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  • Future Boy Conan

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    Future Boy Conan
    Hayao Miyazaki - Nippon Animation
    Anime - 26 Episódios
    1978
    6 em 10


    Visionamento do outro Groupwatch, um anime que eu tinha marcado que tinha visto mas do qual não me lembrava minimamente.

    Conan, que não é o homem-rã, é um rapaz filho de vários pais e que - por alguma razão que nos transcende - é possuidor de uma super força e super coragem e super inocência e super tudo. No dia em que encontra Lana perdida na praia, a sua vida neste mundo arrasado pela guerra nuclear e agora composto apenas por ilhas, muda para sempre.

    A verdade é que toda a gente quer Lana, e Lana passa a vida a chorar e a desmaiar, como convém a uma heroína dos anos 70. Mas de resto o anime é bastante divertido, e ver os shenaningans de Conan é delicioso, porque não fazem sentido nenhum. Este Conan-macaco consegue ultrapassar todas as barreiras, usando mãos, pés e dentes!

    É uma série que tem um sentido de moral apurado, e que nos tenta explicar a importância de cuidar da natureza, mesmo nesta época em que ninguém dava muita atenção ao assunto. Gostei, mas a infantilidade da história, a animação um pouco fraca e os designs muito simples das personagens em oposição à maquinaria, impedem-me de dar melhor nota.


  • Laputa

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    Laputa - Castle in the Sky
    Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    1986
    7 em 10

    Este era o único filme da Ghibli que me faltava ver. :) Portanto, mais um grande achievement na minha vida animesca!

    Tudo começa quando uma máquina aérea, de transporte de passageiros, é atacada por piratas. Uma rapariga consegue fugir com uma pedra preciosa, que lhe dá a capacidade de flutuar. Será revelado que essa pedra contém o segredo sobre como chegar a Laputa, a ilha no céu, inspirada nas viagens de Gulliver, onde uma civilização antiga e poderosa contém uma tecnologia invejável por vários membros da sociedade.

    Este filme tem muito de extraordinário. Para começar, foi o primeiro filme inteiramente produzido pelo Studio Ghibli, com um valor de produção invejável para a época. As cenas de animação estão essencialmente perfeitas para a tecnologia que existia na altura, sendo que também existe um cuidado especial com os cenários e, sobretudo, com a maquinaria de inspiração steampunk que povoa todo o filme. Neste campo, achei apenas um defeito que foi o que me impediu de dar uma nota exemplar: as nuvens. Para um filme passado no céu, não temos imagens aéreas especialmente originais, sendo que a utilização de luz nas nuvens pode ficar um pouco aborrecida. Existem também algumas cenas em que a paleta de cores muito reduzida não contribui para a experiência, nomeadamente a cena na prisão que tinha cores demasiado quentes e sobrepostas umas nas outras.

    Os personagens são encantadores, fortes e sofrem uma caracterização e desenvolvimento muito discretos mas, ainda assim, perfeitamente conjugados com as experiências que ocorrem durante a narrativa. Gostei tanto dos personagens que, deixem-me anunciar!, fiquei com vontade de fazer cosplay da Sheeta. Aliás, fiquei ainda com mais vontade de fazer da velhota, mas ainda não tenho rugas suficientes, hahaha. ;) Infelizmente, os designs dos personagens não acompanham a sua complexidade. Houvesse um maior cuidado no seu desenho e talvez nos conseguissem transmitir um pouco mais além da simplicidade inerente a todos os personagens de Miyazaki.

    O conceito da ilha flutuante é concretizado da melhor maneira. A partir do momento em que entramos em Laputa, um novo mundo se nos revela. O detalhe dado a estas cenas é absolutamente fascinantes e, por esta última secção, vale a pena ver o filme. Existe também um discreto conceito ambientalista, caracterizado pelo robot jardineiro, o que demonstra a tendência bastante precoce do autor em abordar este tema.

    Musicalmente, temos um tema recorrente mas que é interpretado de uma série de maneiras que po tornam sempre único. Os efeitos sonoros também estão muito adequados.

