26.5.16

Crusher Joe: The Movie

Crusher Joe: The Movie
Yasuhiko Yoshikazu - Sunrise
Anime - Filme
1983
6 em 10

Há algum tempo que não via um filme de anime. Como a próxima série que ia ver estava a demorar a sacar, decidi ocupar a minha noite (bem, antes de dormir) com este tema.

Este é um anime sobre pessoas no espaço que fazem trabalhos diversos. Desta feita, têm de salvar uma pessoa e, no processo, salvar o universo inteiro. É uma história que já vimos muitas vezes, sobretudo em animes desta época, com muito pouco a apontar em termos de concepção e originalidade. Assim, este anime pode passar por repetitivo e pouco cativante.

O mesmo acontece com as personagens. As vozes também não ajudam. Todos eles, os quatro, aparentam ter a mesma caracterização: pessoas livres, de pensamento um pouco infantil, preocupados apenas com a sua diversão mas que, pelo meio, têm valores apetecíveis que os levam a proteger quem necessita de ser protegido.

O ponto forte do filme será, provavelmente, a arte e animação. O estilo é característico, mas temos muitas cenas de acção que estão animadas com cuidado e coerência até ao mínimo detalhe. Os designs relativos ao ambiente são interessantes, com uma paleta de cores muito variada (raro para um anime desta época) e todas as lutas são muito satisfatórias e fáceis de observar.

Musicalmente, desapontou-me um pouco. As melhores músicas são as da cena da discoteca, mas o resto é muito pouco explorado, sendo que não obtive nenhuma balada dos anos 80 para me satisfazer a alma.

Um filme representativo da sua época.

24.5.16

Kyouran Kazoku Nikki

Kyouran Kazoku Nikki 
Kuroda Yasuhiro - Nomad
Anime - 26 Episódios
2008
4 em 10

Há quanto tempo não via eu um anime perfeitamente horrível? Possivelmente desde que vi um hentai com demos, que nem fiz comentário para ele.

Este anime é mais uma dessas supostas comédias que só têm piada para um grupo altamente específico de pessoas. Tenta contar a história de um grupo de criaturas bizarras que se associam numa unidade familiar a um rapaz normal. Depois, fazem muitas coisas engraçadas, como cantar canções muito desafinados e ir à praia.

É um anime sem processo narrativo e sem qualquer tipo de desenvolvimento de personagem. Para um anime com tantas criaturas pululando de um lado para o outro, é de surpreender que nem uma tenha tido algum desenvolvimento para além de "eu sou um leão, eu sou uma alforreca, eu sou um alien". E mesmo a sua caracterização inicial está limitada ao aspecto, sendo que nenhum deles tem qualquer atitude que os distinga de uma caixa de papelão utilizada para o transporte de hortaliças.

A arte e animação são horrendas. Mesmo que isto seja propositado, não há justificação para este conjunto tão mau de cenas, em que a única animação se queda em abanar os braços para cima e para baixo. Muitas vezes nem se dão ao trabalho de animar os movimentos das bocas. O design causa impressão e, no geral, isto é inaceitável para um anime desta época. Seria inaceitável mesmo num anime dos anos 60.

A música é hiperactiva, irritante e cheia de efeitos sonoros repetidos ad nauseum, tantas vezes reutilizados em todo o tipo de anime. Aparentam ter ido buscar um conjunto de efeitos e musiquinhas à base de dados aberta ao público e metido todos a martelo por aqui e por ali. As vozes são fonte causadora de otites por ácaros Otodectes.

Enfim, um anime tão mau que só espero esquecer o mais brevemente possível.

O Medo

O Medo
Stefan Zweig
Anos 30
Contos

A propósito da organização de um pic-nic Bookcrossing, fui ter ao Jardim da Quinta das Conchas para me encontrar com um amigo online deste agrupamento. Ora, este amigo criou uma coisa muito engraçada neste jardim: uma LFL - Little Free Library. Trata-se de uma casinha cheia de livros, que as pessoas podem tirar à vontade, podendo também deixar outros volumes que lhes pareçam bem. Vejam aqui a página do projecto! Ora, eu tinha levado um livro para lá deixar, tendo intenção de trazer outro para experimentar. No entanto, acabei por trazer dois: um que escolhi da casinha e outro que me passaram porque eu sempre tinha tido curiosidade em ler este autor.

Este pequeno volume reúne quatro contos que retratam fielmente a vida Europeia nesta época entre-guerras. Falam da vida das pessoas normais, da observação que os personagens fazem das suas actividades e atitudes, numa linguagem simples mas mesmo assim plena de beleza e complexidade. Achei apenas que houve uma repetição demasiada da expressão "articulações anquilosadas".

Falemos dos contos um por um:

O Medo - Esta história fala-nos de uma mulher que trai o seu marido e que, perante a descoberta deste facto pela parte de uma pessoa estranha que começa a fazer chantagem com ela, entra numa espiral de pavor e receios, sempre atormentada pela perspectiva de o seu marido descobrir o que se passa. Foi um conto um pouco perturbador e desagradável, na medida em que nos infiltramos totalmente nos receios da personagem e a sua tormenta é transmitida para o leitor.

Revelação Inesperada de Uma Profissão - Um homem sem muito que fazer naquele dia diverte-se a observar um gatuno a executar o seu trabalho. Este conto parece-me mais um relato da vida diária dos habitantes de uma cidade do que outra coisa. Não tendo muito interesse sobre as conclusões que o narrador tira das atitudes do ladrão, acaba por ser interessante observar os comportamentos das pessoas que os rodeiam.

Leporella - Este foi o conto que gostei mais. Uma mulher limitada e feia ganha uma paixão pelo seu patrão a ponto de concretizar actos irreflectidos às pessoas que os rodeiam. Achei que houve uma caracterização profunda de todos os personagens, de forma a que podemos identificá-las perfeitamente e encontrar uma ligação com elas. Todos eles aparentam ser detestáveis mas a forma como o autor descreve os seus sentimentos impede-nos de os odiar completamente. Também mostra um pouco da vida diária numa casa rica, o que é algo que sempre me agrada ler.

O Alfarrabista Mendel - Também gostei imenso deste. Descreve as atitudes de uma criatura estranha que habita uma mesa de café: um alfarrabista que tudo sabe sobre todos os livros. No entanto, o seu final é triste quando estala a guerra e ele, na sua inocência, acaba por ser levado para um campo de concentração. é um conto que nos remete para a paixão pelos livros, sendo que nos leva a ter grande pena por Mendel, este personagem, e desejar que tudo lhe corra bem: afinal de contas, no meio de tudo isto ele apenas quer ler livros.

No geral, é um conjunto de contos curioso e quase uma referência para a caracterização da época. Gostei bastante e, seguidamente, irei partilhá-lo :)

MEO Outjazz - André M. Santos e Mob Ensemble

André M. Santos e Mob Ensemble
Concerto (inserido no Meo Outjazz)

Aproxima-se o calor e, por isso, começam os concertos em jardins. O Outjazz já se torna hábito e, assim, quando temos tempo para ele nos dirigimos. Na verdade, o nosso projecto de programa para este dia seria visitar o Museu da Electricidade e ver o World Press Photo mas, perante a fila gargantuesca (na qual uns amigos esperaram mais de uma hora), sob um sol abrasador, decidimos ir ver os concertos e depois voltar mais tarde.

