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6.3.25

Nickel Boys

 

Nickel Boys
RaMell Ross
2024
Filme
7 em 10


Filmado sempre na primeira pessoa, este filme conta a história da amizade entre dois rapazes que foram enviados para um reformatório altamente abusivo, inspirado na história real de um reformatório na Flórida. Estamos nos anos 60 e a luta pelos direitos civis está plena e acesa. Um dos rapazes quer mudar a situação deste reformatório, inspirado pela luta dos seus irmãos negros. O outro só quer proteger-se e evitar morrer, coisa que bem pode acontecer devido à violência física e sexual exercida pelos guardas.

A perspectiva de primeira pessoa, que muda de pessoa em pessoa, está filmada de forma virtuosa, sendo que a câmera passa de plano para plano com uma naturalidade extraordinária. Tudo isto está misturado com imagens reais de violência e das pessoas que faleceram no reformatório verdadeiro. E no final percebemos que, sim, isto foi uma história mais ou menos real, e que o "narrador" - que não é o que esperamos - é uma pessoa que realmente existe.

A banda sonora também é envolvente e adiciona um toque de terror ao filme.

Gostei bastante.

Uchū Matsuri

 

Uchū Matsuri
Evento


Ora bem, este foi o último evento a que fui e tenho várias coisas a dizer sobre ele. Nem todas muito agradáveis. Vejamos.

Para começar, tinha-me convidado para dar um workshop sobre skits de cosplay, pelo qual estava muito excited: tinha preparado tudo muito bem, e estava ansiosa por receber os meus participantes, apesar de saber que só tinha uma pessoa inscrita. Também me tinham convidado para jurar o Concurso de Skits, no qual não me inscrevi precisamente por causa disso, porque - sic - "ela é a pessoa que mais skits fez em Portugal". Estava muito contente weee! Mas depois várias camadas se foram revelando e eu fui-me irritando um pouco, e por forma a manifestar-me, no Sábado, levei o meu cosplay de pessoa "trans" (entre aspas porque quem conhece os livros sabe do que se trata), o Tobias dos Animorphs. Outras pessoas levaram personagens queer e fiquei bastante feliz por haver esse manifesto.

Então, fui buscar a minha amiga Scarlet, que me ia dar uma ajuda com o workshop, e seguimos para lá. Estacionamento fácil, mas uma zona sem *nada* à volta, nem um café aberto, nem nada. O lugar do evento era uma escola, e fiquei com pena das crianças que lá estudam porque a estrutura da escola está completamente destroçada. As casas de banho, por exemplo, eram de um nojo incompreensível. Janelas partidas, cacifos destruídos, enfim, esta escola já viu melhores dias e bem se podia candidatar ao Parque Escolar, que não sei se ainda existe.

No workshop compareceram dois jovens mui simpáticos, e foi super divertido porque assim - com menos gente - pude dar-lhes atenção total durante uma hora e meia. O workshop estava planeado para mais tempo, mas também estava planeado para 15 (quinze!) participantes. Enfim, com estas duas pessoinhas pudemos praticar movimento, voz, trabalho com adereços e escrita de argumento para skit. Foi muito animado e corremos e dançámos, weeeeeeeeeee Espero ter ajudado estes jovens a ganhar mais kokoro para ir ao palco, e na próxima estamos lá todos juntes!

Depois troquei para o meu cosplay, a minha amiga sentiu-se mal e foi para casa, e comecei a andar de um lado para o outro em circulação. Chegou entretanto outra amiga, das Aulas de Japonês Setúbal, e fiquei a guardar a banca dela enquanto ela foi dar o seu workshop.

