27.3.16

Fairy Tail (2014)

Fairy Tail (2014)
Ishihira Shinji - A1-Pictures
Anime - 102 Episódios
2014
4 em 10

Esta era daquelas séries que eu comecei a ver em continuidade com a primeira season. Adianto desde já que estava convencida de que ia ser mais uma daquelas séries intermináveis que nunca, nunca, nunca ia acabar. Mas, subitamente, aparece a notícia de que termina para a semana, isto é, que terminou agora mesmo. Bem, essa foi a parte boa. Porque este foi dos shounens mais fracos que tive o desprazer de ver nos últimos dois anos.

Passou-se tanta coisa que já nem me lembro de cada arco narrativo. Sei que cada arco narrativo, por si só, é totalmente inconsequente: nada leva ao fim da série. Os personagens não evoluem emocionalmente, por mais novos poderes que recebam uma e outra vez, a história não nos leva a lado nenhum. Chegamos ao ponto de termos um arco inteiro dedicado a personagens que já morreram ou que estão idosos. Nesta season, finalmente, apareceram os tais dragões: o foco principal desde o início de Fairy Tail era encontrar os dragões para que Natsu pudesse falar com aquele que o educou. Agora que os encontraram, vão-se todos embora e... Continua a série. Mais um arco. Mais uma história. Isto é absolutamente exaustivo, já que os personagens acabam por perder o interesse e tornam-se apenas mais um e outro estereótipo cansativo e repetitivo. E os momentos de humor? Inexplicavelmente absurdos, não jogam com nada do que é apresentado nos momentos mais séries, chegando mesmo a interrompê-los, o que leva a uma completa quebra do ritmo.

Se eles pararam a primeira season para melhorarem aspectos como a arte e animação, devemos dizer que não conseguiram. Quando muito, ainda fizeram pior. Os novos designs são execráveis, com um aumento crescente dos implantes mamários de todas as personagens e constantes erros de perspectiva, de expressões, de movimentos. A animação é fraca, até mesmo nos momentos das lutas (como digo, são convenientemente interrompidos por momentos de comédia em que há liberdade para que a arte seja incapaz). As cores são pálidas, escuras e, no geral, a qualidade decresceu muito.

A música torna-se rapidamente repetitiva e previsível, dando-nos logo mote para qual vai ser o tema de cada cena. Assim, sabemos qual é a altura em que vai haver um flashback, em que os personagens vão chorar (há muita tragédia neste anime, mas toda ela forçada), quando vai haver um momento cómico, etc., etc.

Enfim, se por um lado fiquei surpreendida por a série ter terminado, por outro lado fico bastante feliz, porque já estava farta dela. Diz-me um amigo que o manga é infinitamente melhor mas... Este anime é um shounen puro, com uma estrutura idêntica a tantos outros, sem qualquer característica positiva que o consiga distinguir. Se ao início era divertido, acabou por se tornar numa viagem sem fim, cansativa para os olhos e para a mente. Caso volte, não tenciono repetir.

Prince of Stride: Alternative

Prince of Stride: Alternative
Ishizuka Atsuko - Madhouse Studios
Anime - 12 Episódios
2016
6 em 10

Começo, finalmente, a terminar os animes desta season de Inverno. Confesso que não tenho tido muito tempo para ver animus, com grande pena minha, mas vou tentar despachar-me para meter a minha PtW na linha!

Comecei a ver este anime porque tem o cunho Madhouse e porque pensei que me faria bem à cabeça ver um anime de desporto. Este veio a revelar-se algo um pouco diferente, mas foi divertido na mesma. Este anime fala sobre um desporto inventado: o Stride. Este jogo é uma espécie de mistura entre corrida de estafetas, corrida de obstáculos e parkour. Acompanhamos uma equipa que está na mó de baixo, o nosso underdog, por sucessivas vitórias e derrotas, até os personagens se encontrarem a si próprios de alguma maneira.

Assim, o anime depende muito dos seus personagens. Estes acabam por estar demasiado presos ao seu estereótipo, sendo que fazem demasiado uso de flashbacks para conseguirem encontrar a força para as suas vitórias. Como se a sua força não viesse dos esforços do presente, mas apenas de desejos do passado que são lentamente revelados, apenas quando é mais conveniente. Para além disso, parece que sempre que sofrem uma derrota não aprendem nada com isso, para além de se envolverem num pequeno momento de auto-comiseração. Assim, apesar de a equipa acabar por vencer (mesmo trocando um membro), parece que a sua força continua exactamente na mesma e que foram os oponentes que ficaram mais fracos por alguma razão.

A animação está bastante boa, como este estúdio nos vem habituando, sendo que este jogo é muito interessante em termos gráficos, pois mostra grandes habilidades físicas que acabam por ter um efeito muito emocionante. é um anime cheio de brilho e cor, como demonstrado logo pela cena de abertura na OP. No entanto, grande parte dos episódios acaba por ser dedicado a mostrar os rapazes (o que nem sequer faz sentido neste contexto, pois a nossa rapariga não aparenta ter interesse por um ou mais deles, nem eles nela), vestidos de várias maneiras. Um deles, por alguma razão que me transcende, é sempre uma princesa.

Musicalmente, temos um mix variado de músicas electrónicas que, apesar de por si só serem bastante fracas, trazem energia bastante para os momentos gráficos, acabando por servir como complemento.

Não recomendaria este anime, mas foi uma experiência divertida. Fica o desejo para que criem mesmo este desporto!

25.3.16

The Care of Birds

The Care of Birds/O Cuidado dos Pássaros
 Francisco Sousa Lobo
2015
Banda Desenhada

Este foi o livro que eu realmente queria comprar à Chili com Carne no AmadoraBD. :) Vencedor do concurso "Toma 500 paus e faz uma BD", é uma banda desenhada adulta, forte e estremecedora.