Este concerto passou-se nos jardins da Torre de Belém, em que se podia aproveitar a sombra de grandes árvores cheias de aranhas minúsculas (que me entraram dentro da t-shirt, mas isso é outra história. Note-se que eu até gosto de aranhas pequeninas). O espaço estava bastante liberto, cheio de pessoas com suas toalhas de piquenique e mesmo chapéus de sol. Muitos cães, também, alguns bastante bem comportados.

A toda a volta estavam instaladas pequenas roulottes de comida (o chamado "Food Truck", em angles), que tinham hamburgueres, Somersby e gelados. Provei um dos gelados, "Paleta" era seu nome, e soube-me lindamente. Desde que li o livro sobre os gelados na época do Luís XIV que estava desejosa de comer um.

Já o concerto, esse, acabou por ser um pouco diferente do que esperávamos. Para começar, decidimos sentar à sombra: atrás do palco. Assim, podíamos ouvir a música mas não os podíamos ver. Pelo que entendi, o agrupamento contava com uma guitarra, um contrabaixo e um xilofone gigante, para além de outras coisas que não captei. As sonoridades eram jazzísticas, mas na verdadeira acepção do termo chill-out. Na verdade, muitos dos temas sugeridos eram evocações de músicas tradicionais (detectámos um Zeca Afonso), mas recriadas com esta nova instrumentalidade. Pareceu-nos que os músicos têm essa capacidade única de se conseguirem adaptar a cada grupo em que estão, sendo mestres dos seus respectivos instrumentos.

A qualidade do som era inferior ao que se poderia esperar de uma produção da MEO.

Seguidamente, entrou um DJ Set que nos mostrou alguns sons do Stevie Wonder e tudo dentro dessa mesma linha. à frente do palco reuniu-se uma multidão dançante.

Fica a nota para a terrível concepção das casas de banho, que eram apenas quatro cubículos descartáveis (sendo que um estava inoperacional), o que gerou imensas filas de pessoal cheio de chichi. Até assisti a uma conversa entre duas miúdas que estavam à minha frente, que mostra que esta geração do Instagram está completamente desviada dos valores da humanidade (mas tassbem, elas tinham chichi lá dentro e eu também). Para além disso, havia urinóis ao ar livre mesmo ao lado da fila, pelo que um olhar menos certeiro poderia detectar pirilaus desconhecidos a qualquer momento. Não foi de todo agradável.

Aguardamos, então, novos locais e novos concertos para as nossas tardes de Domingo!

Nota: quando regressámos o museu já tinha fechado, pelo que teremos de ver as fotografias na net.

Mockingjay - Part 2

Mockingjay - Part 2
Francis Lawrence
2015
Filme
6 em 10
 
E, no fim do mês, termina a nossa saga de Hunger Games! Este filme é, portanto, a conclusão. De certa forma, desapontou-me um pouco, pois esperava algo diferente, segundo a ideia que tinha dos livros.

Neste filme entramos, completamente, num universo bélico. Katniss, a nossa personagem principal, procura por todos os meios assassinar o homem que a atormenta: o Presidente Snow. Nesse ponto, o filme desenvolve a relação de forma distinta e bastante interessante, pois existe um conflito directo entre os dois personagens que, no fundo, apenas se comunicam através de mensagens televisivas e nunca pessoalmente (excepto na parte final).

As cenas de acção estão bem integradas, assim como os efeitos digitais. Os mutts foram recriados de uma maneira bastante diferente do que eu tinha imaginado, mas a sua luta acaba por ser satisfatória no respeitante ao desenvolvimento dos personagens. Também há uma recriação muito coerente do universo do Capitol, embora as paisagens desérticas não correspondam totalmente ao universo do livro.

O culminar da acção também foi um pouco diferente, mas o filme arruma todas as situações de forma lógica e talvez mesmo um pouco previsível. A forma como os regimes transitam pode ser extrapolada para a vida real (de um mau, vem outro ainda pior).

O que, para mim, estragou mesmo a saga foi o final: totalmente diferente do que eu havia lido. No livro, o final é denso e terrível porque os personagens nunca se conseguem libertar totalmente dos seus traumas, sendo que no filme nos é apresentada uma cena bucólica plena de alegria familiar. Isto não está de acordo com o desenvolvimento dos personagens até ali, podendo mesmo ser considerado o oposto total.

No entanto, foi uma saga de filmes que me viciou durante estas semanas e na qual não conseguia deixar de pensar por um momento! Assim, posso dizer que - em termos de filmes dirigidos para a adolescência - este é um exemplo excelente do que se pode fazer num universo distópico.

19.5.16

D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte

D. Quixote de La Mancha - 2ª Parte
Miguel de Cervantes
1615
Romance
 
Interrompamos a nossa programação habitual para terminar de ler um dos livros mais geniais da humanidade. Durante esta curta semana, foi tempo de me deliciar com a segunda parte do grande D. Quixote de La Mancha, do nosso amigo Cervantes!
 
Escrito dez anos após a primeira parte, este novo conjunto de aventuras situa-se - no tempo - algo depois das primeiras. Agora, já toda a gente sabe quem é D. Quixote, pois a primeira parte foi publicada e lida pelo mais variado tipo de pessoas. Quem a escreveu? Pois que Cervantes diz que foi um mouro e que ele próprio está apenas a traduzir a situação.

O extraordinário deste livro é ver como os personagens evoluiram, e de que forma o fizeram. D. Quixote continua louco, mas um pouco mais terra à terra. Agora, nem sempre cai em todas as esparrelas, sendo que o seu discurso é muito mais lógico e bem situado. Já Sancho Pança, esse sim sofre uma transformação extraordinária. Agora, erra muito menos nas palavras e, continuando a dizer ditados a torto e a direito, di-los com muito mais certezas. Aliás, podemos ver a sua capacidade enquanto ser humano livre e justo quando lhe é dado o governo da tal ínsula que sempre desejou. No entanto, os personagens mantêm-se fiéis a si próprios, sendo que nunca deixam a sua simplicidade natural.

Nas suas novas aventuras, o Cavaleiro da Triste Figura faz outra coisa revolucionária para a literatura: está sempre mudando de local. E todos os locais são diferentes. Esta viagem, retratada em grande detalhe, leva-nos por paisagens muito diversas, sendo que a capacidade descritiva do autor - apesar de arcaica - nos mostra com precisão aquilo que gostaríamos de ver. Para além disso, esta segunda parte é muito saborosa, com todas as descrições de comida que são feitas.
 
Desta vez, o autor não nos maça com grandes novelas e histórias paralelas, o que demonstra uma capacidade de auto-crítica que falha em muitos dos autores de hoje em dia.

O final é um pouco triste, mas também muito simpático. Li este livro enorme de uma assentada e não me arrependo. Agora, sinto-me ligeiramente mais completa. :)

UN-GO

UN-GO
Mizushima Seiji - Bones
Anime - 11 Episódios
2011
6 em 10

Este é um anime policial e de mistério, passado num futuro muito próximo. Um jovem detective, que tem grande paixão por detectivar, encontra-se numa situação bicuda de desemprego quando lhe começam a aparecer casos em catadupa, que resolve com discrição e alegria.

