3.4.15

Está Tudo Iluminado

Está Tudo Iluminado
Jonathan Safran Foer
2002
Romance

Recebido pelo BookCrossing, era um livro para o qual tinha expectativas completamente diferentes. Saindo frustradas, foi uma leitura aborrecida e irritante. Desde logo me irritou a cara do autor, hipster de Queens e claramente identificado com a sua identidade religiosa a ponto de não falar de outra coisa.

É certo que é muito difícil falar da segunda guerra mundial sem se falar de judeus e vice-versa. No entanto, este conteúdo foi forçado a um nível de pura falta de lógica e de imaginação, numa espécie de troça respeitosa aos trâmites da religião. Isto teria sido divertido se a coisa fosse simplesmente mais organizada, se tivesse sido feita uma pesquisa da época mais cuidada e se, no meio disto tudo, tivéssemos personagens um bocadinho menos irritantes. Pelo menos ao ponto de não me apetecer enchê-los de estalos a cada frase, sobretudo depois de perceber que cada capítulo era escrito por um deles.

Aqui, variamos de estilo, muito bem. Parte dos capítulos contam a história do avô judeu, na cidade de Trachimbrod, mas com uma falta de tacto e uma dose de fantasia tão grande que torna tudo simplesmente aborrecido e, muitas vezes, difícil de compreender. Mas não é uma dificuldade estilística: parece que a coisa se torna complexa e confusa pelo simples prazer de se fazer algo confuso ou mesmo, o mais provável, por o próprio autor estar a improvisar. A outra parte é narrada por um Ucraniano e é bem mais interessante. Para começar, está escrito de uma forma muito estranha (que acredito que seja muito mais engraçada no inglês original), que vai melhorando à medida que os capítulos decorrem, talvez pela interacção entre este personagem e o americano. Este personagem, Alex, é também desenvolvido de forma muito mais apelativa.

Ainda assim, a relação entre os personagens "Avô" e "Augustine" acaba por ser inconclusiva, o que nos leva a perguntar o porquê de haver tantas referências à sua envolvência um com o outro (ou com pessoas conhecidas de ambos?)

Gostei apenas de Sammy Davis, Junior, Junior, que acaba por ser a única personagem lógica no meio disto tudo.

Um livro para esquecer.


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