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  • Wicked City

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    Wicked City
    Kawajiri Yoshiaki - Madhouse
    Anime - Filme
    1987
    6 em 10

    Um dos primeiros filmes deste realizador, um noir hard-boiled em azul e vermelho. 

    Nesta história temos o mundo dos demónios a tentar conquistar o mundo das pessoas, através das formas mais horríveis. Uma dupla, demónio-humano, irá tentar resolver a situação.

    Apesar de termos uma animação impressionante, os cenários azuis e vermelhos são estranhos e um pouco cansativos. A pouca variedade nas cores dá ao filme todo um ambiente de depressão, que funciona dentro do contexto, mas que entra em oposição com o comical relief presente na figura do mestre velhote. Aliás, penso que este personagem tira muito da seriedade do filme, que seria mais positivo se ele tivesse uma personalidade completamente diferente.

    Também a conclusão do "amor vence tudo" é um pouco ridícula dentro deste contexto de violência e gore.

    Ainda assim, é um filme clássico imperdível para um estudioso desta arte.

  • Crying Freeman

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    Crying Freeman
    Yamauchi Shigeyasu - Toei Animation
    Anime OVA - 6 Episódios
    1988
    7 em 10

    Não sabia nada sobre este anime, mas a verdade é que adorei com todas as minhas forças.

    Misturamos acção e lutas, com erotismo, com um humor muito estranho, com uma narrativa aparentemente trágica, e temos o Crying Freeman. Não adiantarei muito da história, para vos deixar com vontade de ver. Mas posso dizer que em todos os episódios temos SEXO, muita gente nua, lutas de gente nua e lágrimas.

    Com um erotismo que quase toca no hentai (mas não completamente), este OVA tem uma animação sensual e detalhada, com jogos de luz e sombras característicos de um verdadeiro noir. Os personagens são hard-boiled, com uma dimensão humana muito interessante. E nem por isso o anime deixa de se elevar ao ponto do ridículo, levando às lágrimas de riso mais vezes do que seria esperado e, quem sabe, necessário.

    Portanto, foi um anime que me surpreendeu em todos os aspectos e que é, sem dúvida, uma paródia de si próprio. Recomendo muito e muito vivamente.

  • No Guns Life

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    No Guns Life
    Itou Naoyuki - Madhouse
    Anime - 12 Episódios
    2019
    4 em 10
    Se há coisa que ainda não tinha visto em anime (ou em sítio algum) é um tipo com cabeça de revólver. Mas e o resto?

    Este anime procura inserir-se num ambiente noir, trazendo um herói muito hard-boiled numa referência aos antigos animes do género. Esta premissa foi o que me atraiu ao início para este anime. Infelizmente, o revólver tem uma personalidade suave e humorística, o que prejudica ainda mais uma história cheia de buracos de bala.

    É como se existissem vários temas que o anime deseja explorar, não conseguindo explicar nenhum deles do início ao fim. A história está por todo o lado, espalhada em todas as direcções, acabando por não seguir em nenhuma delas e manter-se centrado no retrato deste universo que, num todo, é pouco original, insosso e demasiado claro. 

    Não existem pontos positivos para este anime sem ser a sua ideia de base. Valeu a pena pela tentativa.
  • The Big O

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    The Big O
    Katayama Kazuyoshi - Sunrise
    Anime - 26 Episódios
    1999
    6 em 10

    Quando fui ler algumas críticas deste anime, pouco depois de o começar, vi-o classificado como "noir". E achei interessante que estivesse a ver um anime noir. Mas depois fui ver algumas características dos verdadeiros film noir e não creio que esta classificação esteja correcta. Existe um anti-herói, no caso um negociador de sequestros e uma femme fatale. O ambiente é tristonho e deprimido, muito pouco colorido e com algum ênfase no preto contra o branco, sobretudo no que respeita aos designs dos personagens. Mas a  história e a motivação dos elementos desta não correspondem ao trope original. Assim, conforme sugestão, permitam-me que classifique este anime como "neo-noir".

    Big O é um robot gigante, conduzido pelo negociador de sequestros Roger Smith. Tem uma android como governanta e ajudante e um criado zarolho que carrega grandes armas consigo. Todos os episódios encontra um robot gigante novo com quem lutar, um megadeus, e destrói toda a cidade no processo. Tem um amigo na polícia. E são episódios de destruição atrás de episódios de destruição até que, circa episódio 18, temos uma história um pouco mais completa, mas ainda assim sem grande mistério e complexidade.

