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  • Anifest 2013

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    Anifest
    Convenção
    Tenho de me controlar. Não por uma razão má. Passo a explicar:

    Tenho um vaso na sala. Tem terra. Não tem flores. Tem só terra. Acho isto uma espécie de art noveau abstracta. É absolutamente hilariante e não consigo parar de me rir.

    Adiante!

    Como não podia deixar de ser, Lisboa volta a ser palco de um evento de anime, jogos e cosplay. Este ano o título é "Anifest" e realizou-se na ETIC, escola profissional de artes e design. Vou primeiramente falar dos aspectos gerais e depois passar para os dias.

    No que respeita ao espaço, achei excelente e muito bem aproveitado. Estava ao nosso dispor o rés-do-chão do que aparentava ser o edifício admnistrativo. Ao entrar, podíamos logo encontrar os artistas (que são bons artistas) e não havia maneira de escapar deles. Isto é um aspecto muito positivo, pois realça a importância cada vez maior que eles têm num evento, para comprar coisas originais, boas e baratas. Seguia-se uma sala para jogos (onde estive não para jogar, como explicarei adiante), balneários masculinos e femininos, um pavilhão onde estava instalado o palco e uma zona com stands profissionais. Falando no palco, bastante bom, com espaço suficiente para o que eu queria. Além do mais, ar condicionado! Que salvação!

    Infelizmente, a música estava sempre demasiado alta nos momentos mais inoportunos.

    Cosplays variados, com uma tendência para as séries desta season.

    Em termos de alimentação, muito parca. Cup Noodles fazem cancro! Se bem que ao fim da tarde já estava com tanta fraqueza que fui comprar um. E era o último! Mas fizeram-me o favor ENORME e agradeço do fundo do meu coração pequenino, fizeram-me o favor IMENSO de me dar uma sandes que era para os voluntários. Salvaram-me mesmo, estava-me quase a dar um fanico. OBRIGADA! Voluntários perfeitamente, positivamente, lindosamente encantadores

    Na rua, pouco espaço para sentar. E as pessoas, meu deus, porque é que tem de falar toda a gente AOS GRITOS inopinadamente, vocês magoam-me. E porque é que falam em Inglês!? A VOSSA LÍNGUA É O PORTUGUÊS E SIM EU ESTOU A GRITAR PODE SER QUE AOS GRITOS PERCEBAM CHIÇA PENICO (sem ofensa, no offense, sans ofence, é assim? PT-PT, por favor, sim? Vá lá? Sejam amigos, I parlez no engrish I only talkate portuguish)

    Passemos agora ao importante (as fotos já vêm aí, esperem)

    Primeiro Dia

    Cheguei às dez e três, precisamente. Ainda tive tempo de comprar o almoço (uma sande de peru com ervas finas do sweet drop, bem boua) e cheguei. Ora bem, cheguei a esta hora matutina para ter tempo de me vestir. Pois, como já estão a adivinhar, fui para participar no ECG (electrocardiograma) E, assim, fiquei à espera que chegasse uma lista. Até que desistiram da lista e deixaram os ECGianos entrar. Ainda me tentei afinfar a um bilhete grátis, por causa do concurso de skits do segundo dia (no qual participarei, com a Hota), mas com um par de respostas menos agradáveis lá desisti. Mas dizia no site! - dizia eu. NON - diziam eles. Mas dizia no site! - dizia eu. NON - diziam eles. Então boca.

    Maravilhosos camarins cheios da luzinhas e de ares condicionados. Vesti-me, uma das minhas bolinhas partiu-se, despi-me, colei-a, vesti-me, ai caralho, ai filha da puta, pára quieta ai caralho, e o pior é que isto ficou tudo gravado pela filmadora/jornalista que lá estava a ver as nossas preparações. Cortem isto, por favor. ;__; A minha coroa estava meio frouxa de a ter atirado tantas vezes ao chão durante os ensaios mas pensei... Não há-de acontecer nada.

    Passado algum tempo de espera (sempre e sempre, todos os concursos, em todo o lado, para sempre, já me devia ter habituado) dirigiram-nos para a sala das pré-seleccções, onde o júri nos ia avaliar. Mais espera. Falando do júri, só pessoas largamente conhecidas e que aprecio e uma astrangeira. Shappi de seu nome. Agradeço o meu auto-controlo por (quase) não ter cantado isto sempre que ela aparecia. Correu bem, acho eu, ainda me deram alguns conselhos interessantes. Vou tentar lembrar-me deles antes de faltarem dois dias para o próximo evento. :) Entretanto uma das concorrentes ficou ligeiramente acidentada com o seu fato e o meu estojo de primeiros-socorros de cosplay foi útil para alguém, pela primeira vez na sua curta vida! =D Bendita seja a cola quente!

    Cirandei por aí um pouco na esperança que me tirassem fotografias. Mas sou muito feiosa, ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de fecho-eclair ;_________; Por isso deixei de cirandar e corri para tirar umas fotos com os fotógrafos na sala dos fotógrafos das fotografias. Pensava que era na rua, por isso cheguei um pouco atrasada. Estavam sempre a ralhar comigo por estar muito austera e fixa, mas a minha interpretação da Utena com o Rose Bride Gown é como alguém que está desconfortável naquele papel. Pediram-me para voltar lá, mas não voltei, já estava muito cansada e queria ver o resto do evento.

    Concurso? Parece-me que correu bem. Em breve, quando estiverem todos os vídeos online (agradeçam à Hota), farei um comentário a cada um e um comentário maior a mim própria. Se quiserem mais detalhes, irei colocá-los em pouco tempo, no meu Cosplay Portfolio. Só tive muita pena de uma coisa: o público. O público não se sabe controlar. Não sabe estar quieto, não sabe estar calado. É muito (mesmo muito) desagradável fazer uma performance para um público que não está nem aí. A performance é para vocês, é para vocês verem.

