Mostrar mensagens com a etiqueta a insustentável leveza do ser. Mostrar todas as mensagens

  • A Insustentável Leveza do Ser

    0

     

    A Insustentável Leveza do Ser
    Philip Kaufman
    1988
    Filme
    4 em 10


    Como fã do livro, detestei este filme. É impossível não comparar duas coisas com o mesmo nome quando são tão diferentes uma da outra.

    O filme torna o personagem principal numa espécie de gigolo com um vício sexual, focando-se em imagens que no livro eram totalmente irrelevantes, e dando foco sobretudo às aventuras sexuais entre os três personagens, como se a história fosse uma história de um triângulo amoroso e não uma profunda e lírica análise à própria existência do homem.

    Para além disso é um filme longuíssimo, extraordinariamente aborrecido, que só me fez doer o rabo no sofá e desejar ardentemente que terminasse.

    Fica a nota para algumas cenas eróticas, que estão realmente bem feitas, e para a mistura entre imagens históricas e de ficção, que funcionou muito bem.

    De resto, um filme que foi um verdadeiro pesadelo.

  • A Insustentável Leveza do Ser

    0
    A Insustentável Leveza do Ser
    Milan Kundera
    1983
    Romance

    Este livro foi-me oferecido pelo Qui no meu passado aniversário, mas só agora tive oportunidade de o ler. Foi realmente uma boa escolha, porque é uma história de amor muito bonita. Como gosto do meu Qui! ^___^

    Este livro trata de vários assuntos. Primeiro, é uma história de amor. Aliás, uma história sobre o amor. Tomas e Tereza, Sabina e Franz, Tomas e todas as mulheres, tudo isto é mote para falar sobre este sentimento e as relações entre as pessoas. E a conclusão é de uma pureza quase infantil: o amor é como um cão. A história tem cenas de elevado erotismo, mas nunca se torna vulgar. Pois o autor faz uso do poder da sugestão, daquilo que poderemos pensar que vai acontecer, sem ser extremamente descritivo ou simplesmente desagradável. São cenas belas e comoventes, sobretudo dentro do contexto de dor constante e de auto-descoberta de cada um dos personagens.

    Depois, este livro é também uma caracterização da República Checa aquando a invasão russa de 1968. É um assunto que não conheço bem, mas aqui é falado de um ponto de vista muito pessoal. Antes da invasão, depois da invasão, a diferença das pessoas. E, sobretudo, o medo, a paranóia, o sentimento misto de terror e necessidade de auto-protecção de todas estas pessoas que vivem sob um regime exagerado

    Finalmente, o livro é um exercício filosófico, uma transmissão de ideias autor-leitor. Pois este narrador admite desde logo que as suas personagens são apenas personagens. Admite que as criou e que as escolheu por serem fruto de acasos. Tendo isto em conta, é fácil ligarmo-nos não aos personagens mas à ideia da sua concepção, não às suas relações mas aos conceitos primários por trás delas. Assim, é um livro com várias camadas, que temos de retirar uma por uma até chegarmos ao cerne da questão: o que é a vida, o que é o ser humano e, no fim de contas, o que é o amor.

    Eu já tinha lido este livro no passado, mas foi numa época em que provavelmente não teria a maturidade suficiente para o compreender devidamente. Com esta re-leitura, apenas me recordei de uma única imagem: o capítulo, muito curto, da mulher-cegonha. Por alguma razão, essa cena ficou-me gravada na memória. Agora, que li o livro com mais atenção, posso dizer que esta é uma verdadeira obra-prima e que deverá ser recordado como aquilo que verdadeiramente é: um exercício simples, mas incomparável; uma homenagem a tudo o que é vivo; um apelo aos sentimentos.

    Recomendo vivamente.
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan