20.2.14

Verão Sem Homens

Verão Sem Homens
Siri Hustvedt
2011
Romance

E finalmente saio dos livros em papel durante um bocadinho. E é uma saída em grande! Recolhi este livro sobejante da Convenção do BookCrossing 2013 e, até agora, foi dos melhores que tive o gosto de ler dessa pequena colina.

Como sabem, eu sou grande crítica dessa corrente de escritoras no feminino e para o feminino, que nos tratam de forma quase machista pela estupidificação do género. Assim, foi uma grande surpresa encontrar um livro de mulher para mulher que ultrapassa esse estigma e nos trata (às femininas) como seres inteligentes e emocionais que somos, tal como o são todos os seres humanos e, arrisco, todos os mamíferos, machos ou fêmeas.

O romance fala de Mia, uma poetisa que, após ter sido enganada no seu casamento de 30 anos, se muda temporariamente para uma pequena cidade, para junto da sua mãe. Lá, interage com três grupos diferentes de pessoas: os Cinco Cisnes (cinco velhas, incluindo a sua mãe, que discutem literatura num clube), sete miúdas a quem dá aulas de poesia e a família vizinha. As perspectivas de três gerações diferentes, oferecem - juntamente com longos discursos filosóficos pro-feministas - uma imagem muito exacta do que é realmente a vida social e amorosa em três pontos diferentes da cronologia.

As histórias não se cruzam e são contadas separadamente, pelo que o livro é leve, agradável e não é confuso. Os tais discursos filosóficos quebram um pouco o ritmo da história, mas fazem parte da personagem. São histórias de morte, do passado, de bullying, de fantasia e imaginação. Com isso, a autora faz uma excelente análise e exploração das personagens, que nos aparecem muito vívidas e palpáveis. A história de Mia poderia ter acontecido a qualquer um de nós. Aliás, cada uma das narrativas dentro da narrativa de Mia foram, são e poderão ser coisas que acontecem a qualquer um de nós.

É um verão sem homens: nenhum dos personagens relevantes é masculino. O universo é puramente feminino, fácil de identificar e, sobretudo, de nos identificar-nos com ele. Mas, ao contrário de tantas "autoras", Siri Hustvedt não torna o livro exclusivo para uma classe de género: é uma história universal sobre o ciclo de todos nós.

Gostei muito e seguirá em Ring. E agora, voltemos ao digital! Tenho agora cerca de 150 e-books que me ofereceram e terei leitura durante muito, muito tempo. :)

2 comentários:

  1. Obrigada por esta bela "review", deixou-me com vontade de ler o livro, depois do excelente "Aquilo que eu Amava", a minha estreia com a Siri Hustvedt.

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    1. As opiniões deste livro são muito divergentes, mas - pessoalmente - gostei imenso e recomendo :)

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