos em que o personagem principal é horrivelmente torturado. Destaque para o actor de voz, os seus gritos arrepiam. No entanto, nem mesmo isto retira a vulgaridade ao conceito, pois as "escolhas horríveis" e os flagelos que o personagem sofre até sofrer a sua digivolução final são coisas que já vimos uma e outra vez, e feitas de melhor maneira.

Existe sangue com fartura, mas logo desde o início houve uma forte censura (com resultados bastante engraçados), que depois decaiu para o "não se mostra, não se vê". A arte é moderna e fluída, como o sangue que corre, mas as coreografias das cenas de acção são perturbadas pela falta de grafismo. Isto é, tudo funcionaria melhor se realmente víssemos o que estava a acontecer em vez de recebermos insinuações por aqui e por ali.

Finalmente, a música. Possivelmente a melhor parte deste anime. A OP e a ED são belíssimas e tratarei já de as encontrar para as ouvir com melhor atenção. As vozes, como disse anteriormente, transmitem o terror dos personagens com exactidão. As músicas do parênquima, essas, são pouco memoráveis.

Enfim, um anime que desapontou e para o qual não tenho mais expectativas. Fiquei sem vontade nenhuma de saber o que acontece a seguir, portanto acho que irei passar a próxima season (a menos que não haja nada de muito melhor para ver quando ela vier)

22.9.14

JoJo's Bizarre Adventure: Stardust Crusaders

JoJo's Bizarre Adventure: Stardust Crusaders
 Tsuda Naokatsu - David Production
Anime - 26 Episódios
2014
6 em 10
 
Jojo's Bizarre Adventure é uma aventura bizarra protagonizada por Jojo. Mas não há apenas um Jojo. Não. Não nos podemos limitar a isso. Há oito! E isso é por agora... Em manga. No anime já conhecíamos o primeiro e o segundo. Agora vamos conhecer o terceiro, enquanto viajam para o Egipto para enfrentar um nosso queridíssimo e amicíssimo DIO BRANDOOO~~~
 
Esta parte de Jojo já existia em anime. Um OVA. Um OVA do antigamente. Que tornava as coisas muito mais resumidas e que eu, na altura, adorei. Tendo isso e a primeira parte (e segunda) em conta, achei que esta season ficou um pouco aquém das expectativas. Tal viu-se em discussão com as pessoas (gosto de observar e dar o meu bitaite), mas também o senti. Apesar de ter gostado bastante, faltava-lhe um bocadinho assim.
 
Para começar, este Jojo não é nem de perto nem de longe tão carismático como o da parte 2, que aparece aqui mais velho para salvar a situação com um pouco de humor. Devido a isto, a série tem um ambiente mais negro, em que a comédia parece mais forçada e o exagero não funciona tão bem como anteriormente. Os outros personagens têm a sua personalidade distinta, sendo mais ou menos interessantes conforme o visionante. Por exemplo, eu adoro o Polnareff. E um tipo que vai aparecer na próxima season, já que partiram a série em duas. Conhecendo-me, é fácil adivinhar qual é. :>
 
Nesta parte é introduzido um novo conceito: os stands. Se nas partes anteriores o poder vinha todo do Hamon, que era treinado e tudo o mais, desta vez o poder está condensado numa figura mais ou menos estranha chamada stand. Algumas são antropomórficas, outras carromórficas, outras animalórficas, outras barcóficas, há de tudo. E cada uma tem o seu poder e as suas características. Assim, o anime apresenta-se num género de inimigo semanal que pode falhar em algumas semanas, pois nem todos os inimigos são assim tão interessantes ou particularmente difíceis de vencer. Ainda assim, segundo consta, o anime está a fazer um trabalho de adaptação extremamente detalhado, pois nada está a faltar em relação ao manga. Nem nada está a mais. Pois é, senhores: nem tudo o que é chato é filler.

Artisticamente, a animação não é especialmente boa, mas é altamente compensada pela paleta de cores e uso de sombras e brilhos. A arte adiciona ao efeito bizarro e espectacular.

