6.6.12

A Virgem Louca

A Virgem Doida
Arthur Rimbaud
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Teatro
6 em 10

O Teatro Casa Conveniente é um minúsculo espaço no Cais do Sodré, que muda frequentemente de cor e que está instalado ao lado do vidrão do Chewbacca. Lá fomos nós assistir a uma peça completamente diferente. A Virgem Louca de Rembaut está neste espaço apresentada em sessões contínuas, o que significa que podemos entrar e sair quando quisermos (convenientemente quando a peça já tiver dado a volta e estivermos a ver já uma cena repetida)

Entrámos às apalpadelas e, num palco feito de areia, estava uma mulher nua. Depois vestiu-se. Depois despiu-se outra vez e manteve-se nua. Não posso dizer que tenha gostado muito, é uma coisa muito cansativa.

O texto é muito bonito e gostei de terem usado uma música que gosto muito do Chico Buarque como momento de transição entre os vários personagens deste monólogo. Identifiquei-me com algumas partes do texto, como será natural tendo em conta as situações que já passei (neste meu longo caminho de vida, oh, tão longo, tão longo)

De resto, posso apenas falar da interpretação. Não me agradou especialmente, eu pessoalmente teria feito as coisas de forma completamente diferente (começando por ter roupa) e teria apelado mais à beleza do texto. Pareceu-me um debitar de texto constante sempre na mesma tonalidade trágica, sem variações ou inflexões que ajudassem a uma melhor compreensão das palavras, sendo que a transição entre os personagens - difícil, pela ausência de roupa - foi demasiado subtil. De resto, admiro esta actriz pela sua resistência e pela sua coragem, é preciso uma grande dose de ambas para fazer o que ela fez.

No final, senti-me envolvida num ambiente febril, quase a entrar numa alucinação.

Recomendo para quem quiser uma experiência diferente. Não se esqueçam de devolver o berlinde no fim.

(Quando chegar a casa vou fazer um scan do programa, para verem :)) 

 Está aqui o programa!



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