"Peter Hickey está para os pedófilos como um observador de pássaros está para os caçadores". Assim este personagem se descreve a si próprio. Mas em que medida será isto verdade? Peter Hickey é um personagem profundo, com várias camadas que se vão revelando à medida que viramos as páginas. é um homem mais ou menos idoso, que tem o passatempo de anilhar pássaros. Para isso, gosta de se fazer acompanhar de meninos com idades entre 10 e 12 anos. Mas porquê? Diz ele que há uma certa pureza na amizade entre um homem e uma criança. Mas os pássaros têm outras coisas a dizer.

Vemos o personagem entrar numa espiral de loucura e auto-comiseração: o que ele procura, a companhia infantil, não pode ser conseguido. Os pássaros sabem disso. No entanto, quando ele encontra outras pessoas que o apreciam, não é capaz de lidar com as vozes dos pássaros. Os pássaros falam com ele frequentemente, e frequentemente dizem coisas terríveis.. Mas não só as aves são simbólicas. Também as pessoas, os outros personagens, têm diversos significados dentro da mente de Peter Hickey. Assim, todos os momentos de convívio acabam por ter mais profundidade do que aquela que poderíamos pensar à primeira vista.

A arte é simples, mas cheia de cor na sua simplicidade. Aparentemente lisos, os desenhos começam a ganhar texturas variadas e diferentes, levando-nos a entrar nos meandros do pensamento do personagem. Também este tem uma variedade de expressões que nos permitem encontrar a sua humanidade que, apesar de horrível, é verdadeira.

O capítulo final pareceu-me um pouco confuso, já que há a introdução de novas personagens, mas a revelação tem muito poder: o encontro do personagem com os seus verdadeiros sentimentos, a sua confissão, a libertação da "mentira" em que viveu até agora, acaba por o tornar num espírito quase catatónico, cheio de medos, cheio de horrores.

Será culpa dos pássaros? Espero que tenham contribuído...

Um livro poderoso que toca num assunto que ainda é tabu. A não perder.

Poesia de Ricardo Reis

Poesia de Ricardo Reis
Ricardo Reis
Anos 10 - 30
Poesia

Continuo na minha senda de ler a obra de Fernando Pessoa em volumes publicados pelo Jornal Expresso, que me foram cedidos pelo Stepfather (que compra o jornal frequentemente). Agora chegou a vez de ler o meu heterónimo preferido, a faceta de Pessoa que gosto mais: Ricardo Reis.

Lembro-me de quando estava na escola, chegámos a esta matéria e o professor (que era um idiota, diga-se de passagem :) ) insistiu muito na ideia de que para Ricardo Reis a vida era uma coisa moderadamente indiferente. Citando, "como um rio que passa". Agora, depois de ler grande parte da sua poesia (este volume tem poemas seleccionados e não a obra completa) parece-me que esta visão é muito limitadora e castradora.

Na verdade, parece-me que Ricardo Reis observa a vida e valoriza a vida humana como se valorizam todos os elementos da natureza. O homem, como espécie, tem o mesmo valor do que todos os objectos vivos e mortos do mundo: uma pedra, uma nuvem, um rio, um pássaro, somos todos a mesma coisa. As suas referências aos deuses antigos servem, então, não como um acreditar panteístico mas como uma forma de estabelecer a vida como igualitária e equivalente. Somos todos iguais e, acima de nós, só os deuses. Isto é válido para todos os seres e todas as pessoas, pois ele chega mesmo a referir que não prefere ninguém nem no amor nem na amizade. No entanto, a sua forma de ver as coisas não é indiferente. Ricardo Reis afirma-se em vários poemas como participante activo na vida. Ele simplesmente quer é vivê-la sossegado e sem aborrecimentos. Mas isso não significa que seja um elemento passivo.

Enfim, foi esta a minha interpretação, que pode estar totalmente errada mas é minha. Afinal, não sou especialista pessoana.

Deixo-vos, então, o meu poema preferido deste autor desde há muito tempo :)

40.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                   (Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                   Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                   E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                   E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                   Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                   Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
                   Pagã triste e com flores no regaço.

A Investigação

A Investigação
Philippe Claudel
2010
Romance

Recebi este livro juntamente com o Número Zero, uma espécie de bónus :) Foi uma leitura muito interessante, portanto ainda bem que insistiram comigo para que o recebesse!
 
Um Investigador dirige-se para a Cidade tendo em vista a Investigação de uma certa Empresa em que vários empregados se suicidaram. Quando lá chega é confrontado com um estranho local em que nada parece fazer sentido. Às voltas neste universo burocrático, conhece pessoas - cada uma mais esquisita que a outra - e acaba por ceder a um sentimento de loucura que o vem atormentando desde o início da viagem.
 
Pareceu-me uma espécie de Kafka moderno, um surrealismo em que o nosso personagem vagueia por um local sem sentido, por um pesadelo que nunca o larga. Cada momento é de uma bizarria extrema, não nos permitindo qualquer descanso, estando sempre na dúvida a situação de vida ou morte, de realidade ou sonho.
 
Não me agradou muito o final, que - para mim - deveria ter sido mais directo em vez de haver uma transformação em nada do personagem. No entanto, ficou sempre a dúvida se a história se passou realmente ou se era um acesso de loucura do Investigador (como relatado pelo confronto com a Psicóloga).
 
Uma escrita clara e sem rodeios, um surrealismo moderno. Grande leitura, foi um livro que me cativou do início ao fim.

O Hábito Faz o Monstro

O Hábito Faz o Monstro
Lucas Almeida
Banda Desenhada
2012

Quando estive no AmadoraBD do passado ano, passei no stand da Chili com Carne para comprar um livro que tinha há muito na mira. Qual não foi a minha surpresa quando o barbudo rapaz da banca (que acredito ser o MMMNNNRRRGGG, mente brilhante desta editora) insiste em oferecer-me este volume! Que alegria! =D

Então, o que dizer desta simpática oferta? :) Confesso que ao início me foi um pouco difícil entrar no ritmo: para mim o obstáculo era a arte. Para ser honesta, não faz "o meu tipo" e estes desenhos um pouco grotescos estavam a fazer-me confusão. Mas acabei por me habituar e, nesse momento, pude aproveitar esta experiência hilariante e perfeitamente insana, uma exploração do significado do amor e dos monstros do amor sob uma perspectiva bem-humorada e muito jovem.

