20.7.15

21º Super Bock Super Rock

21º Super Bock Super Rock
(Quinta e Sexta-Feira)
Festival de Música
 
Começa a época alta dos festivais de música. Este ano não estava muito motivada. O mais perfeito era no Porto e não era conveniente lá ir e de resto não vi nenhum cartaz altamente aprazível que me dissesse "tens de ir a este festival sem falta". De alguma forma, lá fui convencida pelo Qui a ouvir Blur para depois ir ver. Entretanto, a minha mãe ficou sem companhia para ir ver o Sting e, portanto, fui com ela. Segue-se então o relato das aventuras.

Quinta-Feira
 
Tinha ido a uma entrevista na Margem Sul, de onde imediatamante me dirigi para o recinto. Após atribulada viagem de metro, chego ao local, onde está uma multidão de seres humanos numa fila, aparentemente esperando trocar bilhetes por pulseiras. Aí aguardo pela chegada da minha mãe (doravante conhecida por Minha Mãe) e da amiga dela, que também é prima (doravante conhecida por Rosarinho). Comi um gelado estranhíssimo à porta: dizia que tinha sabor a marshmellow, mas tinha uns veios amarelos.
 
Enfim, entramos e vemos mais ou menos o espaço. De um lado está o Pavilhão Atlântico (agora chama-se Meo Arena, mas eu continuo a chamar-lhe assim), à sua frente um pequeníssimo palco, o Palco Antena 3. Do lado esquerdo passamos por tendas alimentares diversas e debaixo da pala do Pavilhão de Portugal está outro palco, o Palco EDP. No Pavilhão de Portugal está uma exposição sobre o festival e passando por umas portinhas maléficas vamos ter a um jogo de reciclagem, casas de banho e outras comidas.

Bem, o espaço estava catita. Uma enorme quantidade de caixotes do lixo, incluindo amarelos para coisas de plástico, impedia que o chão estivesse impróprio para sentar. Fazia falta algum ponto verde, um bocadinho de clorofila. Apesar de não estar cheio e de, por isso, haver bastante espaço, senti que o local era muito pequeno e em nada comparável à dimensão normal de um festival de música. A parte melhor é que as casas de banho eram bastantes e normalmente estavam aceitáveis. E com papel! Yay!

Dirigimo-nos então para o Palco EDP para ver Perfume Genius. Era a única coisa que queria mesmo ver neste dia, porque é uma música realmente bonita e muito sentida. Apesar de o concerto ter tido alguns problemas de som no início (que se vieram a prolongar durante todo o festival), o jovem Perfume Genius decidiu usar esse tempo para distribuir abraços pelas pessoas. Depois, o concerto foi lindíssimo, muito emotivo. Ele parecia estar realmente feliz por estar ali, apesar da sua constante depressão. A Minha Mãe manifestou desejos de o adoptar para fazer companhia à minha avó.


A pouca distância do fim do concerto, decidimos comer. Fomos ao Psicológico, a roulotte de hamburgueres que me tem salvado frequentemente, mas não fomos muito bem servidas, o burguer estava frio e meio cru e era tudo meio horrível. 

Depois fomos para o Palco Antena 3 para ver o PZ. Foi um concerto bem divertido! Apresentaram-se todos de pijama às riscas, o que é sempre simpático, e tocaram todos os novos sucessos, cheios de humor característico. Fiquei super feliz quando apareceu a verdadeira Cara de Chewbacca! E fiquei a conhecer alguns sons novos que nunca tinha ouvido, que também soaram muito bem. Achei curioso como tocaram os intrumentais ao vivo, com sintetizadores e guitarras.


E, de repente, vemo-nos sem nada que fazer! A Rosarinho sugere ir ver o Noel Gallagher ao Palco principal (Palco Super Bock), mas confesso que nem vi com atenção. Acho um som bastante detestávelzinho. Assim, de quinze em quinze minutos mais ou menos, revezava-mo-nos para sairmos dos lugares no primeiro balcão que tinhamos arrebanhado e dar passeios mais ou menos longos pelo espaço. Casas de banho limpinhas, uma oferta ou outra (apanhámos uns lenços e umas bolsas de cintura), bares com bebidas mais chiques, como o gin da moda. Até que, finalmente, chega a hora do Sting!

Sting aparece-nos com um barbão gigante que, segundo a Minha Mãe, o faz parecer ter 70 anos. Procede a cantar todos os sucessos, tanto dele como um ou outro dos Police e vejo a Minha Mãe e a Rosarinho a delirar nas suas cadeirinhas. Também eu bato palminhas. Foi um concerto muito bom! Sting tem uma grande presença de palco e tantos anos de experiência fazem com que as suas atitudes e a sua forma de puxar pelo público sejam simplesmente perfeitas! E, curioso, pensava eu que não sabia nenhuma musica e afinal sabia todas! Gente popular é assim. :)


Saímos um pouco mais cedo para evitar a debandada e o trânsito. Tinha de descansar bastante, pois o dia seguinte seria extremamente cansativo! Vamos lá?

