8.4.15

As Partículas Elementares

As Partículas Elementares
Michel Houllbecq
1998
Romance

Recebi este livro num Ray do BookCrossing. Como era última, demorei um pouco a chegar até ele.

É um livro que, sob forma de romance, esconde uma nova filosofia de vida, uma espécie de Admirável Mundo Novo em que na verdade as coisas poderiam correr bem. Neste universo, relatado por personagens da nossa actualidade (final dos anos 90), a humanidade deixaria de se reproduzir de forma sexuada, atingindo um novo nível de felicidade apenas possível pela eliminação dos desejos humanos.

Para isso, o autor cria dois personagens, meios-irmãos filhos de uma mãe que viveu os anos 60 e 70 a toda a força. Confrontados com infâncias infelizes, são opostos um do outro. Bruno é uma pessoa com necessidades sexuais confrontadas com a sua falta de confiança e obsessão carnal. Michel é um cientista, aquele que depois descobrirá a solução para a humanidade, frio e apático. De certa forma, senti que ambos os personagens eram facetas do autor, que aparenta ter sofrido muito ao longo da vida.

Assim, os personagens acabam se relacionando com os desejos íntimos do autor, o "o que sou" contra "aquilo que eu gostaria de ser", numa dicotomia muito interessante, se bem que muito dolorosa na perspectiva pessoal.

O livro está recheado de cenas altamente sexuais, mas a sua descrição é tão directa e fria que uma pessoa não sente qualquer emoção perante estas actividades lascivas e, por vezes, horrendas. Na verdade, o sexo é uma parte muito importante da história na medida em que causa sofrimento aos personagens: é uma vertente do ser humano que, para atingir a felicidade suprema, deve ser eliminada. Apesar de tudo, pareceu-me que o livro se foca demasiado nesta necessidade primária e primitiva, fazendo falta outros exemplos sob como poderia haver melhorias para a nossa espécie através da fantasiosa ciência desta história.

Apesar de algumas pessoas poderem considerá-lo aborrecido, gostei bastante dos diálogos entre os dois irmãos, que em vez de se centrarem em lados pessoais apelam ao debate de livros, correntes filosóficas e outros géneros.

No geral, foi um livro que gostei bastante. Apesar de, ao contrário da crítica de aba de livro, não achar que seja a obra do novo milénio, gostaria de o recomendar.

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