28.2.14

The Hunger Games: Catching Fire

Catching Fire
Suzanne Collins
2009
Ficção-Científica

Finalmente de regresso ao Kobo! Tenho andado extremamente ocupada, com o trabalho, o cosplay e as pessoas, mas li este livro de uma assentada. Depois do primeiro volume, tinha muita curiosidade em saber como continuava a histórai. Depois de Catching Fire, fiquei cheia de vontade de ver como a história vai acabar. Porque o livro acaba, mais uma vez  num precipício e queremos, sem dúvida, saber o que acontece a seguir.

É essa a parte boa deste tipo de livros: envolvem muito rápido e são muito fáceis de ler. Uma boa lufada de água fresca entre livros mais para o pesado, mais complexos. Olhando as coisas bem a fundo, o livro divide-se em duas partes. A primeira prova que, realmente, é literatura para a adolescente fêmea e vai até meio do livro (isto é, meio da segunda parte oficial). A segunda relata outros Jogos da Fome, com toda a sua violência e insere um novo elemento na narrativa. Evidentemente, gostei muito mais desta segunda parte.

Inicialmente, podemos observar o dilema amoroso da personagem principal, Katniss, e uma multitude de vestidos e roupas de todos os géneros. Mais tempo é passado a descrever as roupas do que outra coisa. Há uma delas que faz um manifesto, o que é bastante interessante, com as tristes consequências que podem ocorrer num governo totalitário. Analisando bem o objecto, a personagem é formulaica, usada e repetida em muitos romances para jovens. Uma rapariga que tem uma característica que a define, sendo que tudo o resto é um pouco fosco, dividida entre um amor "correcto" e outro "incorrecto", o claro e o escuro. Envolve-se num problema que a afasta do verdadeiro amor (o incorrecto) e a faz aproximar daquilo que todos esperam dela.

O que distingue o livro dos outros do género é a natureza do problema que se lhe coloca: um jogo em que só um pode sobreviver. Neste aspecto, Catching Fire é mais interessante do que a prequela. Tem personagens mais interessantes (quanto mais velhos ficamos mais interessantes somos, oooh) e o campo de jogo também é mais complexo e requer algum entendimento.

O final de teor revolucionário é apetitoso e dá a esperança de que o último volume da trilogia adquira um teor mais adulto e menos focado no romance.  Mas antes quero ler mais livros, tenho de rechear o meu bicho Kobo!

20.2.14

Verão Sem Homens

Verão Sem Homens
Siri Hustvedt
2011
Romance

E finalmente saio dos livros em papel durante um bocadinho. E é uma saída em grande! Recolhi este livro sobejante da Convenção do BookCrossing 2013 e, até agora, foi dos melhores que tive o gosto de ler dessa pequena colina.

Como sabem, eu sou grande crítica dessa corrente de escritoras no feminino e para o feminino, que nos tratam de forma quase machista pela estupidificação do género. Assim, foi uma grande surpresa encontrar um livro de mulher para mulher que ultrapassa esse estigma e nos trata (às femininas) como seres inteligentes e emocionais que somos, tal como o são todos os seres humanos e, arrisco, todos os mamíferos, machos ou fêmeas.

O romance fala de Mia, uma poetisa que, após ter sido enganada no seu casamento de 30 anos, se muda temporariamente para uma pequena cidade, para junto da sua mãe. Lá, interage com três grupos diferentes de pessoas: os Cinco Cisnes (cinco velhas, incluindo a sua mãe, que discutem literatura num clube), sete miúdas a quem dá aulas de poesia e a família vizinha. As perspectivas de três gerações diferentes, oferecem - juntamente com longos discursos filosóficos pro-feministas - uma imagem muito exacta do que é realmente a vida social e amorosa em três pontos diferentes da cronologia.

As histórias não se cruzam e são contadas separadamente, pelo que o livro é leve, agradável e não é confuso. Os tais discursos filosóficos quebram um pouco o ritmo da história, mas fazem parte da personagem. São histórias de morte, do passado, de bullying, de fantasia e imaginação. Com isso, a autora faz uma excelente análise e exploração das personagens, que nos aparecem muito vívidas e palpáveis. A história de Mia poderia ter acontecido a qualquer um de nós. Aliás, cada uma das narrativas dentro da narrativa de Mia foram, são e poderão ser coisas que acontecem a qualquer um de nós.

