5.8.15

Colorful

Colorful
Hara Keiichi - Sunrise
Anime - Filme
2010
7 em 10

Vimos este filme no fim de semana, mas o trabalho tem sido tão árduo (mesmo trabalho...) que só agora consigo escrever sobre ele. Foi recomendado pelo meu clube e, como sempre, revelou-se uma boa surpresa.

O filme começa numa estação de comboios. O purgatório, ou algo semelhante, uma passagem da vida para a morte. A uma alma perdida é dada a oportunidade de ocupar o corpo de um adolescente que acabou de se suicidar para que descubra qual foi o seu crime durante a vida e tenha uma nova oportunidade de "reciclagem". Desta forma, num corpo que desconhece, a alma vai ter de viver a vida como ela é, ultrapassar problemas e melhorar-se. O argumento é bastante original e existem muitos momentos de confronto entre as personagens que acabam por ser muito interessantes. Mas tenho uma crítica em relação à direcção do filme: a narrativa não é constante, formando-se numa espécie de montanha russa, com grandes mudanças de dinâmica, entre momentos tensos e momentos calmos. Isto poderá desconcentrar o visionante e torna o filme numa amálgama de sentimentos que poderão tornar-se negativos, com uma conclusão bastante previsível e sobre a qual gostaríamos de saber mais.

Por outro lado, estas mudanças de dinâmica ajudam-nos bastante na compreensão do âmago das personagens. O nosso rapaz principal é operante de uma mudança radical na sua personalidade, que espanta os seus conhecidos (não propriamente amigos) e que o leva ao tal confronto. Estes momentos dão-nos muitos dados interessantes sobre os personagens secundários, havendo momentos em que, citando o Qui, "quase parece que nem estamos a ver desenhos animados". As conversas são maduras, se bem que apropriadas à idade dos personagens, bem escritas e realistas, falando de assuntos muito actuais, como a insegurança adolescente, os maus tratos na escola, a prostituição e as relações familiares num ambiente moderno Japonês.

O ponto mais forte do filme é, sem dúvida, a arte. Sendo evidente que há neste filme um patrocínio da junta de freguesia lá do sítio, temos cenários quase fotográficos, muito realistas e cativantes, que funcionam muito bem como spot publicitário discreto. Talvez estes momentos gráficos cénicos sejam um pouco longos demais, mas são agradáveis de qualquer forma. As personagens em si estão bem animadas, se bem que não há grandes cenas de acção, sendo que o maior defeito se encontra nas expressões, usadas muitas vezes com um estilo cómico que não se coaduna bem com o resto do grafismo. Fica a nota também para os quadros, com uma certa tendência expressionista, que o nosso personagem principal pinta. São um mecanismo narrativo que está muito bem utilizado, uma espécie de metáfora para os sentimentos confusos do rapaz. E são, em si mesmos, obras muito interessantes.

Finalmente, não posso deixar de falar da música. A banda sonora tem momentos extraordinários, entre alegria e melancolia, que se adequam perfeitamente a cada uma das cenas que retratam. As peças, individualmente, são bastante curiosas e memoráveis.

Assim, temos um filme que - apesar dos defeitos em termos de ritmo - se apresenta como uma visão diferente e original da vida moderna. Recomendo-o e, certamente, voltarei a vê-lo.

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