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27.7.16

Tetsuwan Birdy Decode:02

Tetsuwan Birdy Decode:02
Akane Kazuki - A-1 Pictures
Anime - 12 Episódios
2009
6 em 10
 
A primeira season, quando a vi, até me soube a novidade. Mas esta segunda season é mais um 6 a dar para o 5, ao contrário da anterior.

Tudo está normal, há duas pessoas em Birdy, os aliens andam por aí e ela tem de se fazer passar por modelo erótica para fãs patéticos. Por mero acaso, ela encontra um amigo de infância, lá do planeta de onde ela veio. E ocorre uma onda de mistérios e coisas que precisam de ser resolvidas, tendo à mistura uma série de flashbacks da infância para além da estratosfera.

E isto, perdoem-me, acaba por se tornar aborrecido. Os personagens perderam a sua frescura e encontram-se agora divididos por problemas que afectam qualquer outro personagem de anime. A história é previsível e estéril. Os flashbacks pecam por exagero e não adicionam nada de especialmente interessante.

A própria animação pareceu-me menos cuidada, sendo que as cenas de acção fabulosas que caracterizavam a primeira season estão agora cada vez mais próximas de um rascunho, sendo que - apesar de fluídas - perderam qualquer tipo de detalhe e acabam por se tornar dolorosas.

Não poderei dizer muito sobre a música, pois a versão que tirei vinha sem OP e ED (e com legendas tanto em espanhol como inglês, o que me confundiu muitas vezes, lol).

Enfim, fiquei bastante desapontada com esta segunda season. Espero que não haja mais.

3.5.16

The Hunger Games

The Hunger Games
Gary Ross
2012
Filme
7 em 10

Como saberão, já li os livros desta saga há algum tempo e, surpreendentemente, gostei mesmo muito deles. Assim, quando o Qui sugeriu ver a tetralogia de filmes, concordei logo que era uma excelente ideia!

Este primeiro filme é uma trama adolescente mas, apesar disso, muito bem pensada. é a prova de que se podem fazer filmes para o estrato mais novo que tenham algum tipo de densidade e que nos façam realmente pensar. Para começar, o filme mantém-se bastante exacto ao livro a que corresponde, com excepção de um ou outro detalhe que teriam tornado a narrativa ainda mais impressionante. Assim, apenas poderia ter um bom argumento, que nos faz realmente dar voltas à cabeça e pensar na situação do "e se fosse comigo".

De resto, a realização é bastante boa, sendo que o filme recria com algumas liberdades o ambiente narrado, de forma a torná-lo verosímil e adaptado ao contexto da nossa realidade. Alguns detalhes no aspecto das roupas e pessoas são diferentes, mas tudo está muito bem estruturado, sendo que me impressionou de sobremaneira o guarda roupa escolhido para as pessoas do Capitol, revelando um excelente tom imaginativo.

O ambiente de pânico mantém-se ao longo de todo o filme, sendo que a inadaptação da personagem principal está muito bem interpretada por esta jovem actriz. Talvez os momentos de amor e paixão pudessem ter sido melhor explicados, já que no livro acontecem por motivos diferentes aos que aparentam estar apresentados aqui.

Portanto, foi um filme estranhamente viciante! Estou ansiosa por ver o resto do franchise!

31.5.15

Tetsuwan Birdy Decode

Tetsuwan Birdy Decode
Akane Kazuki - A-1 Pictures
Anime - 13 Episódios
2008
6 em 10

Isto é um 6 que é quase um 7, porque gostei mesmo muito desta série. :)

Birdy é uma personagem da imagética passada, mas que eu não conhecia. Assim, é a minha primeira experiência com este franchise. Felizmente, apanhei uma série que tem tudo para ser excelente, começando pelos seus valores de produção.

Tudo começa quando esta agente alienígena, que procura um objecto super poderoso do qual depende o futuro do universo como o conhecemos, vem ao planeta Terra e, acidentalmente, mata Tsutomu. Um rapazinho perfeitamente normal. A partir daí, passam a partilhar o mesmo corpo, com o perigo das suas mentes se unirem e de ambos desaparecerem. Na busca por esse objecto acabam por, juntos, viver aventuras diversas, quer na Terra quer no planeta de Birdy.

A premissa é simples e funciona bastante bem, mas a verdade é que a série se alongou um pouco na tentativa de desenvolver os personagens, o que não teve o efeito pretendido. Pareceu-me que as cenas da vida diária de Tsutomu poderiam ter sido eliminadas, pois não têm qualquer interesse nem influência directa na narrativa. Já o mesmo não acontece quando assistimos a cenas no planeta de Birdy, pois conhecemos uma série de alienígenas muito engraçados, o que dá bastante gosto ver. A relação Birdy-Tsutomu tem a sua relativa relevância, já que ambos partilham o corpo, quiçá a mente, o que dá azo a grandes conversas. Poderiam elas ter sido um pouco mais filosóficas, havendo partilha de conhecimentos entre as duas entidades (terráqueo-alienígena), sendo que se limitaram bastante a conselhos sobre o que fazer com a vida quer de uma parte quer da outra. Por outro lado, o ponto narrativo de "temos de recuperar o corpo do Tsutomu" acaba inconsequente e um pouco repetitivo.

A arte é um excelente aspecto. Fluida, luminosa, com grandes cenas de acção de excelentes coreografias,é um prazer olhar para esta série. Infelizmente, as cenas de acção têm tal potência que acabam por insistir no facto pouco realista de Birdy ser uma espécie de entidade invencível. Fique também a nota para os designs dos personagens, originais, refrescantes e muito bem pensados. Gostei sobretudo das pessoas cão. :>

O lado musical é, também, um ponto forte deste anime. Com uma banda sonora colorida e animada, mas também emotiva quando os momentos o pedem, a série tem toda ela uma intensidade física e emocional que a torna numa grande experiência.

