2.9.15

Kill Bill Vol. 2

Kill Bill Vol.2
Quentin Tarantino
Filme
2004
7 em 10

Este filme não pode ser visto sem a primeira parte, nem a primeira parte sem este. Idealmente, terão de fazer o que eu fiz: ver os dois seguidos (e dormir às seis da manhã). Para saberem sobre a primeira parte, cliquem aqui.

Nesta segunda parte, mais detalhes importantes são dados sobre a história, sobre as razões da "vingança". Isto é feito através de diálogos exemplares, que permitem o desenvolvimento das personagens e mais razões para todos odiarmos Bill. A acção brutal da primeira parte é substituída, então, por estas inteligentes trocas de palavras, em que ficamos a conhecer mais sobre Black Mamba, sobre Bill, sobre o seu passado juntos e sobre como cada um se tornou aquilo que é hoje. Também ficamos a saber um pouco sobre o que realmente se passou antes do "casamento" e o que levou os personagens a chegar aí.

Para isto, o autor dá-nos momentos altamente intensos e extremamente impressionantes, em que a morte e a vida se confundem sem nunca haver, por um momento, a capacidade de perdão (excepto numa cena que tem tanto de terrível como de divertida, a da anunciação da gravidez). A obsessão da nossa personagem pela vingança é levada ao extremo, sendo que nem tudo corre de feição. Ainda assim, as soluções apresentadas estão muito bem pensadas, fazendo muito sentido tendo em conta os momentos de flashback que podemos ver ao longo desta segunda parte.

Estes poderão ser, talvez, os momentos menos interessantes e menos credíveis, podendo até cair no exagero temático do primeiro filme. Ainda assim, contribuem muito para o desenvolvimento dos personagens e, só por isso, valem sempre a pena.

Estas personagens não poderiam ter ganho vida se não houvesse por trás um excelente trabalho de actor. é momento para falar um pouco da actividade de Uma Thurman como Black Mamba: é perfeita. A actriz tem em conta o facto de a personagem ter saído de um coma, apresentando sempre um certo desiquilíbrio (explorado no esforço que ela fez para andar primeiramente, na primeira parte), misturado com a própria natureza de Black Mamba ser uma assassina perfeita. Assim, tão forte personagem tem sempre um elemento de fragilidade, explorado com grande subtileza, sendo o resultado extremamente fiel a esta realidade imaginada.

Em conclusão, posso dizer que Kill Bill como um todo é um filme especial e único, mesmo dentro do universo Tarantino. No entanto, não foi dos meus preferidos e não sinto grande vontade de o rever em tempos próximos, assim como não me deixou memórias muito vívidas como o fizeram outros filmes do mesmo autor.

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