O anime é semi-episódico, sendo que vários casos vão sendo resolvidos pela mão deste personagem, com uma ajuda de um compincha. Casos estes acabam por ter o seu interesse em termos conceptuais, pois - devido ao ambiente em que o anime grassa - nos mostram uma perspectiva de futuro bastante interessante e realista. Faz uso de objectos da actualidade que poderão mesmo evoluir até este ponto, como por exemplo as bases de dados de voz, hologramas e todos esses elementos.

Infelizmente, o anime peca porque existe um personagem que eu chamo de "perfeitamente inútil". Trata-se do tal compincha do nosso amigo, que se transforma em mulher e tem o poder mágico de ler pensamentos e coisas que tais. Ora, isto dentro do contexto acaba por denegrir os outros personagens, porque lhes retira a capacidade de dedução e facilita demasiado a resolução de cada caso, sendo que o design da pessoa em si não faz qualquer tipo de sentido e aparenta estar ali apenas para dar um cosplay muito giro.

A arte é cativante, com um bom uso do estilo rascunho e boa utilização de cores, mas não existem cenas de animação protuberantes que saltem à vista e nos façam acreditar que este é realmente um anime espectacular. O mesmo se passa com a música: se tanto a OP como a ED têm um certo estilo indie modernizado, a banda sonora com um toque espanholado calha e soa mal.

Escrevo isto hoje, para amanhã não mais lembrar.

16.5.16

Teoria Geral do Esquecimento

Teoria Geral do Esquecimento
José Eduardo Agualusa
2012
Romance

Recebi este livro pelo BookCrossing, o que simboliza a final da maratona de leituras digitais (porque é um livro físico, lol)

Li-o de uma assentada, porque é realmente interessante. Conta a história de Ludo (Ludovica), uma mulher portuguesa em Angola que, perdida de terror e angústia perante a revolução, constrói uma parede à porta do seu apartamento, separando-a do resto do mundo durante 30 anos.

O livro conta a sua história de sobrevivência, apenas com o que cultiva no seu terraço e algumas caçadas de pombos, queimando livros depois de os ler para ter alguma luz, acompanhada apenas por um cão branco que tem tanta fome como ela. Ao mesmo tempo, dá-nos pequenos detalhes da vida de uma série de pessoas que muito sofreu com esta revolução, mostrando todos os lados de um dado que gira até se demonstrar que todos fazem parte do mesmo objecto: as histórias de todos unem-se e existe algo em comum em todas as coisas que aconteceram ao longo do livro.

Enquanto isso, são-nos mostrados excertos de um diário, o diário de Ludo, com considerações sobre esta vida que não chega a ser uma vida, com poemas, com frases. Isto ajuda em muito a caracterizar esta personagem cativante em todos os seus medos e permitem que o leitor queira saber cada vez mais sobre o que ela vai fazer de seguida para conseguir viver mais um dia, mais um mês, mais um ano.

Gostei imenso desta leitura e espero que as próximas pessoas da lista o apreciem tanto como eu :)

As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica

As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica
A.S. Franchini & Carmen Seganfredo
2004
Contos

A mitologia nórdica é, sem dúvida, a minha mitologia preferida. Assim, quando me apareceu este título no Kobo, não demorei muito tempo em clicar para ler.

Este livro relata uma série de mitos nórdicos, envolvendo todos os nossos deuses preferidos (Odin, Thor, Loki...) em variadíssimas situações, em que graças à sua força e inteligência acabam sempre por sair vencedores de tramas com anões, gigantes e vários seres mágicos que habitam os nove mundos. Gosto muito de ler estas histórias, embora não tenha apreciado muito a forma como estão descritas.

De certa forma, é giro e cândido ver estes mitos relatados com tanto sentido de humor, apelando ao nosso lado infantil. Por outro lado, acaba por ser um pouco cansativo em momentos que deveriam ser um pouco mais sérios (por exemplo, a história do fim de Loki, a história do lobo Fenrir, etc.) Para mais, o livro não está bem organizado, sendo que as histórias não aparecem por ordem cronológica dos acontecimentos. Para uma pessoa que não esteja de todo familiarizada com estes mitos, poderá tornar-se uma leitura muito complicada.

As últimas páginas são uma versão romanceada da ópera de Wagner "O Anel dos Nibelungos". Ora, esta história já havia sido referenciada antes, embora com menos detalhe, pelo que toda a trama já era nossa conhecida. Isto tornou a ópera quase maçadora.

Esta edição digital possui muitos erros de transcrição, o que também dificultou um pouco a leitura. No entanto, é de valor a recolha dos mitos junto das suas fontes, sendo que me foram dados a conhecer alguns que ainda não me tinham sido apresentados.


Mockingjay - Part 1

Mockingjay - Part 1
Francis Lawrence
2014
Filme
7 em 10

E continuamos a nossa saga de Hunger Games! Depois do segundo filme, já não estava à espera de muita coisa, mas este terceiro volume da tetralogia revelou-se muito mais interessante do que eu poderia esperar. Não só porque segue os livros com bastante fidelidade, como lhes dá um twist muito avantajado que apenas serve para caracterizar ainda melhor esta distopia.

Este é um filme muito mais político, em que o tema deixa de ser o reality show para passar a ser a guerra civil. No entanto, a componente televisiva continua muito patente: porque apesar de Katniss já não estar nos jogos, estes continuam. A exposição continua a ser constante e agora qualquer uma das suas atitudes poderá ter consequências de maior na civilização em que a sua vida sempre se baseou.

A caracterização do universo, com todos os seus cenários e detalhes, está muito bem conseguida. Para além disso, temos um CGI muito bem integrado que mal se repara, sendo este filme simbólico no respeitante à utilização moderna de efeitos especiais: sendo que eles existem, realmente, quase passam ao lado de tão bem que estão inseridos dentro do seu contexto. Para mim, assim é que todos os filmes deveriam ser.

Os personagens sofrem um desenvolvimento patente, até mesmo aqueles pelos quais não nutríamos qualquer sentimento a partir das partes anteriores. Os personagens aparecem como revolucionários, mas ainda assim com dúvidas adolescentes expressas nas suas atitudes fogosas e  imprevisíveis. Isto não seria possível sem um excelente trabalho de actor. Até mesmo o rapaz (Peeta) sofre uma premente transformação que o eleva a um novo estatuto, enquanto personagem.

Para além disso, há alguns acrescentos no argumento (ausentes no livro) que tornam tudo muito mais vívido, tocando no extremo dos conceitos morais e políticos do visionante. Os actos de terrorismo e de revolta são retratados de forma a sentirmos que, realmente, algum tipo de justiça está a ser feita.

Foi um filme que gostei mesmo muito (nem que seja só pela viciante canção). Estou ansiosa por ver a parte que me resta!