    Depois de, finalmente, me livrar dos sapatos que me atormentavam, seguiu-se um longo período de tempo morto. Não tinha interesse no workshop de desenho nem nos karalhokes nem nos bailados, por isso... Muitos cigarros. Isto foi uma falha, porque poderiam ter tido alguma coisa mais interessante para nos entreter. Por exemplo, passar o quizz para o palco principal, fazer aqueles concursinhos de comer coisas, qualquer coisa que não fossem pessoas cantando, que mal se percebia de tão alto estava o som.

    E finalizamos o dia com um concerto dos The Penny Traitors. Começou mal. Testes de som, testes de som que nunca mais acertavam, pensávamos que o concerto já tinha começado e népia, eram testes de som, lambda. Tocaram uns clássicozinhos, se bem que - e, como banda nova que são, pelamordasanta levem isto de forma construtiva - me pareceu que necessitam de mais técnica em todos os instrumentos e sobretudo na voz. Tive de sair a meio do concerto, pelas 19 horas, porque me lembrei de que tinha uma coisa importante para fazer.

    Gravar o skit para o Iberanime OPO. Mas como o farei se não consigo parar de me rir? Bem, passemos às fotos!

    (Algumas) Fotos do Primeiro Dia



     Klein Crocodile *___*


     É uma senhora, tão fofinha! Cosplay não tem idade! Tão fofinha, meu deus!

     Os outros estrangeiros que por lá andavam, fiquei com um cartão!



    E assim termina o primeiro dia! No geral gostei bastante e fora aqueles pontinhos de menor importância acho que correu tudo bem! Mas até ao lavar dos cestos ainda é vindima, por isso não vou já brindar à organização. ºvº Agora tenho de gravar as falas de uma série de gente! Até amanhã! E lembrem-se, quando a gente pedir para gritarem, gritem! 

    Segundo Dia

    Esta mensagem já vem um pouco atrasada. Fui passar a ressaca do evento a outro lugar bem mais agradável que a minha casa e não pude actualizar, mas já cá estou para falar sobre o que se passou no segundo dia do Anifest! Falando em ressaca de evento, também vos acontece a mesma coisa? Eu estou cheia de energia os dias todos e de repente parece que cai um cansaço e só quero ver anime e dormir. No caso, ver anúncios Japoneses durante horas e dormir entre outras coisas...

    Mas bem. Desta vez apanhei a Hota pelo caminho (ou ela apanhou-me a mim) e fomos as duas para a ETIC. Chegámos um bocadinho mais tarde que a hora de abertura, não tínhamos de trocar de roupa. Fomos logo vestidas, para grande gáudio de um menininho que ia no autocarro com a gente.

    A primeira actividade do dia era o workshop de Props com o Klein Crocodile (a Shappi). Apesar de me ter inscrito assim que soube da notícia, não estava lá o meu nome. O que me remete para um certo problema de comunicação. A informação é bastante difícil de procurar no facebook do evento, pelo que contamos sempre com o site para nos actualizarmos. No entanto, o site não estava actualizado. Por exemplo, a situação da entrada grátis para os cosplayers, depois o organizador esteve a explicar-nos o que aconteceu, mas estávamos convencidas de que era real e afinal não era por causa das informações no site. E os workshops, que estavam quase cheios quando me inscrevi porque no site ainda estava a informação de "para breve". Mas acabou por correr tudo bem, fica apenas a nota para se conjugar melhor o site com os mails com o facebook para a próxima. :)

    O workshop foi muito interessante, aprendi algumas dicas que não sabia e coisas muito complicadas passaram a ser simples. Tenho alguns projectos com armadura (ou fatos de astronauta, ou coisas para a cabeça) e agora já me sinto mais confiante para os começar. Isso foi o mais importante para mim, porque tenho muitas ideias para esses cosplays e sentia-me limitada por não saber por onde começar.

    Como o workshop atrasou a começar, também atrasou a acabar. Saí antes, quando iam começar a falar de asas (que já sei fazer, tenho uma série delas), par obter algumas informações sobre o concurso de skits em que ia participar com a Hota, em modo Misa suicida e Raito semi-gay (equipado com Déte Nóte e pochete). No e-mail que me tinham mandado estava com a impressão que era para lá estar às 13:30, mas depois informaram que era às 14:45. Ainda assim, por segurança, faltámos ao workshop de cosplay para o qual estávamos inscritas, porque atraso menos atraso ainda perdíamos o mais importante. Por mero acaso, também nos inscrevemos para o desfile, estava uma voluntária a perguntar se queríamos participar e... Porque não?

    No concurso éramos muito poucas. Poucas, éramos só meninas. Dois grupos e três solos e viemos a descobrir que havia prémios para solos e para grupos. Então ganhámos todos. =D Quando aparecerem por aí os vídeos (desta vez não tinha ninguém infiltrado par nos gravar) irei falar um pouco mais deles. Mas pelos vistos o nosso deve ter corrido bem porque ganhámos o Primeiro Lugar! Fizemos uma paródia de uma paródia, o Melga Shop do Herman Enciclopédia, chamada de "Kira Shop". E ao demonstrar o nosso produto, o Déte Nóte, pensámos... Quem é que toda a gente quer matar? E pelos vistos confere. Hihihi.

    No desfile enganámo-nos nas poses que tinhamos combinado, mas tudo bem.

