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  • O meu marido dorme no congelador

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    O meu marido dorme no congelador
    Yazuki Mizaka & Takara Yaku
    Manga - 2 Volumes / 14 Capítulos
    2020
    6 em 10


    Comprei este manga por impulso (tipo anteontem) e já o li.

    Uma mulher é vítima de violência doméstica de todo o tipo, desde porrada a violação e traição. Portanto, decide matar o seu marido e guardá-lo numa arca congeladora que tem em casa. Qual a sua surpresa quando, na manhã seguinte, o marido surge feliz e contente a pedir o pequeno almoço. Nisto começa uma espiral de loucura. Será que ela o matou realmente? Quem é este homem? E ela começa a alimentá-lo com a carne do cadáver que está no congelador.

    Se as cenas de violência são realmente impressionantes e conseguimos compreender no nosso íntimo o sofrimento desta mulher, Nana (sobretudo porque o marido é especialmente atraente, isto torna tudo ainda mais perturbador), a conclusão do manga acaba por ser bastante óbvia e parecer uma cópia de vários media que já vimos anteriormente no cinema e comics ocidentais. Gostei bastante da arte e da forma como Nana duvida da sua própria sanidade mental, mas a conclusão realmente não é muito boa, e acaba por frustrar bastante o leitor.

    Tendo isso em conta, não posso dar mais do que uma nota mediana a um manga que, com um argumento pensado de outra forma, poderia ter sido excelente.

  • Eu, Tonya

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    Eu, Tonya
    Craig Gillespie
    2017
    Filme
    8 em 10

    Pode não ter sido o filme mais premiado dos óscares, mas a verdade é que - até agora - é capaz de ter sido o meu preferido. O que posso fazer... Eu tenho um fraquinho por patinagem artística! xD

    Esta é a história, baseada em factos que são reais e em outros que não são reais, de Tonya Harding. Esta campeã da patinagem artística, que conseguiu fazer coisas consideradas impossíveis no gelo, esteve - na sua época - envolvida num estranho escândalo em que foi acusada de planear um ataque à sua rival, lesionando-a num joelho.

    Mas este filme fala de muito mais do que o escândalo em si. Fala da vida de Tonya enquanto patinadora. Porque ela nunca foi mais nada do que uma patinadora. Não sabe mais nada, nunca fez nada de diferente. A sua mãe sempre a pressionou para que fosse a melhor, para que ganhasse, sempre a motivou da forma mais agressiva possível. E os resultados só se viram muito mais tarde... Realidade? Talvez.

    A história é emocionante porque nos fala de um lado deste desporto no qual nunca tinhamos pensado e, com isso, faz uma profunda reflexão sobre a segregação de uma maioria branca mas que, devido ao próprio ambiente das suas vivências, é extremamente pobre e ignorante. Tendo isso em perspectiva, as pequenas vitórias de Tonya Harding tornam-se cada vez mais importantes para o espectador, que não suportará as injustiças de que - constantemente - é vítima.

    Também aborda temas difíceis, como a violência na relação e no ambiente doméstico, caracterizando na perfeição o elemento abusador e manipulador, que acaba por destruir todos os sonhos com a sua ignorância e teimosia.

    De resto, uma nota para as excelentes interpretações, para a magia que fizeram em todas as partes artísticas geladas e, também, para o guarda roupa fascinante (apetece-me fazer muitos daqueles vestidinhos :3 )

    Gostei tanto que fui investigar a vida da verdadeira Tonya Harding. Certamente que não é, de todo, tão estimulante como o filme...
  • Demência

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    Demência
    Célia Correia Loureiro
    2011
    Romance

    Esta é uma nova autora, que estava alinhavada para ir à convenção do BookCrossing e depois não pôde. Ainda assim, aproveitei a oportunidade de ler um livro dela. Sem dúvida um livro interessante.

    Fala sobre diversas coisas, nomeadamente: o alzheimer; a violência doméstica; o isolamento nas aldeias de Portugal. E para falar disso existem diversos personagens. São interessantes, vivos, com um passado muito presente, por vezes até limitativo nas opções que fazem durante a narrativa. Esta poderia ser mais polida. Existem muitos flashbacks, tanto assinalados com a data como aleatórios no meio do texto, que são um pouco confusos e me parecem ligeiramente desnecessários. Por exemplo, acho que a narração dos episódios de violência da parte de Fernando poderia ter sido mais resumida, apesar de trazer mais horror à realidade de Letícia. Da mesma forma, não achei necessária a descrição da infância de Olímpia.

    O livro está bem escrito, mas aparenta não ter sofrido qualquer tipo de revisão editorial. Existem alguns erros de lógica e de descrição. Uma pessoa que conheço no BookCrossing referiu alguns, mas o que me fez mais impressão foi o Pulitzer. É só para autores de língua inglesa, por isso Sebastião não o poderia ter ganho... A descrição dos momentos também é um pouco exagerada. Não precisamos de saber com exactidão a posição da cabeça das pessoas.

    Ainda assim, uma leitura muito interessante, devido aos temas actuais que são discutidos. Sem dúvida uma autora para experimentar de novo.

    Nota: quando levei o livro para o Porto, ele estragou-se. ;_; Rasgou-se uma pontinha do lado esquerdo, junto à lombada. Que triste que fiquei...... ;____________;
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