19.1.15

As Vinhas da Ira

As Vinhas da Ira
John Steinbeck
1939
Romance

Este sim, é oficialmente o primeiro livro a ser lido em 2015. Um romance de excelência, que amei ler em todos os momentos.

Directamente e com mestria, Steinbeck aborda a realidade americana durante a grande depressão. Seguindo a família Joad, ele conta como tantas pessoas foram obrigadas a abandonar as suas quintas e fonte de rendimento para migrarem, numa espécie de êxodo, para a Califórnia, onde se acreditava existir trabalho com fartura e potencial felicidade. No entanto, lá chegados, é revelado que na verdade o trabalho que há é pouco para tanta gente e muito mal remunerado. Porquê? O autor explica tudo isto com uma lógica simples, fácil de seguir, mas de certa forma aterrorizante, pois estes acontecimentos - que estão muito bem inseridos na sua época - podem retratar qualquer tipo de trabalho pós-revolução industrial. Isto significa que o desespero destas pessoas é muito semelhante ao nosso desespero actual.

As descrições são muito detalhadas e vivas, mas nunca são exaustivas ao ponto de nos cansarem. Todas elas são necessárias para que nos seja possível compreender como o estado do tempo, meteorologia e natureza afectam directamente estas pessoas em viagem, condenadas a passar o resto das suas vidas em precários acampamentos à beira da estrada. Os diálogos são extremamente realistas, fazendo uso de todos os termos idiomáticos de cada uma das terras pelas quais os Joads passam.

De tantos em tantos capítulos, existem alguns elementos intermédios, narrativas de coisas que não se passam com a família que vamos seguindo mas que são referentes a todas estas pessoas, centenas de milhar, que se transportam de um ponto ao outro do país. São estes capítulos que trazem proximidade à realidade desta gente, que nos ajudam a perceber com exactidão as injustiças que sofrem. Mas também a solidariedade expressa de uns para com os outros.

Apesar do seu tom negativista, é um livro que alimenta uma certa esperança na humanidade. Apesar de perdermos tudo aquilo que nos define como pessoas, se nunca perdermos o carinho para com os outros, conseguiremos sobreviver. É uma grande lição. Um livro que é uma obra-prima.

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