    Logo a seguir, trocar de roupa porque estava assassinada com o calor e ala para o Painel de Dobradores. Desta vez não estava só o João Loy, Vegeta, mas também outras pessoas (Mário Bomba, Bárbara Lourenço e Sandra de Castro) que fizeram animes que eu conhecia e que eu não conhecia. Era uma variedade muito grande. Gostei muito de ouvir algumas coisas que eles disseram, como por exemplo a necessidade de fazer formação, e o facto de os workshops serem apenas um "approach" ao assunto e não uma verdadeira formação. A dobradora Bárbara Lourenço é fã inveterada de anime desde o tempo em que não havia fansubs e adorei a partilha da experiência dela, pois ainda me identifico (também eu recebi uma cassete, de Ai no Kusabi, com legendas coladas, em Espanhol). Também gostei muito da dica dela de que a comunidade do agora precisa de um bocadinho de humildade. Tive de sair a meio, aliás, quase no fim, porque atrás de mim estavam umas criaturas que a cada palavra que algum dobrador dizia BERRAVAM HISTERICAMENTE. Eu estava a passar-me da caixa dos pirulitos, cheia de dores de cabeça, estavam-me a vir as lágrimas aos olhos. Qual é a necessidade de GRITAR, questiono de novo. Há momentos para berrar, há momentos para bater palmas, há momentos para estar quieto. Aprendam isto, miúdos: é tudo uma questão de timing. Guardem os berros para quando forem ver um concerto dos vossos coreanitos, aí está toda a gente preparada para eles.

    Enfim, fui dar uma volta, comprar umas bolachinhas para lanchar, uma garrafinha de vinho para mais logo... Voltei para ver o concerto. 

    Achei este concerto, dos Ryuusei, uma experiência bastante positiva. Pareceu-me uma banda unida e humilde e não estou a dizer isto porque conheço o gajo das teclas, o Pedro. Tocaram músicas um pouco diferentes do habitual. Adorei a garra do baterista, mas - desculpa Pedro - acho que o teclado precisa de mais técnica. A voz também, mas no caso da vocalista, acho que lhe fariam bem umas aulinhas de teatro, para aprender a soltar a franga. Muita timidez em palco é muito (mesmo muito) limitativa, até no efeito que a voz tem. Tive pena de estar tão pouca gente a assistir ao concerto.

    E assim terminou mais um evento. Vamos às fotos, que é o que toda a gente quer! =D

    (Algumas) Fotos do Segundo Dia







    E assim se passou mais um evento. Agora, esperemos pelos skits para os vermos. :> Gostei bastante deste evento, os aspectos positivos ultrapassaram largamente os negativos. Por isso, até ao próximo!
  • O Anime e o Amor Homem

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    Boa tarde!

    Já há algum tempo que queria escrever um pouco sobre isto: BoysLove. Estava sempre a adiar até que hoje fui parar a um sítio onde já não ia há muito tempo. Tive medo, mas lá tive que adicionar mais umas imagens à minha sempre crescente colecção... É irresistível e a colecção já está a ficar com um tamanho desproporcionado. Por isso inicio este pequeno "artigo" com um rabo e aviso que isto terá desenhos bastantes. Tentarei ao máximo que não sejam perturbadores ou pornográficos, até porque é inconveniente ter isso num blogue familiar (ai as criancinhas!) Assim, iniciemos a nossa festa da mangueira!

    O que é BoysLove?

    Tal como o nome indica, é o amor entre homens, no universo da pop-art Japonesa - Anime e Manga. É importante estabelecer a terminologia usada hoje em dia, para que não nos enganemos e continuarmos a dar nomes de início de 00s às coisas.

    Shounen-Ai - Ai é amor, Shounen é rapaz, daí se tira o que é. Refere-se a trabalhos de conteúdo romântico e pouco explícito. Exemplos de animes típicos seriam Gravitation e Junjou Romantica


    YAOI - Sigla para "Yama Nashi, Omi Nashi, Imi Nashi", que significa qualquer coisa como "Sem Objectivo, Sem Sucesso, Sem Sentido". Refere-se ao conteúdo explícito ou pornográfico. O exemplo mais flagrante é Sensitive Pornograph.

    Vai acontecer algo dentro desta banheira, mas não posso mostrar .__.

    BoysLove (BL) - Termo chapéu-de-chuva que engloba todos os conceitos, o utilizado actualmente. Os outros estão mortos.
    Agora vamos ao twist! Este género é tipicamente desenhado e escrito POR mulheres e PARA mulheres. BL é, na verdade, uma variação do shoujo em que a heroína típica é substituída por um homem. O conteúdo homoerótico não traduz, nem de perto nem de longe, a realidade humana e tudo isto não passa de uma fantasia feminina, em que não existe uma "mulher" a competir pelos favores do personagem predilecto. Este conceito é essencial para se perceber o que é verdadeiramente BL: não é uma coisa "gay". Não tem nada que ver com os direitos LGBT ou com a identidade sexual das pessoas. É apenas uma fantasia e, no fundo, histórias de amor bonitas para nos entretermos.

    Géneros e Categorias

    Tal como em qualquer corrente artística existem variantes à história base. Antes de falar delas, acho relevante definir os tipos de personagem normalmente presentes (podem haver diferenças entre histórias e autores, mas estes são os comummente aceites)

    Seme - O "dador". Tipicamente são homens altos e angulosos, numa posição de poder. Características normalmente associadas a semes são a confiança, o ego elevado, a necessidade de controlo, a frieza. Semes típicos são Iason de Ai no Kusabi ou Yuichi de Only the Ring Finger Knows.

    Uke - O "receptor". Normalmente rapazes, frágeis e com traços femininos. Entre as características mais vulgares, encontram-se a fraqueza física e psicológica, a atitude apaixonada, a resistência à relação. Ukes típicos são Ritsuka de Loveless ou Wolfram de Kyoh Kara Maou (que não é BL, já vou explicar)

    Conforme as características psicológicas do personagem, podemos atribuir-lhe estatuto de seme ou uke. Mas devemos sempre recordar que o seme é sempre o dador e o uke o receptor. Assim, a menos que se usem materiais artificais, uma mulher nunca pode ser um seme. Qualquer série, tendo em conta estes dois termos, pode ser transformada nu BL. E a verdade é que são mesmo. A isso chama-se slashing. Entretanto apareceu uma outra categoria de personagem, ainda não completamente aceite na comunidade BL e usado por fãs mais novas que acreditam no S+U pelas emoções e não pelas "funções":

    Seke - Um personagem com características de seme que é um uke. Um exemplo é Riki de Ai no Kusabi.