Sonoramente, temos músicas muito variadas, coroadas por uma ED genial. Aliás, em relação a isso, gostaria de citar algo que escrevi num fórum e que explica a minha opinião generalizada sobre Jojo e a música em Jojo:
 
Anime de luta, Jojo não é só um anime de luta. É uma homenagem à música ocidental, é um inspirador e motivador de moda e alta-costura (ocidental), pode servir de crítica social, é uma obra que se distingue dentro do género e NÃO É porque tem lutas. É por causa da forma como tudo isto está construído. Jojo tem uma história grande para trás. Eu não leio manga, mas já li algumas entrevistas ao autor e se forem ver isso descobrirão como este universo é interessante para além das "lutas".

Rock é "acelerado com guitarras". As Bangles também fizeram parte do rock da sua era. Bem, pop-rock, não é nenhum metal ou nada. A situação é que, tal como Jojo, o rock tem muitas vertentes para além do "acelerado com guitarras." Agora que o Hatak colocou esta perspectiva, parece-me um debate extremamente interessante:

Jojo, como série marcante na cultura pop, é muito versátil. Isto é, aparenta ser uma história muito simples, mas está cheia de pequenos detalhes estilísticos que a tornam muito única. É esta plasticidade no detalhe que define Jojo, apesar de tudo ser - digamos - "móvel". Isto é, observando este anime (e manga, deve ser!) sob diferentes perspectivas, vemos sempre uma coisa nova. Estas perspectivas não são nada como mover a cabeça para o lado mas, digamos, estados de espírito diferentes. Por exemplo, o Sharinflan quer ver umas boas lutas; eu quero ver uns desenhos que me fazem sorrir; o José Mourinho (que frequenta este fórum em segredo) deseja ver alguns truques de estratégia para usar nos jogos. Aí cada um de nós vê uma coisa diferente, mas o todo está lá.

O mesmo se passa com a música, sobretudo esse termo tão abrangente. ROCK. O rock espalha-se em todas as direcções, do metal industrial ao glam rock e indie rock ao Elvis e por aí em diante. Uma pequena nota: eu ponho o metal dentro do rock porque as sonoridades mais antigas aparentam-me (eu não percebo nada de música) ao ouvido com a onda mais "power" do rock, se me faço entender. Bem, não faço, mas posso tentar explicar melhor. Enfim, tal como no anime, se olharmos para o Rock como um todo de diferentes perspectivas vamos encontrar muita muita muita coisa diferente. E se as coisas vêm do antigamente, onde não havia tanta separação, vamos encontrar diferenças mais demarcadas. Por exemplo, desde os Nirvana que todo o indie está numa escala pop. No antigamente a diferença das labels de rock, pop, indie, o circuito dos DJs, isso estava tudo bem dividido. E é para isso que temos de olhar bem.

Tanta letra para dizer que o rock e Jojo se relacionam de uma forma bem mais profunda do que a estética visual/sonora. A mim parece-me que, se lhe fizermos uma análise um pouco mais profunda, estão intimamente ligados por uma filosofia
Ficamos então à espera da segunda parte da terceira parte. Assim teremos o meu personagem preferido da terceira parte e o meu vilão preferido da terceira parte. :) Não que eu conheça bem as outras, mas tassbem
 

13.9.14

Yawara!

Yawara!
Tokita Hiroko - Madhouse Studios
Anime - 124 Episódios
1989
6 em 10

Sinto-me uma vencedora. Uma cãpian! Foi um ano, cento e vinte e quatro episódios... E terminei! Sinto sempre grande alívio quando termino séries tão grandes. Sobretudo quando são dos 80s. No caso, dos 80s e dos 90s, já que a série se passou no decurso de quatro anos. Tanto a história como a realidade, já que esteve na TV de 1989 a 1992.

É uma série sobre judo. Yawara é um prodígio do judo. O seu pai foi campeão e está desaparecido. O seu avô foi campeão e treina-a sob um duro regime de comédia. Mas Yawara não quer saber de judo para nada. Ela quer apenas ser uma rapariga normal, fazer coisas de rapariga, ir para a faculdade, apaixonar-se, essas coisas. Por isso é que ela é uma "Fashionable Judo Girl", subtítulo da série.