Um anime gratificante e que recomendarei conforme necessário. :)

21.12.14

Psycho-Pass 2

Psyco-Pass 2
Shiotani Naoyoshi - Production I.G
Anime - 11 Episódios
2014
7 em 10
 
Um ano e pouco depois do primeiro Psycho-Pass, apresenta-se-nos uma sequela com tudo para correr bem. Vejam aqui os comentários à primeira season, pois irei fazer uma espécie de exercício comparativo. :)

No início, tudo corre dentro da normalidade. Até ao momento em que um crime bizarro, que envolve um agente da lei. Nessa altura, começa uma caça a um homem misterioso, Kamui, que não é detectado pelo sistema e que fará tudo para o contornar e eliminar. Assim, é-nos dada a oportunidade de conhecer mais sobre este sistema, teoricamente perfeito, chamado Sybil.

A primeira questão que se coloca é, na verdade, a necessidade desta season. Aqui, há um esforço por criminalizar o sistema e caracterizá-lo como injusto mas olhemos para a situação de uma outra perspectiva. Em teoria temos um sistema perfeito. Na verdade, sabemos desde logo (porque vimos a primeira seaosn) que o sistema tem falhas na sua génese. No entanto, aparentemente funciona, com mais ou menos erros. Assim, será verdadeiramente "justo", da perspectiva do antagonista, tentar ultrapassá-lo e criar todo um esquema para provar que, efectivamente, não funciona? A verdade é que o sistema Sybil, apesar de se guiar por linhas um pouco fascistas, não me pareceu algo assim tão mau. As pessoas perturbadas são retiradas e aquelas com possibilidade de recuperar são tratadas e reintegradas. A falha que se encontra aqui, a razão pela qual esta linha revolucionária falha, baseia-se no facto de o anime admitir, desde logo, que uma vez que o teu estado mental se altere não mais poderá vir a ser recuperado. E isto não é verdade. Porque há pessoas que estão emocionalmente muito mal, mas que - com o tempo e às vezes um empurrãozinho - voltam ao normal e conseguem viver a sua vida perfeitamente. Ora, não é o sistema Sybil que admite que isto não é verdade. É a génese do conceito em si. Assim, esta season acabou por ser muito menos realista e não tão motivadora.

Em termos de personagens, são-nos apresentadas algumas pessoas novas, tanto dentro da equipa como do lado dos antagonistas. Dentro da equipa há uma colega que, se ao início tinha atitudes muito estúpidas, acabou por sofrer um desenvolvimento bastante bom e ajudar-nos nas questões filosóficas colocadas pela narrativa. Dentro dos antagonistas, temos um Kamui que acaba por ser muito pouco convincente, sobretudo depois de sabermos como é que ele apareceu. É difícil de acreditar que "ele" seja uma entidade possível, pois a tecnologia necessária para o desenvolver parece não estar a par - em termos evolucionários - com a do resto do universo. Mas isso foi uma sensação pessoal.

A animação não podia estar mais perfeita. Entre algumas cenas de acção muito fluídas, o que me captou mais o interesse foi sem dúvida toda a arte cénica, com um excelente uso de perspectivas e texturas nas áreas coloridas. Talvez o design dos personagens, em si, não seja extremamente detalhado, mas a verdade é que isso passa ao lado perante todos os fundos e maquinaria. Pareceu-me apenas que esta season foi demasiado explícita no sangue, de uma forma desnecessária que em nada contribui para o desenvolvimento da história. Isto melhora bastante nos últimos episódios em que há uma melhor utilização da sugestão em vez do óbvio grafismo.

Musicalmente, temos momentos muito fortes que em muito contribuem para a emoção toda que me trouxeram os cenários. Tanto a OP como a ED não impressionam, apesar de estarem apropriadas.

No geral, uma season menos cativante do que a anterior, mas que ainda assim dá que pensar. Esperemos agora pelo filme.


28.3.14

The Hunger Games: Mockingjay

Mockingjay
Suzanne Collins
2010
Ficção Científica

Portanto, tirei a tarde porque fui trabalhar no sábado de manhã. São seis e meia e só agora estou em casa. Antes de avançarmos para os animes semanais que estão a terminar, façamos uma interrupção com tão famoso livro. É verdade, aqui está o terceiro volume da saga Hunger Games. Para saberem mais, leiam os comentários ao Primeiro e Segundo volumes!

Ora bem, que tenho eu a dizer? Depois do que eu gostei do primeiro volume, da impressão neutra do segundo... O terceiro só piora. Pois é... Agora o jogo é outro. De repente, Katniss vê-se envolvida numa guerra de rebeldes, numa revolução contra o sistema. Isto seria muito interessante, se não repetisse a fórmula anteriormente usada uma e outra vez, ao ponto de exaustão.

A personagem evolui da pior forma possível: regride. As suas fragilidades enquanto adolescente estão permanentemente em causa e, por culpa delas, a história desenvolve-se a um ritmo fastidioso, sem a emoção selvagem que caracterizava a personagem. Isto perde-se, apesar de compreendermos que esta moça já passou por muito na vida. Mas a verdade é que isso só revela como ela é fraca, pois não consegue ultrapassar as situações. Nomeadamente a situação Peeta vs Gale, que se demora demasiado tempo - ao longo de todo livro - apenas para terminar de forma apressada e sem muito fundo de lógica. Deu a impressão de que a autora tinha um limite de palavras e resolveu terminar com "e então passou-se isto e isto e fim"

Os novos personagens são muito pouco explorados e as revelações sobre os personagens antigos são demasiado inconstantes para serem levadas a sério. Da mesma forma, as descrições de paisagens e mortos (em geral) aparecem em excesso e acabam por cansar. O que realmente queremos é saber sobre a narrativa, não interessa muito sobre quem está a matar quem e como. Talvez o leitor de agora goste disto, mas o leitor de antigamente farta-se rapidamente.