    Por exemplo, este gajo que eu não sei quem é. Tem todo o aspecto de ser Seme, mas está-se mesmo a ver que vai ser violentado.

    Agora, tendo em conta que tudo o que existe que tenha pelo menos um rapaz (ou não... Tudo é possível), existem vários tipos de histórias. Se procurarem termos como Angst ou Fluff vão encontrar coisas diferentes. Por exemplo, as categorias da secção de histórias do Aarinfantasy são:
    Isto é, muita coisa. No entanto, há dois subgéneros que saem da norma, se é que há norma em BL. São géneros feitos por homens e para homens. O quê? Vamos ver:

    Bara - Homens grandes, musculados, homens normais, homens mais velhos. Feitos por homens homossexuais para homens homossexuais.

    Isto porque eu sou uma pessoa hilariante, haha. Haha.

    Shota - Miúdos. Ya. Feito por gente perturbada para homens heterossexuais.  SIM.

    Eu ia por uma coisa soft e vocês sabiam.

    Entretanto há mais uma série de variantes engraçadas e não engraçadas. Esta é das que eu gosto mais:

    Travecaaaaaas~~~

    E Agora a Lição de Moral

    Com isto já passei um lamiré sobre o que é mais ou menos o género. Agora vão todos ficar a pensar que eu sou uma doidona tarada, né? Não! Porque eu, e as minhas amigas fujoshis todas, já estamos nisto há demasiado tempo para termos exageros infantis. Vou-vos contar uma história...

    Ao início, aprendi o que era BL (tinha uns 15 ou 16 anos) com uma revista que veio como extra num jornal. O primeiro que vi foi Ai no Kusabi, o que desde logo dá uma perspectiva diferente da coisa. Então eu achava que os homens tinham de ser todos "homoeróticos" para serem giros. Mas com o passar do tempo, fui descobrindo que o que faltava no género era o realismo. Então fui procurar realismo. E deparei-me com muitos outros tipos de histórias, em que há menos de "história de amor fofinha" e mais dos dramas da vida. E comecei a desassociar os homens verdadeiros dos homens do BL. E isso tornou-me numa pessoa mais adaptada à vida real.

    Agora, se vocês ainda acham que a vida real é como no BL... Bem, ainda vão ter de crescer, porque a verdade é que não é. Há histórias de amor entre todos os tipos de pessoas. Homens, mulheres, homens que são mulheres e mulheres que são homens, há amor entre pessoas e cadeiras, há amor em todo o lado. Mas não corre como nas histórias. 

    Temos de nos lembrar sempre que são histórias inventadas. São fantasias. Se misturas as tuas fantasias com a tua vida real a ponto de não te conseguires relacionar com os outros seres humanos porque não correspondem às tuas expectativas, tens um problema.

    E fica a lição de moral. Bem vindas ao mundo BL. Desfrutem da estadia. Mas não abusem.







  • Ai no Kusabi 6 - Metamorphose

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    Ai no Kusabi 6 - Metamorphose
    Rieko Yoshihara
    Light Novel 
    1986

    Para saberem mais sobre o anime e os volumes anteriores consultem a tag.

    Este é o volume final. Deixa-me triste, porque a história deveria ter continuado. O volume deixa-nos num impasse: o que vai acontecer com Riki? Será que a relação entre ele e Iason vai florescer de forma ainda mais bizarra? E Kirie? Onde está ele?

    No entanto, acho que com a construção da história e do universo ao longo dos volumes anteriores, este é de longe o melhor. Riki volta a Eos como pet e ficamos a saber mais sobre o funcionamento desse universo dos pets. Também é revelado mais sobre Iason e sobre os sentimentos que ele tem em relação a Riki, mais do que um "Master - Pet" e mais uma relação de poder e pressão emocional.

    Em conclusão, achei a série de Light Novels bastante inferior ao OVA de 1992, que foi o meu ponto de partida. Isto é raro, o filme ser melhor que o livro, mas é verdade, pois a condensação do OVA não transmitiu a maneira de escrever do livro, que é bastante inferior às minhas expectativas. No entanto, o mundo de Tanagura é fascinante e muito original. É uma ideia excelente, que infelizmente só foi explorada até meio.

    Esta novel é um clássico do universo BL e toda/o fã que queira ter um conhecimento mais abrangente (isto é, mais do que Gravitation e Junjou Romantica) deve, impreterivelmente, lê-lo. É uma obra da maior importância, mesmo que a sua qualidade em termos literários não seja muito grande. No entanto isto pode sempre ser um problema da tradução.

    Para quem não quiser ler, há sempre o primeiro OVA, obra clássica de referência.
  • Ai no Kusabi 5 - Darkness

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    Ai no Kusabi 5 - Darkness
    Rieko Yoshihara
    Light Novel
    1986

    Finalmente o quinto volume de Ai no Kusabi. Miraculosamente encontrei-o a 25€ no E-bay e não hesitei em comprá-lo. Apenas demorei um pouco a chegar até ele, porque tinha uma grande lista de livros para ler. Para saberem sobre os quatro primeiros volumes, vejam a tag para Ai no Kusabi (que também tem os animes)

    Creio que este volume está ligeiramente melhor escrito (ou melhor traduzido) do que os primeiros. É um volume intermédio, que não fala de Iason mas antes insiste no dilema de Riki enquanto pet e numa perseguição da polícia de Midas dentro de Ceres, à procura de Kirie.

    Aprendemos um pouco mais sobre Guardian, de uma maneira ligeiramente abstracta mas que dá para tirar a conclusão de que algo de errado se está a passar ali (ainda mais errado do que o que já sabíamos, haha)

    E, finalmente, um elemento surpresa, algo completamente inesperado, mesmo no final!

    Assim, pode-se dizer que gostei bastante deste volume, apesar de ser um momento de transição na história. Deixa-me com a impressão de que o último volume, o sexto, que já tenho em minha posse, vai deixar a história por concluir. Aliás, ouvi dizer que é mesmo isso o que vai acontecer e que o final do primeiro OVA (vejam a tag anterior) foi criado numa fanfiction, enviada por carta para a revista onde este folhetim foi publicado.