Durante todos estes episódios acompanhamos o seu crescimento enquanto pessoa e enquanto judoca. Se bem que no judo não há muito por onde ela melhorar, já que está estabelecido desde o início que ela é um génio. Na realidade, nunca a vemos perder. Por isso, os combates são todos um pouco previsíveis. Existem diversas histórias paralelas, nomeadamente um triângulo amoroso e a busca pelo pai perdido. Também as pequenas histórias sobre as vidas dos amigos. Estes amigos dão um pouco mais de tempero aos combates, porque no caso deles nunca sabemos se vão perder ou ganhar.

A animação sofre muito com as frames repetidas, problema recorrente em séries de longa duração. No entanto, são bem utilizadas e não aborrecem. A técnica em si está bastante aceitável. O que é realmente interessante são as expressões dos personagens, que têm um grande range e que trazem grande efeito cómico.

Em termos musicais, temos uma grande variedade de OPs e EDs, que ficam na cabeça e que são boa pop. Uma delas, especialmente, ainda agora a estou a cantar. Os efeitos sonoros durante os combates e tudo o resto são um pouco repetitivos, que é problema recorrente habitual.

No geral, uma série representativa da sua época, que se distingue dentro do género pelo seu realismo e pela faceta humana. Não fosse tão longa, recomenda-la-ia.

7.9.14

Midori 3

Midori 3
Evento
Têm sido uns dias muito, muito ocupados. Isto de haver três eventos no mesmo mês torna tudo muito complicado. Na verdade, confesso, estou a preparar-me com todas as forças para os concursos do evento da terceira semana de Setembro (bem, um deles), e as coisas não estão a correr tão bem como queria. Na verdade, nem sequer me inscrevi ainda.... Assim fica a explicação do porquê de não ter ido ao Midori, evento que merecia cosplay, vestida a rigor. Não estou com muito tempo e, sobretudo, não estou com sanidade mental suficiente. Mas como hoje, Domingo, não tinha nada para fazer à tarde (excepto cosplays, fiz de manhã...) pensei "porque não?" e dei um passeiozinho por lá. Aqui fica o relato desse passeiozinho.

Locais e Espaços

O Institut Français de Portugal, local escolhido para este evento, está muito bem escondido. Entre o Corte Inglés e a Praça de Espanha, é super simples chegar lá mas... Tem de se saber onde é. Tive a sorte de ir almoçar fora e de me levarem até lá de carro. Mas para me ir embora, nem sequer sabia para que lado era a linha amarela e a linha azul @.@ Felizmente dois voluntários deram-me as indicações necessárias e, realmente, sabendo como lá chegar é facílimo.

Em termos de espaço no interior, estava tudo bastante simpático. Três andares (ou seriam mais?) nos apresentavam. O primeiro, foyer de entrada, tinha a bilheteira e algumas bancas. Apesar de me terem contado que a organização das pessoas das bancas não fora a melhor, achei que as que estavam logo na entrada tiveram a melhor sorte. Porque estavam mesmo à vista e havia montanhas delas! Em termos de bancas não estava nada pobre! Para cima, uma biblioteca com mais bancas, diversos jogos de cartas que me confundiram e a banca do Midori.

Momento de história interessante: assim que cheguei, estava eu a comprar o bilhete, entraram duas moças da organização em pânico. Porquê? Tinham um coelhinho dentro de uma caixa! Imediatamente, eu, no topo dos meus elevadíssimos conhecimentos superiores, digo (com voz de quem tem conhecimentos superiores) "eu sou veterinária!" Não se preocupem, é mesmo verdade (apesar de não parecer). Assim, a primeira actividade dentro do evento foi ver se o caolhinho estava bom, já que as moças estavam preocupadas. Estava cheiinho de fome e com umas crostazinhas, mas de resto estava bom. Era muita fofinho, coitadinho. Ainda não tinha nome, podiam chamar-lhe "Midori" :>

Mas adiante. 

Para baixo estavam os artistas, que são bons artistas. Comprei uma rifa à minha velha conhecida Marta Lebre, que estava a sortear um saco de pano todo catita. Sou o número onze! E ela vai fazer um vídeo a tirar as rifas, portanto saberemos em breve se o onze foi o número premiado! =D

Ainda mais para baixo, estava o auditório e a sala de workshops.