Enfim, o terceiro volume desapontou, mas gostei da trilogia no geral. Acho que a ideia está boa e está bem escrito. Talvez seja um ponto de partida para o leitor jovem, se depois disto tiver vontade de ler outra literatura em universos distópicos que seja um pouco mais complexa. :)

28.2.14

The Hunger Games: Catching Fire

Catching Fire
Suzanne Collins
2009
Ficção-Científica

Finalmente de regresso ao Kobo! Tenho andado extremamente ocupada, com o trabalho, o cosplay e as pessoas, mas li este livro de uma assentada. Depois do primeiro volume, tinha muita curiosidade em saber como continuava a histórai. Depois de Catching Fire, fiquei cheia de vontade de ver como a história vai acabar. Porque o livro acaba, mais uma vez  num precipício e queremos, sem dúvida, saber o que acontece a seguir.

É essa a parte boa deste tipo de livros: envolvem muito rápido e são muito fáceis de ler. Uma boa lufada de água fresca entre livros mais para o pesado, mais complexos. Olhando as coisas bem a fundo, o livro divide-se em duas partes. A primeira prova que, realmente, é literatura para a adolescente fêmea e vai até meio do livro (isto é, meio da segunda parte oficial). A segunda relata outros Jogos da Fome, com toda a sua violência e insere um novo elemento na narrativa. Evidentemente, gostei muito mais desta segunda parte.

Inicialmente, podemos observar o dilema amoroso da personagem principal, Katniss, e uma multitude de vestidos e roupas de todos os géneros. Mais tempo é passado a descrever as roupas do que outra coisa. Há uma delas que faz um manifesto, o que é bastante interessante, com as tristes consequências que podem ocorrer num governo totalitário. Analisando bem o objecto, a personagem é formulaica, usada e repetida em muitos romances para jovens. Uma rapariga que tem uma característica que a define, sendo que tudo o resto é um pouco fosco, dividida entre um amor "correcto" e outro "incorrecto", o claro e o escuro. Envolve-se num problema que a afasta do verdadeiro amor (o incorrecto) e a faz aproximar daquilo que todos esperam dela.

O que distingue o livro dos outros do género é a natureza do problema que se lhe coloca: um jogo em que só um pode sobreviver. Neste aspecto, Catching Fire é mais interessante do que a prequela. Tem personagens mais interessantes (quanto mais velhos ficamos mais interessantes somos, oooh) e o campo de jogo também é mais complexo e requer algum entendimento.

O final de teor revolucionário é apetitoso e dá a esperança de que o último volume da trilogia adquira um teor mais adulto e menos focado no romance.  Mas antes quero ler mais livros, tenho de rechear o meu bicho Kobo!

7.1.14

The Hunger Games

The Hunger Games
Suzanne Collins
2008
Ficção-Científica

Queria ler este livro desde o meu estágio curricular, em que a minha colega comprou a trilogia. Tinha mesmo muita vontade de o ler! Por isso, ao receber o meu lindo e maravilhoso e-reader Kobo, foi o primeiro livro que arranjei!

Começo pelo Kobo. Não há bicho mais lindo que ele. A ver se ponho aqui uma foto mais tarde. É super leve, pequenino, fofinho, é táctil, é a preto e branco, só leva livros, dá para arranjar montes de livros na loja do Kobo a preços muito mais baratos. São assassinadas menos árvores a longo prazo. Tem dicionário incorporado. Só não tem luz, mas nada que não se resolva. Adoro-o e já tenho uma série de livros prontos para serem lidos nele. Não que eu vá abandonar para sempre o formato papel, mas isto realmente dá muito mais jeito. Por exemplo, estou a transportar esta trilogia de 800 páginas mais outro livro dentro da mala. E a capinha que a minha irmã me deu para fazer complemento também é toda jeitosa! E ele é cor de rosa por trás! =D

Mas o livro.

Num universo distópico, pós-apocalíptico, a América do Norte (Panem) é dominada pelo Capitol. Para provarem que mandam em tudo, eles organizam todos os anos os chamados Hunger Games, jogos de morte em que um rapaz e uma rapariga de cada terra (Distrito) são enviados para se matarem uns aos outros. Katniss acaba por ir parar aos Hunger Games. Mas ela tem uma vantagem: no Distrito dela, o Distrito 12, ela caçava com arco e flecha. Ela sabe mexer-se. Eu só penso... Se tivesse de ser eu a ir (ainda bem que já passei a idade), morria logo, que não tenho talento para nada de útil num cenário de guerra.

Foi um livro que adorei ler, apesar de - com toda a objectividade - não ser nada por aí além. Manteve-me sempre colada a ele, desejosa de continuar, desejosa de saber o que vinha a seguir. O livro conta em detalhe o que são estes Hunger Games: no fundo são um reality show em que as pessoas morrem. E realmente, só falta fazerem esse tipo de reality show. As pessoas iriam adorar. Existem alguns temas, como a exploração e a pobreza extrema, que são abordados, mas acabam por não ser o tema mais importante da história. A forma como tais temas estão descritos é, no entanto, feita com talento: são as considerações sobre a vida de Katniss, histórias do seu passado, que ilustram como as pessoas vivem fora do Capitol e como têm vidas difíceis.

As relações entre os personagens, colocados sobre tensão constante, acabam por ser bastante bonitas. Gostei especialmente de Rue e da forma como lutaram contra o sistema. No fundo, este é um livro sobre como lutar contra um sistema, um sistema injusto e corrupto a ponto de não respeitar a vida e a condição humana, ridicularizando-a e denegrindo-a.