Batman: Child of Dreams

Batman: Child of Dreams
Kia Asamiya
Manga - 10 Capítulos/1 Volume
2000
6 em 10

Para variar um pouco, vamos ler um manga! Este manga foi-me recomendado pelo Qui (que, como já terão ouvido falar é um fascinado pelo Batman), que mo enviou em formato digital para o ler no meu Kobo. Fiquei a descobrir que o Kobo também funciona com este formato especial para a BD, pelo que no futuro poderei ler muito mais neste género, desde que seja a preto e branco. :)

Enfim, esta é uma história alternativa do nosso querido Batman, em que ele se encontra com um grupo de jornalistas Japoneses quando uma série de misteriosos crimes começa a assolar Gotham. Curiosamente, estão a ser concretizados por criminosos famosos para o nosso público. Mas que estão quase todos presos em Arkham. Então, o que se passará aqui?

O manga está bem estruturado, com uma típica fórmula shounen que pode mesmo ser aplicada a um dos super-heróis preferidos da comunidade. Progressivamente, o nosso herói luta contra inimigos cada vez mais fortes, descortinando a pouco e pouco o mistério, que se revela bastante curioso, com um antagonista original e moderadamente desenvolvido.

Infelizmente, o manga baseia-se quase totalmente nas cenas de acção e luta. Estas fazem tanto uso dos negros que se tornam extremamente confusas, especialmente quando a diferença de design entre os dois lutadores é mínima. Assim, torna-se uma leitura um pouco cansativa. Para mais, existem momentos de exacerbamento da forma feminina que estão bastante aquém ao esperado, devido a erros anatómicos graves.

Assim, é um manga que dará gosto aos fãs do herói, mas que para mim acabará por ser esquecido a seu devido tempo.

11.5.16

C: The Money of Soul and Possibility Control

C: The Money of Soul and Possibility Control
Nakamura Kenij - Tatsunoko Production
Anime - 11 Episódios
2011
7 em 10

Mais uma vez o meu clube decidiu fazer o jogo da roleta e, mais uma vez, inscrevi-me! Este foi o que me calhou e acabou por ser uma experiência bastante interessante. :)

Um rapaz deseja apenas ter uma vida normal e sem preocupações, depois de um passado complicado. Assim, trabalha bastante para poupar dinheiro. Subitamente, uma figura misteriosa oferece-lhe a oportunidade de ganhar mais dinheiro do que alguma vez poderia imaginar! E poderá fazê-lo se participar num jogo de apostas "virtuais", em que lhe é oferecida uma mascote (humanóide) com a qual lutar com os outros participantes. Mas o que poderá acontecer se todos os participantes ficarem na banca-rota?

Este anime oferece uma miríade de possibilidades muito interessantes dentro do reino da economia e gestão de recursos. O dinheiro é tratado como um jogo, mas há uma diferença entre o crédito do jogo e aquele relativo à vida real, apenas distinguível pelos participantes. À medida que a narrativa se vai desenvolvendo, acabamos por assistir a vários acontecimentos que poderão afectar a nossa própria realidade, tendo em conta a veracidade deste argumento. Apesar de tudo, mantemos sempre os pés bem assentes no reino da fantasia, pelo que as consequências relatadas não podem ser extrapoladas para as nossas vivências, o que pode acabar por ser uma falha.

Este processo narrativo, leva a um desenvolvimento do personagem principal bastante patente: o seu interesse era apenas pelo futuro (calmo e sem consequências), sendo que no final do anime ele já procura proteger o presente. O desenvolvimento dado à mascote virtual também tem o seu interesse, na medida em que se processa uma certa humanização do ser, acabando ambos os personagens por descobrir um no outro uma série de sentimentos. Os outros personagens acabam por ficar um pouco para trás (embora haja um flashback que poderá nutrir alguma expectativa).

A animação é muito original e está bastante bem feita, sendo que as cenas de acção são bastante memoráveis. Em parte isto deve-se também aos designs escolhidos para o universo e para os personagens, que são únicos e originais. A qualidade da produção é de alto nível e existem muitas cenas com uma montagem brilhante, tanto no uso de cores como de perspectivas. Talvez haja um certo abuso na animação digital em certos detalhes, que não se coadunam bem com o resto do ambiente.

Musicalmente, temos uma banda sonora com algum poder, mas a OP e ED são pouco memoráveis.

Desta feita, gostei bastante do anime que me veio a calhar na roleta! Não hesitaria em recomendá-lo a quem procura uma experiência diferente.

10.5.16

I My Me! Strawberry Eggs

I My Me! Strawberry Eggs
Yamaguchi Yuuji - TNK
Anime - 13 Episódios
2001
5 em 10

Este é um típico anime escolar sobre a relação professor-aluno. No entanto tem um pequeno twist: o professor disfarça-se de professora, devido ao ódio que a directora da escola tem pelo género masculino.

E assim assistimos à vida diária deste professor/a e das suas crianças, sendo que se estabelecem relações de afecto diversas entre eles. Tudo o que ele tem de fazer, é manter a sua identidade um segredo. Infelizmente, o anime está estruturado de tal forma que não há nada no seu conteúdo que viaje para além da mediocridade.

Os personagens não sofrem mais desenvolvimento para além de "é a nossa professora e gostamos dela", sendo que a sua caracterização é ínfima. Apenas a figura parental desta última (ou deste último) pode ser considerada uma verdadeira personagem: todos os outros parecem estar apenas ali para poderem interagir com esta.

A arte é bastante incapaz para a época, sendo que os designs são pouco inspirados e relativamente vulgares. A animação tem momentos terríveis.

Mas o mais terrível foram mesmo as vozes, absolutamente inapropriadas para o contexto do anime e com interpretações muito fracas. Musicalmente, temos uma repetição constante do mesmo tema, embora tenha achado interessante que a animação de cada OP fosse adequada ao teor de cada um dos episódios.

Um anime muito fraco, que será rapidamente esquecido.

A Rainha dos Gelados

A Rainha dos Gelados
Anthony Capella
2010
Romance Histórico

Há bastante tempo que não lia nada dentro do género do Romance Histórico, pelo que este livro foi uma leitura muito refrescante. Literalmente! Porque o tema, aqui, é o gelo e as formas de o tornar muuuito saboroso!

Este livro acompanha o percurso de Carlo Demirco, um fazedor de gelos, desde o seu início como aprendiz até à corte de Luís XIV de França, passando depois para a de Carlos II em Inglaterra. Ao mesmo tempo, começamos a ver também os acontecimentos de uma dama que se torna a amante preferida deste rei, Louise. Tudo isto com acompanhamento de gelados deliciosos e respectivas receitas.

O livro é cativante e muito saboroso. Os detalhes históricos parecem estar bem estudados e pesquisados, mas sempre dando algum espaço para a fantasia. Assim, ficamos a conhecer em primeira mão como era a vivência pessoal da corte destes dois países, França e Inglaterra, com todos os detalhes sórdidos que poderiam fascinar um consumidor noveleiro. No entanto, também relata alguns acontecimentos políticos interessantes e dá uma ideia da vida do "povo" inglês nesta época e dos ideais em que procuravam acreditar.

As descrições são muito ricas sem nunca perder o bom gosto, sendo que todos os momentos de erotismo têm apenas detalhe suficiente para nos dar uma ideia do que se passou, sem entrar em detalhes escusados das consumações. Isto, num romance histórico que também tem uma ponta de paixão, é muito invulgar.