Este livro é uma colectânea de trabalhos editados em zines ao longo de 10 anos. Nota-se uma evolução estilística em alguns elementos, o que torna a experiência muito satisfatória, mas o que mais me agradou foi mesmo o sentido de humor ácido e absurdo que povoa estas páginas de traços a preto-e-branco, qual esferográfica sobre guardanapo.

O texto em si também é muito curioso, embora não tenha apreciado que grande parte dos momentos mais intensos sejam citações de outros autores.

Mas gostei imenso deste livrinho e vou guardá-lo como objecto precioso! Obrigada, MNRG (resumindo um pouco o nome), foi um gesto mesmo muito e super e mesmo simpático! =D

Número Zero

Número Zero
Umberto Eco
2015
Romance

Após a triste morte deste autor de que gosto tanto, foi-me dada a oportunidade (através do BookCrossing) de ler o seu último romance. Claro que me agarrei a ela com dentes e unhas! Bem, poucas unhas, que eu não tenho muitas...

Mais uma vez, Umberto Eco apresenta-nos uma história de mistério e conspiração. Mas, desta feita, tudo se passa num jornal. Um jornal planeado para nunca existir! A conspiração aparece-nos, então, sob a forma de diálogo entre os vários personagens. Acaba por ser uma história um pouco densa e difícil de cativar, pois não compreendemos ao início como pode esta conspiração estar relacionada com as pessoas envolvidas na narrativa. Só mesmo no final é que aparece um ponto em comum, mas o livro termina logo ali e desaponta um pouco (porque "agora é que estava a aquecer"). Também há um longo diálogo acerca de carros que ficou para além da minha compreensão, mas eu não entendo nem gosto nada de carros.

Curiosamente, a escrita deste livro é muito, muito, muito simples e directa. Para autor de tal erudição, é curioso ver que neste último romance ele se deixou conquistar pelo comum leitor e nos apresenta uma história que pode ser lida por qualquer pessoa. Evidentemente, não deixa de estar muito bem escrita.

Finalmente, pareceu-me que o objectivo primordial deste pequeno volume é fazer uma velada crítica ao mundo editorial e jornalístico, que é apresentado sobre uma luz um pouco negativa, mas tão carregada de ironia que uma pessoa não consegue deixar de lançar umas boas gargalhadas.

Gostei bastante, portanto obrigada à pessoa que mo emprestou! :)

Luzes do Norte

Luzes do Norte
Nora Roberts
2004
Romance

Recebi este livro no BookCrossing, mas já não me lembro a razão pela qual me inscrevi. Nunca tinha lido nada desta autora e, sinceramente, não esperava muito. Este livro deu-me ainda menos do que estava à espera.

Este romance faz uma tentativa de caracterizar uma pequena comunidade no Alasca pelos olhos de uma pessoa que veio de fora (de Baltimore): o novo comandante da polícia. Lá, ele apaixona-se rapidamente. Depois, aparece um homem morto há uma catrefada de anos numa montanha e depois há um suicídio encenado, que ele acha por bem investigar. E, assim, em vez de um retrato da vila e das pessoas que lá vivem, começamos com uma misturada policial que não nos leva a lado nenhum: só na última página tudo é revelado (com uma grande cena de acção).

O livro tem demasiados personagens, que acabam por não ter uma caracterização forte. Aquilo que eles fazem diz "são pessoas fortes e adaptadas", mas parece aparecer tudo como um motivo para ter algumas cenas de acção sem qualquer tipo de sentido e contexto. Por exemplo, uma gaja em cuecas a matar um urso com uma shotgun.

Para além disso, o livro peca pelos diálogos. Existem imensos diálogos. Poucas descrições, mas diálogos... Ena pa, tanta coisa que estas pessoas dizem. Mas... Falam todos de uma maneira perfeitamente artificial. Todos os diálogos têm "piada". "Olhe o seu marido tem a cabeça desfeita com um tiro. LOL" Mais ou menos assim. Isto acaba por se tornar exasperante. Assim como as cenas de sexo, em que todos os orgasmos são comparados a vulcões em erupção.

Falava há pouco nas descrições... Temos analogias tão brilhantes como "calças de camurça cor de bosta". De resto, não consegui captar nem um pouco da beleza do local, embora o livro me tenha remetido para um sítio com muita neve (apesar de ter um frio bastante suportável).

Enfim, é uma novela simples, básica, preparadíssima para ser um filme. Não faz o gosto aqui da je.

Yes! Precure 5

Yes! Precure 5
Matsumoto Rie - Toei Animation
Anime - 49 Episódios
2007
5 em 10

Tempo para ver mais uma instância de Precure! Para saberem a minha opinião sobre outras, vejam aqui. :)

Infelizmente, esta versão de Precure é perfeitamente incapaz de satisfazer um visionante de anima mais prático e mais velho. Trata-se de um anime com exactamente a mesma estrutura do resto da franchise, sem se distinguir minimamente de forma positiva. Cinco meninas são as Precure e têm de ajudar os prícipes do Reino Palmier (uns bonequinhos que são gajos giros também) a encontrar uns bicharocos enquanto lutam contra as forças do mal. Para isso usam poderes com borboletas e transformam-se todos os episódios. No entanto, este anime não tem uma narrativa coerente, sendo episódico até aos momentos finais (que acabam por ser os mais interessantes devido ao desenvolvimento do antagonista). É o tipo de anime que simplesmente não permite a evolução das personagens, pois se elas sairem do seu estereótipo acabam por perder o charme infantil que é suposto terem para que se vendam muitas varinhas mágicas em forma de pétala ou estrela.