É um verão sem homens: nenhum dos personagens relevantes é masculino. O universo é puramente feminino, fácil de identificar e, sobretudo, de nos identificar-nos com ele. Mas, ao contrário de tantas "autoras", Siri Hustvedt não torna o livro exclusivo para uma classe de género: é uma história universal sobre o ciclo de todos nós.

Gostei muito e seguirá em Ring. E agora, voltemos ao digital! Tenho agora cerca de 150 e-books que me ofereceram e terei leitura durante muito, muito tempo. :)

17.2.14

Histórias Tradicionais Politicamente Correctas

Histórias Tradicionais Politicamente Correctas - Contos de Sempre nos Tempos Modernos
James Finn Garner
1994
Contos

Livro que veio, como o anterior, numa Troca de Natal do BookCrossing. Deste não gostei tanto, mas vou aproveitar para falar de um tema que me fascina. Por isso apertem os cintos!

Ora bem, todos conhecemos contos como a Cinderela ou O Flautista de Hamelin. Neste livrinho, estas histórias são recontadas sob uma perspectiva moderna, sem ofender ninguém. A verdade é que isto faz exactamente o oposto, ofendendo toda a gente.

Isto das ofensas é um grave assunto que se vem propagando pela internet, local onde o epíteto mais ofensivo é ser um homem branco heterossexual. Por acaso o livro não fala de cores ou de sexos, aí está uma falha. Fala mais sobre o machismo enrustido na cultura do agora (e do antigamente também) e da libertação feminina. Mas isso é coisa que as SJW (Social Justice Warriors) gostam também. Seria o livro ideal para este grupo de pessoas, se o próprio livro não fosse uma antítese de si próprio. Mas estas pessoas não aparentam ser muito espertas, por isso pode ser que o livro pegue.

E porque é que eu digo isto? Porque os seres humanos são todos iguais e têm todos os mesmos direitos. As coisas estão feitas para a média (e a média não é a maioria). Coisas simples como assentos de avião. Estão feitos para a média. E se não estás dentro da média, é assim a vida, tens de viver com isso. Não faz de ti anormal nem especial nem sequer diferente. Apenas fora da média. O universo não está feito para agradar a pessoas, seres ou entidades fora da média. O universo funciona assim. Por isso, não é por estares fora da curva de bell que tens mais direitos do que as outras pessoas.

Porque é que em vez de aceitarem a vida como ela é, com suas partes boas e mais, querem que tudo seja feito por fora da média para se adaptar às necessidades de cada um? Isso não é funcional nem lógico. Se querem coisas que se adaptem só a vós, vivam fora da sociedade (afinal, são anti-sociais, segundo consta). Aí poderão fazer tudo.

Obrigada por lerem e por me perdoarem por ser extremamente ofensiva. O assunto fascina-me e não me interessa minimamente discutir. Atentem bem no ponto anterior. Se calhar até devia apagar isto tudo para não ofender ninguém. Atentem bem no ponto supracitado. Se não pudéssemos dizer opiniões, este livro de histórias nunca teria existido.

Gravidade

Gravidade
Alfonso Cuarón
2013
Filme
6 em 10

E o último filme do fim de semana. Copi? Copi.

Um espectáculo de imagens que deveria ter valido a pena em 3D. Infelizmente, a história não suporta o poder visual do filme.

Comecemos pela parte boa: os visuais. Imagens muito exactas do espaço, com um excelente jogo de luzes entre o sol e as estrelas. Muito bons cenários das estações espaciais e naves. A utilização do negro, o vácuo, adiciona grande emoção. E existem alguns momentos fotográficos de grande beleza, como a astronauta a flutuar na cápsula.

Agora, o problema de tudo isto é a história. Uma reacção em cadeia de debris (Restos? Destroços?) espaciais faz com que dois astronautas, Sandra Bullock e George Clooney, fiquem completamente isolados. Depois a Sandra tem de voltar à terra, de qualquer maneira. E é essa a aventura. É muito simples e o diálogo (copi?) não é especialmente bom, pontilhado por uma banda sonora muito vulgar que - em vez de induzir emoções - retira a vontade de levar o filme a sério.