    Ficarei a saber em breve, pois tenciono lê-lo na viagem de regresso.
  • Ai no Kusabi (2012)

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    Ai no Kusabi (2012)
    Akiyama Katsuhito - AIC
    Anime OVA - 4 Episódios
    2012
    7 em 10

    Todos sabem como eu amo Ai no Kusabi. Se não sabem, vejam aqui a review do OVA de 92 e aqui as reviews das novels que li até agora. Assim, quando a notícia deste OVA apareceu na aarinfantasy (site que frequento bastante, para que saibam) foi uma alegria. Foi uma felicidade absoluta! Ainda por cima diziam que iam seguir as novels! Que ia ter 12 episódios! Estávamos mesmo felizes. Mas depois as notícias deixaram de aparecer. E questionavamo-nos... O que é feito disto? Até que apareceu uma novidade: tinha sido cancelado. O estúdio faliu. Chorámos, ficámos cheias de raiva. E de repente outra novidade! Vão lançar um DVD, uma edição especial ainda por cima, com os quatro episódios que foram produzidos antes do estúdio falir! E assim ficamos com um novo Ai no Kusabi. Incompleto, é certo. Mas que nos deixa a pensar que este poderia ter sido o melhor anime BL de todos os tempos se tivesse sido feito até ao fim.

    Sobre os detalhes do universo, da história e dos personagens, recomendo a leitura da minha review do OVA de 92 (precisamente 20 anos entre um e o outro que giro!) pois considero-a bastante completa. Hoje vou fazer uma sempre necessária comparação.

    Ao contrário do original, este OVA segue as novels, até mais ou menos meio do volume 4 (que é precisamente o sítio onde estou na minha leitura, viva!). Acompanhamos a vida de Riki nas Slums, como pet e de volta às slums, com um flashback no último episódio que, adicionando mais vivacidade à história, poderia ter sido cortado. Apresentam-nos os detalhes de como conheceu Iason e a sua aventura com Mina, que não estava contemplada no original. Em termos de personagens não temos grande exploração, fora a evolução clara de Riki antes e depois de Iason, mas a caracterização inicial é muito forte. Não apenas para os personagens principais mas também para todo o grupo de Bison, o que torna tudo mais intenso.

    O que mais gostei nesta nova versão foi a caracterização do universo. Apesar de as slums serem um pouco mais "ricas" do que eu tinha imaginado, Midas e Eon estão perfeitos. Os designs futuristas estão bem pensados e são funcionais e adorei que criassem um novo alfabeto. Note-se a presença constante de mulheres ao longo dos 4 episódios, coisa que não acontecia no original: isto trás a segurança que neste universo a figura feminina é de grande importância e que isto não é apenas mais um yaoizinho da tanga com pretensões a pornografia. Aí está outro ponto: as cenas de sexo são reduzidíssimas e com uma sensualidade que me trouxe um certo sentimento de culpa, pois não são nada bonitas. Isto torna a caracterização da relação Riki x Iason muito mais evidente.

    A arte é limpa e existem cenas de acção bem coreografadas e com boa elasticidade. Pena o momento de CG na conversa com Ceres ou tudo teria sido perfeito. As cores são muito interessantes e utilizadas muito bem para caracterizar os diversos "mundos" dentro do universo.

    Enfim, um potencial excelente. Espero que um dia lhe voltem a pegar e o terminem.

    Por agora, encontrei a novel que me faltava a 25$ no e-bay. E tive de a comprar, apesar de estar de finanças reduzidas. Só porque estava 275$ mais barata do que a última que eu tinha visto.
  • Ai no Kusabi

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    Ai no Kusabi
    Akiyama Katsuhito - AIC
    Anime OVA - 2 Episódios
    1992
    9 em 10
     Review original aqui: http://myanimelist.net/forum/?topicid=391775&show=0#post2

    Deixem-me começar por dizer que nunca nomeei Ai no Kusabi. Nunca pensei que gostassem dele, se não pela razão óbvia, porque é antigo e não passou o teste do tempo. No entanto, eu amo este OVA e penso que merece um lugar de qualquer forma. Ai no Kusabi foi a minha primeira interacção com o conceito de "yaoi" (agora, BoysLove) e introduziu-me a um novo conceito de relação na literatura e anime. Tenho orgulho por ter sido introduzida por Ai no Kusabi. É um trabalho essencial e um clássico, não só em BL mas no anime em geral. É bom.

    No resto do meu post vou fazer os meus melhores esforços para vos convencer a pelo menos vê-lo, apesar de não acreditar que a maioria de vós vá votar "sim".

    Antes de mais vamos situar Ai no Kusabi no tempo e no espaço. Tempo são os primeiros 90s. Espaço é Japão. Este OVA foi o primeiro a incluir cenas de sexo homoeróticas em anime. Isto parece ser irrelevante, mas nos 90s japoneses, onde as mulheres começavam apenas a ganhar o seu espaço como demografia, isto foi certamente uma revolução. Pela primeira vez na indústria do anime existe pornografia para mulheres. De repente, um novo mundo estava aberto para ser explorado. E é como se a presença feminina tivesse ganho algum crédito nesta indústria. Tanto a nível económico como social, Ai no Kusabi tem um papel muito importante. Este OVA é a base de todo o género. Tudo seria diferente se Ai no Kusabi não tivesse aparecido quando apareceu e com a apresentação que teve. Tivémos BL antes, com Kaze to Ki no Uta. Mas agora temos gráficos. Agora admitimos que podemos fazê-lo. Não existe mais tabu.