Poderíamos compensar isto com uma boa arte e animação, mas nem por isso. Existem erros constantes e execráveis a nível das expressões das personagens, no cúmulo dos olhos tortos, e as cenas de acção são pouco desenvolvidas, com monstros pouco impressionantes  e de design duvidoso. Apenas a luta final teve algum interesse, sendo que todas as outras parecem ter sido feitas um pouco em cima do joelho.

Quanto à música, a OP pareceu-me uma imitação barata da OP de Cutie Honey, sendo que este tema é constantemente repetido ao longo de toda a série. 

Por isso, esta não será a minha Precure preferida...

The Prophet

The Prophet
Roger Allers & Gaëtan Brizzi
Filme
2014
7 em 10

Livremente inspirado no livro do mesmo nome do filósofo libanês Kahlil Gibran, este filme é uma viagem intensa e filosófica sobre os significados de vários elementos da vida e, sobretudo, do amor.

Disfarçado de uma aventura, este filme cita-nos o livro. Tudo começa quando uma menina que não fala (recusa-se a falar ou, simplesmente, não consegue), conhece um poeta que está preso numa casa há sete anos. No mesmo dia, aparece um soldado que tenciona levá-lo a um barco que chegou para levar o poeta ao seu país de origem. Mas, à medida que vão descendo para a cidade, ficamos a saber as razões pelas quais este poeta está preso: as suas palavras sábias inflamam as pessoas, que o tomam como um profeta. E isso vai contra os ensinamentos políticos do regime que regula este país. E, assim, começa também a aventura para salvar este poeta.

As sequências dos poemas são das coisas mais belas que pude ver ultimamente. Os textos são muito poderosos e, associados à imagética sugerida pelo filme, tomam todo um novo significado. No entanto, alguns dos textos foram musicados com uma tonalidade pop que não se enquadra com o resto do filme, trazendo uma leveza inapropriada.

Para mais, pareceu-me que o filme peca pela falta de ritmo. Enquanto se processa a narrativa base, pareceu-me que muitas vezes os momentos artísticos a interrompem, quebrando com todo o processo. Assim, o filme acaba por se tornar um pouco maçudo. Depois, quando a menina finalmente fala, há uma outra quebra, pois os seus diálogos são demasiado rápidos para que faça sentido com a caracterização da personagem até ali.

No entanto, vale a pena ver este filme pelos momentos de poesia, que são muito intensos, inspiradores e uma experiência quase metafísica.

18.3.16

Contos de cães e maus lobos

Contos de cães e maus lobos
Valter Hugo Mãe
2015
Contos

Quando vi este título para partilha no BookCrossing, fui logo a primeira a inscrever-me! Afinal era VHM + Cães + Lobos, que são tudo coisas que eu amo de paixão! <3 Li-o hoje, praticamente de uma assentada! Na verdade, acho que as pausas que fiz foram mais por obrigação, porque a minha vontade era lê-lo todo de seguida sem parar!

Uma pessoa lê bastante e a parte boa disso é que por vezes há livros que nos entram até à medula. Este foi um deles. Trata-se de um conjunto de contos que têm por tema, precisamente, a vivência de cães e maus lobos. Mas o que são eles? Aparecem os dois animais em quase todos os contos, mas não como personagem principal. Mais como um elemento paisagístico que, por sinal, também tem as suas próprias emoções e senciência. Estes são, então contos infantis que têm muito de adulto. Porque são contos para crianças vistos pelo olhar atento do adulto. Será que isto faz sentido? Precisarão de ler para o descobrir.

Desta vez não irei citar o meu conto preferido, porque a verdade é que amei todos com a mesma paixão. Todos os contos nos remetem para um imaginário fantasioso, mas cheio de elementos da realidade e da actualidade que permitem que o leitor sofra uma imersão completa em cada um dos universos. E o autor tece uma série de considerações belas, valiosas, preciosas, sobre alguns dos assuntos que poderiam atormentar uma criança curiosa pela vida.

É isso o que faz Valter Hugo Mãe neste livro: pega em nós, adultos, e leva-nos para um reino de criança que apenas começa a abrir os olhos e a descobrir a realidade que a rodeia, a descobrir o tormento que é crescer, a descobrir que nem sempre o mundo dos grandes corresponde ao imaginário inicial. No entanto, em cada conto ele renova-se e prova, uma e outra vez, que a solução para o tal mundo dos grandes é precisamente manter-se pequenino.

Foi um livro tão apaixonante que estou a considerar comprar uma cópia para mim, para que possa voltar ele uma e outra vez, uma e outra vez, uma e outra vez...

O Vôo Melancólico do Melro

O Vôo Melancólico do Melro
Carlos Tê
1999
Romance

Recebi este livro pelo BookCrossing, sendo que o tinha pedido simplesmente porque gostei do título. Só mais tarde vim a saber que o autor escreveu (escreve?) várias letras para o Rui Veloso, artista dos ditos cujos que eu não aprecio por aí além (ou seja, nada).

O livro conta as vivências de um grupo de amigos no pré e pós 25 de Abril, tendo um bairro do Porto como pano de fundo. Cada capítulo é contado por um dos amigos diferente, o que acaba por ser bastante confuso pois as referências a cada um estão de tal forma misturadas que deixamos de saber quem é quem. Isto acaba por fazer do livro, que deveria ser um romântico relato da juventude da época, numa amálgama de palavras estéreis em que se torna difícil de compreender de que situação estamos a falar e quem são as pessoas presentes na narrativa.

Falando nas pessoas, causou-me uma constante irritação o facto de os personagens se referirem a si próprios como "personagens" e "narrador". Isto faz com que o realismo da história se evapore totalmente e a caracterização se torne oca e inconsequente.

A escrita é, por vezes, bastante bonita. Mas pareceu-me que o autor abusa muito das suas palavras, como se tivesse de encontrar aquelas mais estranhas para compor a letra de uma canção. Além do mais, os diálogos usam termos tão rebuscados que, também eles, perdem o realismo.

