16.7.14

Black Mirror

Black Mirror
Charlie Brooker
Série - 3 Episódios + 3 Episódios
2011


Se há coisa que nunca houve neste blog... Foi uma série. Uma série daquelas estranhas, daquelas... Com pessoas. Para ser sincera, nunca gostei muito do formato. Normalmente as séries com pessoas são demasiado longas, repetitivas e engonhantes. A maioria são verdadeiras novelas, faladas em inglês. Por isso, nunca me desviei do meu caminho animesco para as ver. Ora, estamos nós no Porto e é-me sugerido ver esta série ao longo dos dias, dado que é extremamente curta. Agora, posso dizer que acho que me converti. Quero ver mais. Pelo menos coisas assim tão boas. Como, para além do Serviço de Urgência, das Marés Vivas e de uma série australiana sobre cantores pop isto foi a única série que vi, não lhe dou uma classificação. Não me considero ainda suficientemente conhecedora para classificar. Passemos, então, ao comentário.

Em seis episódios longos, são-nos contadas seis histórias diferentes, com pessoas diferentes e em mundos diferentes. O que há em comum entre eles? Todos contam situações que podem, realmente, acontecer. Se não tomarmos cuidado com a nossa tecnologia, com a nossa dependência das redes sociais, com a nossa sede por informação, qualquer uma das situações se pode tornar real. Isso é perturbador e aterrorizante. Como são apenas seis episódios, divididos entre duas seasons, falarei deles um a um.

The National Anthem - Uma princesa inglesa é raptada. As condições para que seja devolvida são simples: o Primeiro Ministro tem de fazer sexo com um porco. Este episódio é uma crítica ao terrorismo social que não tem uma causa, que deseja apenas fazer o caos pelo simples prazer de observar o caos. Isto é cada vez mais comum, afectando pessoas individuais em pequenas doses, mas quem sabe quando chegará o dia em que atingirá uma pessoa que todos conhecem? Chamam "cyber-bullying", mas é muito mais sério do que isso e nem todos os visados "merecem"

Fifteen Million Merits - Neste universo, toda a gente pedala. Não sabemos porquê, mas toda a gente pedala. E são entretidos: pornografia, concursos de talentos, jogos de computador, um avatar costumizável. A única maneira de deixar de pedalar é aparecer num destes programas de entretenimento. Por isso, todos participam no concurso de talentos. Depois de um desapontamento, um homem decide revoltar-se contra o concurso... Mas consegue? Também assim é o nossos sistema. Trabalhamos para ter dinheiro, para comprar coisas, muitas delas que nem sequer existem. Todos sonhamos em ser escolhidos num concurso, para termos mais dinheiro, para podermos comprar mais coisas. Mas é isso a liberdade? Será possível lutar contra o sistema, quando o sistema nos obriga a fazer parte dele?

The Entire History of You - Este foi o episódio de que gostei menos. Criticando o vício corrente de gravar todas as informações da nossa vida em fotografias e vídeo, nesta história todas as pessoas têm um aparelho implantado atrás da orelha que grava todos os momentos da da vida. Sim, mesmo todos. Esta história é um pouco noveleira, o que talvez também sirva como crítica, falando de um homem que descobre a traição da mulher e da sua paranóia.

Be Right Back - O que gostei menos a seguir. Um tipo viciado em redes sociais morre e a mulher dele arranja uma app que reproduz o seu discurso. Depois arranja uma app com voz e depois arranja um boneco igual a ele. Aqui falamos de como não devemos revelar tudo na internet, mas também como a nossa "internet persona" pode ser tão diferente do eu real.

 White Bear - Foi o episódio que me chocou e impressionou mais. Uma mulher acorda sem memórias num universo em que todas as pessoas a estão a gravar com os seus telemóveis. De repente, vê-se perseguida por malucos com armas, que a querem torturar e matar. Tem de fugir até White Bear, para que isto pare. Mas a revelação final... Bem, não a vou contar. Mas achei uma injustiça tão grande, o causar de tanto sofrimento por razões que poderiam perfeitamente ser vistas de outra forma. Até agora continuo a pensar neste episódio. Foi daqueles que eu gostava que tivesse continuado, a ver se estas pessoas eram chamadas à razão...

The Waldo Moment - Waldo é um urso azul que goza com políticos. Quando o comediante por detrás dele se passa em directo, cria-se um movimento para tornar Waldo presidente. O homem-waldo luta para impedir o inevitável, que é a possessão do boneco - que, com mais conhecimento das causas ou, simplesmente, uma causa para apoiar - pelos meios publicitários, transformando aquilo que poderia ser revolucionário em mais um truque capitalista. Confesso que este episódio me deu pesadelos, porque somos pessoas realmente estúpidas para que uma coisa destas pudesse acontecer.


Para além disto, falo também do trabalho dos actores, que é excelente. As emoções são transmitidas com muita exactidão e realismo, levando-nos a acreditar que estas situações existem em algum sítio, espaço, ou tempo. Ou que poderão vir a existir, o que é o mais provável.

Só não gostei que houvesse tantas cenas de sexo...

De resto, uma série que me marcou. Aceito sugestões de mais cositas buenas como esta. :>
 


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