    Agora vamos falar do anime em si. Para tornar as coisas mais simples vou usar a fórmula do PO e desenvolver um bocadinho de cada elemento deste anime. Se tudo correr bem, as coisas vão ser um bocadinho diferentes do que estão à espera. :)

    Animção

    É claramente o pior desta produção. Vamo-nos situar de novo: princípio dos 90s. As técnicas são as medianas dessa época. Os designs de personagens são desactualizados e, na nossa perspectiva moderna, feios. Porque é gostávamos de gajos musculados em t-shirts de vinil nesse tempo é um mistério. Temos de considerar que este OVA foi baseado numa Light-Novel. O essencial dos designs é baseado nas ilustrações dos livros, mas - de certa forma - são mais apropriados ao ambiente e estilo do mundo circundante. No OVA temos realmente homens contra homens, enquanto que as ilustrações frequentemente mostram toda-a-gente-menos-os-Blondies com características infantis e magricelas. Fizeram bem em fazer de Riki um gajo giro, mas fizeram ainda melhor em fazer toda-a-gente-menos-os-Blondies bastante normais. Esta gente não viveu uma vida abençoada e protegida e o seu aspecto reflecte isso. E, já que falo disso, todo o design e cores usadas nos fundos são muito apropriados e caracterizam perfeitamente o ambiente deste anime. Tudo é escuro e cruel. As poucas cenas com mais cor são irónicas, pois mostram Minos e a indústria dos pets (que são, não interessa como olhamos para elas, bastante perturbadoras). Em resumo, a arte e animação são desactuaçlizadas e medianas, mas são essenciais na caracterização da história e do mundo. E, para ser honesta, prefiro algo que se integre com as outras partes do anime do que uma produção toda avant-garde que só funcione sozinha.

    Som

    A música não é memorável, mas apropriada. O que interessa aqui são os actores de vozes. Provavelmente nenhum destes actores tinha experiência a dobrar cenas de sexo. E fizeram um belíssimo trabalho. São muito bons actores e as suas vozes foram muito importantes para o estabelecimento do OVA de Ai no Kusabi como um clássico entre os fãs de BL (e no geral, digo mesmo mais). As vozes ajudaram muito na caracterização.

    Personagens

    Como sabemos (ou devíamos saberl), BL, shounen-ai, yaoi, o que quer que lhe chames, está centrado à volta do desenvolvimento das personagens e das relaões. No caso de Ai no Kusabi isto atinge proporções muito interessantes. Ignorando os personagens secundários (que, para ser muito honesta, estão apenas delineados no OVA, apesar das suas acções serem muito importantes para o desenvolvimento da história e dos personagens principais) devemos focar-nos em Iason e Riki. Vou começar por dizer que não devem ser iludidos pelas aparências. Atrás da imagem de S&M e da relatividade de Seme/Uke há muito mais que fanservice. Nem precisam de ler a Novel para perceber isto, só precisam de olhar para trás da cobertura do cliché.

    Aparentemente, Iason é apenas um maníaco sádico que se apaixona pelo seu objecto. Na realidade, a verdade é que Iason não tem nada de sádico nele. O que ele faz ao Riki não é realmente a busca de uma qualquer perversão sexual. De facto, a sua obsessão não é de todo sexual. Ele está obcecado em dominar Riki de uma maneira psicológica. Riki é, de todas as maneiras, inferior a um Blondie. No entanto, ele não age como inferior. O seu comportamento é errático e estranho da perspectiva do Blondie e Iason precisa de controlar isso, para seu próprio bem, para garantir que ainda é superior. Por isso, Iason "domestica" Riki. "Domesticá-lo" significa reeducá-lo para obedecer e se comportar como inferior, tanto socialmente como mentalmente. Por isso Riki é transformado num pet, que é a pior forma de vida que existe neste mundo. Por isso é que é atacado sexualmente repetidamente. é só para o humiliar e para garantir que ele sai a saber o seu lugar.

    E Riki, não é o vosso uke típico. De facto, isto é o que modernamente consideramos um "sekke", um uke que se comporta como um seme ou, melhor, um seme que funciona como a parte de baixo. Tem uma personalidade dura, é teimoso, é forte. Entrou na situação de ser um pet por acidente, por erro, ele não quer estar ali e ele não aceita o seu destino. Mesmo sendo maltratado e violado, os seus olhos nunca mostram um sinal de submissão e a sua personalidade nem sequer se mexe.

    E assim temos duas personalidades fortes agarradas por correntes de obsessão e dominância. Esta relação começa complicada e desenvolve-se por todo o OVA. Quando Riki é mandado de volta para o bairro de lata, Iasson compreende que não pode esquecer o facto de que ainda não ganhou a luta. E, de volta aos seus amigos e amante, Riki não pode esquecer o que aconteceu no seu cativeiro. De facto, ele tem uma bonita recordação (objecto que deverá aterrorizar todos os homens, sim senhor). é isto amor? Creio que não. Acho que é uma forma diferente de atracção. Riki e Iason não se amam. Acreditop que a sua relação se desenolve na aceitação. O seu suicídio não simboliza que fizeram as pazes e que vão viver juntos no céu. Penso que significa que aceitam que nenhum dos dois é o vencedor. Que não há S ou M na sua relação. Que nem Iason nem Riki são a parte dominante da equação. Que estão os dois na mesma situação, que são os dois a mesma coisa. Que Blondies e Mongrels são, de facto, a mesma coisa e que vão ambos morrer. E assim, porque não morrer juntos e com um sorriso?

    Acreditem-me, eu vi muito BL na minha vida. Ai no Kusabi foi o primeiro e único a seguir uma relação de ódio em vez de amor. Que se torna em absolutamente nada.

    História

    Aqui temos duas coisas importantes. A história da relação entre Iason e Riki, que desenvolvi na secção precedente, e a história do universo em que acontece a relação. Este segundo elemento é muito interessante e o OVA retrata-o perfeitamente. Alguns elements foram deixados por explicar. Quando vi isto pela primeira vez o "mistério" que rodeava os elementos em falta era bom. Depois de aprender os detalhes e ver isto pela 46352634534écima vez... Foi fantástico. Mesmo brilhante.