Adicione-se a isto uma série de "liberdades cinentíficas" que não fazem grande sentido. Não que eu saiba muito sobre viagens espaciais, mas já fui bem ensinada por tanto space opera que vi.

Filme que desapontou. Mas copi? Copi! =D

A Propósito de Llewyn Davis

A Propósito de Llewyn Davis
Joel e Ethan Coen
2013
Filme
8 em 10

E a modos que o dia dos namuraduhs se continuou pelo dia seguinte e a modos que se viram mais filmes. Um deles foi este.

Llewyin Davis (nome difícil de escrever!) é um músico sem sucesso. Na sua demanda pelo sucesso faz uma grande viagem e tem uma grande aventura. Essa aventura envolve estar sempre a mudar de sítio para dormir (ele não tem casa, fica sempre em casa de amigos), um gato laranja, pessoas muito estranhas e a redescoberta da música e da identidade.

É este último ponto que torna todo o filme fascinante. À medida que Llewyin Davis viaja e fala com pessoas diferentes, acaba por mudar de atitude em relação à música, aceitar os motivos que o levaram a estar nesta situação e partir para um recomeço, uma nova vida (que poderá correr bem ou mal, como poderão ver). O filme acaba em mistério, mas eu acho que ele vai conseguir. Quero mesmo que a história dele acabe bem... Será que acaba?

Cada personagem é fonte de humor e é muito sólida. São personagens fortes, cada uma com a sua personalidade bem definida. Mas são certamente bastante estranhas e é isso o que dá, também, a personalidade ao filme. O humor é negro mas, apesar de nos sentirmos mal, não podemos deixar de rir com as situações.

E há um grande extra no filme! É a música! Eu não conheço bem a música folk americana, mas fascinou-me. Alegre ou triste, este filme tem uma grande banda sonora, extremamente rica em canções. Arrebataram-me e fiquei com vontade de conhecer mais deste género musical.

Enfim, um excelente filme para depois do jantar, no quentinho com um chazinho e mui buena companhia. :)

O Homem que Veio do Espaço

O Homem que Veio do Espaço
Nicolas Roeg
1976
Filme
7 em 10

Uma amiga, Ana-san, ofereceu-me este DVD no meu aniversário do ano passado (que até foi há pouco tempo...). Passava-se, então, que era dia dos namuraduhs e que - depois de estar umas quatro horas a ouvir a minha louca playlist de música no youtube - apetecia ver um filme e que decidimos que havia de ser este.

Confesso que me desapontou um pouco, porque estava à espera de algo completamente diferente. Mas tem o Bowie e, tendo o Bowie, isso dá logo mais pontos de bónus.

O Sr. Newton é um gajo estranho. Percebe-se logo ao início que é uma pessoa diferente e, pouco depois, que há uma razão para ele ser diferente. É um alienígena, que veio para a Terra à procura de solução para o seu planeta e que agora não consegue voltar. Assim, coloca-se como cabeçilha de uma empresa de tecnologia, para ganhar dinheiros muitos e poder construir uma nave para voltar para a sua terra. Parece estar tudo a correr bem, mas a situação vai caindo à medida que a sua mente "pura" é corrompida pelos hábitos terráqueos (a televisão, o álcool, o sexo) e ele passa quase a desejar ficar na Terra. Depois há uma reviravolta que efectivamente o impede de partir, mas acaba tudo com um tom de esperança.

O tema é interessante, como vive uma pessoa completamente diferente dos seres humanos num planeta povoado por esses seres humanos. E como esse ser se transforma e perde o seu rumo, caindo num estado de alienação (passe a expressão), quando entra em contacto com as coisas que são praticamente essenciais para o mundo humano, refiridas acima. Também é uma boa forma de criticar o que realmente se passa na sociedade humana graças aos excessos nestes vícios.

Não gostei muito do excessivo tema da sexualidade, que está presente de forma muito gráfica e explícita ao longo de todo o filme. De resto, achei o trabalho de cenários e fotografia bastante interessante, sobretudo quando refere o planeta distante de onde veio o Bowie.