Assim, torna-se um bom livro de fantasia num universo real e palpável. O que o faz perder é mesmo os personagens, que deveriam ser a sua principal força motriz. No entanto, a última parte acaba por ser bastante cómica na sua ironia, apesar de haver uma enumeração de factos que pode ser um pouco fastidiosa.

Recomendaria, talvez, para os fãs desse rock português que já ficou perdido no tempo.

15.3.16

The Chocolate Panic Picture Show

The Chocolate Panic Picture Show
Kanada Yoshinori - Gainax
Anime OVA - 1 Episódio
1985
6 em 10

Meninos, vi mais uma coisa estranha... Mas desta vez estava na PtW!

Este OVA de 25 minutos, produzido em meados dos anos 80, mostra-nos uma bizarra corrida de obstáculos de três miúdos (negros) no meio de uma suposta civilização. Ora, isto ao início pode parecer horrivelmente racista, mas cheguemos ao fim do anime para percebermos a ironia desta corrida! As cenas sucedem-se sem aparentarem ter qualquer elo de ligação entre umas e outras. No fundo, é uma mostra rotativa de símbolos, mas que poderão eles significar neste contexto? Creio eu que a grande pedra que gira é a liberdade e a aventura, a possibilidade de se viver sob uma perspectiva diferente. No entanto, quando choca contra o grande cilindro, parece que tudo termina. O que será o cilindro? Vejo-o como o objecto que "apoia o mundo": a sociedade, o consumo, a vida em si. Que depois é destruída por uma personagem de anime numa avioneta? Será que tudo isto significa que ainda somos livres, se nos dedicarmos àquilo que gostamos? Terão de ver o filme para tirarem as vossas próprias interpretações ;)

Infelizmente, a animação está um pouco datada, embora tenha algumas sequências muito interessantes no respeitante à variedade de frames. Temos algum uso de cor que funciona muito bem, mas a imersão nas paisagens acaba por falhar devido à fraqueza do desenho em si.

Mas a parte que mais gostei foi, sem dúvida, a música. Ouvimos alguns temas de hip-hop quase vanguardistas, sobretudo tendo em conta a época. Mas todas estas peças trazem um elemento de desinteresse ao filme, como se os autores não se importassem com a sua própria obra.

Mas é uma curta bizarra, irónica e cheia de coisas passíveis de interpretar. Acredito que não se perde nada em ver isto.

14.3.16

Thirst

Thirst
Park Chan-wook
Filme
2009
6 em 10

Estava com o Qui cá em casa quando ele pega num livro da Anne Rice que tinha acabado de receber pelo correio. Depois de o folhear, enquanto eu punha a minha mais recente photoshoot de cosplay na net, teve a ideia de vermos este filme sobre vampiros. Mas um filme coreano. O que é sempre uma perspectiva diferente da nossa história clássica.

Um padre católico oferece-se para uma experiência científica em que, certamente, encontrará a sua morte. Acidentalmente, após uma transfusão de sangue, torna-se num... Vampiro! E assim começa a ganhar traços animalescos que lhe permitem estabelecer uma relação com a mulher do melhor amigo.

A história demora a arrancar, podendo mesmo ser um pouco confusa ao início. Só a partir do meio é que temos realmente a história de vampiros. Até lá, é uma narrativa de amores cruzados. Felizmente temos um conjunto de personagens fortes, com uma caracterização do "vampiro" enquanto criatura bastante original: estas pessoas perdem os seus traços iniciais, de pureza e de bondade, acabando por se transformar em verdadeiros animais selvagens, apenas importados com a caça, com o sangue e com a consumação dos prazeres mais directos.

As atitudes dos personagens vão sempre deixando algum tipo de dúvida sobre o que vai acontecer. No entanto, o melhor trabalho de actor vai para uma não-vampira: a mãe. Esta personagem emana um poder sobre as outras e está excelentemente interpretada.

De resto, há um certo exagero no sangue, um certo exagero no sexo, um certo exagero nos diálogos e, sobretudo, alguns efeitos especiais (sobretudo de perspectiva) com muito maus acabamentos. Felizmente o filme tem bastantes momentos de humor, algumas cenas à la "Destino Final" e uma secção que me pareceu hilariante, que foi a do morto com a pedra em cima.

Foi um filme diferente do que estava à espera, mas sempre é uma ideia interessante.

The Third: Aoi Hitomi no Shoujo

The Third: Aoi Hitomi no Shoujo
Kamiya Jun - Xebec
Anime - 24 Episódios
2006
6 em 10

Este anime estava na minha Plan to Watch e mais tarde descobri que quem o havia sugerido à fonte original de Plans to Watches foi um amigo meu, até bastante próximo se virmos bem as coisas. Portanto, foi com alguma expectativa que fui ver este "The Third".

Então, de que se trata? Neste universo, uma rapariga com uma espada anda no seu tanque pelo deserto, a matar monstros diversos. Vem-se a saber que há um grupo de pessoas especiais neste mundo, que têm um terceiro olho do shanti instalado na testa. Todas as outras pessoas não podem conviver com o mais variado tipo de tecnologia. Quando a nossa rapariga da espada encontra um misterioso fulano a falar com os pirilampos... Tudo mudará!

O aspecto mais interessante deste anime será, sem dúvida, a caracterização do universo. Temos um mundo polvilhado de misteriosos desertos com estranhas criaturas, em que os seres humanos se esforçam por viver, sempre tendo em consideração os poderes fabulosos das pessoas do olho do shanti. No entanto, se a narrativa começa como uma mostra deste universo, rapidamente perde o interesse, acabando por se diluir numa paralela história de amor.

Temos também bons personagens, com traços fortes na personalidade e com diálogos interessantes que nos cativam, levando o espectador a esperar sempre o melhor de cada um. Os designs são, apesar de tudo, muito simples e é mais um daqueles animes em que os personagens nunca trocam de roupa. Contra este facto, temos alguns momentos bastante emocionais no respeitante às relações de uns com os outros, que acabam por fazer o anime valer a pena.

