10.2.15

Big Hero 6

Big Hero 6
Don Hall & Chris Williams
Animação
2014
6 em 10

Depois de diversas festividades de fim de semana, observaremos este filme. Será que é desta que a Disney se vai redimir de falhanço atrás de falhanço? Acho que não. Um filme mediano, simplista e, no geral, muito pouco cativante.

Em São Fransokyo, uma mistura de São Francisco com Tóquio, um miúdo de origens nipónicas, Hiro, é considerado um génio da robótica. É levado pelo seu irmão a visitar a faculdade, onde fica interessado em ingressar. Para isso, constrói mini-robots que são destruídos, juntamente com o irmão, num fogo. Resta-lhe a herança familiar de um robot de características medicinais, Baymax, que está programado para resolver os seus problemas. Depois há um super-vilão e ele torna-se num super-herói.

Na verdade, a história é mais ou menos uma cópia daquelas dos super-heróis Marvel que, pertencendo à Disney, podem ser usados a bel-prazer. O filme apresenta-se como uma "homenagem" a estes filmes e à banda desenhada e também como "homenagem" à indústria do anime, mas a forma como tudo é apresentado, de forma básica e infantilizada, parece-me uma redução de ambos os géneros a uma actiivdade para crianças. Ora, os fãs sempre recusaram este epíteto na sua fandom. Anime e banda desenhada nem sempre são coisas para crianças. E este filme vai exactamente contra isso, demonstrando a toda essa faixa americana ignorante que sim, todas estas coisas, todo este neo-Tóquio, é uma coisa altamente apropriada para os meninos e meninas.

No respeitante a personagens, há uma evolução evidente e previsível, assim como toda a linha narrativa, de Hiro e Baymax. Baymax, enquanto robot, não convence. Não obedece às leis da robótica instauradas por Asimov e tem uma evolução de personalidade que não se adequa à inteligência artificial. Na verdade, é apresentado como uma "criança" que cresce até se tornar num "herói", assim como todos os outros personagens. O grupo de nerds, que apesar de tudo é o que tem mais piada no filme todo, é redutor e quase ofensivo: "também tu amigo geek podes ser um super-herói se levares uns upgrades em tudo". O filme em tudo segue uma linha altamente vulgar e demasiado simples para ser considerado.

A arte tem traços suaves, que em nada recordam anime ou banda desenhada, mas achei que os cenários estavam muito pouco detalhados, sendo que as cenas nocturnas não tinham luz suficiente para o ambiente urbano apresentado. As cenas de acção são muito simples e trazem pouca emoção, sendo que os intervenientes pouco ou nada fazem e é apenas o nosso "Hero" que faz tudo e dirige toda a gente, como se o resto dos "heroes" não tivessem identidade.

A música é terrível, sendo que o tema principal não tem ponta por onde se lhe pegue e não tem qualquer relação com o tema do filme.

Por isso, Disney, desculpa lá mas tens de continuar a tentar. Ainda assim, é evidente que este filme vai ganhar o Oscar. Como se esse prémio ainda merecesse respeito.

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