    Isto é um mundo original, num ponto distante do espaço num futuro tecnologicamente independente distante. Neste planeta, as pessoas são dominadas por um super-computador que funciona como governo. Este super-computador tem toda a gente organizada num sistema de castas, uma estratificação da sociedade em que os elementos superiores desprezam os elementos inferiores na cadeia social, que começa em andróides orgânicos seleccionados artificialmente, onde Blondies como Iason estão inclusos, e termina nos mongrels criados naturalmente de Ceres, que é Riki. No meio estão as pessoas de Midas, a Las Vegtas deste mundo que vive para as indústrias do entretenimento e do sexo, pessoas como Katze que estão mais ou menos no meio, pets e furniture (mobília). Pets sendo o entretenimento dos altos círculos de tanagura e a mobília sendo os eunucos que tomam conta dos pets. Pets são brinquedos sexuais e orgulham-se disso (vêm como Riki estava inadaptado nesta situação?). Mobília... Bem, ninguém se interessa pela mobília.

    Acho que esta estratificação, e a forma como é apresentada  (a relação entre duas facções opostas), é uma forma muito interessante de imaginar um possítvel futuro. No mundo como o temos agora, são seria possível - com o advento da tecnologia - que a humanidade acabasse assim? Isto é ficção científica, com motos voadoras e andróides biónicos e outras coisas ridículas como essas. No entanto, a criação deste sistema social distingue este universo dos oturos e torna-o numa criação original.

    Há detalhes no livro que tornam esta exierpiência mais rica e vívida (nomeadamente Guardian), mas podemos viver sem elas.

    E outro detalhe que estivémos a discutir antes! O papel da mulher em Ai no Kusabi. Muitas pessoas vivem sob o erro de que no mundo de Ai no Kusabi não existem mulheres. Existem. Elas são muito importantes. No OVA eles representam a sua importância por imagens e sequências curtas. Penso que isto dá um charme especial à est´tica do OVA e serve o objectivo de apontar de que apesar de isto ser tudo sobre homens as mulheres continuam a ser um factor importante.

    Em resumo!

    Um trabalho excelente que todos deviam ver. Ponham o coração ao alto. Eu sei que BL não é agradável, mas há muito mais do que sexo gay neste OVA e vale a pena vê-lo. Um verdadeiro clássico.
  • Ai no Kusabi 4 - Suggestion

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    Ai no Kusabi 4 - Suggestion
    Rieko Yoshihara
    Light Novel
    1986

    Ora bem, volume 4. Este volume resume-se em duas frases:

    "Kiri volta para Iason depois de coagido sexualmente" e "Kirie aprende a verdade sobre Guardian enquanto possui por trás o herdeiro do cargo mais importante em Ceres"

    E eu sinceramente não compreendo porque é que foram precisas 140 páginas para dizer isto. O único aspecto positivo deste volume é que, pela primeira vez, é-nos dada a oportunidade de ver as coisas da perspectiva de Iason. E aí se compreende que o que Iason sente por Riki é algo muito mais visceral do que simples passatempo, o que torna o desenvolvimento do personagem mais rico e interessante.

    Fora isso, parece-me que são usadas muitas palavras para dizer muito pouca coisa. As cenas de sexo estão bem concebidas, mas o vocabulário é muito cansativo. Ainda continuo a tentar descobrir se o livro é mesmo assim ou se é a tradução que é manhosa.

    Agora... O volume 5 está esgotado, só o encontro a 50£ em segunda mão. Até encontrar o livro a preço acessível ainda vai demorar, por isso é uma pena o volume 4 ter sido tão desapontante.
  • Fuyu no Semi

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    Fuyu no Semi
    Youka Nitta
    Anime - 3 episódios
    2007
    8 em 10

    O que se segue é uma tradução do meu post no clube Critics&Connoisseurs (http://myanimelist.net/forum/?topicid=306212).


    É hora para a minha review mesmo convincente de Fuyu no Semi.
    Mas as primeiras coisas primeiro: a razão pela qual eu nomeei este OVA. Eu não espero, nem de perto nem de longe, que este anime seja incluído na nossa lista. No entanto, eu acredito que os membros deste clube devem - com o propósito de "afinar" as nossas características como críticos - ser expostos a todos os tipos de anime e géneros de anime. BoysLove é um dos géneros disponíveis. No entanto, é um facto de que não existe bom anime de BL. No entanto... No meio deste grupo degenerado, Fuyu no Semi aparece como um dos melhores, o top, o créme-de-la-créme do BL. E entre ser exposto a BL por um triste aborto como Gravitation e ser exposto por Winter Cicada, prefiro que todos vão pela minha opção. :p

    Com isto claro, vamos à review, para as razões pelas quais este anime se distingue do resto do BL.
    Animação:

    A arte é moderna e clara e a animação cumpre com o seu papel. Não é original ou fora do vulgar, mas é fluída e bem conseguida. Isto, para um anime BL,já é ganhar uma grande causa, acreditem-me. Um BL com boa animação (ie. uma animação que confere com todos os standards normais e cumpre com o seu propósito) é tão raro que eu posso nomear todos os títulos que a têm.

    Som:

    Os efeitos de som são apropriados e o tema ED é, para mim, muito memorável. Não é o tipo de música que vemos associada a anime, muito menos BL (que prefere pop-pastilha-elástica para os fluffy ou instrumentais negros para os angsty) Os actores de voz são excelentes, mas isso é um traço comum à maioria do BL. Como a maioria destes trabalhos são baseados em manga que já tem drama CDs antes do anime, os actores de voz são normalmente muito experientes e muito profissionais. O mesmo se aplica a Fuyu no Semi.