O auditório era bastante composto e o palco pareceu-me bom. Desta vez não estive em cima dele - o que me causou tremenda impressão e um nervosismo inexplicável - mas posso garantir que as cadeiras eram fofas e muito confortáveis. Bom auditório, bom auditório. A sala dos workshops tinha umas mesinhas com todo o ar de serem usadas para aprender francês e era bem sossegado.

Conclusões: o espaço era bom e, em termos de organização dele, não tenho nada a apontar. Se bem que era Domingo à tarde e, como é evidente, nunca estaria tanta gente como nos momentos de maior afluência. Se tivesse ido Sábado depois de almoço talvez a minha opinião tivesse sido diferente.

Coisas que Fiz Enquanto Estive Lá

Verdade verdadinha só estive no evento duas horas e meia. Não fiz muitas coisas, mas as que fiz foram giras.

Primeiramente, descobri, escondido num cantinho, o convidado Japonês Toshio Maeda. A quem não sabe é um artista de manga erótico e autor do super clássico "La Blue Girl". É ligeiramente obscuro, mas é fascinante. Gostaria de ter falado com ele, ou pelo menos de ter visto o Q & A (Question and Answer, Perguntas e Respostas), mas estava por cima de outra coisa a que queria ir, de que falarei de seguida. De qualquer forma, foi com todo o gosto que tirei cinco euros do porta moedas para receber um desenho, autografado e com uma dedicatória. :) Aqui está ele! Não está ainda, depois colocarei.

Segundamente, entrei no auditório para ver um jovem a mixar dois GameBoys. Foi estranho, porque o jovem tinha uma presença de palco absolutamente nula. Mas a música era bem divertida e se a passassem nas danceterias gostaria muito mais de as frequentar. :3

Seguidamente, coloquei-me em espera na sala dos workshops. Iria haver uma prova de sake e eu adoro sake e bebidas do género. Foi muito interessante. Provámos três tipos, do mais barato para o mais caro, com explicações dadas por um profissional do negócio dos alcóois. O primeiro sabia a remédio, o segundo era delicioso, uma espécie de vodka mas com sabor a maçãs e o terceiro era semelhante ao segundo mas muito mais suave na garganta. As diferenças eram apenas o tempo de fermentação. Teria bebido muito mais do que três golinhos (bem aproveitados) de cada um, mas nummederam ;_____; Mas ao menos agora já sei onde se vendem e podem preparar-se que vai haver no meu aniversário (está próximo)

Finalmente, fui para o auditório a ver o que se passavam. Estavam a dar os filmes do concurso "Faz em Casa!". Ora bem... Eu fiz um! Eu fiz um! Querem vê-lo? :3


Mas bem, não deu enquanto eu lá estava, portanto não sei se as pessoas gostaram ou não. Espero que sim. Também não faço ideia de quando ou como ou a quem foram atribuídos os prémios disso.

Depois, mostraram uma webseries chamada RWBY, sobre a qual já tinha ouvido falar por estar toda a gente maluca com ela. Não gostei nada, achei a animação terrível, a história vulgar e as vozes irritantes. Por isso, apesar de ter visto o primeiro episódio, vou ignorar para sempre o que vi e não vou ver o resto. Viva namida! =D

E depois fui.

Nota para os Voluntários

Sempre voluntariosos, levaram-me aos locais que eu desconhecia e revelaram-me o programa das coisas. Eu tinha visto em casa, mas entre ver em casa e chegar lá já me tinha esquecido de tudo. Se calhar teria sido sábio ter uns programas para distribuir, ou pelo menos espalhados pelo espaço. No entanto, segundo o que eu tinha visto, não haveria muitas actividades sobrepostas e não foi isso o que aconteceu, quiçá devido a atrasos ou outras coisas, não interessa muito. Enfim, foram os voluntários que me deram as indicações e por isso deixo aqui a nota de agradecimento.

A única coisa que descurti seriamente foi chamarem-me sempre de "senhora". Não sou assim tão rugosa fonix! ;__________________;

E fotos? Não há fotos?