    Os personagens Roger e Dorothy são interessantes pois trazem momentos de humor algo irónico. Roger, apesar de estar apresentado como um pouco anti-herói, até é uma pessoa bastante simpática e bem humorada, que gosta de dormir até tarde. Dorothy tem alguns momentos geniais de humor, pois - sendo um robot - não tem qualquer expressão. Ainda assim diz coisas muito desadequadas para robot, que revelam a sua humanidade que, em minha opinião, não deveria existir. O episódio do gato é um exemplo forte disto.

    Assim o anime ganha interesse não pela história ou personagens mas pelo ambiente artístico. As cores são parcas e a animação tem traços fortes, apesar de não ser nada de extraordinário. Muitas explosões e prédios a cair. Esta cidade onde vivem tem uma característica especial: é uma cidade sem memórias, pois há 560 anos toda a gente se esqueceu de tudo (o que lembra bastante A Wind Named Amnesia). Não me pareceu que este conceito fosse suficientemente explorado. O ambiente é coroado por uma excelente banda sonora, com muito jazz e blues, muito piano e saxofone. A música trás muita melancolia à série, o que por vezes não corresponde às personalidades dos personagens nela inseridos.

    Tinha tudo para ser um clássico. Talvez se não tivesse mechas feiosos o tivesse conseguido.
  • Noir

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    Noir
    Arie Yuuki - Bee Train
    Anime - 26 Episódios
    2001
    6 em 10

    Não gosto, não gosto, NÃO GOSTO!, da arte do início dos 00s. Gente sem queixo, que irritação.

    Mas adiante! Noir é uma série mais ou menos antiga, aparentemente apareceu na Sic Radical circa 2005 por isso muita gente a conhece. Eu não posso dizer que tenha gostado muito. Deixei de lhe dar atenção por alguns momentos e perdi-me completamente.

    A arte, como venho dizendo, no me gusta. No me gusta mesmo nada. Mas enfim, há-que aceitar que nesta época era a última moda fazer gente com caras curtas, redondas e sem queixo quando vistas de baixo. Há um esforço para fazer cenas de acção complexas e os personagens mexem-se com leveza, mas ainda assim parece tudo muito pouco natural e os movimentos são muito matemáticos. Não há grande beleza no anime, que se mantém com um ambiente mais ou menos negro ao longo de todos os 26 episódios.

    A história, bem... Perdi-me. No início era episódico e deixei de lhe ligar, mas de repente já estavam a acontecer montes de coisas e montes de explicações que eu não estava a perceber. Tive que pedir que me explicassem e, depois dessa pequena aula, chego à conclusão de que a história tem o seu quê de original mas não se distingue grandemente de outras no mesmo tema (a máfia e os assassinos a soldo). É muito pouco realista e existe um erro essencial: porque é que Mireille se junta a Kirika? Para saber quem matou os pais dela? Mas ela já sabia! Para saber porque é que mataram os pais dela? Para quê saber? Ela inicalmente não parece desejar vingança e esse desejo só aparece mais tarde, ali completamente desalinhado.

    Em termos de desenvolvimento de personagens, temos uma coisa muito básica. Não nos conhecemos, ficamos amigas ao longo do tempo e da nossa convivência, que consiste em matar pessoas, depois descobre-se que afinal temos de nos matar uma à outra, mas afinal somos amigas à mesma e temos o mesmo objectivo que é libertarmo-nos de todo o mal. Explica-se numa frase e isso nunca é coisa boa.

    A música... Começa bem. Eu gosto muito de Ali Project e gosto muito da música da OP, que combina bastante com o teor meio negro meio clássico do anime e serve muito bem como introdução. Agora tudo o resto... A minha primeira impressão foi que havia músicas a mais. Há medida que o anime foi progredindo, começou-me a parecer que eram sempre as mesmas músicas. Que nem são nada de especial. Sobretudo a música do relógio, é muito pouco original para música de relógio (no anime todos os relógios de bolso dão música. Resta saber se dão horas)

    Um anime mediano, que não envelheceu bem. Neste momento da parada não vejo razões para o recomendar, mas um fã de acção e de moças com armas talvez goste bastante.

    Como nota à parte: Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille JÁ ME VISTE? Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille

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