11.6.14

O Retrato de Rose Madder

O Retrato de Rose Madder
Stephen King
1994
Romance

Uma das minhas grandes falhas literárias era nunca ter lido Stephen King. Apesar de já ter ouvido falar imenso (quem não?), nunca tinha calhado. Finalmente, calhou. Apareceu no BookCrossing e aproveitei.

Esta é a história de Rose, uma mulher maltratada pelo marido de forma brutal e redutora. Decide fugir para outra cidade, mas o doido vem atrás dela. Até aqui, estava a espantar-me.... Sempre tinha ouvido dizer que o Stephen King só escrevia coisas dentro do género thriller e terror. De thriller tem muito logo desde o início. Podemos ver a perspectiva de Rose e, ao mesmo tempo, a do seu marido Norman. As duas em conjunto são uma perseguição sufocante, que nos leva à beira dos nervos.

Mas então, mais ou menos a meio do livro, entra o factor fantástico em acção. A partir daqui, muito do livro se perdeu. Rose entra dentro do quadro de Rose Madder (o retrato do título) e lá terá de realizar algumas tarefas, que a ajudarão mais tarde a divorciar-se do marido (em sentido mais do que literal). Este twist é interessante ao início, mas o universo dentro do quadro não está suficientemente explorado e acaba por se tornar confuso. Existem muitas referências, tanto surrealistas como no que respeita às diversas mitologias, mas elas perdem-se umas nas outras, tropeçando numa imagem muito incerta. Talvez isto tenha sido propositado para alimentar a aura de mistério que todas estas cenas exalam, mas achei que teria tido um efeito mais forte emocionalmente se tudo se tivesse estabelecido de forma mais clara.

O final é desapontante e também bastante confuso. Porque é que Rose fica com "raiva"? Isto no sentido figurado, é claro. Se ela eliminou a fonte da "raiva", porque passou para ela? O que significa realmente a árvore? E a raposa? Por todo o lado estão símbolos que não se relacionam uns com os outros e aparentam ser bastante aleatórios.

Mas fiquei com vontade de ler outros livros do autor para tirar as dúvidas.

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