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  • Pesadelo

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    Pesadelo
    Pedro Tierra
    2020
    Crónicas


    Outro livro que obtive gratuitamente num blog do Wordpress.

    Trata-se de um livro chocante e impressionante, um conjunto de crónicas sobre a prisão durante a ditadura militar brasileira. O autor fala-nos em detalhe dos momentos que passou nesta situação, e o resultado não podia ser mais atemorizador.

    Cada pequena história tem como protagonista um prisioneiro diferente, e assim nos fala das várias pessoas que - mal ou bem - foram presas, torturadas e maltratadas pelo regime militar autoritário. Por isso, este livro acaba por ser um pedido de paz, um voto para que nada disto se repita, e um manifesto anti-fascista com qualidades preciosas.

    Apesar da violência, penso que este livro é uma referência importante sobre o tema.

  • The Handmaid's Tale

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    The Handmaid's Tale
    Margaret Atwood
    1985
    Ficção Científica

    Depois de Senhora Oráculo fiquei com o bichinho de conhecer melhor a autora Margaret Atwood. Para minha grande sorte, o BookCrossing possui uma inveterada fã que, amorosamente, me emprestou este livro e outro. Não podia ter ficado mais surpreendida com a versatilidade da autora! Desta vez, temos um livro de ficção científica num futuro distópico, relatado de uma maneira dolorosamente pessoal e com resultados extraordinários.

    Neste universo, parte dos Estados Unidos passaram a ser um novo país: Gilean. Nesse país, após perseguições e horrores diversos, as mulheres foram colocadas num novo lugar. Agora, servem simplesmente o propósito de reproduzir e servir os homens. Neste futuro, as crianças são um bem escasso. Assim, tudo deve ser feito para as criar. No entanto, a aura religiosa extremamente fascista que paira sob todas as situações torna impossível a felicidade destas mulheres, inseridas numa cadeia hierárquica altamente rígida que em nada contribui para que uma pessoa possa desenvolver qualquer tipo de identidade própria.

    Offred, da qual não conhecemos o nome verdadeiro, é uma Handmaid. A função dela, neste mundo, é reproduzir. Para isso, foi atribuída a um Comandante e à sua Esposa, de forma a ter filhos por eles. A forma como ela conta aquilo que aconteceu e o que está a acontecer, a sua dificuldade em adaptar-se a este universo totalitário, é extremamente único e pessoal, demonstrando uma dor e ainda assim uma tenacidade por se manter viva. Será que isso aconteceu? Nunca saberemos, apesar da nota positiva (embora muito estranha) do final.

    É uma ficção científica original e extraordinária. Pela primeira vez, temos uma visão totalmente negativa, sem esperança, sem que ninguém tome atitudes heróicas para salvar a humanidade. A sociedade como a conhecemos está destruída e nada se pode fazer para a mudar. A personagem admite isso, mas apesar de tudo, enquanto pessoa, enquanto mulher, é para ela impossível admitir a derrota.

    Ansiosa por chegar ao outro livro de Atwood que a amiga BookCrossiana me emprestou :)
  • Capitão Falcão

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    Capitão Falcão
    João Leitão
    2015
    Filme
    6 em 10

    Fomos ao cinema! Desde que vira o trailer deste filme que queria muito vê-lo. Afinal, este filme representa uma luta: começando como episódio piloto de uma série, foi recusado. Assim, decidiram fazer um filme. Mas o filme ficou interdito de passar no cinema durante uma eternidade. Até que finalmente a Nos-Lusomundo decidiu apostar nele. E agora está  ser uma bomba de popularidade! E ainda bem! Porque, afinal, é um filme português diferente, que goza consigo próprio e com toda uma sociedade, sem nunca deixar de demonstrar as influências e o carinho que tem pelas figuras tradicionais da banda desenhada e das séries antigas.

    Capitão Falcão é o herói que Portugal precisa. Sob as ordens patrióticas do Presidente António de Oliveira Salazar, uma criaturinha frágil que gosta de fazer bolos-rei, e com ajuda do seu parceiro, chinoca de Macau, Puto Perdiz, luta contra as forças do mal que ameaçam os grandes pilares da cultura portuguesa: Fé; Trabalho; Família. Os seus inimigos tomam muitas formas, cada um mais perigoso que o anterior. Comunistas. Feministas. Comunistas que são Ninjas... Comuninjas. E os temíveis... Capitães de Abril!

    Todo o filme é uma ironia, um retrato cómico de uma época que cada vez mais se esquece: os seus intervenientes vão desaparecendo progressivamente, já não se lembram ou, pior, perante o estado em que as coisas estão viram-se para a fé de que antigamente é que estava tudo bem. O nosso Capitão dá uma nova perspectiva: estava tudo bem... Mas era tudo muito estranho! O filme pega e exagera estereótipos, de forma a que o resultado é uma comédia em que me ri histericamente do início ao fim.

    Os actores fazem um papel maravilhoso, sobretudo Waddington que nunca, nem por um segundo, se afasta do exagero que é o seu personagem. Assim, Capitão Falcão surge como um herói dos anos 60, com todas as características da época, mas que conta uma história que - dentro do passado - critica a sociedade moderna e a nossa aceitação passiva dos acontecimentos.

    O filme tem muitas cenas de acção e artes marciais, que por vezes se prolongam demasiado. Ainda assim, é algo nunca antes visto num filme português e, por isso, acho que se pode dizer que o filme é uma espécie de revolução (haha)

    Enfim, uma experiência hilariante e que não posso deixar de recomendar. Vejam enquanto podem!
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