3.2.15

The Ideon: Be Invoked

The Ideon: Be Invoked
Tomino Yoshiyuki - Sunrise
Anime - Filme
1982
  7 em 10
 
Vejam aqui sobre o primeiro filme. Entretanto aprendi algumas coisas sobre isto. No início, era uma série. Mas essa série foi cancelada e os últimos quatro episódios saíram neste filme de que agora vos falo. Dizem por aí que esta conclusão inspirou Neon Genesis Evangelion. E agora que falam disso, realmente faz sentido. Muitas vezes perguntam-me porque não paro de ver séries que não me estão a agradar, porque não faço o "drop". E, mais uma vez, aqui se prova a razão. Porque Be Invoked, o Hatsudou Hen de Ideon, é simplesmente genial.

Em relação ao primeiro filme há poucas diferenças na narrativa e no desenvolvimento de personagens. Como sabemos, Yoshiyuki Tomino mata pessoas indiscriminadamente. Aqui, ninguém está livre desta premissa. Ninguém é poupado e o final tem tudo para ser trágico. Neste filme, está ilustrado o fim da humanidade, numa guerra apenas causada por um racismo inerente entre as duas facções (que, no fundo, são iguais), por maus entendidos e por uma geral falta de compreensão entre as partes. Mas a sequência final... Essa sim, é algo que faz falta nos animes de hoje. Quando tudo parece estar perdido, entramos numa viagem pelo espaço, protagonizada por novas estrelas, que caminham, voam pelo nada até chegarem a um novo lugar. Este final recordou-me com carinho um dos meus albuns preferidos, o "10.000 anos depois entre Vénus e Marte", do querido José Cid. Porque apesar de tudo o que acontece, no final, no pós-morte, há uma ressurreição em que todos aceitam as suas diferenças, em que todos compreendem que a humanidade é, afinal, apenas uma. E assim reencarnam num novo planeta que, pelas imagens reais do final, aparenta bastante ser o nosso. Por isso, será que este será o futuro? Ou será que foi a nossa origem? Dá que pensar e é um exercício de esperança.

Na arte, há algumas melhorias nas cenas de acção, mas sobretudo na cena final, em que a viagem das estrelas é retratada em tons suaves e muito orgânicos, transmitindo uma sensação de "isto poderia mesmo acontecer". Nas lutas finais, a guerra, também protagonizada por alguns personagens recentemente introduzidos, há grande variedade de cores e explosões, o que - para a época - é algo muito positivo. Apenas o design da maquinaria e das roupas continua um pouco aquém do esperado.

Musicalmente, poderia dizer que nada interessa, mas a peça final é de um poder grandioso, uma explosão de texturas sonoras que nos dá uma sensação de maravilhamento.

Assim, retiro o que disse sobre o primeiro filme. Recomendo vivamente que vejam este anime e que se inspirem com ele.
 
 

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