Um filme de culto que é bom para a minha colecção (obrigada Ana-san!), mas que provavelmente não vou rever muitas vezes.... É que há algumas cenas que fazem mesmo impressão ;_;

O Bebedor de Livros

O Bebedor de Livros
Klaas Huizing
1994
Romance

Ainda não é hora de voltar ao meu Kobo. Por motivos de chuva, mais livros em papel se seguem. Este foi o do fim de semana, depois outro que estou quase a acabar e outro que tirei, apesar da chuva ter parado. Talvez no fim da semana consiga regressar ao digital.

Mas de que trata este livrinho? Recebi-o numa troca de Natal no BookCrossing e o título agradou-me imenso.Efectiva,mente, o livro é sobre duas pessoas viciadas em livros. São dois romances e nove "tapeçarias", ao mesmo tempo.

As tapeçarias são pequenas considerações do autor, com citações de outros livros mais importantes, sobre a leitura e sobre literatura. Os dois romances são a história de um bibliómano de séculos idos e de um bibliómano da actualidade que se vicia no anterior.

É um livro muito engraçado, que narra as situações de forma directa e divertida (embora com um certo excesso de parêntesis). As histórias são simples, mas da forma como estão escritas são muito giras. É praticamente um livro de humor, tratando as coisas sérias com ligeireza. Nota-se a orientação do autor para a religião (aparentemente estudou teologia), mas não nos dá esse tipo de conteúdo à força. Antes, é colocado de forma irónica na vida dos personagens.

Um livrinho giro para dias de chuva. Creio que o vou emprestadar ao meu pai..

12.2.14

A Casa da Paixão

A Casa da Paixão
Nélida Piñon
1972
Romance

Um estranho livrinho que sobrou da Convenção BookCrossing 2013. Escolhi-o para ler agora, antes de regressar ao Kobo, porque estava a chover muito para o levar na mala e porque era pequenino e cabia com o outro que estava a ler. Calhou oportuno, pois se não fosse desta forma talvez o tivesse posto a viajar antes de o ler. Uma coisa engraçada: pela forma como a capa está feita, pensei que o autor fosse "Nélida", o título do livro "Piñon" e a colecção "A Casa da Paixão". Afinal calhou tudo ao contrário xD Nélida e uma senhora e, ao contrário do que o nome possa indicar, é brasileira! Há tanto tempo que não lia literatura brasileira, e gosto tanto!

Mas vamos ao livro: fala sobre uma rapariga (Marta) e do seu desejo sexual, dividido por outros três personagens (a criada Antônia, o pai e Jerônimo). Portanto, um livro erótico. Pessoalmente, não aprecio ler o género por aí além. Sinto-me muito mais confortável em escrevê-lo. Mas o livro está narrado de tal forma que é impossível não nos embrenharmos na leitura, apesar de me sentir a corar sempre que algumas palavras apareciam. O livro não é vulgar, de todo. É arte em boa forma.

Isto porque a maneira como as palavras são usadas é original e tem uma veia poética muito forte. A estrutura, em que a autora parece fundir-se com as personagens, pode ser complicada ao início. Tem longos monólogos de ritmo louco, mas isso dá-lhes uma aura de fascinação. Adorei sobretudo a maneira como algumas palavras são adjectivadas (uma que me lembro foi "murmúrio oco") ou como uma antítese transforma uma acção ("o seu grito mal se ouviu")

No final, tenho uma interpretação para a história, bastante diferente da religiosidade apresentada no posfácio (que me pareceu absolutamente tendencioso). Para mim, Marta representa a menina que se vai transformar em mulher. Está rodeada pelos desejos de exploração do corpo, ridículos e que causam vergonha (Antônia) e pelos sentimentos de auto-protecção, alimentados também pelo desejo de transformação (o pai). Finalmente, aparece a paixão (Jerônimo), que a faz afastar-se de todas estas emoções e a entregar-se a um estado de feminilidade adulta. Achei que todo o livro estava carregado de símbolos da natureza, por tantas folhas, tanta água e tanto sol. Enfim, uma leitura muito interessante.

