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  • Monos

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    Monos
    Alejandro Landes
    2019
    Filme
    8 em 10

    Tenho escrito muito pouco neste espaço, por pura falta de tempo e de motivação. Tenho estado muito ocupada com trabalho, portanto se conhecerem algum médico veterinário que queira trabalhar tardes, por favor indiquem-me porque preciso mesmo, mesmo, mesmo de ajuda.

    Começarei por falar deste filme, que foi uma surpresa fantástica. Misterioso, violento e estranho, fascinou-me e afectou-me de uma maneira rara.

    Os "Monos" são um grupo de jovens que estão numa guerrilha, algures num país da América do Sul. Vivem felizes, despreocupados, têm uma refém americana e obedecem às regras da misteriosa organização que lhes dá os bens necessários à sua subsistência. No entanto, um evento trágico vai mudar a forma como vivem e a forma como são liderados.

    Uma reinterpretação do famoso "Deus das Moscas", com vários elementos desta obra inseridos de maneira subtil, é um filme que não explica o contexto dos acontecimentos, mas que coloca um conjunto de actores jovens e talentosos debaixo de um conjunto de situações que, inusitadas e stressantes, vão revelar a verdadeira natureza de cada uma das personagens.

    A fotografia é também um elemento fascinante, sendo que o filme nos mostra um conjunto de paisagens idílicas e oníricas, que tornam toda esta "fantasia" em algo ainda mais deslocado da realidade.

    Gostei imenso e recomendo vivamente!

  • Hedwig and the Angry Inch

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    Hedwig and the Angry Inch
    John Cameron Mitchell
    Filme
    2001
    7 em 10

    Tínhamos escolhido este filme da lista do IMDB de "Filmes para ver quando se está super alto". Já não estávamos tão altos assim, mas foi um filme deveras atrofiante.

    Hedwig é o tipo de traveca que evoluiu ao ponto de ser transsexual. Sobrou-lhe apenas a "Angry Inch", conforme ela explica numa das suas músicas. Sim, porque Hedwig é a vocalista de uma banda cheia de agressividade e está a fazer uma tour pela América numa cadeia de restaurantes familiares. O que não se conjuga muito bem com a sua atitude, mas foi o melhor que se arranjou. Ao mesmo tempo, persegue o seu ex-amante, que lhe roubou as músicas e teve sucesso com elas (apesar de lhe faltar o charme). O filme intercala os concertos com a perseguição e com flashbacks estranhíssimos que contam a vida deste "it" e como se tornou num "hit" internacionalmente ignorado.

    O filme é surreal. Os flashbacks são por demais bizarros e estão misturados com sequências de animação geométrica, baseados nos desenhos do diário de Hedwig, que não trazem mais sentido à história. Por vezes até o tiram. O filme atinge o seu ponto de non-sense na cena final, que acredito que seja um sonho em que a personagem se despoja da sua máscara para revelar que, na realidade, é apenas um rapazinho que gosta de rock ocidental.

    Isto foi inspirado num musical, por isso é também um musical. As músicas variam entre as muito boas e as muito estranhas (como o caso da "I put on my wig", que tem karalhoke e tudo). Fica aqui um pequeno exemplo do que podem esperar:


    E aqui fica demonstrada outra coisa que queria referir: o trabalho de actor. O realizador é o actor principal, na personagem Hedwig, e tem momentos extraordinários de travequice, sobretudo durante os concertos. Nas sequências de flashback nem tanto, mas o actor brilha dentro da personagem em algumas ocasiões e acho que vale a pena ver.

    Mas não sei se o filme tem tanto impacto se não estiverem "super altos". Ou se calhar até tem, visto que ganhou uma série de prémios, incluindo no Sundance. Digam de vossa justiça!
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