Foi um livro que li avidamente e do qual gostei imenso! Recomendo para os apreciadores do género!

Para além disso, juro que assim que ficar calor vou a Cacilhas comer um gelado italiano artesanal (cor de rosa): fiquei cheia de vontade de comer gelados depois de ler este livro!

Catching Fire

Catching Fire
Francis Lawrence
2013
Filme
6 em 10

Entre Sábado de ensaio e Domingo de Iberanime não podíamos deixar de ver a continuação de Hunger Games. Infelizmente, este filme não se coadunou com as expectativas causadas pelo primeiro volume da saga, talvez pela mudança de realizador e equipa técnica de script e tudo o mais.

A parte mais curiosa deste livro é a situação dos Hunger Games seguintes, em que o jogo está estruturado de tal forma que há patente desenvolvimento de todos os personagens secundários, havendo uma identificação do leitor com estes. Mas, neste filme, dedicaram-se sobretudo ao desenvolvimento dos personagens principais e da sua relação amorosa, que não é a mesma do que no livro.

Assim, temos um filme algo mortiço, recheado de diálogos sem grande qualidade que acabam por demonstrar um pouco a infantilidade do livro de origem: apesar de tudo, continua a tratar-se de uma obra para a adolescência. A secção relativa aos jogos, isto é, à ilha, é relegada para a parte final do filme. Desta forma, acaba por não haver desenvolvimento merecido dos personagens secundários (ergo, os outros participantes do jogo), e muito menos da estrutura da ilha, o que era - sem dúvida - a minha parte preferida do livro.

As cenas de acção aparentam também ser um pouco mais fracas, sendo evidente que a velhota foi frequentemente substituída por um boneco, mas continuamos sem abusar dos efeitos digitais, o que é sempre de valor.

Aparenta ser o chamado "filme de transição", pelo que espero que o final da saga (composto por dois volumes em vez de um único filme, sabe-se lá porque razão) seja um pouco melhor.

Nota: este filme prolonga-se por duas horas e meia e algures a meio dele começa a parecer que nunca mais vai acabar.

9.5.16

Iberanime 2016

Iberanime 2016
Evento
Ora bem, mais um ano, mais um Iberanime... E desta vez eu não estava a trabalhar! Viva! Viva eu! Desta feita, lembrei-me de um sukito de grupo que já queria fazer há muito tempo, mas para o qual ainda não me tinha ocorrido procurar pessoas que se ajuntassem para o projecto. Felizmente, assim que falei com algumas gentes, logo conseguimos reunir cinco pessoas maravilhosas para atrofiar em palco e fazer uma coisa que gira! =D
 
Portanto, começarei pelo dia de Sábado, que foi uma espécie de pré-evento que se constituiu de um
 
 
Ensaio!

Sábado. Hora de almoço. Terminei a minha aula e chove, porque se trata do fim do mundo. Chove mesmo uma multidão imensa de gotas, grandes e pequenas, todas molhadas e encharcadas. O trânsito está um caos, a estrada está um caos, ainda preciso de ir ao Vasco da Gama almoçar e, entre weeaboos e turistas franceses com parkas vermelhas, está tudo um caos. Hiperventilando, engulo uma salada de massa fria que adquiri por um preço exorbitante, e vou a correr buscar o nosso prop ao carro, para o levar ao ponto de encontro. Chove. 

No ponto de encontro, há um desencontro e acabamos por ser só três a ensaiar. Como vamos fazer isto? Para mais, já disse que estava a chover? É que estava e muito. O Pavilhão de Portugal, onde tínhamos pensado ensaiar, estava cheio de bicicletas e pessoas vestidas com papel de alumínio de cozinha. E tudo encharcado! Então, lá fomos os três (mais auxiliar :) ) para debaixo da estação dos autocarros, onde eu tinha visto um piquenique.

Lá, pintámos o nosso prop: um belíssimo objecto recortado pela minha pessoa, com uma forma facilmente identificável, claramente um dos melhores cenários que alguma vez tive a graça de conceber. E pintado ficou ainda melhor! Porque pelo menos um elemento do grupo, tem jeitaça para pintar cenas!

Ensaiamos bastante e chegámos à conclusão de que não íamos nunca aprender a dança que havíamos planeado. Então dançámos a carvalhesa, eu fiz a parte de uma pessoa que estava ausente, arrumámos mais ou menos as ideias e gravámos um vídeo para mostrar.

Aguardo ansiosamente o download desse vídeo, para o colocar na minha página e mostrar ao mundo o processo de criação! =D Falando em processo de criação, vou-vos falar de uma cena: este skit, não fui eu que o fiz. Eu, por mim, só me lembrei da música idiota. O resto, fizemos toooodos juntos! Foram algumas semanas de conversas pelo face e pelo skype, a pensar em novas ideias, a fazer brainstorming, a corrigir detalhes do audiovisual... É sempre fantástico quando se reúne um grupo de pessoas malucas, todas a trabalhar pelo mesmo objectivo que é.... RIR!

Portanto, passo a apresentar os membros da troupe!

Com o poder do fogo! Pedro.... Gokuh!
Com o poder da terra! Tatiana.... NamelessDreamer!
Com o poder do ar! Tabby.... Tarzan!
Com o poder da água! Catarina.... Catarina!
E com o poder do pum! Eu!

Juntos fazemos...

Os Dragonbólicos Anónimos! 




Depois, voltei para casa e o Bequi (o meu carro) aquaplanou numa poça de água gigante e eu ia morrendo do coração. Por um instante não ia haver Bulma D: Entretanto o Qui veio ter aqui onde estou, jantámos, vimos um filme (comentarei de seguida) e só no final reparámos que o filme tinha quase três horas e que já era de madrugada.

Dia de Evento Propriamente Dito

Tinha ido dormir sabendo que teria de acordar muito cedo e que, por isso, só ia dormir cerca de três horas. E assim foi: tocou o relógio, acordei, meti no snooze; o snooze tocou, acordei, desliguei e fechei os olhos para ganhar impulso para me levantar. Mas nunca mais me levantei. Só acordei às 8:50, uma hora e vinte mais tarde do que tinha planeado. Tinha de estar no backstage às 9:00. 

Estão a ver o pânico induzido daquele momento de despertar? É que nem deu tempo para ter ressaca!

Telefonando e mandando mensagens a todos os dragonbólicos ao mesmo tempo, despachei-me em tempo record e voei até ao Parque das Nações! Um caminho que costumo fazer em meia hora... Dez minutos e estava já a correr para o Pavilhão Atlântico (que eu sei que agora é Meo Arena, mas eu não o vou chamar isso, coitado). À chegada, vi o primeiro elemento estranho: uma fila com para aí uns mil e trezentos metros de comprimento, com pessoas à espera. Pensei que no dia anterior esta fila deve ter sido um sofrimento sofrido, porque chovia copiosamente. Vi a fila para apanhar as credenciais e dei uma de cara podre: estava uma hora e meia atrasada para a minha cena, podiam deixar-me passar à frente que era uma coisa rápida? Deixaram, porque o pessoal é todo super-fixe e bacanudo. <3 Infelizmente, demorou mais do que eu pensava: a senhora começou a fazer telefonemas diversos e só passado uns minutos me disse que não era ali, era acoli, numa porta que eu não havia encontrado no dia anterior.