O final soube a pouco e deu-me logo vontade de continuar para Catching Fire, o segundo volume. Mas resisti (gosto sempre de fazer um intervalo entre livros de uma série). Também me deu muita vontade de ver o filme, porque o livro é sem dúvida cinematográfico. As descrições são quase feitas para o ecrã, acabando por não ser muito exactas e deixando muito ao nosso critério. Mmm, vendo desta forma, talvez não seja boa ideia ver o filme. Espero que não me desaponte!

8.12.13

2001: Odisseia no Espaço

2001: Odisseia no Espaço
Stanley Kubrick
1968
Filme
10/10

Creio que nos quase três anos que compreendem este blog nunca dei a nota perfeita a um filme, manga, anime, o que quer que fosse. Esta é a primeira vez. Bem vindos.

Fui ver este filme ao cinema, nas Sessões Clássicas do El Corte Inglés. Sem dúvida um filme que ganha por ser visto no grande ecrã. Com Kubrick vamos viajar até ao espaço, no ano 2001 de uma era longínqua. O filme está dividido em três partes mais uma e, assim, falarei delas individualmente. Tentarei analisar o que se passa, mas confesso que a minha opinião está limitada. Porque eu não percebi bem o que se passou. Duvido que alguém o consiga fazer e, segundo li, o objectivo dos autores era precisamente que as pessoas saíssem da sala com muitas ideias a borbulhar na mente. Objectivo conseguido.

Tudo começa com uma visão da Lua, Terra e Sol, ordenados numa simbologia que pode representar o infinito. Adornada essa imagem com a música mais famosa do filme, "Assim Falava Zaratustra"de Strauss, podemos imaginar desde já a viagem épica que se prepara para se desenrolar diante dos nossos olhos.

Na primeira parte falamos da origem do Homem. Num lugar inóspito, talvez Africano, um grupo de humanos primordiais luta pela vida. Partilham o espaço com tapires e leopardos, vivendo muitos perigos no dia a dia, lutando pelos recursos essenciais. Estes homens do passado parecem-se muito com chimpanzés. Mas não são: são um grupo de pessoas com uma maquilhagem perfeita e fatos peludos que, numa coreografia selvática, reproduzem os movimentos selvagens daqueles que ainda não aprenderam a andar com duas patas. Um dia, acordam perante um estranho objecto. Um monolito negro, um paralelepípedo que apareceu à sua frente. Tocam-lhe e a partir daí descobrem aquilo que irá definir a humanidade: a capacidade de usar objectos como forma de destruição. Pareceu-me, então, que o Monolito (com maiúscula, porque ele é importante) deu ao Homem a capacidade de matar, a capacidade de destruir. Se isso nesta fase é uma ferramenta para a sobrevivência, será que se tornará em algo mais no futuro? O filme não volta a tocar este assunto de forma evidente, mas parece-me que a influência deste primeiro Monolito é fulcral para o que se passa no resto da história.

A segunda parte é já num futuro distante. Eles dizem "2001", o novo século, o novo milénio... Na altura em que o filme foi feito, isto é longínquo. Daí se poderem imaginar todas as coisas que vamos ver. Uma arrebatadora cena espacial em que vemos a viagem para a estação e para a Lua, ao som do Danúbio Azul, introduz esta secção. Começamos então a reparar nos efeitos especiais, de um avanço surpreendente para a época, com reprodução fiel de máquinas do imaginário da ficção científica nas suas melhores proporções e imagens paisagísticas do espaço. Nenhum som se ouve, apenas a música. Cada objecto é tratado com o máximo detalhe, a forma de andar dentro das naves sem gravidade, a maneira como se vai à casa de banho (com um livro de instruções), a funcionalidade da maquinaria... E tudo isto é normal para as pessoas que vivem neste filme. Uma viagem ao espaço é algo corriqueiro, como demonstrado pelo telefonema (com cartões de telefone!) feito para casa, para a terra. Ficamos a saber que algo estranho apareceu na Lua. Pois é. É outro Monolito. Aparenta ter sido enterrado propositadamente há quatro milhões de anos ali.

E passamos, dentro da mesma parte, para uma viagem a Júpiter. Como viremos a saber depois, o Monolito enviou para lá um sinal, por isso temos de lá ir para ver o que se passa. Será vida inteligente fora da Terra? Mais uma vez, os efeitos especiais são um primor. Impressionou-me sobretudo a cena em que Dave, o nosso astronauta, faz jogging a toda a volta da sua nave espacial. A toda a volta, virado de cabeça para baixo. Sei que isto em 2013 deve ser a coisa mais simples de se fazer no cinema. Mas nesta altura não havia computadores para nos ajudarem. Surpreendente. Fascinante. 

Esta nave espacial é conduzida por um super-computador de última geração: HAL 9000. Ele não passa de um olho vermelho omnipresente, uma luzinha como tantas, e de uma voz extremamente calma. No entanto, ele tem inteligência. Apesar de ser uma máquina, aparenta ter sentimentos humanos. Dave e Hal debatem diversos assuntos, até ao momento em que algo de errado se passa e o computador tem de ser desligado. Enceta-se então uma luta de homem vs máquina. Mas uma luta de um teor diferente. Neste filme não há um único momento de "acção", como gostam de lhes chamar, nenhuma luta épica corpo-a-corpo, nenhuma arma. É uma luta psicológica. Mas como travar uma luta psicológica contra algo que nem sequer é suposto ter emoções. É este debate, será que a máquina um dia ultrapassará o homem, que Kubrick quis demonstrar, com resultados impressionantes. Será que um dia a máquina será tão inteligente como o humano? Será que estamos a criar emoções artificialmente a ponto de um dia elas nos poderem dominar? Estas questões já foram abordadas numa série de filmes mas, mais uma vez, relembremos a altura em que isto foi feito: era uma questão relevante, com o desenvolvimento da tecnologia. E continua a ser, cada vez mais, porque se já temos concertos da Hatsune Miku o que faltará para criarmos o HAL 9000 e ele nos tentar destruir?

