2.5.15

Capitão Falcão

Capitão Falcão
João Leitão
2015
Filme
6 em 10

Fomos ao cinema! Desde que vira o trailer deste filme que queria muito vê-lo. Afinal, este filme representa uma luta: começando como episódio piloto de uma série, foi recusado. Assim, decidiram fazer um filme. Mas o filme ficou interdito de passar no cinema durante uma eternidade. Até que finalmente a Nos-Lusomundo decidiu apostar nele. E agora está  ser uma bomba de popularidade! E ainda bem! Porque, afinal, é um filme português diferente, que goza consigo próprio e com toda uma sociedade, sem nunca deixar de demonstrar as influências e o carinho que tem pelas figuras tradicionais da banda desenhada e das séries antigas.

Capitão Falcão é o herói que Portugal precisa. Sob as ordens patrióticas do Presidente António de Oliveira Salazar, uma criaturinha frágil que gosta de fazer bolos-rei, e com ajuda do seu parceiro, chinoca de Macau, Puto Perdiz, luta contra as forças do mal que ameaçam os grandes pilares da cultura portuguesa: Fé; Trabalho; Família. Os seus inimigos tomam muitas formas, cada um mais perigoso que o anterior. Comunistas. Feministas. Comunistas que são Ninjas... Comuninjas. E os temíveis... Capitães de Abril!

Todo o filme é uma ironia, um retrato cómico de uma época que cada vez mais se esquece: os seus intervenientes vão desaparecendo progressivamente, já não se lembram ou, pior, perante o estado em que as coisas estão viram-se para a fé de que antigamente é que estava tudo bem. O nosso Capitão dá uma nova perspectiva: estava tudo bem... Mas era tudo muito estranho! O filme pega e exagera estereótipos, de forma a que o resultado é uma comédia em que me ri histericamente do início ao fim.

Os actores fazem um papel maravilhoso, sobretudo Waddington que nunca, nem por um segundo, se afasta do exagero que é o seu personagem. Assim, Capitão Falcão surge como um herói dos anos 60, com todas as características da época, mas que conta uma história que - dentro do passado - critica a sociedade moderna e a nossa aceitação passiva dos acontecimentos.

O filme tem muitas cenas de acção e artes marciais, que por vezes se prolongam demasiado. Ainda assim, é algo nunca antes visto num filme português e, por isso, acho que se pode dizer que o filme é uma espécie de revolução (haha)

Enfim, uma experiência hilariante e que não posso deixar de recomendar. Vejam enquanto podem!

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