    Personagens:

    É interessante notar que estes personagens são cópias químicas dos desingns em Haru wo Dateita, o que faz destas duas séries irmãs. No entanto as suas personalidades são muito diferentes /dados irrelevantes

    Os personagens secundários estão apenas minimamente desenvolvidos, com só alguns traços desenhados para nós termos ideia de quem são. Mas aqui os que interessam são os personagens principais. Os seus designs estão imprinted e os seus traços pessoais são complexos, humanos e acreditáveis. Podem parecer à primeira, mas não são cliché nenhum. Até acho que são um bocadinho reais.  Isto faz com que o que podia ter sido um personagem comum que se vê em qualquer anime se torne numa criatura bem desenvolvida.

    O seu desenvolvimento também é muito importante e muito bem feito. Enquanto que o catalizador do seu desenvolvimento é a sua relação, cada um deles diverge e cresce de uma maneira diferente. Amor tornado obsessão, dedicação tornada desespero. Este tipo de desenvolvimento, acreditem-me, é único na situação do BL. Normalmente o desenvolvimento que temos é "uke não gosta de seme, mas passou a gostar e agora têm sexo"


    História:

    Se temos de chamar qualquer coisa de cliché neste anime, vamos chamar a história de cliché. Porque é mesmo. É só o usual setting de Romeu e Julieta. No entanto, e isto é interessante porque foi a minha primeira exposição ao tema, a localização história é extremamente original e estranhamente apropriada aos personagens e ao seu dilema. Oiço dizer que isto é um setting comum no manga BL, mas este é o único anime BL "histórico" e isso é mais ou menos brilhante por si só, acho eu.

    Como nota à parte, porque isto não cabe em nenhuma categoria, é essencial notar que este anime é praticamente feito sem o usual fanservice. ""Mas tem cenas de sexo!", dizem vocês. Verdade, mas não são fanservice. São uma parte integrante do desenvolvimento da história. Atrevo-me a dizer que a última cena de sexo (sim, a do amputado) está ali para nos dizer, para nos gritar, para nos bater, para informar "isto não é fanservice, isto está só aqui para te horripilar e te fazer arrepender de ver anime BL só pelas cenas de sexo"

    Diversão

    Muita. Isto é um dos meus animes mais favoritos e tenho-o muito querido no meu coração. Lembro-me que a primeira vez que o vi chorei tanto que a minha mãe até ficou preocupada (e imaginem explicar... "mãe, esttava a ver bonecos sobre dois gajos que se apaixonam T__T")

    Mas a minha diversão é claramente uma razão não válida para a inclusão de um anime neste clube!

    O que é essencial reter aqui é que este anime é brilhante dentro de um género miserável. Se tivessemos de nomear um anime de cada género, só dois (talvez três) se qualificariam no género BL: Fuyu no Semi e Ai no Kusabi. Considerando que Ai no Kusabi não envelheceu nada bem, acho que a melhor chance é este.
    De qualquer forma, tudo o que eu queria era que todos vissem isto. Infelizmente acho que não consegui, mas ao menos tentei, ne? :3



  • Ai no Kusabi 3 - Nightmare

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    Ai no Kusabi 3 - Nightmare
    Rieko Yoshinara
    Light Novel
    1986
     
     Se calhar devia só comentar a colecção no fim, porque é basicamente mais do mesmo. 
     
     Neste livro temos um desenvolvimento mais aprofundado da relação entre Riki e Iason. Há uma descrição mais detalhada dos jogos sexuais deste universo e uma caracterização mais rica do mundo em que se passa a história. Se isto for assim, progressivo, acho que vou acabar por gostar muito desta colecção.

     No entanto, parece-me que há um excesso de personagens e de historietas secundárias que não interessam a ninguém. A luta para a ressuscitação de Bison é, devo confessar, completamente irrelevante e deveria (simplesmente) não existir.

     Fora isso, continua assim que vais bem.
     

  • Ai no Kusabi 2 - Destiny

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    Ai no Kusabi Volume 2 - Destiny
    Rieko Yoshinara
    Light Novel
    1986

     Esqueci-me de dizer que não classifico livros, faz-me confusão. :3

     Este é o segundo volume da série Ai no Kusabi, O Limite do Amor, mítica série dos primórdios do BL, composta por Rieko Yoshinara. Num futuro longínquo, num planeta perdido no espaço, onde o número de homens é muito superior ao de mulheres, a sociedade encontra-se dividida por castas sociais. Em Ai no Kusabi seguimos a relação entre dois membros de castas diferentes, Riki e Iason.

     Neste segundo volume, voltei a ficar surpreendida - mas não tanto como no primeiro, que foi um verdadeiro choque frontal - com a péssima escrita desta colecção. Devido à imensa admiração que tenho pelo OVA produzido em 1992 sobre esta história, esperava que fosse algo muitíssimo bem escrito. Pois. Não é. É péssimo. Pensei que talvez fosse devido à tradução, mas aparentemente todo o género das Light Novels é assim e poucas se safam. Posto isto de parte, há alguns elementos que gostei muito neste livro.

     O universo está muito bem descrito. As ideias são repetidas frequentemente e, dado que existem muitos conceitos, isto é bom. No entanto talvez existam conceitos a mais... De uma forma ou de outra, é um mundo paralelo verdadeiramente original, especialmente tendo em conta que isto são os anos 80.

     A minha parte preferida é sem dúvida o desenvolvimento das personagens. Toda e qualquer personagem deste livro tem uma descrição (talvez peque por excesso de descrições físicas, mas não se podia esperar de outra coisa deste tipo de livro) e os personagens principais desenvolvem-se e são descritos perfeitamente, através das suas interacções e do se progresso pessoal.

     As ilustrações são uma miséria. Uns traços para aqui e para acoli, parece que demoraram meia hora a ser desenhados.

     Mais uma vez fomos brindados com uma cena sexual. Muito boa, por sinal. Se calhar é por isto que Ai no Kusabi é um clássico. Porque além de ser dos primeiros dentro do género BL, tem umas cenas de sexo do melhor que há!

     Fico à espera do próximo volume, que está ali na prateleira pronto para ser lido. Espero que a escrita melhore, ou então isto será um sofrimento grande até chegar ao fim.
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