26.7.14

A Montanha Mágica

A Montanha Mágica
Thomas Mann
1924
Romance

Este livro foi-me oferecido no Natal, com a recomendação de que o lesse nas férias. Ora, como não tenho férias este ano, achei por bem lê-lo como leio todos os outros livros: quando posso, nos transportes e na minha hora de almoço. Isto levou o seu tempo, já que o livro tem umas meras oitocentas páginas. Uma verdadeira montanha. E mágica!

Devo dizer que há muito tempo que não lia algo que me envolvesse tanto e de que, realmente, gostasse tanto.

Hans Castorp é um jovem alemão que não tem grande interesse no mundo que o rodeia. Antes de começar a trabalhar numa indústria de navios, vai passar umas férias de três semanas a um sanatório nas montanhas alpinas, onde se encontra internado o seu primo Joachim. Passam-se lentamente essas três semanas, passa-se lentamente o ano seguinte e, quando damos por nós, passaram-se sete anos.

Critica à sociedade vigente, sociedade que aprovaria a apatia representada pelo nosso personagem original, é um livro que explora em muito detalhe vários temas, como a política, a medicina e o fascínio pela morte,  a religião e por aí em diante. O tratamento destes temas acontece quando Hans Castorp conversa com os seus companheiros de sanatório, que acabam por se tornar seus amigos. 

Acredito eu que cada um dos membros deste sanatório multi-cultural é representativo de um país, sem no entanto o estereotipar. Assim, temos tanto a pedagogia italiana como o fascínio exótico russo, em conversas marcantes e extremamente educativas. Estes personagens podem ser simbólicos, mas a verdade é que têm muita densidade e muita personalidade. Têm alma e irei recordá-los sempre com carinho, pois eu própria me senti como se vivesse naquele sanatório e eles fossem os meus companheiros e amigos.

Termina numa constatação pacifista, apesar de negativa, critica da guerra (a única coisa que nos poderá livrar do tédio generalizado)

Um livro que amei de paixão e que não deixarei de recomendar.

fica a curiosidade de que a primeira vez que li Thomas Mann foi aos quinze anos. Nessa altura (o livro era "José e seus Irmãos") achei chatérrimo e horrível, odiei. Realmente há idades para se lerem os livros. :p

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