19.9.15

A Peregrinação do Rapaz Sem Cor

A Peregrinação do Rapaz Sem Cor
Haruki Murakami
2013
Romance

Recebi este livro no aniversário do ano passado e só agora o li... Sendo que está quase de novo no meu aniversário, lol

Para mim, Murakami deixou de ser um autor preferido. A sua escrita é muito contraditória, por vezes errática, muito inconsistente. Assim, tive um certo medo quando iniciei esta leitura, medo de não gostar, medo de me chatear de vez com o autor. Felizmente, isso não aconteceu, embora este romance esteja longe de ser o livro perfeito.

Um rapaz muito igual a todos os outros, tem quatro amigos em Nagoia, terra onde sempre viveu. Estes anigos têm nomes de cores e por isso Tsukuro, o nosso personagem principal, sente-se "sem cor", como se fosse invisível. Subitamente, expulsam-no do grupo. Ele tenta esquecer o que se passou, mas uma nova namorada motiva-o a, dezasseis anos depois, procurar o grupo e perceber o que aconteceu. E assim Tsukuro, o "rapaz sem cor" inicia uma viagem em que também busca o auto-conhecimento.

É uma escrita leve e fluída, embora as descrições dos momentos sensuais sejam bastante frias e afastadas da realidade, sendo que os sentimentos do personagem em relação a elas (e são deveras importantes) limitam-se um pouco a "ficou perturbado". Temos alguns momentos gráficos muito interessantes, com descrições vívidas de paisagens, urbanas e rurais. A narrativa em si tem muitos pontos de interesse, sobretudo no respeitante à caracterização das personagens, que são únicas e muito vívidas, apresentando-se numa realidade tangente em oposição ao mundo irreal dos sonhos e das histórias do passado.

No entanto, fiquei com o sentimento de que toda esta "peregrinação" acabou por ser inconsequente, pois demasiadas perguntas ficam por responder. E confesso que estava realmente curiosa em saber estas respostas. O final aberto, o assassinato inconclusivo, os simbolismos que aparecem mas que nunca são explicados, tudo isto deixou-me com água na boca e o resultado foi muito insatisfatório. Foi como se o autor nem sequer tivesse pensado que estas perguntas se colocariam, não pensando muito sobre elas.

Ainda assim, não é um mau exemplo para a literatura do autor. Mas, mais uma vez, não o apontaria para o Nobel.

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