NÃO

Ok, ok. É mentira. Há meia dúzia. A minha máquinha, que já era velha como o Matusalém, deu finalmente o berro. Mas agora tenho um telefone que tira umas fotos e tal. Então tirei tudo com o telefone. Mas quando ganhei coragem (foi depois do sake, claro) para tirar fotos com o triste do telefone já não estava quase ninguém de cosplay. Portanto só tirei duas fotos a cosplays. O resto foi às coisas em geral. E ficaram todas fora do foco. Mas bem, aqui estão elas.

(Nota para a própria: comprar uma máquina nova)












Conclusivamente

Consideremos finalmente. Para o tempo que lá estive, achei que o evento foi caro demais. Mas se calhar estando os dois dias, o preço valeria muito a pena. Aliás, acredito nisso plenamente. Estava um evento simpático, familiar e despretensioso.

Valeu muito a pena para mim porque encontrei a minha querida Shingalinga, que já não via há trinta e dois milénios. :)

E assim devem ser os eventos. Encontrar pessoas, fazer coisinhas. Estou contente :>

Sentindo-me como se estivesse a comer um Gummy Bear Gigante

Chronus

Chronus
Onda Naoyuki - Studio 4ºC
Anime - Filme
2014
6 em 10

Mais um filme do projecto Anime Mirai, que leva novos realizadores a grandes estúdios para produzirem um pequeno filme de forma a mostrar os seus talentos. Sobre os outros, até agora, poderão ler aqui.

Um jovem tem a capacidade de ver deuses da morte, vulgo "shinigami". Perguntam-lhe se não vai interferir com o trabalho deles. E ele diz que não, até ao momento em que a sua amiga de infância - por quem está apaixonado - tem um acidente e a alma dela fica perdida. Nessa altura, ele vai salvar a alma dela.

É um filme muito simples, com um final inconclusivo que poderia dar azo a uma série interessante. A história de amor é básica mas bonita, exponenciada pela música do final que é muito interessante. Mas de resto, não há muita coisa por onde pegar.

A animação tem os seus momentos, nomeadamente o da perseguição com os corvos, e alguns efeitos visuais interessantes, sobretudo no início em que exploram as memórias tristes do nosso personagem. No entanto, até ele próprio explicar, nada nos indica que o seu poder, aquilo que o faz sofrer, é o facto de ver shinigamis. Ainda assim, temos fluidez bastante para nos entretermos durante vinte e cinco minutinhos.

De todos os mini-filmes do Anime Mirai, achei que este é o que tem maior potencial para se tornar uma série com interesse shounenistico. Acho que vale a pena experimentar a ver se concordam comigo :)

Amadeus

Amadeus
Milos Forman
1984
Filme
9 em 10

Havíamos regressado de uma festa diplomática em casa do Senhor Embaixador do Brasil. Meio enjoada com a quantidade de quitutes volantes e com a apresentação deprimente da Wanda Stuart (a do cabelo azul), amochei-me no amarelo para ver um filme. Não sabia que o filme ia durar três horas. Não sabia que o filme ia ser tão bom.

Reconheço que Mozart não é de todo o meu compositor predilecto. Aliás, nunca gostei de tocar e gosto de ouvir muito pouca coisa. Mas uma coisa temos de admitir: o homem era um génio. Sempre foi um mistério para todos como acabou por morrer na maior das depressões e das misérias. Este filme mostra uma perspectiva moderna e refrescante sobre a sua história, contada por um outro génio da sua época, Salieri.

Mozart é, no seu século, o que seria equivalente à rockstar de hoje em dia. Está simplesmente a fazer a sua cena, para desagrado da crítica, despenhando-se em vícios e em festas até que, no final, cede ao desespero e à doença. Por outro lado temos Salieri, um devoto que deseja ser o mais famoso da sua época mas a quem "deus" apenas dá o dom de reconhecer o imenso talento de Mozart. Na sua luta contra a gargalhada de deus, que na sua loucura Salieri acha estar especialmente contra si, ele faz tudo para levar Mozart à miséria, acabando por contribuir para a sua morte. Isso leva-o à loucura e a um asilo, que é onde a história é narrada.

