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  • Húmus

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    Húmus
    Raul Brandão
    1917
    ???


    Quando eu ouvi dizer que o Raul Brandão era um escritor moderno nunca o imaginei a preto e branco, olhos de boi e um bigode sumptuoso e revirado.

    Húmus é um livro que não faz sentido nenhum. No fundo é uma reclamação sobre o sítio onde o autor vive ser um buraco (é o Algarve) cheio de velhas mal-cheirosas, feias, ignorantes e burras. Ele sente-se infeliz porque não tem pessoas sofisticadas o suficiente para partilhar o seu spleen. Por isso começa a duvidar da existência de deus e o livro prossegue com "deus existes? Se não existes diz que existes" e assim por diante. A religiosidade do homem é tão impossível de se aturar que quase que preferia que fosse narrado por qualquer uma das velhas bolorentas que ele tanto odeia

    Por alguma razão o homem partilha as suas dores, dúvidas e profunda infelicidade (porque é um homem culto no meio do lixo) com uma figura escabrosa de nome "Gabiru".

    Espero ter oportunidade de criar uma pira para queimar este livro, porque o odiei de morte.

  • Húmus

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    Húmus
    Raul Brandão
    1917
    Romance

    Um livro engraçado: lembra-me a minha própria escrita de quando tinha 16 anos, embora tenha sido escrito em 1917 por um tipo que tinha a idade que tenho agora.

    Pois é, apesar de termos aqui um livro significante para as correntes do simbolismo da época, sendo que o autor faz uso - em prosa (o que é raro) - de várias imagens aparentemente incoerentes para nos transmitir uma ideia da sociedade em geral, todo este livro parece ter sido escrito por um adolescente desesperado por amor e atenção.

    O autor mostra-nos o quanto a sociedade é suja, porca, horrenda, como as personagens (que aparentam ser críticas a pessoas que ele conhece) são efectivamente nojentas e como a únca pessoa válida no meio disto tudo é o seu próprio reflexo, convenientemente chamado de "Gabiru". Isto tudo numa amálgama de frases altamente citáveis mas que, em termos de conteúdo, nos dão muito pouco e muito mal.

    Lê-se rápido, mas talvez não seja por uma boa razão.

  • As Ilhas Desconhecidas

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    As Ilhas Desconhecidas - Notas e Paisagens
    Raul Brandão
    1924
    Livro de Viagem

    Comecei uma nova TBR, que consiste em ler todos os livros do escritório da minha mãe. O primeiro que arrebanhei foi este. Confesso que não esperava muito dele. Foi, no entanto, uma leitura maravilhosa e surpreendente!

    Nos idos anos 20, um homem visita as ilhas pela primeira vez. Este é o relato das suas experiências. Raul Brandão mostra-nos, através de um olhas suavemente impressionista, as paisagens a azul e verde das ilhas, a força da natureza e da floresta, o medo do mar, o poder das ilhas enquanto matéria viva e orgânica, que o homem tenta conquistar mas sai sempre defraudado. Porque existe neste relato um poder de imagem, um remeter para um universo fantástico povoado de estranhos monstros e criaturas, que quase não corresponde a uma realidade. Mas, tendo ido aos Açores, a verdade é que o relato está tão bem feito, tão verdadeiro e sincero que apenas nos dá vontade de voltar.

    O autor também fala muito dos hábitos das pessoas que vivem nestas terras inóspitas. A maneira de vestir, falar, comer, trabalhar. Mostra-nos como é trabalhada a terra na agricultura, mostra-nos a criação de gado. Mostra-nos a pesca e a caça da baleia. Sem temores, sem pruridos. As coisas tal e qual como são. O que, nos anos 20, nas ilhas, eram bastante terríveis.

    Este livro transportou-me a um mundo mágico. E, sabendo que esse mundo existe realmente, traz uma saudade, uma vontade de voltar. Como se nunca tivéssemos de lá saído e estivéssemos no continente a fazer férias.

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