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  • Jesus Cristo Bebia Cerveja

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    Jesus Cristo Bebia Cerveja
    Afonso Cruz
    2012
    Romance
    Recebi este livro pelo natal, de uma pessoa muito especial (e rimou!) :)

    Este é um livro que tanto surpreende como desaponta. Numa aldeia perdida algures no Portugal profundo, uma avó tem um único desejo: ir à terra santa. Mas como não pode ir lá, vem a terra santa até ela! Assim começa a aventura de criar a fantasia, numa espécie de "Adeus Lenine" muito português. São-nos apresentadas uma série de personagens, sendo este o ponto mais positivo do livro. Cada personagem é único, com uma caracterização excelente dentro das suas limitações. No entanto, existe uma clara oposição do autor entre os intelectuais, os que vieram da cidade, e os rurais rudes, porcos e quase animais.

    Apesar das descrições serem sumarentas, evocando imagens e cheiros deliciosos e naturais, o facto de haver essa oposição acaba por prejudicar um pouco o que a história tencionava transmitir. Afonso Cruz faz parecer as pessoas do campo quase inumanas, quase integradas na ruralidade que as rodeia, incapazes de apreciar a beleza e apenas permitidos a fazer coisas "menores".

    Também não gostei muito do final, que mais uma vez reforça esta minha ideia.

    A edição que tenho vem com um bónus muito engraçado, que é o livro que a personagem principal está a ler ao longo da narrativa. Gostei imenso e se fosse uma história maior talvez fosse o foco principal deste livro. :)
  • O Pintor Debaixo do Lava-Loiças

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    O Pintor Debaixo do Lava-Loiças
    Afonso Cruz
    2011
    Romance

    Este novo autor português tem vindo a tornar-se famosíssimo porque tem piada e aparece na Time Out. Mais tarde ou mais cedo haveria de o ler e a verdade é que estava ansiosa por saber como era a sua escrita. Este primeiro romance que me calhou, graças a um RABCK no BookCrossing, desapontou-me de sobremaneira.

    A história é sobre um pintor que passou uma bela infância e depois abandona a sua terra natal para ir para os Estados Unidos. Quando deflagra a segunda guerra mundial, volta para Praga para ir buscar a sua mãe, que tinha deixado num asilo de loucos, mas acaba por ficar retido em Portugal, a viver debaixo do lava-loiças de um fotógrafo (que seria, conforme as informações do posfácio, o avô do autor).

    Ora tudo isto seria muito bom, se Afonso Cruz se tivesse dado ao mínimo trabalho de pesquisar quem era o pintor da sua história e a tivesse contado. Tudo isto é uma invenção sem precedentes baseada, provavelmente, na página da wikipedia. Isto torna-se flagrante quando há descrições dos espaços (isto bem se podia passar em Trás-os-Montes em vez de na Checoslováquia) e, sobretudo, nos momentos de guerra. O personagem não é de todo emocionante ou cativante porque não faz mais nada sem ser desenhar olhos, sendo que não há qualquer descrição das outras obras que fez para além destas. Porquê? Porque o autor não pesquisou.

    A linguagem é desadequada para a época e para os locais onde estamos, sendo corriqueiramente infantil ao longo de todo o livro. Porquê? Também porque o autor não pesquisou.

    Fiquei desapontada e sem vontade de ler mais da sua obra.

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