Esta história tem muitos elementos, desde o romance à intriga política, que só poderiam ser ilustrados nesta época de infâmias e de extremas vaidades. Apesar da época, a história e o diálogo são modernos, trazendo imenso realismo a toda a narrativa.

Isto não seria conseguido sem a performance de actores extremamente competentes e, diria mesmo, extremamente talentosos. Ambos traduzem para o "palco" os seus personagens com uma perfeição constante e emotividade muito equilibrada. O papel de Salieri louco pareceu-me ser bem complicado e especialmente estimulante.

O fausto e pompa da época estão nos cenários e nos guarda roupas, todos cheios de detalhe. As óperas estão concretizadas com uma mistura de modernidade e classissismo que as torna interessantes até para aqueles que nunca apreciaram ópera.

É um filme de génio sobre génios. Com imensos detalhes saborosos, merece ser revisto vezes e vezes sem conta. Aliás, vi-o ontem e já estou ansiosa por o ver outra vez. Recomendo uma vez e mais outra.

2.9.14

Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
Clarice Lispector
1969
Romance

Tinha sobre Clarice Lispector a ideia preconcebida de que era uma americana feminista dos anos 80. Afinal não, é uma emigrada no Brasil que percorre muitos anos. Este extraordinário livro deixou-me muito curiosa em relação à sua obra completa, que desejo ler por inteiro. Foi o meu regresso ao Kobo (da classe dos Kobinhos), em que não pegava há bastante tempo por ter estado a ler muitos livros em papel.

Lóri, de verdadeiro nome Loreley, tem uma estranha relação com um homem chamado Ulisses. Através dessa relação, entre o amor e a amizade, ela realiza uma viagem de auto-descoberta, uma realização sobre o que é ser uma pessoa, um humano, uma mulher. E qual a posição da mulher dentro da sua própria identidade, enquanto amante de homens ou deuses.

A forma como o livro explora esta "aprendizagem" é como um sonho vívido. Existem muitas cores, sons e cheiros dentro deste texto, cada um representativo de um estado, de um momento do aprendizado. Há sobretudo o símbolo da água, seja no mar ou na chuva, que poderiam estar relacionados com a necessidade de amar. Também objectos como alimentos e frutas povoam todo este imaginário. Assim, é um livro com muita cor, mas de contornos pouco definidos: traz uma aura de estranheza e uma certa infelicidade.

O final é misterioso, deixando-nos à beira de um final feliz. Mas poderá ser feliz este final? Descobriram estes personagens a verdade? Ou irão cair na tristeza dos dias assim que se afastarem do "estado de graça"? Tenho de ler mais livros da autora para saber. Quem os tiver em e-book que os apresente na minha mesa, por favor.

1.9.14

Litchi☆Hikari Club

Litchi☆Hikari Club
Furuya Usamaru
Manga - 9 Capítulos / 1 Volume
2005
7 em 10

Um estranho manga, que envolve muito sangue e uma elevadíssima carga homoerótica. Terá sido inspirado numa peça de teatro dos idos anos 80. Só poderemos imaginar como seria a peça, tendo em conta o manga...

O "Clube da Luz" é um clube muito especial. Estes rapazes, com certas características dos Sete Anões da Branca de Neve, constroem um robot alimentado a lichias. A função desse robot é apenas uma: apanhar raparigas. Estes rapazes querem conhecer a beleza mais pura. Então têm de ensinar Litchi, o robot, a identificar a beleza. E para isso ele necessita de características humanas.

É neste ponto que a história se torna extremamente interessante. À medida que o robot começa a reconhecer-se como ser humano, desenvolve-se uma estranha história de amor entre Kanon - a rapariga número um - e Litchi. Paralelamente, há uma busca do poder dentro do Hikari Club, que acaba com a trágica morte de... Toda a gente.

O manga explora de forma muito clássica alguns temas em que a ficção científica pega repetidas vezes. Mas a forma como esses temas são abordados torna-os  - a eles e aos dilemas que daí advêm - bastante elegantes e com um grande sentido estético. A arte usa muito o preto e o branco. Também o vermelho, apesar de tudo ser a preto e branco: conseguimos distinguir o vermelho, uma cor essencial nesta história. O design dos personagens é directo e original, algo de horrivelmente belo.