Dave, o astronauta, termina sozinho no caminho até Júpiter. Não faltava muito para lá chegar, mas agora ele está completamente só. Para Júpiter e para Além Disso é a terceira parte do filme. E é uma verdadeira festa visual. Vale a pena tomar uns psicotrópicos só para ver esta cena final, pois tudo o que vimos até agora vira-se e deixa de ser verdade. Ou ainda é mais verdade, tudo depende da perspectiva. Em Júpiter, Dave encontra Monolitos, uma data deles. E eu acho (eu acho) que ele entra dentro de um. Lá dentro observamos uma cena extremamente bizarra, o nosso herói a envelhecer sem sequer dar por isso, a envelhecer e a morrer, observado pelo Monolito. Nessa intensa viagem, a minha conclusão é que ele morreu e renasceu como o primeiro Monolito que foi parar à Terra, o que os macacos viram. O que me leva a concluir que tudo é um ciclo e que são os homens do futuro a ensinar os do passado, repetitivamente, até não precisarmos mais da acção do Monolito.

Agora, é ele uma entidade extra-terrestre? Eu creio que não. Acredito que ele não é um elemento físico, que existe, mas sim uma representação da evolução do ser humano, não uma força exterior mas sim algo que vem de dentro. Pois a mudança terá de vir de dentro.

Este filme é o epítomo dos efeitos especiais. Da banda sonora. Da realização. Cheio de detalhes deliciosos, tenebrosos, é um filme que enerva, que assusta, que perturba. Que faz pensar. Sem nunca mostrar sangue, lutas, todas essas coisas que povoam os filmes de agora. Um conjunto de cenas abismais, o épico discreto, o épico que o é sem o tentar. 

Foi a minha primeira nota perfeita desde que tenho o blog e sim, vale a pena. Vejam-no assim que tiverem a oportunidade. Aproveitem o facto de estar no cinema. É uma viagem ao espaço que não tem retorno. Ninguém fica a mesma pessoa depois de fazer a Odisseia no Espaço.

19.11.13

Fórum Fantástico

Fórum Fantástico

Na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras - local já conhecido por ser casa da Anicomics - decorreu este fim de semana o Fórum Fantástico, uma pequena convenção de fãs de literatura fantástica. Ora, vocês já me conhecem... Já sabem que não é essa a minha praia. Portanto, o que fui eu lá fazer?
Toda ranhosa, desfeita em ranho, fui assistir ao lançamento da Revista Lusitânia, na qual foi publicado um dos meus contos. Intitulado "A Sereia de Cacilhas", é sobre o senhor da Transtejo. Comentarei tudo isso quando ler a revista, mas digo desde já que ela é bastante atraente. O meu conto pode ser lido no meu deviantArt, mas sugiro que comprem a revista para apoiarem o projecto. Assim, não coloco aqui o link - por agora. Comprei três revistas, além da que me deram por eu ser uma das autoras/colaboradoras, uma para o meu pai, outra para um amigo e outra para o meu mais amigo.


No lançamento da revista, fomos chamados ao palco. Nesse momento conheci a rapariga que ilustrou a minha história, de uma forma um pouco surpreendente.

Depois, observemos o programa:


Assisti a uma palestra interessantíssima sobre a evolução da literatura fantástica em Portugal, desde as histórias de cavaleiros (que foram salvas no D. Quixote!) até à ficção científica dos anos 70, que me pareceu tão deliciosamente foleira.

Como o que estava no resto do programa tinha que ver com steampunk, que não me interessa minimamente, fui para a rua conviver. Conheci desconhecidos, mas não fiquei com o nome de nenhum. Assim, mantiveram-se desconhecidos, apesar de termos tido conversas muito interessantes e educativas. Quase que me sinto tentada a ler mais de fantasia.

Falando nisso, estavam lá para vender uma série de livros. E uma série de livros que me interessavam também! Mas os que eu queria eram os do grupo dos 15€ e eu não ia preparada para gastar esse dinheiro, por isso acabei por não comprar nada. Ao menos fiquei com alguns títulos para referência.

Uma tarde bem passada, em que piorei da minha constipação. Veio a culminar em dois dias de baixa do trabalho e agora estou aqui sem fazer nada...




29.8.13

Psycho-Pass

Psycho-Pass
Shirotani Naoyoshi - Production I.G
Anime - 22 Episódios
2012
8 em 10

Esta série foi escrita pelo nosso Meguqueiro favorito, Urobochi Gen, por isso toda a gente me avisou que ia dar voltas e voltas. Mas não acreditei. Comecei a vê-la a propósito do meu clube, esperando detestá-la logo nos primeiros episódios, mas a verdade é que adorei. E agora vou explicar, com um detalhe difuso que me é característico, os comos e porquês.

Comecemos pelo universo e pela história: num futuro próximo, o Japão criou uma sociedade em que sensores podem ler o estado emocional e as capacidades das pessoas, classificando-as e orientando-as para o que melhor podem fazer. Por outro lado, também o índice de criminalidade pode ser medido e, assim, se a pessoa tiver potencialidade para cometer um crime é logo colocada sob tratamento ou isolada. Tendo isto em conta, existem equipas policiais para apanhar estas pessoas. A história segue as aventuras de uma das equipas, focada numa inspectora acabada de chegar. Na primeira parte acompanhamos a resolução de vários crimes cruentos e na segunda parte observamos a perseguição ao marionetista por detrás desses crimes.

