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  • Ignorance

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    Ingorance
    Milan Kundera
    2000
    Romance

    Também recebi este livro no tal encontro do BookCrossing. Fiquei muito feliz por mo terem trazido, pois as minhas experiências com Milan Kundera têm sido sempre muito positivas. Mas houve algo neste livro que não me atraiu, talvez a tradução em inglês.

    Uma sensação que tive, foi que o título do livro está errado: devia chamar-se "melancolia". Porque enquanto que o tema da "ignorância" está presente, esse aspecto parece ser preterido em relação aos sentimentos frustrados que os personagens têm perante essa "ignorância".

    De todos os modos, é um livro simples, uma espécie de triângulo amoroso sem mais nada, com pouca caracterização e pouco drama. Uma passagem pela vida, sem nada a acrescentar. Fiquei um pouco desapontada.

  • A Identidade

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    A Identidade
    Milan Kundera
    1997
    Romance

    O último livro que roubei no Picnic BookCrossing :)

    Mais uma vez, Milan Kundera excede os conceitos, com um romance afastado da realidade vulgar e envolto numa área de sonho. Um casal ama-se em tal profundidade que começam a deixar de distinguir a identidade um do outro. Quando a mulher começa a receber misteriosas cartas, a sua relação fragiliza-se a ponto de rotura. Mas quem será o autor destas cartas? É nestas alterações de identidade que o livro se foca, sendo que os personagens deixam exactamente de saber quem são eles próprios e qual a sua conexão com a realidade de casal.

    Escrito de forma muito simples, com capítulos extremamente curtos, o livro torna-se bastante fácil de ler e foi uma rapidez terminá-lo. Infelizmente, pareceu-me que a caracterização inicial dos personagens os torna um pouco detestáveis, sendo que o culminar ou reatar da sua relação acaba por nos parecer irrelevante devido à falta de identificação que a que o autor nos remete. Isto é, a ideia é excelente, mas os executantes desta (os personagens) não nos tocam de forma alguma.

    Assim, foi um livro que li e que certamente relembrarei, mas que fica aquém de outras obras do autor.

  • A Insustentável Leveza do Ser

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    A Insustentável Leveza do Ser
    Milan Kundera
    1983
    Romance

    Este livro foi-me oferecido pelo Qui no meu passado aniversário, mas só agora tive oportunidade de o ler. Foi realmente uma boa escolha, porque é uma história de amor muito bonita. Como gosto do meu Qui! ^___^

    Este livro trata de vários assuntos. Primeiro, é uma história de amor. Aliás, uma história sobre o amor. Tomas e Tereza, Sabina e Franz, Tomas e todas as mulheres, tudo isto é mote para falar sobre este sentimento e as relações entre as pessoas. E a conclusão é de uma pureza quase infantil: o amor é como um cão. A história tem cenas de elevado erotismo, mas nunca se torna vulgar. Pois o autor faz uso do poder da sugestão, daquilo que poderemos pensar que vai acontecer, sem ser extremamente descritivo ou simplesmente desagradável. São cenas belas e comoventes, sobretudo dentro do contexto de dor constante e de auto-descoberta de cada um dos personagens.

    Depois, este livro é também uma caracterização da República Checa aquando a invasão russa de 1968. É um assunto que não conheço bem, mas aqui é falado de um ponto de vista muito pessoal. Antes da invasão, depois da invasão, a diferença das pessoas. E, sobretudo, o medo, a paranóia, o sentimento misto de terror e necessidade de auto-protecção de todas estas pessoas que vivem sob um regime exagerado

    Finalmente, o livro é um exercício filosófico, uma transmissão de ideias autor-leitor. Pois este narrador admite desde logo que as suas personagens são apenas personagens. Admite que as criou e que as escolheu por serem fruto de acasos. Tendo isto em conta, é fácil ligarmo-nos não aos personagens mas à ideia da sua concepção, não às suas relações mas aos conceitos primários por trás delas. Assim, é um livro com várias camadas, que temos de retirar uma por uma até chegarmos ao cerne da questão: o que é a vida, o que é o ser humano e, no fim de contas, o que é o amor.

    Eu já tinha lido este livro no passado, mas foi numa época em que provavelmente não teria a maturidade suficiente para o compreender devidamente. Com esta re-leitura, apenas me recordei de uma única imagem: o capítulo, muito curto, da mulher-cegonha. Por alguma razão, essa cena ficou-me gravada na memória. Agora, que li o livro com mais atenção, posso dizer que esta é uma verdadeira obra-prima e que deverá ser recordado como aquilo que verdadeiramente é: um exercício simples, mas incomparável; uma homenagem a tudo o que é vivo; um apelo aos sentimentos.

    Recomendo vivamente.
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