Apesar de a narrativa ser muito rápida, não parece pecar por falta de conteúdo. Aliás, se fosse mais longa correria o risco de se tornar repetitiva e aborrecida. Achei que - talvez - o maior (quiçá único) defeito foi o excesso de sangue e tripas, que poderiam não ser necessários caso a abordagem às mortes fosse mais emocional e psicológica, em vez de gráfica.

Como é um manga bastante curto, posso recomendá-lo. Mas aviso desde já que não está censurado, pelo que a quem se perturbe com isso não direi para ler.

Nero e Nina

Nero e Nina
Mário Cláudio e Evelina Oliveira
2012
Livro Infantil

Era Natal de 2012 quando me ofereceram este livro, autografado e tudo. Foi uma série de coincidências: era Natal, o autor estava a autografar o livro e eu gosto de cães. Portanto, recebi-o. Mas como não dá muito jeito de o transportar e à primeira vista achei que o texto fosse maior, fui adiando o momento de o ler. Cá chegados, posso dizer que afinal foi um instante.

Acompanhamos a história de Pedro e Inês sob uma perspectiva diferente: a dos cães de Pedro e Inês, Nero e Nina. Numa narrativa muito portuguesa, intercalamos entre um cão e outro até descortinar a história. Tiveram um final mais feliz do que os seus donos, posso já dizê-lo.

No entanto, para livro infantil, achei que a linguagem era demasiado extrema, demasiado tradicional, muitas vezes difícil de compreender. Notas de rodapé enchem a última página, mas para uma criança será um livro bastante difícil. Será um livro mais apropriado a adultos que gostem de ilustrações.

As ilustrações são muito interessantes e texturizadas. Os cães são bastante expressivos, embora tenha achado que Nero não tem muito tempo de antena comparado com a namorada. Além disso, as ilustrações não ajudam muito na compreensão da história, mostrando apenas o cenário em que cada momento se passa.

Mas gostei deste livro, porque gosto de cães.

Ouro da Casa

Ouro da Casa
Maurício de Sousa Produções
2012
Banda Desenhada

Esta foi, sem dúvida, a minha melhor aquisição da Bienal de São Paulo. Já foi ao tempo - dois anos - mas tinha guardado este album para ler devagarinho, com paciência e atenção ao detalhe. Porque é, simplesmente, tão bom.

A Turma da Mônica, emparelhada com o Tio Patinhas, foi a minha primeira exposição ao mundo da banda desenhada. Apesar de se basear em histórias muito curtas e tirinhas, sempre adorei a forma inocente e complexa de rir do mundo e, sobretudo, algumas histórias muito intimistas e filosóficas. Os personagens são simples e ficam imediatamente marcados. São bons personagens, são pessoas boas, são personagens que nos motivam a ser melhores, mais criança.

Neste "Ouro da Casa" temos uma perspectiva diferente da Turma que marcou gerações: desta vez a arte, as histórias, tudo é feito pelos membros da Maurício de Sousa Produções, sem influência do próprio Maurício de Sousa. É um show-off dos artistas que fazem o trabalho invisível. Aqui participam os roteiristas, os arte-finalistas, os letristas, os coloristas... Todas as pessoas que contribuem para que todas as semanas saiam novas historinhas nas revistas, mas às quais nunca damos grande atenção. Não são elas a cara da empresa. Mas são elas que fazem a empresa. E a prova está aqui.

Cada história tem um estilo artístico diferente, pontuada com algumas ilustrações. A arte é uma nova maneira de experienciar estas histórias e toda ela é extremamente boa, seja detalhada ou simplista, seja digital ou tradicional. Cada uma é única.

E as histórias... Sem dúvida que temos algumas mais adultas. Outras, recordam-nos como é bom ser pequenino. Mas todas elas demonstram a paixão que estes funcionários têm pelo seu trabalho.

No final,  vem um artigo sobre a produção das revistas da Turma da Mônica e pequenas biografias sobre toda a equipa. Não são muitos. Mas são bons.