    Um filme inspirador e a prova de um excelente começo para um estúdio que todos amamos!

  • The Wind Rises

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    The Wind Rises
    Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    2013
    9 em 10

    Duas double sessions, muitos filmes. Falaremos bastante deste nos tempos vindouros.

    Durante muito tempo, sempre houve anúncios de que o Sr. Miyazaki se ia reformar, que ia deixar de fazer filmes e todas essas coisas. Na verdade, três ou quatro filmes foram o seu "último filme". Então, deixei de acreditar que ele se fosse reformar. Mas apareceu o "Wind Rises", que viria a ser o filme definitivo. Ouvi e li críticas agressivas, intenso desapontamento dos fãs. Mas, apesar de todas as subversões, quando terminei de ver este filme, decidi comigo própria: é este o filme definitivo. Para finalizar uma era, seria necessária uma obra prima. E aqui está ela. Acredito que este filme venha a ser um dos exemplos pilar para todos os visionantes. Acredito que este se tornará um filme essencial.

    Para começar, neste último filme, o Sr. Miyazaki decide cortar todas as relações com o passado. Assim, apresenta-nos um filme de não-ficção, inspirado na vida e obra de uma pessoa que realmente existiu, passado no mundo real, relatando coisas que efectivamente aconteceram. Para além do mais, é um drama. E, finalmente, não será de todo o mais apropriado a crianças muito pequenas.

    A pessoa escolhida para protagonizar este filme chamava-se Horikoshi Jirou. Na impossibilidade de se tornar piloto de aviões, o seu fascínio desde criança, torna-se um dos mais importantes engenheiros a trabalhar nos primórdios da Mitsubishi. E desenha, com sucesso relativo, aquilo que virão a ser os aviões que proliferaram durante a segunda guerra mundial e que interviram de forma muito importante no seu desfecho.

    O tema é o sonho. Jirou sonha constantemente com o seu ídolo - Caproni - uma pessoa de um passado mais remoto, que desenhou aviões. Tendo este homem como exemplo, Jirou sonha em construir o melhor avião. Ele não quer uma máquina de guerra, ele não se interessa sobre o destino que irá ser dado ao seu avião. Ele deseja construí-lo pelo simples prazer de criar. E aqui, desde já, se estabelece uma força na personagem impossível de contornar. É um sujeito estranho, este, que fala de forma monocórdica e trabalha a toda a hora, sem dormir, fumando e fumando. Será um indício de autismo? Mas são estas pequenas coisas, que ao início são irritantes, que definem o personagem como uma pessoa real e única dentro do seu contexto.

    Paralelamente ao sonho dos aviões, o vento levanta-se de outra forma. Desenrola-se uma história de amor de contornos trágicos, mas com sentimentos tão puros que não podemos deixar de desejar que sejam simplesmente felizes. É uma história comovente e muito realista, falando da epidemia de tuberculose que decorria na época, não só no Japão mas um pouco por todo o mundo. Os momentos do casal são extremamente simples, mas com um romance implícito que vem apenas a tornar a conclusão ainda mais triste, apesar de lógica e necessária.

    No respeitante à animação, temos o melhor que este estúdio tem para oferecer, e ao qual já estamos bem habituados. Como a história não se passa num mundo fantástico, e sim no mundo real, não temos grandes complexidades estruturais ou extremamente originais. No entanto, há tal delicadeza no detalhe dos cenários, profundidade e suavidade que este filme se torna surpreendentemente belo. Os cenários são pintados por meios tradicionais e apesar de existir um tratamento digital, sobretudo evidente na cena do terramoto, este integra-se bastante bem e não nos faz estranhar. Em todos os desenhos técnicos se revela uma pesquisa profunda sobre o tema. É também de notar o excelente trabalho de fotografia e enquadramento, que nos trazem cenas muito realistas e, sobretudo, muito belas. 

