29.2.16

Quarto

Quarto
Lenny Abrahamson
2015
Filme
8 em 10

Este era o filme que era suposto termos ido ver ao cinema e para o qual não havia lugares. Então, acabei por vê-lo em casa, com o Qui. Só depois descobri que estava nomeado para vários óscares, sendo que entretanto ganhou um, para Melhor Actriz.

Jack e a sua Ma vivem num quarto. Fora do quarto está o Espaço. E depois do Espaço está o Céu. Cada objecto do quarto tem o seu nome e as pessoas que existem estão na TV. Este é todo o mundo que Jack conhece. Mas porquê? Isto demora a ser explicado, mas está na sinopse portanto posso falá-lo aqui. É este um dos pontos essenciais de todo o Quarto: a Ma foi raptada há sete anos e é ali mantida pelo seu captor. Teve ali um filho, que nunca viu nada para além daquelas quatro paredes. E para ele, é um mundo enorme.

A enormidade do quarto quando filmada pelo realizador é emocional e contundente. A identidade do lugar, que se torna mais que uma casa: um universo em si. Quando Jack finalmente aprende o que é o Mundo, o exterior, o que há para além das paredes, é uma descoberta chocante e causadora de medo e mal-estar. O filme trabalha também o processo de adaptação desta criança a um mundo completamente diferente do que conhecia até lá. Porque ele nunca soube, para sua própria protecção, de que havia mais.

O filme é perturbador, por vezes assustador, dando sempre a sensação de que tudo vai terminar da pior maneira. Isto é complementado pelo excelente trabalho de actor, quer da actriz quer da criança (que faz um trabalho extraordinário apesar da sua juventude: tinha apenas 8 anos quando filme foi rodado)

As imagens são solitárias e belas, mesmo depois de adquirida a famosa liberdade. Todo o ambiente é frio, imaterial, mas ainda assim carregado de uma profundidade humana que puxa pelas mais primitivas emoções do espectador.

Vi este filme há uns dias, mas já estou cheia de vontade de o ver outra vez. Não posso deixar de o recomendar.

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