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  • Alma

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    Alma
    Manuel Alegre
    2008
    Romance

    Este livro parece absolutamente uma autobiografia da infância do autor. Mas não é: é uma história verídica que acabou de se inventar ;)

    Alma é uma cidade fictícia no distrito de Aveiro, perto do Caramulo, onde um garoto vive a sua infância durante a segunda guerra mundial, em que Portugal se manteve neutro, assistindo como mero espectador ao desenvolver de uma ditadura e às actividade "republicanas" da sua família mais próxima.

    Cada capítulo descreve um momento que, na perspectiva de um miúdo desta época, seria perfeitamente vulgar. As conversas no café, o futebol, a caça, as brincadeiras, a iniciação sexual. Tudo isto é relatado na perspectiva do adulto em que a criança se tornou, com um filtro de maturidade sobre os acontecimentos.

    É um bom relato de época, embora não creia que Manuel Alegre estivesse vivo por essa altura. O ambiente, apesar de fantasiado, é extremamente realista e chegamos mesmo a acreditar que todos estes acontecimentos ocorreram num tempo real. Para além do mais está muito bem escrito.

    Apenas me pareceu que, dentro do contexto da literatura portuguesa da actualidade, o tema se torna - mais uma vez - um pouco repetitivo. Parece que todos os livros de agora têm de falar de uma infância durante uma guerra qualquer.

    Uma boa leitura.
  • Cão Como Nós

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    Cão Como Nós
    Manuel Alegre
    2002
    Romance

    Entre este livro e o outro houve mais um, mas deixo-o para mais tarde porque quero fazer uma citação e ele não está aqui. :>

    Quando apareceu a oportunidade de receber este livro pelo BookCrossing, inscrevi-me logo. Afinal, sou uma "dog-person", uma pessoa canina, quiçá até tenha um pouco de cão dentro de mim. Nunca tinha lido Manuel Alegre e isso era juntar o útil ao agradável.

    É um livro simples, de ideias simples e linguagem simples. Conta a ascensão e queda de um cão de caça chamado Kurika, que terá vivido com o autor (ou será apenas da sua imaginação?) e com ele falecido. O livro intercala pequenas histórias das aventuras do cão com os momentos de saudade depois do seu desaparecimento. Estes últimos são muito comoventes, quase me levaram às lágrimas por momentos. Os outros são divertidos, até porque narram uma perspectiva do cão diferente daquela que normalmente encontramos em livros sobre animais. Porque o narrador, autor ou imaginação, tem uma posição muito... Portuguesa... Sobre cães. Mas acaba por amolecer, apesar de ainda se irritar por o cão ser um cão que parece uma pessoa.

    Uma belíssima homenagem a todos os cães e a todas as pessoas que tiveram cães.
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