Sexta-Feira
 
Encontro-me com o Qui e fazemos (outra) atribulada viagem de metro até ao local. Desta vez não está tanta gente à porta, mas nós lá ficamos. Afinal, ainda estamos a aguardar a chegada de um outro amigo, o Gamito. Lá estamos nós falando quando somos abordados por uma pessoa muito chateada com a vida, da qual fugimos. Oferecem-me uma pulseirinha inútil no momento da fuga.

Entramos e faço aos dois uma pequena tour. Afinal, o espaço também não é muito grande. Reparamos em como tudo está tão bem separado e dividido e, mais uma vez, na limpeza do espaço. Realmente estamos a ficar pessoas mais civilizadas, que separam o lixo. Vamos para o Palco EDP ver o poucochinho que falta de Benjamin Clementine. Por um lado, está tudo a correr bem: tudo está a começar a horas. Nós é que estamos atrasados. Não conhecia este cantor, mas gostei imenso do bocadinho do concerto que vimos. Um piano lindíssimo, uma voz maravilhosa, um concerto emocional que me deixou com curiosidade para saber mais sobre o autor.


Dirigimo-nos para o Palco Antena 3 onde estava a dar uma coisa qualquer que já nem sei (acho que era White Haus), à qual não achei piada nenhuma. Depois fomos para o Palco Principal, onde estava a dar The Drums, banda à qual também não acho piada nenhuma e cujo concerto não convenceu. Linhas melódicas muito simples e um estilo igual a toda a gente do indie, muito sem sal. Recuperámos o sal depois de nos alimentarmos. Escolhi desta vez uma roulotte de bagels, onde mastiguei uma coisa maravilhosa com salmão fumado e queijo em paté, nham nham, quero comer outro se encontrar aquela maravilhosa roulotte.

Seguimos para o Palco EDP, onde já iam a meio Savages. Sem dúvida o concerto revelação do festival, esta banda feminina de pós-punk colocou toda a gente aos saltos selvagens. Com uma energia inesgotável e contagiosa (até eu que estava em stand-by, a dormir uma pequena sesta acordada, estava a curtir imensamente), mostraram-nos sons inacabáveis, apesar de curtos, que falavam precisamente dos nossos sentimentos jovens em geral. Uma banda que vale a pena ouvir de novo!
 
 
Depois aconteceu o meu pequeno drama pessoal. Eu estava mesmo a contar esta hora entre as Savages e dEUS para descansar e estar sentada sem fazer nada. É que Blur, a banda que íamos ver, era só à uma da manhã. À uma da manhã já eu estou a dormir que nem um pedregulho com musgo! Mas não descansámos. Vimos um bocadinho horrífico de uns Bombaim do não sei quê e não me interessa e depois cirandámos pela exposição do Super Bock, onde o nosso amigo se fartou de encontrar caras conhecidas nas fotografias. Encontrei um mini jardim interior maravilhoso onde queria ficar o resto do tempo, mas continuámos a nossa deslocação, admirando os vários passatempos e umas pessoas a fazerem acrobacias aquáticas com luzes neon. Realmente as coisas de que as pessoas se lembram. Enfim, eu dei o meu melhor para resistir, mas entretanto já me doíam tanto as pernas que tive mesmo de parar e descansar. Levantámos mesmo a tempo de dEUS, mas mesmo assim eu estava fora de serviço e tive de me manter junto à grade da regie, sentadinha, a descansar e a dormitar um pouco. Mais uma vez, estive em dEUS e não vi! É um estigma com esta banda (e até curto bastante deles)

Ah sim, entretanto deram ao Qui e ao Gamito umas ceninhas luminosas que piscavam às cores e eu apoderei-me de uma e diverti-me imenso com ela, porque dava para abanar para cima e para baixo e fazer quiquiquiquiqui, que é um barulho que gosto de fazer.

Acordo mesmo a tempo dos Blur! Devo confessar que não foi banda que me tenha fascinado à primeira audição. Não sei, não gosto da voz do gajo neste tipo de música. Gosto mais dos Gorillaz, que como é mais surreal parece-me que funciona melhor. De qualquer forma, foi um concerto bem giro, pontuado por muitas músicas novas (o album novo foi o que gostei mais). Com uma grande energia, o vocalista convenceu um público adorável a cantar todas as músicas com ele, a fazer coros e a explodir em gritos e palminhas a cada movimento. Já para o final, chamou um elemento do público para o palco, e o escolhido delirou, estava mesmo contente o jovem! Para mais, muito veio o vocalista para perto do público, empinandose no gradeamento de forma a tocar em toda a gente, se bem que era por fases... Por vezes víamos ele a gritar para que os seguranças o pusessem cá em baixo, quando parecia ao início que ele queria estar connosco. Também não se compreende o dente de ouro, que é uma visão estranha. De resto, foi um concerto muito bom e mexi-me imenso com a minha ceninha que piscava. :)


E assim termina a nossa aventura. Cheguei a casa destruída e adormeci em três tempos, mas acho que valeu a pena. :)


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