Repare-se que eu tinha falado com esta senhora no Sábado a propósito de outro assunto que relatarei aqui. Passou-se que nos enviaram um e-mail dizendo informações diversas, incluindo o facto de os acompanhantes precisarem de bilhete para entrar. Até aí tudo bem. No entanto, dizia também que eles não podiam entrar connosco às 9:00. Só às 10:30, na abertura de portas. Ora, isto para a senhora só fez sentido depois de lhe explicar, mas a verdade é que os cosplayers precisam de acompanhantes por razões diversas: carregar coisas, dar beijinhos, buscar águas, ajudar a vestir, etc. etc. No nosso caso, não precisávamos de muita ajuda, como é evidente. Mas estavam lá pessoas com fatos bem mais complexos a quem certamente faria falta um acompanhante para ajudar! E o acompanhante estava restrito! Quando eu expliquei isto à senhora no Sábado, ela ficou muito pálida, ciente de que isto era uma excelente ideia para eventos futuros. Disse que ia apontar. E, realmente, não sei o que fez a boa senhora, mas deixaram o Qui entrar para o backstage como uma pessoa normal, dando-lhe a merecida fita azul a dizer "Iberanime".

Lá dentro, após uma sucessão de portas sem fim, encontrei o resto das pessoas. E fomos ensaiar! A primeira parte do dia consistiu, essencialmente, em ensaiarmos todos juntos muitas vezes, para alinharmos todas as ideias. A dança da carvalhesa foi eliminada (boo), acrescentámos mais detalhes que nos pareceram giros e rimos milhões no processo. Por exemplo, senhor do staff do Pavilhão Atlântico: "OH VEGETA!"

E depois foi o concurso propriamente dito! Éramos os terceiros a entrar e nessa altura deu-me o buzz do palco e depois... Correu lindamente! Não podia ter corrido melhor! O público bateu palminhas, riu-se connosco, acho que gostaram :) Mas, o mais importante, para nós foi mesmo muito divertido, estávamos todos concentrados, demos o melhor que podíamos e foi um sukito cheio de uma energia que eu já não encontrava em mim própria há muito tempo!

Deixo-vos aqui o vídeo, caso não tenham tido oportunidade de ver :)
(Está a fazer o upload, amanhã já o devo por aqui)

Depois, fomos almoçar e foi, mais ou menos, cada um para seu lado (embora nos tenhamos voltado a ver ao longo do evento). Infelizmente, só deu para ver um dos outros skits, um de LoL, que apanhámos de passagem de quando estávamos a voltar da rua entre a nossa actuação e o fim do concurso. Estava muito engraçado, pelo que vi, e as pessoas estavam a adorar! :)
Almoço de hamburguesas e estamos de volta. Tinha começado a chover e estava um frio de morte matada. No regresso, depois de um merecido café, ainda considerei entrar pela porta dos normais, mas continuava uma fila desregrada. Assim, fizemos uso dos nossos poderes e fomos pelo backstage. Mas, devo dizer, que backstage complicado! Portas e mais portas, num ambiente quase kafkiano, sempre com seguranças, guardas e meninas de lenço azul a dizer que não podíamos estar ali, que devíamos estar em outro lugar, que isto e que coiso e que cena e que o elevador é só para as pessoas. Porque nós, na verdade, somos umas plantas que fugiram do Horto do Campo Grande.

Agora, sobre o espaço.

Um pavor. Aumentaram o espaço, é verdade, mas também aumentou a afluência. Apesar de Domingo ser um dia tipicamente mais calmo, a zona das lojas estava um verdadeiro motim. Mal havia espaço para andar, quanto mais ver o material que estava à venda! Acho que grande culpa disto se deve às pessoas em si... As pessoas não sabem circular, é tudo ao molho e fé em deus. Devíamos ser um pouco mais organizados e andar pela direita, facilitava logo tudo. O ar era quase irrespirável e tirar fotografias aos (poucos) cosplayers que ia vendo era uma aventura digna de Dante. Para além disso, pareceu-me que as bancas estavam organizadas de uma forma que em nada aproveitava o espaço disponível, tornando-o muito menor do que deveria ser.

Quanto às lojas, pareceu-me haver um exagero na secção de gaming, sendo que praticamente metade do espaço era dedicado a este. Mas talvez para outras pessoas tenha sido o melhor do evento. A variedade era pouca, com muito pouco manga e quase nenhuma BD. Os preços era um exagero (5€ por um porta chaves com 1 cm de comprimento?) e havia muito pouca variedade nos produtos oferecidos, sendo que quase tudo era relativo às séries da moda ou simplesmente objectos randómicos, como peluches de bichos fofos. O meu objectivo do dia era comprar um porta-chaves, uma caneca e uma capa para o telemóvel, mas nesta parte do evento nada do que eu queria foi encontrado.

Gostaria de deixar uma nota para os rapazes da banca dos jogos de tabuleiro, que foram mesmo muito simpáticos quando comprei um D20 roxo. Perguntaram-me porque queria o dado e eu expliquei que queria começar a jogar D&D mas que nunca tinha tido oportunidade de ir a um dos encontros organizados pelos grupos a que pertenço, pois calham sempre em dias que não posso. Imediatamente me deram uma série de nomes de grupos a quem me poderia juntar, o que foi realmente muito amigo da parte deles! :)

Passámos pelo workshop de perucas da convidada especial, que parecia estar a ser difícil de compreender por causa da barreira linguística.

Fomos assistir, seguidamente, à entrega dos prémios, mas não nos calhou nada. Parabéns aos vencedores! E depois de umas fotos no backstage e balneários, despedimo-nos para ir ver os

Blasted Mechanism!

Devo dizer-vos que já vi Blasted meia centena de vezes, em festas e festivais diversos, com pessoas e pessoas diversas. Assim, foi uma experiência algo engraçada vê-los num evento em que a populaça geral tem uma idade diminuta, relativamente à base de fãs desta banda. Foi um concerto cheio de energia, embora desse a entender que a banda estava a ter alguns problemas de gestão do espaço: o palco foi bastante bom para o cosplay, com um excelente auditório (embora um sistema de som um pouco deficiente), mas para uma banda que pula e rebola como os Blasted era manifestamente pequeno.

Mas o público estava em altas e a banda comunicou perfeitamente com as filas da frente. Passados instantes, todos nós dançávamos, se bem que eu e o Qui aproveitámos o concerto um pouco mais afastados na lateral, onde eu podia dar largas aos meus fantásticos moves dançóides, que me fazem parecer uma débil física (com uma afro azul)

Passado mais ou menos uma hora, achei por bem irmos ver os artistas (que são bons artistas), no andar superior. A escada parecia uma perspectiva aterrorizante, portanto usámos o elevador que era só para pessoas e não para nós (recordem que somos plantas). Lá em cima, um ambiente muito mais calmo e refrescante. Já lá tínhamos ido buscar uma cerveja, mas o preço não era nada apelativo. Enfim, visitámos as bancas e aí fiz eu a maioria das minhas compras que são as que se seguem:



  • Um porta-chaves com a Chii
  • Uma caneta com estrelinhas e duas pontas
  • Um D20 roxo
  • Um autocolante com aquela cena peluda
  • Um desconto de 15% no Horto do Campo Grande, onde poderei ir resgatar um dos meus familiares vegetais
Repare-se que na banca dos bonsais o rapaz nos explicou muita coisa sobre eles, o que mais nega a minha vontade de ter um, porque são criaturas emocionais que precisam de muitos cuidados.