Seguidamente, fui assistir ao concurso geral, em que congratulo a MissBakemono por ter feito um skit que me levou às lágrimas de tanto rir, e em que congratulo também os outros dois participantes, que também estavam óptimos! Depois sentei-me na mesa dos juris a perguntar "sou eu aqui?" e muita gente pensava que sim, era eu ali. Mas afinal foi-me dito "quem te disse que eras juri?" e eu "aaa, então não sou aqui", e a pessoa responsável "não és aí", e eu bazei teehee. Gostei muito do concurso de skits, sobretudo do skit de... Amor Doce? Acho que é isso? Enfim, ri imenso. Não me fez confusão não ser jurada, tudo ok, só me fez confusão não me terem dito nada? Nem a mais ninguém? Senti que havia segredos a serem revelados a pessoas exclusivas.

Passei o resto do dia a beber um Bubble Tea de Lichia na banca das Aulas de Japonês, wry


Domingo não tinha grande vontade de ir, mas estava combinada com a minha amiga Alice ir com ela de Nana+Nana (ela a Nana e eu a Hachi). Lá me esforcei por me erguer da cama (as corridas do dia anterior deixaram-me destruída) e fomos a caminho! Infelizmente assim que lá cheguei deparei-me com um problema - digamos - fisiológico: a escola tem TANTAS escadas e o piso do passeio era TÃO irregular que eu não conseguia andar com os meus saltos gigantes, parecia uma aleijadinha a descer as escadas uma a uma. Então fui descalça à procura dos ténis, que por acaso até combinavam bem com o resto da roupa.

Neste dia, aproveitei para fazer tudo o que não tinha feito no dia anterior: fazer muitas comprinhas no Artist Alley, que foi a melhor parte do evento, estava mesmo composto e com artistas que são bons artistas; tirar fotos com a minha Nana; fazer vídeos das actividades e dos jogos de feira; coleccionar carimbos no peddy paper stamp rally; comer um belíssimo churro. O vídeo sairá brevemente.

Depois a Alice disse-me "bora ao desfile de cosplay?" e eu "bora!". Inscrevemo-nos juntas em par, e para minha grande surpresa ninguém me impediu de me inscrever embora eu levasse ao pescoço a credencial de convidado. No final não pudemos ir as duas juntas e fomos separadas, boo. Eu não me aguentava nos sapatos então perguntei a uma das juras se achava melhor téni ou sapato e ela disse sapato, então fui ao desfile de sapato mesmo yay!

E, para maior das surpresas, fiquei em segundo lugar? *choque*

Obrigada T__T

Após o anunciar dos prémios, os organizadores iam fazer uma palestra sobre "como não organizar um evento", mas toda a gente se começou a ir embora e eles suspenderam para fechar efectivamente o evento.

Fui embora exausta mas feliz, mas também um pouco desapontada com o que aconteceu, pela comunicação deficiente e pelo estado do espaço escolhido, que era apocalíptico. Ainda assim, valeu muito a pena poder fazer o meu workshop, fiquei mesmo muito contente e foi mesmo divertido. Espero poder repeti-lo em outras ocasiões, apesar do quórum não ter sido muito!


OBRIGADA!

A Real Pain

 

A Real Pain
Jesse Einseiberg
2024
Filme
6 em 10


Após o falecimento da sua avó, uma judia polaca, dois primos encetam uma viagem até à Polónia para conhecer melhor a história do holocausto e, assim, processar o seu luto.

Portanto, filmes sobre o holocausto já não me chocam minimamente (depois de As Benevolentes tudo o que vem é precioso). Assim, esquecendo que este filme é sobre o holocausto, gostaria de pensar qual é realmente o seu objectivo: o processo do luto pessoal, ou o processo do luto colectivo. Enquanto isso não está estabelecido, é impossível entender o que o autor quer com esta narrativa.

O único actor que se destaca é o primo mais falador, que efectivamente tem uma performance digna de Oscar. De resto, todos os outros aparecem moles, aborrecidos, indiferentes, até o primo mais calado (realizador e argumentista do filme também), que parece quase estar ali a mais, e que não traz nem conflito nem conforto ao seu parceiro.

Não achei um filme extraordinário e, sinceramente, farta estou desse luto colectivo que nesta altura parece apenas existir para justificar um genocídio.

