24.6.14

Bakuman.

Bakuman.
Obata  Takeshi e Ohba Tsugumi
Manga - 176 Capítulos/20 Volumes
2008-2012
6 em 10

Já há algum tempo que não via nem lia nada sugerido pelo meu clubezinho. Vinha nutrindo uma certa curiosidade em relação ao franchising de Bakuman pelo que quando surgiu a oportunidade pensei... Porque não?

Este manga conta a história de dois jovens que decidem criar um manga juntos. Um deles escreve a história e o outro desenha. Acompanhamo-los desde o primeiro rascunho ao sucesso. Enquanto isso, outras histórias se desenrolam... O tio que morreu por excesso de trabalho e que também era mangaka. Os outros mangakas tentando ter sucesso e estabelecendo-se como rivais. Mangakas que perturbam o funcionamento do duo. Mangakas que recorrem a truques menos limpos. E o principal: a promessa de que o desenhista se vai casar com uma aspirante a actriz de dobragem quando tiverem um anime e esta for a voz da heroína.

Ao início estava maravilhada. Esta viagem ao mundo editorial começou por ser, antes de mais, muito esclarecedora. À medida que a história se desenrola, vamos conhecendo cada vez mais sobre as nuances do trabalho de editor, o que é sem dúvida a parte mais interessante. Mas à medida que o tempo vai passando, isto acaba por não ser suficiente, sendo que o ritmo acaba por se quebrar em muitos momentos, sobretudo quando são introduzidos novos desafios e novas personagens.

O grande problema deste manga é a passagem do tempo. Passam-se dez anos desde o início ao fim da história. No entanto, esses 10 anos não são demonstrados em mudanças nos personagens, quer física quer psicologicamente. São exactamente as mesmas pessoas aos 24 anos do que eram aos 14, o que não é nada realista. Para mais, também não são realistas as expectativas e acções dos personagens no que respeita a relações amorosas. Se ao início a "promessa" era algo motivador, a improbabilidade de ambos a manterem (se isto fosse real) torna tudo um pouco estranho à medida que o tempo passa e ficam cada vez mais perto do sonho.

Também o tempo não passa nos desenhos. As estações do ano não são muito claras, mas a principal questão é que a paleta de sombras é tão escura que todas as acções parecem passar-se durante a noite. A arte também aparenta piorar à medida que as páginas vão correndo, sendo cada vez menos detalhada (com excepção para alguns painéis especiais)

Se a história peca, temos - no entanto - alguns personagens muito cativantes. Cada personagem tem características únicas, quer no design quer na personalidade, o que torna os momentos muito engraçados ou emotivos, conforme a situação. Os meus preferidos foram o Senhor Hattori, editor, e a Kaya-chan. Ainda assim, existem personagens que, sendo interessantes, desaparecem sem deixar rastro de forma muito inesperada.

Um aspecto que veio melhorando ao longo tempo, para variar, foi o ênfase dado aos mangas que aparecem na história. Ao início, queria muito saber sobre o que tratavam, o que era a história deles, como era a arte, etc. O estilo de arte não varia muito do resto do manga, o que talvez seja um erro (dado que cada artista tem o seu estilo, teria sido mais interessante ver variações conforme a obra de cada personagem). Mas ficamos a saber bastante sobre alguns dos mangas, o que foi algo que apreciei.

Mantive um ritmo muito certo neste manga, apesar de mais para o meio já não me apetecer tanto ver o que aconteceria a seguir. No geral, um manga mediano. Também dos poucos mangas de longa duração que tive a oportunidade de ler. Mais se seguirão.

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