    Gostaria também de falar da excelente animação de todas as cenas de sonho, em que viajamos em cima de aviões impossíveis e em que Jirou se consegue aperceber dos seus erros, aprendendo e evoluindo. Cada cena representa um pilar importante na evolução, no vencer dos medos e na concepção do avião ideal, que depois tem a sua inspiração final dentro do romance. Estas cenas de sonho transladam-se também para cenas em que o personagem se encontra extremamente concentrado. São a única parte fantástica do filme e trazem uma frescura estonteante e inspiradora.

    Musicalmente, temos um tema recorrente, interpretado em vários tempos e vários instrumentos, conforme seja mais adequado à situação. É um tema muito positivo, que acrescenta ao filme uma onda de optimismo que não corresponde à realidade. Quero eu dizer que este filme apresenta todos os temas, o sonho, o romance, sob uma perspectiva muito positiva. E a verdade, aquilo que aconteceu no mundo real, no nosso mundo, não podia ter sido pior.

    E é por isto que me apaixonei por este filme.

    A narrativa tem vários elementos autobiográficos. Miyazaki não só fala sobre uma pessoa por quem terá a maior consideração: ele revisita-se em várias cenas. Temos muitos momentos que nos recordam filmes anteriores, como Porco Rosso e A Viagem de Chihiro, o que demonstra uma capacidade auto-crítica de louvar. Mas o mais importante, para mim, é o momento em que nos apercebemos do verdadeiro conceito do filme. Acredito que nunca o Estúdio Ghibli fez algo tão negativista, apesar de o apresentar sob uma luz de  aparente felicidade.

    Porque, apesar dos aviões serem o sonho de Jirou e de ele dedicar a sua vida à sua concepção, a verdade é que estaríamos todos melhor se ele tivesse abandonado o seu sonho logo antes de ele existir. Porque Jirou construiu os aviões. E depois veio uma bomba atómica. E qual é a moral disto tudo? Por vezes os sonhos são belos, mas as consequências são tão destrutivas que temos de ter a capacidade de avaliar quais os sonhos que se devem tornar realidade ou não. Foi o que Jirou, enquanto personagem (enquanto pessoa?) não conseguiu fazer.

    Assim, o final apresenta-se muito agridoce, controverso e intenso. A cena final é subtil e maravilhosa, tornando toda a experiência do filme muito extrema.

    Assim, gostaria de recomendar a toda a gente que veja este filme. É a obra de arte que vem a provar a verdadeira capacidade de Miyazaki, é o seu filme definitivo. É a película que condensa todo o trabalho de uma geração e que vem finalizar uma era na indústria cinematográfica e de anime. Será certamente uma peça importantíssima no crescimento do anime como arte visual e acredito que a sua importância será devidamente reconhecida quando os ânimos acalmarem. Pois o filme não corresponde às expectativas. No entanto, cria novas expectativas. E a essas, ultrapassa-as.
  • Kiki's Delivery Service

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    Kiki's Delivery Service
    Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    1989
    8 em 10

    Chegados a casa depois do excelente AmadoraBD, um belo jantar de almôndegas com uma cervejinha. E para acompanhar o digestivo, que tal um filme? Perguntei se podia ser anime. Como podia, seleccionei um dos meus DVDs da colecção Ghibli. Por acaso já me apetecia rever este filme, que foi a minha irmã que me ofereceu como souvenir de uma viagem a Londres, veio mesmo a calhar!

    É amoroso em todos os aspectos. Este filme conta a história de uma bruxinha que muda de cidade em busca da sua independência. Deverá estabelecer-se como a bruxa residente de uma nova cidade. Infelizmente, a única coisa que ela sabe fazer é andar de vassoura. E nem isso sabe muito bem! No entanto, rapidamente descobre uma coisa que na qual o seu talento pode ser útil: um serviço de entregas!

    Este filme é, no fundo, uma alegoria ao existencialismo da adolescência. Kiki enfrenta dúvidas e cresce substancialmente à medida que descobre aquilo que é importante para ela. Tal não seria possível sem a ajuda de alguns amigos, todos eles personagens característicos e interessantes, desde a simpática senhora grávida que lhe oferece abrigo, o rapaz - Tombo - que dá sempre uma segunda oportunidade e a sempre necessária freakalhóide que vive isolada no meio da floresta a pintar. Não esqueçamos Jiji, o gato, a voz da consciência, e o seu simbolismo patente no crescimento de Kiki - o falar ou não falar, interpreto-o como relativo ao amadurecimento da dona.

