10.2.16

Os Oito Odiados

Os Oito Odiados
Quentin Tarantino
2015
Filme
6 em 10

Na véspera de Terça-Feira Gorda (segunda-feira, portanto) fomos ver este filme ao cinema. E eu sei que vai magoar algumas pessoas, nomeadamente o Qui, eu dar-lhe uma nota tão mediana, mas tenho de confessar que não foi o meu filme Tarantinesco preferido.

"Os Oito Odiados" (The Hateful Eight) fala sobre o encotnro de vários personagens detestáveis numa casa, onde estão fechados devido a uma tempestade de neve. Um deles leva consigo uma mulher para ser enforcada, por razões que não são completamente desvendadas. No entanto, algo nesta casa está diferente... E à medida que se vão revelando mais elementos, a violência começa a deflagrar, terminando tudo, como habitualmente, num portentoso banho de sangue.

Este filme recorda outros filmes do autor, nomeadamente o Reservoir Dogs: um grupo de pessoas está fechado num espaço e há alguém que não tem boas intenções. No entanto, ao contrário deste, o filme está completamente limitado aos personagens, que pouco revelam sobre si próprios para além do facto de serem seres humanos desprezíveis. Qualquer revelação feita serve apenas para insistir na ideia de que eles são realmente "hateful", odiosos, execráveis, pavorosos. E isso acaba por se tornar um pouco aborrecido, sendo que grande parte do filme se situa apenas na insistência deste ponto, um repetir do conceito que acaba por aborrecer.

Não aborrecem os diálogos e o último terço do filme. Os primeiros porque, temos de admitir, estão muito bem executados e, sobretudo, bem interpretados. O segundo por motivos sanguinários. Falando nas interpretações, deixo a nota para a única mulher odiosa, que faz um papel soberbo, retratando em si uma violência inerente que mantém sempre um mistério imenso, já que o seu passado nunca é totalmente revelado.

Outro aspecto importante a referir é o grafismo e fotografia. Este filme foi gravado no fantástico *Ultra Panavision 70mm*, isto é, uma fita analógica comprida e grande. Talvez tenha sido questiúncula relacionada com o cinema em si, mas as cores não me impressionaram, apesar das paisagens nevadas serem muito belas. Acredito que o filme poderia ter tido outro efeito se estas tivessem sido mais exploradas, sendo que o tamanho da fita me parece desaproveitado no único cenário interior. Talvez este dê uma sensação teatral ao filme, mas todos os outros elementos retiram essa característica.

Finalmente, ao contrário dos outros filmes de Tarantino, este não possui uma banda sonora baseada em canções populares obscuras, mas sim instrumentais poderosos e um tema folk. Há um marcado uso do silêncio, apenas interrompido pela sempre presente tempestade.

É um filme intenso e cujas três horas passam num instante, mas a verdade é que o achei muito inferior a outros da filmografia.

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