Quanto ao resto das bancas, foi a parte mais interessante, porque havia muita coisa para ver. Achei que as das pontas ficaram muito renegadas, pois o público nunca tenderia a deslocar-se para lá. Havia também, curiosamente, alguma variedade de Zines. Estive quase para comprar uma com trajes portugueses (amei os desenhos!) mas já estava curta de dinheiros.

Mas falta a parte que mais interessa a todos vós, sobretudo aqueles que tiveram a candura de aceitar o meu forçado cartão! Aí vêem elas.... São as....

FOTOS!!! 

 Foto no banheiro, porque eu sou assim
 







 Fotos tiradas especialmente para o nosso Zé Gato ver :)
 










 Passei-me GRANDEMENTE quando vi este personagem, porque o amo de paixão e era um dos meus maridos e eu adoro e AAAAH
 

 Um concerto de algo que estava a dar na parte de cima


Um bonsai com 40 anos, mais velho que eu
 
 
Esta ficou no fim porque não queria fazer o upload, mas amei este fato e quero fazer um igual um dia!

 
E assim se conclui o meu relato! Essencialmente, tive um grupo genial com o qual me ri milhões e tive o Qui comigo, o que é sempre uma variedade, mas.... O evento não valia a pena o dinheiro do bilhete. Nem pelo convívio, porque a confusão era tanta que nem consegui falar decentemente com quem quer que fosse (Ana-san, desculpa ter-te perdido!). Espero que oiçam as críticas como sempre têm feito e que para o ano o Iberanime volte a ser o evento familiar e amigo que sempre nos habituou a ser!

Por agora, boa noite, que já se faz tarde!

 

Highschool of the Dead

Highschool of the Dead
Araki  Tetsurou - Madhouse Studios
Anime - 12 Episódios
2010
7 em 10

Este anime é tão famoso e tão falado, que eu sabia mais ou menos o assunto que ia tratar: zombies e mamocas aos pulos. No entanto, acabou por me surpreender de tal forma que foi um vício absoluto até o terminar!

É um dia de escola normal, quando aparecem os zombies! Os sobreviventes a esta primeira razia, têm agora que se unir e lutar contra esta força imparável e perigosamente difícil de vencer. Isto é a premissa habitual de um filme ou série com este tema: falar da luta pela sobrevivência de um grupo de pessoas. Temos zombies clássicos, desprovidos de intelecto e com alguma rapidez, em grandes números. Temos armas improváveis. E, sobretudo, temos muita roupa interior e grandes planos de anatomia feminina.

Em que é que isto pode ser bom, perguntam vós? Tudo isto acaba por se aproximar da excelência a partir do momento em que os nossos personagens são desenvolvidos até ao tutano, revelando muito mais do que se poderia esperar dos modelos femininos de animes do mesmo género, ecchi. Cada personagem é revelada em várias camadas de complexidade, acabando por demonstrar ser muito mais do que aquilo que aparenta quando colocados em situações cada vez mais agressivas, quer em termos físicos quer psicológicos. Para além disso, a "força" física de cada personagem, e os talentos que podem ser usados na luta contra os zombies, é estabelecido logo desde o início, sendo que em todos eles há uma patente evolução na capacidade de resolução de problemas que torna toda esta aventura numa experiência quase fatigante: é como se nós, espectadores, também ali estivéssemos em guerra contra estas criaturas.

A animação é extraordinária em todas as cenas de acção, sendo que estão coreografadas lindamente, sem nunca esquecer o abuso de esguichos de sangue. O ambiente é negro, fazendo uso de uma paleta escura para simbolizar o desespero destes personagens. Acredito que a maioria dos críticos fiquem de pé atrás pelo exagero das formas femininas (que aparecem em todas as situações, desde suporte para espingardas até miss t-shirt molhada), mas para mim este elemento foi - tal qual um filme B do piorio - parte do "estilo" escolhido para apresentar a história. Certamente que algumas cenas, sobretudo as envolventes de planos amorosos um pouco mal definidos, me desagradaram um pouco. Mas posso afirmar que este anime não ficaria melhor sem as cenas ecchi: as cenas ecchi fazem *parte* do anime.

Musicalmente, temos muita variedade, toda ela bastante apropriada ao contexto, havendo diversas EDs quase viciantes por onde escolher.

Foi um anime que me tocou de certa forma, um exemplo do excelente que se pode fazer dentro de um género que tem tanto de mau como de pessoas que o apreciam. A frase final arrepiou-me e, num todo, é um anime que recomendo vivamente, até para os que não são fãs do estilo.

6.5.16

Zetsuen no Tempest

Zetsuen no Tempest
Ando Masahiro - Bones
Anime - 24 Episódios
2012
7 em 10

Tinha ouvido falar tanto deste anime que não supus que fosse gostar tanto como o que realmente aconteceu.

Dois amigos vêm-se envolvidos numa luta entre magos e feiticeiros. Um deles encontra a forma de comunicar com uma princesa feiticeira que foi colocada dentro de um barril e enviada para a morte certa numa ilha isolada. Para a ajudar, ele faz uma troca: ele salvará o mundo e ela deverá dizer-lhe quem assassinou a sua irmã mais nova. Nisto tudo, o amigo começa a aprender sobre a magia e, de certa forma, de que maneira o pode ajudar.

Para começar, os conceitos de "magia" neste universo são muito originais e estão bastante bem pensados, embora tudo comece a ficar um pouco confuso a partir do segundo arco (quando são introduzidos mais personagens e nos dedicamos, sobretudo, à parte do mistério relacionada com a irmã). Esta magia é liderada por uma "árvore mágica", que se alimenta de oferendas. E estas são a parte com mais interesse, pois são objectos da tecnologia humana. Tendo isto em conta, o anime desenvolve-se com um ritmo bastante bom e todos os mistérios acabam por ser resolvidos com surpresa para o visionante e para os próprios personagens.

Estes, por si, estão bastante bem construídos, o que leva a um bom desenvolvimento (embora curto). Os dois rapazes têm uma relação curiosa, sempre pontuada pela presença da "irmã" e da "namorada". A relação evolui para o afastamento, seguido de uma aproximação final, o que é uma reacção muito natural aos acontecimentos, tornando este duo bastante humano na sua concepção. Os outros personagens são variados, mas acabam por ficar para trás perante os elementos narrativos, não sofrendo muito desenvolvimento da sua natureza nem da sua evolução.