A história por si só é bastante interessante, apesar de recordar alguns trabalhos anteriores, tanto em anime (Ghost in the Shell: Stand Alone Complex) como filmes americanos (Minority Report). Mas esta "inspiração" é ultrapassada pelas diferenças nos personagens. Os de Psycho-Pass (ou Psycopath?) são únicos à sua maneira. Todos eles têm um passado que os levou ao estado em que estão, e a melhor parte é que em apenas um caso se recorreu a flashback para o explicar. A verdade é que a intensidade e qualidade do diálogo neste anime são de nota. Gostei bastante do desenvolvimento da personagem principal, Akane, que apesar de se apresentar como a "pessoa ideal para viver nesta sociedade", estabelece relações afectivas incontornáveis que, falhando, a levam a tornar-se num outro tipo de pessoa, mais realista e terra-a-terra. Além do mais, é demonstrada a sua capacidade de aprendizagem e de resolução de problemas. Mas se na série foram todas pelo "bem", num futuro deixarão de o ser: bem dizia o outro que os parvos aprendem com a experiência. Ginoza também sofreu um desenvolvimento interessante mesmo no final, sobretudo quando fazem a referência ao abandono dos óculos. 

Uma nota para Makishima Shougo. É um vilão interessante e apropriado ao teor da série. Faz lembrar arquétipos como Light de Death Note, com uns traços do muito genial Johan de Monster, mas consegue manter-se único. No entanto, é difícil de compreender como o seu ideal anarquista se envolve com os assassinatos e com a manutenção de psicopatas, sobretudo na primeira parte: eram mesmo necessários para causar o caos? O seu diálogo é muito interessante, cheio de referências a livros que eu não li (bem, alguns eu li), mas pareceu-me também um pouco pretensioso. Não da parte do personagem, mas da parte do autor ("olhem os livros todos que eu li!") Perguntaram-me "já se tornou o teu husbando?". E eu respondo que é muito difícil hoje em dia um personagem obter esse tipo de estatuto. Makishima Shougo nem chega lá perto.

A arte está interessante, com CG bem integrado e designs estruturados devidamente para acompanhar a noção de "futuro próximo" e de "isto vai ser possível". As cenas de luta, que me costumam aborrecer, estavam fascinantes, mas não só pela qualidade da animação mas também pela banda sonora e pelo contexto em que estavam a acontecer, pois a maioria eram quase como jogos em que quem vence não será o mais forte, mas sim o mais esperto.

Achei as OPs e EDs extremamente apropriadas, quase como se tivessem sido escritas especialmente para o anime. A primeira OP sobretudo. Também fiquei a nutrir um certo carinho pela ED, pois identifiquei-me imediatamente com a letra.

Um anime recomendado, nem que seja para pensarmos um bocadinho no estado da sociedade e como seria o mundo se esta fosse controlada pela medição nosso estado emocional e das nossas habilidades. Eu sinto, pessoalmente, que seria bastante opressivo e que nos tiraria toda a liberdade de pensamento e de desenvolvimento moral. Também acho que eu já estaria internada num cubículo a ver anime.

26.8.13

Battle Angel Alita

Battle Angel Alita
Hiroshi Fukutomi - Madhouse Studios
Anime OVA - 2 Episódios
1993
6 em 10

Uma pequeníssima história de ficção científica, adaptação apenas dos dois primeiros volumes do manga que é um pouco longo (nove volumes e 53 capítulos). Estranhei não haver ninguém chamado Alita, mas vim a perceber que no manga a Gally chama-se Alita (sendo que no anime se chama Gally)

Os OVAs dão apenas um cheirinho do que é este universo, que me pareceu bastante interessante. A narrativa passa-se numa cidade onde vai parar todo o lixo de uma outra cidade, que está no céu. Os habitantes são, na sua grande maioria, cyborgs. Os designs dos cyborgs são detalhados, mas muito crus, o que não me atrai especialmente. 

A história é um conto de amor, mas é demasiado curta para que os personagens tenham um desenvolvimento concreto, apesar de os seus conceitos me parecerem sólidos.

Em cada um dos episódios temos duas grandes cenas de luta, onde a animação poderia brilhar, mas não há nelas nada de extraordinário. O mesmo acontece para a música, que por vezes fazia falta: podia ser alguma coisa especial, mas era demasiado simples.

No entanto, devemos considerar que Battle Angel Alita, também conhecido por Gunnm, é um clássico do anime e manga. Assim, acho que seria importante, para quem se quiser aprofundar, vê-lo ou - ainda melhor - lê-lo.

2.7.13

Suisei no Gargantia

Suisei no Gargantia
Urobuchi Gen - Production I.G.
Anime - 13 Episódios
2013
7 em 10

Para mim o melhor anime desta temporada. Na sua génese está o criador das nossas famosas Megucas, mas este anime não tem nenhuma pretensão a deconstrução. É simplesmente um conto de ficção científica passado num imaginário extremamente bem concebido e muito original.

Comecemos pelo início, que é o melhor sítio para começar. Algures no meio do espaço, está um soldado (Ledo) dentro de um mecha (Chamber) a lutar contra umas anémonas espaciais (Hideauze). De repente, é absorvido por um wormhole e vai parar a um planeta a milhares de anos luz de distância. Esse planeta está coberto de água e os seus habitantes vivem em navios que formam ilhas flutuantes com a sua própria civilização. Esse planeta é o planeta Terra. Pois é, depois de mais uma idade do gelo, sobrou um planeta coberto de água e os seres humanos tiveram de se adaptar.

Ao início o anime explora as diferenças entre os dois universos, a Terra e a confederação artificial onde vivia Ledo. Existem diferenças na língua (o que é sempre uma coisa extraordinária) e dos hábitos e vemos Ledo a conformar-se e a adaptar-se ao novo universo em que se encontra. Mais tarde ele encontra umas criaturas parecidas com os Hideauze, a que eu chamo de Balulas (Baleia + Lula) e aí a história dá uma volta, mas sem nunca se desencontrar do objectivo inicial de explorar as diferenças.