Agora vou fazer o livro circular, para que outras pessoas tenham a oportunidade de o ler. :)

11.2.14

A Cidade

A Cidade
Frans Masereel
1925
Banda Desenhada

Recebi este livro num BookRay do BookCrossing, internacional. O livro veio da Argentina! Mas pode ser internacional porque não tem palavras.

Não sei se pode ser considerado banda desenhada, graphic novel, porque o conteúdo é estranho, sem uma narrativa concreta. Essencialmente, através de xilografia a preto e branco, o autor mostra pequenos detalhes da vida íntima numa grande cidade. Cada painel, uma página inteira, mostra uma situação, um evento.

Começamos por conhecer a cidade, o ambiente hostil e poluído, cheio de gente, desconfortável. Depois, passamos para coisas mais específicas, coisas que acontecem todos os dias em todas as cidades. Há um claro contraste entre as pessoas ricas, distraídas com compras, bacanais e espectáculos; e entre as pessoas pobres, que fazem tudo isto mas numa escala muito menor. No entanto, sejam pobres ou ricos, há a denúncia de uma fragilidade, aquela comum a todos os seres humanos. Os painéis que gostei mais (e que não posso partilhar, à falta de scanner ligado ao meu computador aqui no trabalho) demonstram precisamente este ponto.

Um deles mostrava um homem, numa casa cheia de livros e ornamentos, enforcado. O banco negro ao seu lado passa desapercebido no meio de tantos detalhes, mas quando reparei nele a imagem ganhou uma nova força. O outro mostrava uma escadaria, numa casa também ornamentada, completamente vazia, na noite, apenas iluminada pela lua. Completamente vazia com excepção de um gato branco, que desce a escada, solitário e independente, com certeza dirigindo-se aos seus afazeres nocturnos.

Não dou nota porque, como todos conhecem, não sei avaliar banda desenhada ocidental. Mas recomendo que visitem este autor, porque foi uma experiência muito interessante.

A Vida Inútil de José Homem

A Vida Inútil de José Homem
Marlene Ferraz
2013
Romance

Um livro do BookCrossing que me despertou curiosidade pelo título. Revelou-se um belo livrinho, de que gostei imenso.

José Homem é um velho que, zangado com a vida, se está a desfazer das memórias. Uma grande biblioteca que pertencia ao seu pai. Um dia, conhece Antonino, um menino de Angola com uma perna de madeira. O livro conta a história desta amizade.

O desenvolvimento das personagens é sólido e patente. José Homem, à força de tanto conviver com o miúdo, acaba por se libertar do passado, coração de pedra que acaba por amolecer na forma de uma dedicação à educação de Antonino. Este, por sua vez, acaba por esquecer os horrores da guerra e até o gosto pelos horrores da guerra. Ambos crescem, mas um com o outro.

A prosa é bonita e plácida, por vezes poética. Ao início fez-me uma certa confusão os diálogos em itálico, fez-me sempre parecer de que estavam a falar muito ao longe. Mas depois habituei-me a essas vozes. Não gostei muito que houvesse notas de rodapé a explicar situações e referências, pareceu-me inútil.

Também achei que soube a pouco, o livro queria continuar mas não o deixaram. Afinal quem foi o autor do crime? E o que vai acontecer a Antonino e aos órfãos? Foram estas as questões que eu gostaria de ter visto respondidas.

De qualquer forma, um livro muito agradável, que recomendo.

10.2.14

Gorky Park

Gorky Park
Martin Cruz Smith
1981
Policial

Este livro veio num BookRing do BookCrossing. Escolhi participar porque achei que ia gostar, achei que era mesmo Russo. Mas talvez por ter lido algo mesmo Russo há pouco tempo (O Doutor Jivago), não gostei mesmo nada. Foi uma dificuldade ler o livro e estava sempre quase a desistir de o ler. E percebi logo que não ia gostar na primeira frase.

O problema essencial deste livro é que o autor não é russo e não conhece a Rússia. Portanto, todas as descrições e elações e conclusões do livro... Passam por erradas. Agressivas. Inexactas. Quase, diria mesmo, desrespeitosas. O personagem principal está pouco desenvolvido e baseia-se quase exclusivamente na sua revolta contra o sistema. Ora, pelo que o autor descreve, esta é uma terra onde todos são infelizes e corruptos, excepto o personagem principal. Não conheço a Rússia, muito menos a Comunista, mas duvido que todas as pessoas fossem infelizes e corruptas.

A história desenvolve-se muito lentamente, com a conclusão evidente. A narrativa dá voltas sobre si própria, voltando sempre ao problema original (os corruptos vão matar o personagem principal porque ele foi contra o sistema). Nunca mais acaba e todos os detalhes à la Crime Scene Investigation são demasiado demorados e aborrecem. Cortam com o ritmo da leitura, porque - efectivamente - ninguém quer saber o que é que se escreveu nos relatórios. Sobretudo se já foi descrito antes.

Uma pequena parte do livro passa-se quando Renko, o personagem principal, está detido pelo KGB. Mas percebe-se mal o que se passa, porque há demasiadas pessoas.

Talvez a parte mais simples tenha sido a terceira, em Nova York. Mas a história puxa e repuxa as mesmas situações até à nausea.

Não recomendo. Um livro chato, ofensivo e que não conta nada de novo. E nem sequer está muito bem escrito! Acho que vou voltar aos russos verdadeiros, pelo menos esses sabem do que estão a falar.

3.2.14

Sedutora Endiabrada

Sedutora Endiabrada
Harold Ramis
Filme
2000
4 em 10

Depois de ver um filme excelente, chega a noite e depois chega a manhã e depois chega a tarde e algures no meio desse processo aparece este filme. Depois de ver um filme excelente, um verdadeiro filme de merda! =D

Passe a expressão.

Um falhado, o que quer que isso seja, faz um acordo com o Diabo - uma gaja bouah - que lhe dá sete desejos em troca da alma. Os desejos são sketches "divertidos" em que ele muda de vida e tenta conquistar Allison, uma paixão platónica. Claro que como são coisas feitas pelo Diabo, corre sempre tudo o mal. O filme é perfeitamente idiota porque é tão inocente, até demasiado inocente. O Diabo é uma personagem divertida, porque faz "maldades" infantis, como dar rebuçados a doentes do hospital em vez de comprimidos.

Não há nada de bom neste filme, porque apesar de ser engraçadinho, está tudo muito mal feito. A cereja no topo do bolo são os "efeitos especiais" do Inferno, tão riduculamente maus que só me consegui rir às gargalhadas.

Vá lá, a parte boa é que se estava bem. O filme não foi bom, valeu o momento.

12 Anos Escravo

12 Anos Escravo
Steve Mcqueen
Filme
2013
7 em 10

Já há tanto tempo que não ia ao cinema... Mas lá fomos nós (à tarde estive no zoo, a ter aulas. Mas no zoo!)

Filme fortíssimo com um tema complicado, o da escravatura nos Estados Unidos. Solomon é um homem com educação superior, uma família e liberdade. É importante no contexto da história dizer que ele é negro. Isto porque ele é raptado e vendido como escravo para o sul, onde ainda a escravatura não foi abolida.

De um "dono" simpático, passa para um "dono" louco e sádico (excelente papel de, se não me engano, Michael Fassbender), sendo vítima de vários maus tratos repetidamente. Não vemos muitas vezes os que são infligidos a Solomon: mais ocasiões há em que os seus companheiros escravos são atacados e magoados. Isto é, a violência do filme é mais psicológica do que visual, já que não aparecem muitos detalhes nas imagens e apenas podemos tirar conclusões daquilo que está implícito nos comportamentos dos personagens.

A narrativa é linear e, pelos vistos, passam-se 12 anos. No entanto, isto não é muito claro até ao final, pois não há uma grande transformação do personagem principal, quer em termos físicos como emocionais.

Destaque para as belas paisagens sulistas, rios e florestas que nos remetem para a cronologia da história.

É um filme que perturba e incomoda, um bom filme. Mas eu não aprecio quando as pessoas fazem mal umas às outras. Objectivamente, muito bom. Subjectivamente, senti-me mal.