A animação está aceitável. embora um pouco fraca para a época em que nos encontramos. No fundo, o estúdio jogou pelo seguro e dirigiu-se a uma arte que funciona dentro do contexto mas que não impressiona. Os efeitos visuais da árvore podiam ser melhorados, sendo que acredito que teriam funcionado melhor se fossem um pouco mais experimentais. Já os designs dos personagens são realistas mas, ao mesmo tempo, muito originais.

Musicalmente, temos duas OPs e EDs que, sendo agradáveis, parecem não se conjugar com o resto da série. O resto da banda sonora liga lindamente.

Portanto, um anime que, não sendo perfeito, é muito recomendável!

Pulp

Pulp
Charles Bukowski
1994
Romance

Informo que, até notícia em contrário, estou de regresso às leituras no meu Kobo :) Antes deste li um curto discurso de José Saramago, que achei que não valia a pena comentar aqui por tão curto que era. Assim, passo logo adiante para este livro de Charles Bukowski, o último que escreveu e o primeiro que li.

Por mais que os americanos da internet digam que este autor é um génio da contemporaneidade, esta obra não o prova e poderá mesmo dizer muita coisa em contrário a essa suposição. Em "Pulp"temos um estereótipo da chamada "pulp fiction", que apesar de tudo brinca consigo próprio, mas está escrito sem planificação e sem contexto, pelo que a leitura acaba pro se tornar um pouco confusa e inconsequente.

Seguimos os últimos dias da vida de Belane, um detective falhado encarregado de encontrar uma série de coisas. À mistura temos a Dona Morte e aliens. Tudo parece ter sido criado em cima do joelho (do tipo "ora, não sei o que fazer a esta gente, deixa-me cá meter uns aliens") e o personagem acaba por não ser representativo. Dizem alguns comentários que este livro simboliza a aceitação do autor relativamente à sua própria morte, mas será que isto valida o facto de ser considerado uma obra excelente, quando não o é tecnicamente nem emocionalmente?

Enfim, fico desejosa de ler o outro livro de Bukowski que tenho no Kobo, para por os pontos nos iis.

Rendida

Rendida
Sylvia Day
2012
Romance

Recebi este livro numa troca pelo BookCrossing. Se bem me lembro, podíamos fazer uma lista de "exigências" relativamente aos livros a receber. A única que fiz foi "um livro bem escrito, plz". Infelizmente, este livro não correspondeu de todo às expectativas.

Trata-se de um romance corriqueiro, dos ditos "de cordel", sobre a grande paixão entre uma mulher muito rica e um homem ainda mais rico, num meio empresarial de pessoas muito ricas. Todas as pessoas muito ricas são, naturalmente, muito bonitas também. E o livro dedica-se, sobretudo, a descrever o quão muito bonitas são as pessoas muito ricas, entrando em detalhes aprofundados sobre a roupa que vestem ou o tipo de sapatos. O que é francamente desnecessário, sobretudo quando a autora tem um mau-gosto irascível.

Os personagens não possuem mais desenvolvimento do que "altos, lindos, que fazem musculação". Ah, e têm perturbações do foro sexual que libertam amplamente em cenas de sexo supostamente escaldante, descritos num detalhe tão íntimo como inútil. Fui saltando estas cenas, que nem eróticas são. Autoras americanas modernas, reparem que "erótico" não se define por "mete as mãos na c**a e bate palmas". Isso são os Comme Restus.

Assim, o livro vai avançando sem rumo definido para além do "quando chegamos à próxima cena de sexo num ambiente pouco usual" (como uma limusine ou o escritório do muito rico). A personagem principal é tão evidentemente uma projecção astral da vida frustrada da autora que não consegui deixar de a imaginar com a cara desta, o que tornou a leitura ainda mais perturbadora do que teria sido se pudesse ter visualizado a personagem tão perfeita como ela estava descrita.

Imaginem esta pessoa a apanhar furiosamente o orifício anal dentro de uma biblioteca com uma desconhecida a ver:



E com esta bonita imagem vos deixo. :)


Lazarilho de Tormes

Lazarilho de Tormes
???
1554
Romance

Tendo conhecimento de que eu estava empancada na leitura do D. Quixote, um amigo decidiu oferecer-me este livro para me motivar. Trata-se de um volume muito curto, antecessor deste fundador do romance moderno, que conta a história de Lázaro de Tormes, um rapaz que se vê num desatino para encontrar um mestre bom e um rumo para a vida.

Editado no século XVI, em Espanha, este livro representa o apogeu do chamado "romance picaresco", isto é, aquele tipo de romance que conta tipos de aventuras das pessoas normais, cheias de graça e de truques na manga. É precisamente isso que o nosso personagem faz ao longo de todo o livro: cada pessoa que encontra é vítima de partidas diversas, que beneficiam o personagem em todos os aspectos. No entanto, ele não faz isto por ser uma má pessoa nem nada que se pareça. Na verdade, ele é vítima de maus-tratos constantes, sendo sobretudo patente a fome que lhe infligem constantemente.

É um livro cheio de graça que dá azo a umas boas gargalhadas. Também (mas isso pode ser mérito da tradução) está escrito numa linguagem muito corriqueira e, sobretudo, acessível. Isto é algo que nunca estamos à espera num livro tão antigo como este, em que acreditamos sempre que tudo vai ser Lusíadaco e muito difícil de compreender.

Portanto, recomendo vivamente esta leitura, sobretudo para aqueles que também estão a enfrentar as aventuras Quixotescas. É sempre bom saber de onde vieram as coisas mais actuais!

3.5.16

Vittorio, O Vampiro

Vittorio, O Vampiro
Anne Rice
1999
Romance

Fora o Dracula, este foi o meu primeiro livro de "vampiros a sério". Foi-me gentilmente cedido através do BookCrossing, e estava muito motivada para o ler.

De certa forma, foi bastante diferente do que estava à espera. A história deste vampiro, o Vittorio, é mais a história da transformação do humano em monstro do que a vida diária do monstro propriamente dita. Narrado pelo próprio (segundo a autora, o manuscrito foi recolhido das mãos do próprio), conta a vida desde a infância até ao momento em que há a condenação final, devido a uma vitimização pelas mãos de um amor inusitado e impossível de classificar.

Vittorio é corrompido por uma corte vampiresca e satânica, que vive do consumo de pessoas "defeituosas" de uma aldeia próxima, sendo que depois acaba por encontrar uma série de figuras angélicas e mitológicas da religião cristã e acaba por se conformar ao seu amor pela vampira que o converteu. Assim, acabamos por saber muito pouco do que é "viver como um vampiro", sendo que a maior parte da narrativa se concentra nas alucinações visuais do nosso personagem perante o envenenamento do seu corpo e alma.

No entanto, o livro está muito bem escrito. As descrições são muito puras e vívidas, embora haja uma certa insistência na cor vermelha que poderá tornar-se repetitiva, sendo que a linguagem está muito bem adaptada ao personagem em questão. Apesar de termos uma série de bibliografia comentada no final, não há assim tantas descrições detalhadas da vida em Florença neste século. Mas, ainda assim, o ambiente está recriado de forma subtil e acabamos por nos reencontrar nestes locais, mesmo sem nunca os termos visitado.

Talvez este não seja o melhor livro da autora, mas fiquei bastante curiosa para ler outros. Fica este volume para libertar numa altura conveniente. :)