Este livro será difícil de encontrar em Portugal, mas para quem gosta da Turma, aconselho vivamente a que o obtenham e consultem. Tal como se fazia com as revistas. Mas agora é com um belo volume, para recordar e acarinhar.

Cruel Intentions

Cruel Intentions
Roger Kumble
1999
Filme
5 em 10

Filme que se apanhou pouco antes do meio, já passava hora de ir dormir, mas que se ficou a ver porque a vossa narradora não consegue estar à frente de uma televisão a passar coisas em movimento sem se concentrar completamente no assunto, mesmo que não esteja a perceber nada.

Porque, realmente, até eu perceber quem era quem no filme demorou uma eternidade. Era toda a gente parecida. Mas eu também vejo mal ao longe.

Sebastian tem uma meia-irmã muito má que faz uma aposta com eles. Se for para a cama com a miúda mais inocente da escola ganha a aposta, se não perde a aposta. Mas Sebastian apaixona-se pela moça.

É um filme divertido, que não merece a bolinha vermelha, com personagens muitos simples mas interessantes e alguns detalhes em estilo grunge que fazem rir. De resto, é quase terrível. A história não é muito interessante e os actores não fazem muito por ela.

Salva-se a música, que tem alguns momentos bastante nostálgicos. Bem, na época eram modernos...

Bom filme para ver antes de ser um pedregulho cheio de musgo.

Festas de Corroios - Azeitonas

Festas de Corroios

Já estava convencida de que este ano iria quebrar a minha tradição de ir às Festas de Corroios. Pode não ser há muito tempo, mas já vou desde que entrei na faculdade. E para quem vive em Lisboa isso significa bastante, creio eu de que.

A feira é sempre igual a si própria, com as suas banquinhas de comidas e bebidas e passarinhos e roupas e jogos diversos. As aquisições deste ano distinguiram-se por, principalmente, ter adquirido alguma coisa. A primeira foi uma sangria mágica que deitava fumo. Era gelada e deitava fumo! Não pude deixar de a experimentar! Mas além de deitar fumo, não fazia mais nada de especial, era igual a todas as outras sangrias. A segunda aquisição foi um jogo de roleta de uma banca de peluches gigantes. Ganhei uma flor vermelha que, além de se rir, enrola-se toda sobre si própria.

Um dos membros do grupo resistente manifestou grande desejo de andar numa brincadeira chamada MONSTER. Só de olhar para ela fiquei cheia de medo. Era um pêndulo enorme, gigante, para oito pessoas de cada vez, que andava à roda e as cadeiras onde as pessoas estavam andavam à roda também, por forma a toda a gente balançar a ponto de ficar de cabeça para baixo. Só de a observar durante uns minutos fiquei com elevadíssima cefaleia.

No final parámos na política. Interessante que o PSD e o CDS estavam encaixados entre o Bloco de Esquerda e o PCP, o que lhes devia causar certo pânico. O que é certo é que os partidos de esquerda eram a última coisa a fechar.

Mas... E a música? Desde logo, ainda antes de irmos, manifestei o meu desinteresse pela banca convidada desse dia sabático. Mas afinal revelou-se uma surpresa agradável, se bem que nada de genial.

Eram eles

Os Azeitonas

Pouco conhecia desta banda e o que é verdade é verdade: sabem dar um belo espectáculo. É realmente muito animado.
As músicas são muito simples, com letras ligeiramente ilógicas. Apresenta-se uma tara quase infantil pelo imaginário do cinema americano, quer na sonoridade quer nas letras (muito desejo têm estas pessoas de ir a Hollywood). Não se percebia bem o que fazia a rapariga da pandeireta, além de tocar pandeireta e cantar em francês.

Mas o que é certo que até eu, que nutria enorme aversão por esta banda com nome de baga gordurosa, acabei o concerto dançando e fazendo pripripri (que é a minha maneira de cantar e dançar). É uma banda cheia de energia e, sendo grátis, se calhar vale a pena ver.

No palco apresentava-se um grande "Az", pelo que esta banda também poderá - não oficialmente - ser chamada de Azoto.

No dia seguinte dormi até ao infinito.

Fim.