27.4.15

O Feitiço das Trevas - O Tratado dos Magos

O Feitiço das Trevas - O Tratado dos Magos
A.P. Cabral
2010
Fantasia

Tem uma história curiosa, este livro. Há algum tempo, o meu pai andava erroneamente viciadíssimo no chamado "Game of Thrones" (dun~dun~dun). Quando terminou a leitura dos livros existentes, continuava com o bichinho do romance fantástico, então decidiu comprar este, esperando algo semelhante. Mas, quando começou a ler, ficou tão desapontado que esse desapontamento se tornou em raiva: entregou-me o livro para eu me "livrar dele" através do BookCrossing (como se o BookCrossing fosse o sítio para onde vão os livros desapontantes, aiai...) Decidi, antes de o colocar a circular, lê-lo para saber o que causou a raiva do meu pai. E como o compreendo agora...

Este é um livro que toma claras influências do tal "Game of Thrones" (dun~dun~dun). Tal como o citado, é o tipo de literatura em que acontecem imensas coisas, onde estão constantemente a acontecer coisas, mas em que - infelizmente - não se chega a lado nenhum. Existem personagens que nunca mais acabam, que vão desaparecendo, mortos ou simplesmente eclipsados para lado nenhum. E nenhum deles tem atitudes desenvolvidas ou realistas, aparecendo com uma consistência semelhante a cartão.

Para começar, a autora propõe-nos um mundo de fantasia que, embora limitado, poderia ter a sua graça. Não fosse, desde logo, a definição do que cada país e seus habitantes é ou faz. Para começar, estão todos divididos por cores: negros e amarelos. Depois há caucasianos, para sermos menos racistas. Por alguma razão há indianos, apesar de não haver índia. E parece que ser "anão" é raça ou tom de pele. Fala-se uma série de línguas neste mundo, mas não assistimos a nenhuma conversa que não seja em português corrente, fora um feitiço ou outro. Assim, qual a necessidade? Para mais, este planeta, com um único continente, aparenta ser diminuto, mais ou menos do tamanho da ilha Terceira. Pois os personagens deambulam por todas as terras ao longo de um curtíssimo espaço de tempo. Este também não está bem definido, pois duas personagens cirandaram em ruínas subterrâneas por "dois meses" sem água e com um saco de tâmaras e três maçãs.

Finalmente, uma nota negativa para a reacção dos personagens, que se apaixonam de maneira veloz a ponto de ignorarem todas as outras coisas importantes. Por exemplo, quando o personagem principal fala pela primeira vez em *anos* com a mãe (aliás, parece que é a primeira vez que a vê ou ouve) essencialmente o que lhe diz é "espera aí que eu já te atendo, agora tenho de encontrar a minha amada"

Tiveram graça as gárgulas e as suas ambições de um dia virem a ser uma coluna num salão.

De resto, será abandonado por aí à sua sorte.

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