A arte não é extraordinária, mas temos um conjunto de cenas de acção bem coreografadas e sempre interessantes da perspectiva da personagem principal. Os monstros têm estruturas bastante curiosas, sendo que eu teria gostado de saber um pouco mais sobre a sua biologia. A maquinaria, no geral, está bastante detalhada e aparenta ser funcional dentro do contexto.

Musicalmente, temos pouca variedade de peças na OST. OP e EDs trazem um pouco de infantilidade ao tema proposto pela série, o que era desnecessário.

Assim, apesar de ter sido recomendado por uma pessoa que valorizo muito, este anime acabou por desapontar um pouco.

10.3.16

Dona Flor e Seus Dois Maridos

Dona Flor e Seus Dois Maridos
Jorge Amado
1966
Romance

Como gosto do autor, pedi para receber este livro pelo BookCrossing. No entanto, não estava à espera que fosse tão grande e estive sempre a adiar a hora de o ler. Agora, finalmente terminei.

Esta romance conta a história de Dona Flor, que era casada com Vadinho, um escroque de todo o tipo, viciado no jogo, que só lhe fazia mal. Quando, inesperadamente, ele morre, Dona Flor faz o seu luto e - um ano depois - volta a casar-se. Desta feita com Teodoro, farmacêutico, um homem às direitas. Mas à noite, ela sente a falta de mais actividade... O que virá a acontecer?

Vem na sinopse, mas não vos vou contar, porque isso tira metade da piada do livro. A verdadeira acção só acontece no último quinto do livro. Até lá, sucedem-se descrições de todo o tipo, com uma cuidada caracterização das personagens, em que há mesmo a utilização de outras personagens para definir aquelas que virão a ser as "principais". Estas descrições imersivas e profundas levam a que haja também a caracterização da própria sociedade, naquela cidade, num detalhe quase queiroziano.

Felizmente, é tudo muito colorido e divertido, cheio de cheiros, cheio de comidas que aparentam ser deliciosas (embora eu nunca me visse a comer um cágado). No entanto, pareceu-me que o vocabulário era bastante limitado, havendo palavras repetidas até ao enjoo, como por exemplo: "vadiar", "castelo", "mulher-dama", "xoxota", etc. Curiosamente, todas palavras de cariz semi-pornográfico. Esse elemento aparenta ser muito importante para o desenvolvimento das personagens, o que acaba por ser um pouco limitativo nas suas personalidades.

No entanto, acabam todos felizes e isso é o que interessa :) Agora, que farei eu com este livro? :o

Miss Hokusai

Miss Hokusai
Hara Keiichi - Production I.G.
Anime - Filme
2015
6 em 10

Fui com a Ana-san ver este filme na competição de longas do festival Monstra 2016. é um festival de animação que tento não perder, embora já não tenha ido no ano passado. Enfim, dos filmes de anime propostos no festival, este era o único (fora outro que foi uma ante-estreia) que não tinha visto. Assim, aproveitei a oportunidade.

Comprei logo os bilhetes assim que cheguei e, por motivos de não ter troco disponível, a moça da caixa fez-me um desconto de 50 cêntimos. <3 Também recebi um desconto no café, por ser Dia da Mulher! Mas falemos do filme...

Certamente que todos conhecemos alguma obra de Hokusai, um artista Japonês da ida Época Edo. No entanto, não se conhece muito sobre a sua principal ajudante, a filha O-Ei. Esta, pelos vistos, era quem pintava grande parte dos quadros do pai. Um quadro de referência do artista (não da filha, penso) é aquele das ondas, vocês sabem qual é. :)

Então, temos aqui um filme biográfico sobre a vida de uma pessoa que sempre ficou na sombra do seu pai, apesar do seu inusitado talento para a pintura. Vemos a forma como lida com as situações e como estas acabam por influenciar os seus objectos artísticos. No entanto, a forma como a narrativa está estruturada acaba por não permitir que haja um desenvolvimento da personagem em que ela aproveite as características dos acontecimentos para melhorar os seus talentos. Todos os elementos que ocorrem (a visita à cortesã, a visita ao prostíbulo, o encontro no kabuki, a aldrabice dos homens, etc.) não têm qualquer consequência na forma de pintar da personagem. Assim, toda a história acaba por ser imaginativa mas inconsequente. No final, quando um evento fatal finalmente tem algum tipo de influência, o resultado final acaba por ser desapontante.

Desapontante é também a arte, apesar de a animação estar bastante capaz. Os cenários poderiam ter algum tipo de beleza se fossem observados pelos personagens, em vez de serem simplesmente locais por onde estes passam. As ruas, a ponte, as casas, está tudo bastante detalhado mas o mix digital acaba por se tornar evidente. E, finalmente, as animações dadas aos desenhos são pouco inspiradas e originais: o potencial principal do anime estava nas interpretações dos desenhos dos artistas, mas estas são mais um "showcase" em vez da experimentação que poderia ter sido usada para dar um outro tipo de colorido ao filme. Gostei do facto de os designs das pessoas serem realistas e da própria personagem principal ser um pouco feia.

Musicalmente, temos peças desenquadradas da época e que não jogam com o contexto. Também não apreciei as vozes, que me pareceram ou indiferentes ou exageradas conforme as situações.

Portanto, um filme que não vale a pena ir ver no cinema.

BTL - Feira Internacional de Turismo 2016

BTL - Feira Internacional de Turismo 2016
Evento
No Domingo fomos a este evento, na FIL, por recomendação de um amigo da minha mãe4. Poderia haver lá algum tipo de oportunidade interessante... Para mais, o meu pai arranjou bilhetes, pelo que nem sequer tivemos de pagar a entrada. Não que isso fosse complicado, porque este tipo de coisa costuma ser bem barata, mas dá sempre jeito. :)
 
Tínhamos passado por lá na quinta, mas sem entrar,  e o Qui ficou um pouco assustado com a quantidade de fatos e gravatas que apareciam diante dos nossos olhos. Até apareceu o nosso presidente da junta, o António Costa, que se revelou uma pessoa bem baixinha e bem cabeçuda (a televisão tende a favorecer as pessoas). Posto isto, estávamos com medo de o ambiente ter algum tipo de requinte para o qual não estávamos preparados em termos de vestuário. Mas não foi isso o que aconteceu: a BTL estava cheia de pessoas exactamente iguais a nós, todos éramos normais. E em que consistia?
 
Imaginem, então, um evento de anime enorme. Um evento de anime que ocupe 3 pavilhões da FIL. Mas em vez de merch de bonecos que gostamos, há merch de todos os sítios do mundo e de agências de viagens e de hotéis. Vouchers e folhetos diversos, milhares de canetas (roubei uma data delas), outro tipo de objectos como blocos e coisas, lápis.... E, o melhor, era tudo oferecido! Grátes!
 
Acabámos por não planear nenhuma viagem nem estadia em hotel, mas participei em todos os passatemos que me apareceram à frente. Algum, espero eu, hei-de ganhar! Até havia um daqueles de escrever uma frase, que é coisa que nada me inspira...
 
Havia stands de todos os tipos e com todo o tipo de actividades. Algures ofereceram-me uma coroa de papel, que usei até ao carro (onde o Qui ma tirou, para não conduzir de coroa), entrámos numa réplica de feira medieval, vimos falcões um pouco chateados com a vida (apesar do tratador dizer que eles estavam contentíssimos porque eram domesticados D: ), encontrei a minha irmã a distribuir currículos... Dizem que centenas de empregos foram distribuídos durante esta feira! Espero que a minha irmã tenha a sorte que lhe compete!
 
Enfim, aquilo eram coisas sem fim. Só não encontrámos o único stand que queríamos, mas - como era domingo - grande parte deles já estavam vazios. Uma nota para o stand do Japão: estavam a escrever palavras pedidas pelas pessoas, frases inteiras e não só o nome! Eu ia pedir para escreverem "inu wa tomodachi", mas a fila era enorme e eu ia parecer uma weeabó medonha. :3
 
Portanto, deixo-vos as poucas fotos que tirei! Esqueci-me que poderia ser necessária a máquina fotográfica, então tirei com o telemóvel....





Estas foram as coisas que obtivémos, vejam a quantidade de papelada!
 
E assim foi um dia bem passado! Espero ter oportunidade de voltar para o ano! :)

8.3.16

O Menino e o Mundo

O Menino e o Mundo
Alê Abreu
2013
Filme
6 em 10
 
Este filme estava nomeado para o Óscar de animação, então decidimos vê-lo. Além do mais, é um filme brasileiro, o que me dá sempre muito gosto ver!

No entanto, este filme de animação acabará por ficar esquecido numa das minhas gavetas, porque acabou por não me impressionar como estava à espera. Comecemos pelo início: um menino vai à procura do pai, que partiu num comboio eu vista de, pensa-se, um melhor trabalho. O menino acaba por se perder em vários locais tipicamente humanos, da plantação agrícola à grande metrópole, onde é sempre ajudado por pessoas bastante simpáticas. Isto ajuda a que o filme mantenha toda uma aura de inocência, já que nada de mal acontece ao Menino, mas de resto acaba por tornar todo o tipo de caracterização impossível e inexistente, fora alguns momentos familiares nas memórias.

Assim, o filme acaba por se tornar apenas numa viagem por um mundo cheio de críticas sociais, cheio de mecanismos operacionais, cheio de momentos da vida em que a vida está perdida por estar tão automatizada. Isto poderia ser um aspecto valoroso, mas o filme é tão dinâmico que não dá tempo para pensar, para digerir a situação que acabámos de ver. Passa de umas para as outras com uma rapidez impressionante e, de um filme cheio de belas imagens, acabo por não ficar com nenhuma na cabeça.

Já animação e edição, são de topo. Fazendo uso de diversas técnicas, sobretudo tradicionais mas com um toque digital bem aplicado, o filme é como uma sucessão de de desenhos infantis, altamente detalhados e cheios de bonitas cores. Lá isso é: bonito. Mas, como digo, são tantas imagens umas a seguir às outras que o filme acaba por ir a favor das próprias coisas que critica: a massificação, a velocidade, o exagero.
 
Também não foi uma decisão muito sábia ter usado diálogos incompreensíveis num filme tão longo. Não há um bom uso dos silêncios e, tal como as imagens, as musicas sucedem-se sem nos dar tempo para respirar.

Portanto, de entre os três filmes nomeados que vi, este parece-me o mais fraco. O que é uma pena, pois estava cheio de potencial.

Straight Outta Comton

Straight Outta Compton
F. Gary Gray
 2015
Filme 
7 em 10

Fui para este fiulme sem qualquer expectativa e, sobretudo, sem qualquer conhecimento sobre o que se ia passar e sobre o que se passou. Este é um filme biográfico sobre os membros do revolucionário grupo N.W.A, que deu toda uma nova perspectiva sobre o hip-hop em meados dos anos 80.

Devo dizer que adorei o filme e todos os seus detalhes, porque as músicas me apaixonaram, logo à primeira vista. Se não fosse a banda sonora e o conhecimento que o filme me deu sobre este tipo de tribo urbana e cultura alternativa, acho que me teria aborrecido logo.

O filme mostra o início do grupo e os eventos que podem ter influenciado as suas músicas. Ficamos a perceber que este grupo não busca incitar a violência: as letras duras, cheias de sangue e vinho verde, são apenas um reflexo da humanidade em que vivem estas pessoas. Isto é, a música não procura puxar a violência, mas antes servir como escapatória para esta. Porque por mais que as letras falem de sub-machines, bitches e gente que vai morrer, tudo isso é apenas uma imagem espelhada daquilo que estes artistas viveram na sua juventude.

