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29.12.13

Granta Portugal 2 - Poder

Granta Portugal 2 -Poder
Vários
2013
Revista
 
Mais uma vez, assim que saiu a nova Granta fui logo comprá-la assim que consegui. Desta vez o tema era "Poder". Como vimos anteriormente, esta é uma revista literária que publica inéditos Portugueses e alguns contos já publicados na Granta original. Questionava-me sobre que tipo de história poderia ser concebida a partir do tema "Poder". A ler a revista, cheguei à conclusão de que não é um tema assim tão complicado. Já tenho ideia sobre a história que vou escrever sobre isto (coloquei a mim mesma o desafio de escrever uma história com o tema da revista sempre que ela sair). Enfim, existem dois temas essenciais: a acção do poder político e a acção do poder individual.
 
Desta vez houve alguns contos que gostei bastante.
 
"O bom déspota" é o relato de um presidente de um país Africano, que temos por Angola, e a maneira como ele impõe o seu poder. Mas o que gostei foi do toque pessoal dado à narrativa, que revela que mesmo uma pessoa tão poderosa tem os seus medos e inseguranças.
 
"É Perigoso ser Feliz Duas Vezes", uma história Portuguesa passada em Cuba. É muito divertida por causa da visão da autora sobre os acontecimentos, que apesar de aterrorizantes estão tratados com um certo humor que se aceita a si próprio. Também está estruturada de uma forma muito interessante, pois não é linear.
 
"O Verão Depois da Guerra" é um conto Japonês. Conta sobre a influência do avô na vida do personagem, com um toque do pós-guerra. O mais bonito são as imagens delicadas e fotográficas que nos são oferecidas. No entanto, achei que a tradução poderia ser mais cuidada, pois não se adequa aos conceitos Japoneses que conheço tão bem (por excesso de animus).
 
Finalmente, achei muito interessante a partilha de correspondência entre Jorge de Sena e Carlos Drummond de Andrade. Apesar de não conhecer o primeiro, conheço alguma da obra do segundo e gosto muito. É sempre giro ver as palavras entre dois amigos, sobretudo quando são escritores.
 
Estou neste momento a contemplar assinar a revista... Gosto muito!

6.6.13

Granta Portugal 1 - Eu

Granta Portugal 1 - Eu
Vários
2013
Revista

Depois de ter lido a(s) notícia(s) sobre esta nova revista literária no jornal - não que eu leia o jornal, eu sigo-o por RSS Feed - tinha elevados níveis de curiosidade em comprá-la e lê-la. E não é que aparece o meu stepfather com ela em casa e afinal o volume é volumoso como um livro! Um livro de contos!

Possui sete contos de autores Portugueses, inéditos, um editorial e sete contos de autores estrangeiros, publicados na Granta original, a internacional. E possui também poemas inéditos de Fernando Pessoa. Infelizmente poemas esses provavelmente eram inéditos por não terem graça nenhuma.

Os contos que mais gostei foram os de Portugueses, homens todos. As mulheres, todas elas, pareceram-me estar muito fixadas no tema e não havia história nenhuma, só elas a falarem sobre a vida. O mesmo se passa com os autores estrangeiros, também estão só a falar sobre a vida. A questão que se coloca aqui é, sendo que eu não os conheço de parte alguma (mas devia, não conheço porque sou ignorante), interessa-me os detalhes da sua vida privada?

A minha história preferida foi a "Jazz, rosas e andorinhas", da autoria de Afonso Cruz, que fala sobre culinária e sobre a tragédia do eu inadaptado. Logo a seguir, "À Medida que fomos recuperando a mãe", de Valério Romão, um ensaio surreal sobre a loucura de uma família desgraçada. E em terceiro lugar (se é que me posso dar ao luxo de classificar), "Espelho da Água", de Rui Cardoso Martins, que conta a vida das pessoas que andam de cacilheiro (sorte que ele não me apanhou a mim, se não teria contado uma história terrível)

Também gostei bastante de "Gente Famosa", de Orhan Pamuk, que fala sobre a infância contando, ao mesmo tempo, a história do desfazer de uma família.

Enfim, gostei das histórias que contavam uma história e não só descreviam a vida a passar. Não que eu possa falar muito, contando que o que eu escrevo também não tem história, às vezes. Mas não tem filosofia, isso não sei fazer. De uma forma ou de outra, auto-proponho-me - a partir de agora - o exercício de passar a escrever uma história com o tema da revista Granta. Desta vez é o "Eu". Já tive uma ideia, mas já me esqueci quando voltava no cacilheiro.