Cosplay Photoshoot #21

 

Cosplay Photoshoot #21
Evento


As semanas que antecederam este evento foram muito difíceis para mim, então decidi-me a desistir do Mercado Pop em Coimbra, no qual me tinha inscrito para fazer um skit e pelo qual estava muito excited, e usar o mesmo cosplay na famosa Photoshoot que estreia o calendário de eventos do ano.

Fui com o primeiro cosplay que comprei na vida, a Marcille de Dungeon Meshi, e que tive de alterar porque não servia. Ainda assim recebi algumas críticas pouco construtivas de como corrigi o fato, o que me deixou um pouco triste. De todos os modos, nunca tinha tido um cosplay tão popular, considerando as pessoas que me tiraram fotografias.

Desta vez senti-me desmotivada para fazer o meu vídeo de cosplayers, pois outras pessoas estavam também a fazer um vídeo mas de forma muito mais profissional que eu. Por isso não gravei nem fotografei ninguém, apesar de querer bastante, o que lamento. Eu não estava muito bem esses dias.

Como as escadas do Pavilhão da Utopia (é assim que se chama, não é?) estavam encerradas pela polícia, que andava a pulular como abéculas saltitantes de amarelo fluorescente por toda a parte, tirámos a foto de grupo nas escadas do Pavilhão de Portugal, que são muito mais pequeninas mas nós também já não somos tantos como costumávamos ser.

Depois aguardei pela minha fotógrafa, que é super fash, e estive em alegre converseta com os meus colegas e amigos cosplaicos. Vídeos, fotos, etc, foi bem giro e pude falar com mais atenção com algumas pessoas que não conhecia bem.

Tirámos uma série de fotos (que ficaram fabulosas) até ser de noite e um maluco se meter no nosso enquadramento a falar gibberish para o ar. 

Portanto, foi um dia muito bem passado! :)

Contos Tradicionais Portugueses

 

Contos Tradicionais Portugueses
Compilado por Adolfo Coelho
2020
Contos


Um livro essencial para qualquer casa portuguesa, que compila uma série de contos da tradição oral, recolhidos ao longo dos anos por vários autores e agora compilados - os mais importantes - num único volume por Adolfo Coelho.

Os contos são super divertidos, alguns assustadores, outros que deram origem a ditos e ditados, mas num conjunto a maior parte são inesquecíveis.

Gostei sobretudo do conto do Homem da Moca, que de todos me pareceu ser o mais completo e detalhado.

Para quem é fã da tradição portuguesa e para quem, como eu, se interessa pelas histórias antigas que colocam um sincretismo entre o cristianismo e o paganismo, este livro é extremamente valioso.

Fado

 

Fado
José Régio
1941
Poesia


Ultimo livrinho dos três da mesma colecção que comprei mega baratos na Feira do Livro.

Então, ao início eu comecei a ler e pensei que este livro fosse altamente nacionalista, mas acabou por se revelar algo diferente. É uma colectânea de poemas, todos eles "Fado" de alguma coisa, em que o autor - sob forma rimada - nos conta as várias dores de vários tipos de pessoas, isto é, o destino fatal que várias faixas da comunidade possuem.

Assim, estes poemas não são uma honraria para a arte nacional, mas antes uma crítica aguda ao estado das coisas na sua época. Isto foi surpreendente e agradável.

Assim, gostei deste livro, mas acabei por o deixar numa OBCZ na estação dos barcos.

K4 O Quadrado Azul

 

K4 O Quadrado Azul
José de Almada Negreiros
1917
Folhetim


Publicado no início do século XX sob a forma de folhetim, "O Quadrado Azul" é um estranho manifesto social e político, escrito da forma mais aleatória possível, e que demonstra as ideias do autor de forma revolucionária mas, confesse-se, altamente hilariante.

O autor discorre sobre vários assuntos da sociedade da sua época num discurso meio desconexo, meio doido, e essa doideira permite-nos compreender - no meio de risos - que o autor não quer viver aqui, não quer estar aqui, que nós somos uma merda e que devíamos todos matar-nos.

Achei excelente a ideia!