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30.9.16

Quantas Madrugadas Tem a Noite

Quantas Madrugadas Tem a Noite
Ondjaki
2004
Romance

Já havia lido um livro deste autor Angolano e, por isso, estava muito entusiasmada para experimentar outro. Este livro foi "roubado" no picnic do BookCrossing na Quinta das Conchas. :)

Escrito de forma absolutamente coloquial, é uma brilhante viagem pela Angola dos nossos dias, tendo como ponto de partida a morte de um homem que, coitado, tem o curioso nome de AdolfoDido. Ora, por alguma razão este pobre morte não consegue descansar em paz, porque não o deixam sossegado. E é assim que passamos a conhecer todo um conjunto de personagens absolutamente humanas e realistas, cada uma com as suas pequenas alegrias e problemas mas que, todas juntas, nos contam uma história plena de encanto e, também, algum mistério.

Pelo meio destas figuras, existem algumas criaturas estranhas, quase mitológicas, como o Cão e a sua dona KotaDasAbelhas. De certa forma, o confronto com o Cão pode acabar por ser simbólico de uma luta do bem contra o mal, do enfrentar do divino com o infernal.

De resto, o livro está extraordinariamente bem escrito, apesar de todos os termos tipicamente africanos que encontramos ao longo de toda a narrativa. Para isso, a editora fez o favor de colocar um glossário no final, hahaha. O final é muito belo e quase comovente, sendo que o nosso narrador (surpreendente narrador!) nos diz algumas frases que ficam na memória.

Recomendo vivamente e, cada vez mais, quer continuar a conhecer a obra deste autor. :)

16.5.16

Teoria Geral do Esquecimento

Teoria Geral do Esquecimento
José Eduardo Agualusa
2012
Romance

Recebi este livro pelo BookCrossing, o que simboliza a final da maratona de leituras digitais (porque é um livro físico, lol)

Li-o de uma assentada, porque é realmente interessante. Conta a história de Ludo (Ludovica), uma mulher portuguesa em Angola que, perdida de terror e angústia perante a revolução, constrói uma parede à porta do seu apartamento, separando-a do resto do mundo durante 30 anos.

O livro conta a sua história de sobrevivência, apenas com o que cultiva no seu terraço e algumas caçadas de pombos, queimando livros depois de os ler para ter alguma luz, acompanhada apenas por um cão branco que tem tanta fome como ela. Ao mesmo tempo, dá-nos pequenos detalhes da vida de uma série de pessoas que muito sofreu com esta revolução, mostrando todos os lados de um dado que gira até se demonstrar que todos fazem parte do mesmo objecto: as histórias de todos unem-se e existe algo em comum em todas as coisas que aconteceram ao longo do livro.

Enquanto isso, são-nos mostrados excertos de um diário, o diário de Ludo, com considerações sobre esta vida que não chega a ser uma vida, com poemas, com frases. Isto ajuda em muito a caracterizar esta personagem cativante em todos os seus medos e permitem que o leitor queira saber cada vez mais sobre o que ela vai fazer de seguida para conseguir viver mais um dia, mais um mês, mais um ano.

Gostei imenso desta leitura e espero que as próximas pessoas da lista o apreciem tanto como eu :)

24.6.15

os da minha rua

os da minha rua
Ondjaki
2012
Contos

No passado Natal recebi um livro repetido. Isto é, duas pessoas tomaram a excelente decisão de me oferecer o mesmo livro. Estas duas pessoas não têm qualquer relação uma com a outra, o que é sem dúvida curioso. Enfim, tive de trocar um deles e troquei-o por dois livros. Um deles é este, que acabo de terminar. Escolhi-o porque já há algum tempo que vinha tendo uma curiosidade sobre este autor Angolano, que para mais é contista. Gosto tanto de contos!

Este é um conjunto de pequenas histórias sobre a infância em Luanda, pequenos momentos da vida do autor. São coisas muito pequeninas, mas são únicas e muito emocionais. Senti que com este livro o autor não partilhou apenas a sua infância, mas uma série de sentimentos, saudade, amor, amizade, coisas puras que apenas podem ser recordadas com uma certa dose de melancolia, equiparada à felicidade que estas memórias podem trazer.

As descrições são vívidas, senti-me mesmo junto ao narrador (autor) enquanto ele relatava os acontecimentos das suas pequenas histórias. Mas mais que as descrições do universo físico, impressionam as do universo emocional e pessoal, dando ao leitor a oportunidade de também ter estes sentimentos. Tendo isto em conta, gostei sobretudo da história em que o tio dá banho ao cão.

Foi uma leitura rápida, mas muito prazerosa, ler este livro fez-me muito feliz, apesar de os momentos sere (como tantos) tão curtos.

15.1.12

Quem me dera ser onda




Quem me dera ser onda
Manuel Rui Alves Monteiro
1991
Novela

E logo a seguir um livro Angolano. Deste não gostei muito.

Tudo começa com um homem que tem ânsias de comer carne de porco. Por isso arranja um porco para criar no seu apartamento, apartamento esse que pertence a um prédio onde é proibido ter porcos. Toda a família se encanta com o porco e fazem várias maroscas para o esconder dos vizinhos maus que o querem roubar.

Isto seria muito divertido não fosse estar escrito de uma forma irritante e incompreensível. Eu adoro a língua portuguesa, adoro ler em português, seja daqui seja do Brasil seja de onde for. Mas este lingo angolano que até precisa de notas de rodapé para se perceber, só está aqui para dizer "este livro é angolano yo, somos tão especiais yo" e não serve para imprimir qualquer tipo de emoção ou detalhe à história.

Parece-me que há uma tentativa de caracterizar a Angola como ex-colónia pelos olhos das crianças, mas até as crianças estão tão alteradas pelo regime (regime esse que eu não compreendo, só ouvi falar assim por alto) que não há caracterização nenhuma, só uma amálgama de termos e de notas de rodapé.

E eu que nem como carne de porco...