    Tudo isto ilustrado por um ambiente apaixonante e detalhado, uma cidadezinha europeia, mistura de todas as cidades europeias mas com uma personalidade própria. Cada cena é um gosto de se ver, porque até as coisas mais simples estão carregadas de pequenos momentos que trazem realismo e graça.

    Um excelente filme. Romântico, quiçá? Bem, a gente gostou. :)


  • Porco Rosso

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    Porco Rosso
    Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    1992
    7 em 10

    Um excelente filme para ver numa noite de chuva. Oferecendo o melhor que o Estúdio Ghibli tem para nos dar, apresento-vos o magnífico porco voador!

    Este filme fala sobre aviões e os seus pilotos. Marco é um porco que caça piratas do ar no seu hidroavião e acaba numa competição com um outro piloto que um dia lhe deitou o avião abaixo. É um filme muito simples, mas que está muito bem contado. O diálogo está cheio de momentos preciosos, sobretudo relacionados com suínos.

    Existem muitas cenas de aviões que estão excelentemente animadas. São emocionantes, originais e muito bem feitas. Mas, o mais importante, é que estão integradas no contexto da história e não aparecem apenas por acaso, não é uma acção injustificada. As paisagens mediterrânicas são muito bonitas e este filme merece ser visto em boa qualidade.

    Uma banda sonora original bastante adequada, oferecendo leveza à acção, com uma canção sobre cerejas que será inesquecível.

    No entanto, senti que houve dois elementos que não foram explorados suficientemente, pelo que o filme apresenta essa falha. São esses elementos a perseguição fascista, que poderia ter dado pano para mangas, e a magia que transformou o porco num porco. Isto daria um filme mais longo e quiçá menos apropriado a crianças, que é a demografia indicada para ele, mas acho que são temas importantes, sobretudo o político, que poderiam ser tratados de forma bem humorada como o foi o resto do filme.

    Uma nota especial para a cena dos aviões por cima das nuvens, que foi uma das metáforas mais bonitas que vi para a morte durante a guerra.

    Um filme recomendado, para todas as idades e para todos os gostos.
  • Karigurashi no Arietty

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    Karigurashi no Arietty
    Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    2010
    7 em 10

    Todos gostamos da Ghibli e vamos sempre dizer que os filmes são geniais, mas permitam-me discordar. Arietty é um bom filme. Arietty é um filme divertido. Mas Arietty não é um filme genial.

    Esta filme conta-nos o improvável encontro de um miúdo a morrer de insuficiência da mitral com Arietty. Acontece que Arietty é, bem, pequenina. É uma rapariga à escala de polegar. Vive por baixo de uma casa com o seu pai e a sua mãe e, para sobreviver, "tomam emprestadas" coisas que as pessoas da casa já não utilizam. Sho vê-a e, atraído pela sua existência, tenta comunicar com ela da melhor maneira que consegue, que não é de todo a ideal. A história é fofa e tenta dar-nos a moral de "nunca desistas de viver", mas pareceu-me que esse aspecto não foi desenvolvido com, bem, desenvoltura! Em termos de personagens temos a habitual mulher forte dos filmes Ghibli, mas pouco mais. Achei graça a Haru-san, cuja "maldade" tinha uma origem absolutamente inocente e infantil.

    A arte é o ponto forte. É maravilhosa. Conseguem tornar um jardim numa floresta, cheia de detalhes e de pequenas coisas. A casa das pessoas pequenas também é absolutamente deliciosa. Vale a pena ver o filme só pela arte.

    A música está muito adequada e transmite beleza.

    Reparei em dois erros crassos de planeamento: a porta que estava trancada abriu sem ser destrancada e a cortina corrida numa cena aparece toda aberta na cena seguinte. Estas pequenas coisas são, de facto, pequenas, mas para mim fazem todo um filme.

    Talvez compre o DVD para ver com a minha macaca de estimação.

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