Temos personagens variados e todos eles têm uma certa evolução, mas sobretudo Ledo e Chamber. Eles estavam habituados a uma sociedade autocrática e de repente Ledo vê-se confrontado com uma realidade em que viver é mais do que lutar contra seres aquáticos do espaço. O próprio Chamber, sendo uma inteligência artificial, adapta as suas decisões ao universo novo em que se encontra, sendo que o climax é atingido com a sua realização. De entre os outros personagens, apenas Pinion tem uma certa evolução, passando de convencido insuportável a mais ou menos humilde insuportável. Todos os outros aparentam estar lá como decoração ou como mecanismo para o avanço da história, sobretudo Amy.

A arte é deveras linda. Deveras lindíssima. Para um mundo todo coberto de água, temos uma variação de cores, nela e no céu, brilhante e bela. Os barcos, Gargantia sobretudo, estão desenhados com extremo detalhe. É um anime muito bonito e a paleta de cores trás uma vibração positiva. Existe algum CG, sobretudo no design dos mechas, mas está bem integrado com o resto do ambiente e acaba por não destoar.

O mesmo se aplica à música, isto da positividade. Olhando bem, não é nada de especial, mas adiciona bem-estar às situações.

Infelizmente temos alguns episódios, sobretudo na primeira parte, que parecem não estar ali a fazer nada. Nomeadamente o episódio da praia (que não é bem uma praia, mas tem fatos de banho) e o episódio das danças dos ventres. Senti-os mais como episódios de serviço inusitado, ali postos às três pancadas para ocupar o tempo e para tentar dar alguma densidade aos personagens femininos (que não a têm). Talvez também para aumentar o sentimento "feel good" de toda a parte inicial da série. 

De resto, um anime muito original e muito bonito, com a sua dose de piada, que vale a pena ver.

11.4.13

Fantastic Children

Fantastic Children
Nakamura Takashi - Nippon Animation
Anime - 26 Episódios
2004
6 em 10

Queria ter terminado este anime ontem, mas estive o dia todo na cama. A sofrer. Com febre. Enfim...

Trata-se de um trabalho muito interessante, que alia o mistério à ficção científica. A história fala da busca de um grupo de crianças que nunca crescem, que vêm existindo ao longo de centenas de anos. Eles procuram uma pessoa e a única pista que têm é um desenho de uma torre e uma lua. Em 2012, numas ilhas tropicais em local não identificado, dois miúdos fogem do orfanato e encontram um rapaz, Thoma, que sabe artes marciais. E enquanto isso, estranhas experiências com velhotes acontecem. A relação entre estes três elementos parece ser ténue, mas a verdade é que é muito forte e apenas no final se descobre o que se passa realmente.

Os personagens são muitos e estão todos interligados. Infelizmente, parecem estar todos muito presos aos seus "eus" do outro mundo e acabam por não sofrer desenvolvimento. Excepto, talvez, Dumas. A arte também não abona nada em favor do anime. Os designs são muito simples e angulares, o que trás um certo aspecto infantil a um anime que não tem nada de infantil. Os fundos parecem estar desfocados muitas vezes, apesar de serem detalhados, sobretudo no que respeita às ilhas cheias de estátuas. Ainda assim a acção passa-se muitas vezes na escuridão, à noite ou com chuva, o que apesar de trazer um ambiente de tristeza generalizada não é nada agradável à vista.

A outra componente interessante, além da história, é a música. Apesar de os temas serem repetitivos, são bonitos e eficientes e acrescentam à tristeza referida anteriormente. Poderiam ser mais emocionais se não fossem usados tantas vezes.

No geral, um bom anime. Manteve-me focada o tempo quase todo, um feito.

Edit: acabei de reparar, este foi o meu anime 900! Wee! Ainda bem que foi uma coisa boa. :)

14.3.13

Arve Rezzle: Kikaijikake no Yoseitachi

Arve Rezzle: Kikaijikake no Yoseitachi
Yoshihara Tatsuya - Zexcs
Anime Special - 1 Episódio
2013
6 em 10

Afinal de contas, o que é isto? É uma light novel que se tornou special, um episódio de 20 minutos sem consequências, animado por uma das revelações que trabalhou em Sket Dance. Lançado na niconico, pelo que indica a watermark no vídeo.

Bom, infelizmente isto é - como disse - apenas um episódio de 20 minutos. Se fosse uma série teria muito potencial. A história é complexa e envolve almas que trocam de corpo e ficção científica. Os personagens têm potencial para crescer. Este special fez um bom trabalho a apresentar a história e as personagens, mas deixa-nos com vontade de desenvolvimento.

A animação é bastante boa, com uma utilização interessante de texturas e cenas de acção envolventes, quiçá um pouco confusas porque não nos apresentaram as "formas de lutar" deste universo convenientemente.

Gostei bastante do trabalho dos voice actors, mas a música não é nada de extraordinário, com uma ED meio punkosa sem graça nenhuma.

Enfim, uma pena que seja só um episódio. Pode ser que façam mais.

14.1.13

Cloud Atlas

Cloud Atlas
Tom Tykwer, Andy e Lana Wachowski
Filme
2012
7 em 10

Há tanto tempo que eu não ia ao cinema... Boa escolha, este filme. São quase três horas que passam num instante.

O filme podia ser muito confuso, mas é bastante simples. Temos uma série de histórias, aparentemente desrelacionadas, mas que têm consequência umas nas outras. Temos histórias no passado longínquo, no passado, presente, futuro e futuro longínquo. E no futuro ainda mais longínquo. E todas se influenciam umas às outras. Em resumo, vidas passadas.

Todas as histórias têm alguma relação com uma injustiça e com uma revolução necessária ao mundo. É muito interessante ter tantas histórias pois são muito variadas. E enquanto algumas são muito trágicas, temos outras recheadas de humor. Três realizadores foram precisos para termos tanta variedade e, acho eu, funciona. O filme até aproveita para nos dar algumas lições de vida, num universo futurista impressionante.