As cenas escolhidas para ilustrar cada música são perfeitas, sendo que acabam por explicar um pouco do que está por trás das letras. Ainda assim, estas são a melhor parte. Consideremos que temos um grupod e jobens da zona mais perigosa da mais perigosa das cidades da América. E que não têm muita educação e falam em gíria do guetto e tudo o mais. Então, estes rapazes devem ter tido uma musa do génio para os ensinar a escrever estas letras. Ou então são mesmo eles próprios génios, o mais provável. Porque misturado com todo aquele linguajar que só as pessoas da zona conhecem, está pura poesia. Amei!

Talvez a parte do filme que me tenha deixado ficar mais de pé atrás tenha sido a caracterização dos personagens. É certo que o mais provável é que todos estes miúdos tenham sido inocentes à sua maneira, mas ainda assim acredito que as suas atitudes na generalidade tenham sido ligeiramente diferentes da imagem platónica e meio apatetada que nos deram, como se se mantivessem sempre como crianças grandes e iludidas pelos sonhos. Também parece, segundo Qui, que a causa da morte de Eazy-E não ficou muito bem explicada...

Mas, no geral, foi um filme de que gostei imenso e que me deixou com imensa vontade para ir ouvir estas músicas todas e dizer yo!

Soredemo Sekai wa Utsukushii

Soredemo Sekai wa Utsukushii
Kamegami Hajime - Studio Pierrot
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10

Este é o tipo de anime que não se propõe a muita coisa, mas que acaba por ser uma boa fonte de entretenimento, pelo menos no campo do shoujo.

Nike é uma princesa do Principado da Chuva, que é afastada do seu reino para se casar com o misterioso Rei Sol. Quando lá chega vem-se a descobrir que o poderoso rei não passa de um miúdo pequeno, apesar de ter bastante maldade concentrada. Este, quer que Nike use o seu poder para chamar a chuva, para fins lúdicos. E assim se vai criando uma história de amor.

Talvez cause uma certa confusão a diferença de idades, mas acho que como é um rapazinho em vez de uma menininha não há problema absolutamente nenhum, oh não, de todo.......

As personagens estão estabelecidas apenas dentro do seu limite estereotipado, pelo menos todas aquelas além do dueto principal. Estes dois têm um pouco mais de caracterização, mas à medida que a série avança podemos ver as suas fragilidades, sobretudo quando estão em relação uns aos outros ou em sua oposição (por exemplo, Nike e as irmãs)

A animação não é nada de extraordinário, sobretudo considerando que o anime é muito recente (com apenas dois anos em relação à data presente). As cores são vivas, mas poderia ter havido mais atenção em relação aos cenários e, sobretudo, aos designs, já que nenhum deles nos remete para a época em que o anime é suposto passar-se e há mesmo referência a coisas como "fotografias" (que nunca deveriam existir neste contexto...)

Já a música, sinto-me dividida. A verdade é que, apesar de OP e ED pouco inspiradoras, temos um tema recorrente que é muito interessante em termos musicais. No entanto, é repetido ad nauseum ao longo de todos os episódios de toda a série, pelo que este excesso acaba por se tornar cansativo. Para mais, também não nos remeteppara esta época, em que não deveria haver sintetizadores para fazer músicas recheadas do mais typical engrish.

Ainda assim, deu-me um certo gosto ver este anime. É mediano, mas vê-se bem e acaba por ser uma experiência bastante alegra.

1.3.16

Flag

Flag
Takahashi Ryosuke - The Answer Studio
Anime OVA - 13 Episódios
2006
7 em 10

Este anime já tinha aparecido várias vezes para ver no meu clube, mas eu sempre tinha adiado essa decisão por achar, por alguma razão inexplicável, que não ia gostar. Desta vez decidi, então, dar-lhe uma oportunidade e.... Não fiquei mesmo nada desapontada!

É um anime realizado de forma original e prática, com um contexto muito interessante para o qual estava preparada, talvez devido à recente leitura de Fúria. É um anime que segue um par de fotojornalistas Japoneses que estão a fazer a reportagem das comunicações de paz entre um país asiático (imaginário) e a NATO. Essa paz é simbolizada por uma bandeira - Flag - que é roubada por um grupo de activistas revoltosos. Os jornalistas acompanham, então, a recuperação de Flag por um grupo de soldados e inteligência, armados com mechas.

A história é altamente política, mas o anime não reforça nenhuma ideia de paz, cooperação ou mesmo guerra. é um anime sobre jornalismo e o tema acaba por se tornar irrelevante. Porque o que se torna válido são as atitudes dos personagens perante as situações e a forma como eles levam avante o seu trabalho sob todas as condições. Os personagens poderiam ter mais algum tipo de desenvolvimento, mas acabam por ser satisfatórios tendo em conta as suas acções.

O aspecto mais curioso deste OVA (saiu na internet, pela Bandai) é a forma como está filmado. Todas as acções são vistas pela lente de uma câmera, seja de filmar, seja fotográfica. Assim, ficamos a conhecer muito mais para além do simples conflito que dá o mote ao anime, mas também muitas coisas sobre todos os intervenientes na recuperação de Flag, que acabam por se tornar eles próprios símbolos de uma espécie de liberdade política e religiosa. As imagens fotográficas, em si, são perfeitos exemplos de bom fotojornalismo, sendo fortes e impressionantes dentro do contexto que, apesar de imaginário, é suficientemente realista para o podermos recolocar no nosso mundo.

A banda sonora é interessante e original, remetendo-nos para esse país asiático pleno de mitos e crenças. Poderá ser, por vezes, um pouco repetitiva, mas parece-me que vale a pena tirá-la para a ouvir com mais atenção (é o que farei).

Assim, este anime revelou-se uma excelente surpresa e terá, sem qualquer dúvida, a minha recomendação.