Não gostei especialmente dos efeitos especiais, não me pareceram nada realistas (até hoje bonecos continuam a ser bonecos), mas há um trabalho fabuloso em termos de maquilhagem e caracterização. Cada actor faz uma série de personagens, o que adiciona ao simbolismo de estarmos todos ligados uns aos outros. Há alguns que estão mesmo muito bem disfarçados. Também deve ter sido muito interessante para os próprios actores participar num trabalho em que têm de se mutar constantemente para fazer personagens completamente distintos.

Posso dizer que valeu a pena os mais de cinco euros que custou o bilhete. Só me faz impressão os bilhetes já não serem bilhetes e serem uns papéizinhos cuja tinta desaparece num instante.

30.10.12

Steins;Gate

Steins;Gate
Hamasaku Hiroshi - Frontier Works
Anime - 24 Episódios
2011
7 em 10

Essencialmente isto é um anime sobre umas pessoas que fazem um microondas que dá para mandar mensagens de telemóvel atrás no tempo.

E acontecem muitas coisas. A história é complexa, mas fácil de seguir pois anda sempre para a frente e acompanha sempre o mesmo personagem, Okabe. Para mim a história divide-se em duas partes: antes do pesadelo e depois do pesadelo. Antes do pesadelo começam a mandar mensagens para trás e a brincar com essas coisas todas e vai aparecendo um harém à volta de Okabe (Daru é elemento neutro). Durante o pesadelo prefiro não contar, porque foi muito horrível e assustador (foi meu, não foi da série, haha). Depois do pesadelo, o Okabe tenta resolver a merda que foi feita, que tem consequências algo drásticas. Não desgosto. Mas há pequenos elementos confusos, sobretudo no que respeita a Suzuha. Além disso, acho que a maioria das mortes poderiam ser prevenidas se chamassem uma ambulância ao local de imediato. E o chamado "scientifical reasoning" não tem reasoning nenhum. Sim, eu fui falar com aquele pessoal dos ecrãs pretos com números e barras, só para confirmar a minha desconfiança.

Em termos de personagens, o único que se aproveita é realmente o Okabe. Okarin, ou Okabe Rintarou, ou Hououwouwowin Kyouma, é um MADU SAIENTISTO, SO COOL!, SUNOVABITCH! E encarna isto na perfeição. Tem uma personalidade forte, talvez um pouco louca, mas no fundo só quer salvar aqueles que ama... E isso caracteriza também um pouco do seu egoísmo, aquele egoísmo que o faz obrigar miúdas a carregar computadores. Todos os outros são apenas unidimensionais.

Temos uns dois ou três momentos de animação brilhantes, mas de resto a arte não é o forte deste anime.

Quanto a música, gostei bastante de todas, tornam os momentos bastante belos ou mais intensos. OP interessante, não apreciei muito a ED. No geral, bem bom (mas não o suficiente para sacar).

Gostei bastante desta série. Pelo menos percebi as piadolas do Dr. Pepper! Finalmente!

10.7.11

A Wind Named Amnesia

A Wind Named Amnesia
Hideyuki Kikuchi
Light Novel
1983


 Já tinha ouvido falar deste livro por isso, quando o vi com desconto na Kingpin, comprei-o. E ainda bem.

 Num futuro não muito remoto em que a humanidade se lança à conquista do espaço, acontece uma desgraça. Todos os seres humanos perdem as suas memórias. Esquecem-se de como falar e de como agir, as mães esqueceram os seus filhos e toda a humanidade tem de recomeçar a organizar-se. No meio de tudo isto, há um homem, Wataru, que mantém a antiga sabedoria. Ele encontra Sophia e juntos lançam-se numa fantástica viagem pelos Estados Unidos.

 Esta é a primeira história. Para mim é, em todos os aspectos, brilhante. Está muitíssimo bem escrita, os personagens muito bem caracterizados e a história desenvolvida de forma excelente. A ideia é muito original. Apesar de agora nos parecer um pouco Saramaguiana temos de recordar a data em que isto foi escrito. Com alguns elementos de ficção científica que poderiam ter estragado tudo (mas que não estragaram), este livro é uma ilustração da humanidade e uma desconstrução da evolução da espécie como ser senciente e moral. Com Sophia, a observadora ignorante dos aspectos básicos da humanidade, e Wataru, aquele que é acometido por um forte sentido moral, contrabalanceando-se ao longo de toda a história temos uma caracterização cuidada e bela do que "poderia ter sido". Analisando os mais profundos sentimentos da humanidade, enquanto espécie, Hideyuki Kikuchi compôs uma obra fenomenal. Uma ficção científica que me faz ter vontade de ler mais ficção científica (eu que detesto o género). Gostaria de lhe escrever a congratulá-lo, mas qual será o seu e-mail? 
 
The answer my friend, is blowin' in the wind.
 
Gostaria também que os Americanos fizessem um filme, ou uma série,  disto. Há um filme de anime, que ainda hei-de ver e comentar aqui, mas tem todo o aspecto de ser uma valente porcaria.



O segundo livro desta edição conjunta, Invader Summer, não é tão bom. Numa pequena cidade Japonesa, o Verão é perturbado pelo aparecimento de uma misteriosa rapariga, por quem todos se apaixonam, seguido de fenómenos paranormais. Esta história era confusa. Tinha muitos nomes, o que tornava tudo mais difícil de acompanhar e demasiadas coisas a acontecer. Por momentos perdi o fio à meada e foi sempre difícil de o recuperar. Está bem escrito, é verdade, mas parecia estar desorganizado e com as ideias pouco fixas. De qualquer forma teve os seus momentos de beleza.

Para ambos, as ilustrações são um excelente complemento. Todas feitas em ballpoint pen, caracterizam especialmente bem as cenas essenciais do livro. De facto, algumas cenas não seriam essenciais e tão cheia de beleza se as ilustrações não as completassem.

Sem dúvida um livro maravilhoso, que recomendo a toda a gente, fãs de ficção científica ou não.